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domingo, 8 de novembro de 2009

PASSADO: A Face

Este texto foi escrito para mim por um ex, o Txi. Um ex-ficante. Nós tentamos um namoro em junho de 2006, porém não o considero como um ex-namorado. Apesar de ter sido ótimo termos ficado juntos, mas, convenhamos, um mês não é um namoro. Tudo se encerrou, disse ele, porque teríamos nos tornado mais amigos do que namorados. Na minha opinião foi porque ele realmente estava apaixonado por um colega que lutava karatê com ele na seleção do Estado, o Júlio. Hoje, três anos depois, talvez traumatizado pela impossibilidade do amigo hétero apaixonar-se por ele, podemos encontra-lo dentro de alguma igreja, sufocando seu desejo.


A Face


Eu o observo... Tão atentamente, que minha mente voa pela arquitetura de seu rosto.
Vejo a perfeição e as curvas delineadoras desta jóia reluzente.
Os olhos de um oriental, que expressam a sabedoria milenar de idas vidas...
Duas pedras de ébano jazem naqueles olhos expressivos, que parecem clamar por meus afagos.
E então vejo a delicadeza de seu nariz que desce suavemente , assim como uma duna, cuja areia a cobre como um véu.
Perco-me nestes lábios... Que me seduzem, me envolvem e me levam à distâncias cósmicas de prazer, numa trama intrínseca de amor e paixão, em puro fervor...
E a barba que cresce feito grama verde num belo jardim, do queixo másculo até ao principio de suas orelhas pequenas.
Ele então me beija, dando-me a prova de que aquela fantasia pertencia só a mim.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

PASSADO: Meu Último Dia Em Natal

Inspirado pelo Casado(i)s

Eu queria ser bonito como o modelo daquele outdoor, ah, como queria. Cadê o Andarilho? 25 centavos um picolé de chiclete. Que menina linda, mas tão mal vestida! O cara me encarou ou olhou para meus óculos aviador? Ventava a pouco, mas agora já não venta, faz calor. Adoro vento meus cabelos, é como cafuné. Outro 63. Meu irmão disse que o Carrefour está para falir. Moedas. Um novo olhar nos meus óculos, mas de um cara que precisa urgente de uma pedicure. 77, Parque dos Coqueiros. O cara da pedicure pegou o 63. Lembro de você: tava com um gatinho no Feitiço naquela fatídica quinta. Andarilho, where are you? Picolé delivery. Curso de inglês. Meu braço está fino. Estou de havaiana verde. Para quê diabos eu aceitei ir nesse aniversário, me diga? Quem sabe eu conheço alguém não é? Idiota! Esperançoso! Você não é como o Andarilho ou o Gu que vai para algum lugar e escolhe se vai ficar com alguém, você só fica com alguém por pura sorte. Exagerado! Dramático! Tem quente que quer ficar com você, não do tipo que você gostaria, mas tem. Se 2009 não for diferente deixo de ser cristão. Brahma? Ateu? Skol? Buda? Volei? Preciso voltar a academia. Veia cava, aorta, coração. "Meu coração não sei porquê bate feliz quando te vê". Pitangui, já são 11:15 h, e estou indo para a granja do dito aniversariante. Vodca! Esses óculos estão marcando meu nariz. Com óculos o verbo tem que estar no plural? Agora um menino está olhando que minha bolsa é da Playboy. Um Maitai e dois China Village, por favor! Foi o saldo de ontem a noite, sozinho, no Gringo's, após o desencontro e antes do encontro com Alan e Wallace. Gu chegou. Andarilho ligou dizendo que está atrasado. "Jura?". Fico então conversando com o Gu.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

PASSADO: Olhem as Nuvens!


Um texto antigo, enquanto decido o que faço aqui...


Gente ocupada
Tão ocupada
Tão atarefada
Que não tem tempo
Tempo de parar
Parar e olhar
Já viu como está o céu hoje?
Nuvens! Nuvens!!
Nuvens brancas
Contrastando com o celeste azul
Um azul de olhos de bebê
Límpido e sem pecado
E nuvens que me fazem lembrar
Que não existe só um tom de branco
Olhem as Nuvens!
E vejam o quanto de azul
Há no branco.
Olhem as Nuvens!!
E vejam com quanto negro
Se pinta um quadro branco
Olhem as Nuvens!!!
E se perguntem que música
Acompanha sua dança
Olhem as Nuvens!!!!
E advinhem o que se avizinha no horizonte


PS:
Caros amigos blogayros,
caso não saibam, eu, o Foxx, sou historiador. Eu resolvi então escrever um artigo, para uma revista de estudos gays da Universidade Ferderal do Rio Grande do Norte, a Bagoas, sobre o movimento blogayro no Brasil, de 1999 a 2009, mas para isso necessito de vossa colaboração. Eu preciso que os blogayros interessados entrem em contato comigo, pelo e-mail le.foxx@hotmail.com para que eu possa encaminhar-lhes um questionário para poder coletar as informações para o artigo.
Agradeço desde já.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

PRESENTE: A ironia mais bela

Texto escrito em 16 de setembro de 2005, após uma conversa com Wagner, um cara que eu tinha conhecido pela internet e me vira com o Felipe na Bienal do Livro em Natal. Naquela conversa ele me disse que se eu não fosse tão bicha, como ele tinha notado, ele não me deixaria escapar, porque "aquele era meu único defeito". Como este tema tem reaparecido nas minhas conversas emessênicas ultimamente e, ontem, uma amiga do Bruno disse que perto de mim ela parece um homem, então, vale a pena rememorar o texto.





Você não acha que a Ironia é a coisa mais bonita que existe na face da Terra? Veja só.
Existe coisa mais bonita que a lágrima que você derrama quando descobre que esnobou o grande amor de sua vida?
Existe coisa mais bonita que quando você descobre que o seu maior defeito é a chave de sua felicidade?
Existe coisa mais bonita do que descobrir que o melhor dia de sua vida é o último?
Existe coisa mais bonita do que perceber que aquilo que te deixa triste alimenta tua força?
Existe coisa mais bonita do que entender que o caminho mais fácil, desistir, é também uma opção digna?
Existe coisa mais bonita do que notar que o fim é só mais um começo?
Existe coisa mais bonita do que ver a esperança nascer da dor?
Agora e para sempre eu sou como a Fênix, e não existe ironia mais bela!




E sobre o The Blogger Bachelor, estão inscritos:
minininho_badboy
Rhenan
Max Demian


o Léo, o Goiano, o The Secret Boss, o Thiago, o Little Pet e o Teago não confirmaram.

Então, se eles confirmarem, ainda resta uma vaga.

Gente, é só uma brincadeira, para nós nos conhecermos, para haver mais integração, apenas isso.
Vamos lá.
Vamos brincar.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

PASSADO: Realismo/Naturalismo

Na falta total de inspiração para um texto sobre meu passado, então que venha um texto do meu passado. Mais um texto antigo para vocês, este não tanto, escrito em 2006, mas não sei precisar bem a data. Espero que gostem!


Será que sou um babaca que se leva a sério?
Lendo Hell acabei sendo intrigado por esta questão. Estava eu em um ônibus fedido, indo trabalhar, escondido atrás dos meus óculos Chili Beans de hastes douradas e lentes azul-marinho. com minhas roupas que me fantasiam de menino moderno e antenado. Acabei olhando em volta. Vi a bela paisagem das Quintas, salpicada de muita pobreza. Do meu lado direito, no fundo do ônibus, sentava-se uma mãe solteira de não mais de dezoito anos. Ela erguia sua perna para apoiar o filho que dormia no bafo quente da tarde. A perna estava decorada com um ramalhete de rosas e machas que eu suporia serem de bexiga se o vírus não tivesse sido extinto há décadas. A minha esquerda, a trilha sonara era providenciada. Meninos competiam para dizer quem tinha os melhores toque monofônicos no celular. Ainda cantavam acompanhando aquele som tedioso. E eu, lia. Atrás de óculos estilo Ray Ban.
Senti-me ridículo, não nego. Estava cercado de tanta pobreza e me senti mal pela fantasia de riqueza que eu suava. Quem sou eu, meus senhores para destoar deste mundo que fui criado? Eu tenho esse direito? Ou estou fingindo? Criando uma personagem que nunca serei? Adianta refinar-me ou é falta de honestidade? Será que Lolita Pille daria gargalhadas com ar de pena?

terça-feira, 11 de março de 2008

PASSADO: Poesias sem título

Bem, vocês sabem que de vez em quando eu coloco textos antigos nesta sessão, não é? Normalmente quando não estou inspirado para contar as aventuras que me transformaram nesta incrível Raposa que vos fala. Pela primeira vez, no entanto, estreio poesias. São antigas, do início dos anos 2000, não sei precisar bem a data, mas de qualquer forma são de depois da época que um professor de literatura tentava me convencer que eu dava para poeta. Eu sempre achei que ele estava sim falando no mal sentido. Ou bom, depende do ângulo, não acham? Pois, então, provem este resultado posterior das investidas do meu professor de literatura... e não é que eu acabei falando sobre o meu passado, não foi?



Vibraríamos como trovões
Brilharíamos como relâmpagos
Suaríamos como chuva
Jorraríamos como dilúvio
Amaríamos como deuses
Eu e você


* * *


Eu quero fazer muita coisa grande
E eu sei que quando você quer voar alto
As quedas são maiores
Eu não quero alguém que me ajude a voar,
Não quero
Mas sei que vou cair algumas vezes
E preciso de alguém que me levante,
Limpe a poeira de minhas asas,
E enxugue minhas lágrimas.
Eu quero alguém para ficar do meu lado
Alguém que se o mundo ficar contra mim,
Eu possa olhara para trás, e vê-lo dizer:
"Foda-se o mundo! Ainda te amo!"


* * *


Me falaram hoje em suícidio
E andei pensando
O quão idiota é a idéia
Eu faço questão de viver minha vida até o fim
faço questão
Que só pare no final
Para eu ter o prazer
De provar que não estou errado
E aí, minhas ultimas palavras serão:
"A vida é uma merda!
Boa sorte para vocês que ficam!"

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Diálogo Imaginário



- Oi.
- Oi?
- Sabe quem 'tá falando?
- Não, desculpa - pausa olhando o número no celular - Não, não sei quem é.
- Sou eu. Cheguei finalmente.
Coração acelerado.
- Não acredito.
- Pois acredite sim. Eu estou aqui. Vem me ver?
- Claro. Onde? Vamos ver um filme?
- Ah, não queria ficar numa sala escura com você.
- Pois tudo o que quero é ficar no escurinho com você.
- Safado!
Risos, em ambos os lados da linha.
- Um cineminha e comer algo depois, que tal?
Segundos pensando.
- 'Tá!
Alívio.
- Que horas?
Pausa olhando as horas no celular. Calculo rápido de quanto tempo gasto no ônibus. Queria ir em casa tomar um banho, mas não agüento esperar mais por este encontro.
- Daqui a uma hora? Cinema e comida tailandesa?
- Tailandesa?! Não sabia que você gostava.
- Adoro!
- 'Tá, te encontro lá.
Uma hora de agonia. Uma hora de vontade de ver o tempo voar e ele se arrasta. E esse ônibus que não se mexe. Peguei o primeiro que passou, mas outros três que também passavam lá já nos ultrapassaram. Cheguei. Entrei no shopping. O celular toca. Cadê? Cadê?
- Oi, já cheguei. Você 'tá onde?
- Perto dos banheiros do térreo.
- 'Tô indo aí.
Não espero a escada rolante. Passos apressados. Cheguei.
- Oi.
- Oi.


Texto antigo, só para atualizar aqui, enquanto não me inspiro em nada para falar sobre meu passado.

domingo, 23 de dezembro de 2007

A Ponte

Estava mexendo nas minhas agendas antigas e encontrei este texto. Só sei que ele foi escrito antes de 2004, não preciso o dia, nem sei o porquê do clima fúnebre, mas ele merece ser perpetuado aqui.


Cheguei carregando uma garrafa de Chateaux. Claro que Charteau. Meia hora antes quando eu procurava o que beber, pensei: "por que não comprar a mais cara?". Afinal eu não queria pensar no amanhã. Não queria me preocupar com o outro dia.
Ainda não estava bêbado quando cheguei naquela ponte. Sei isso porque lembro que olhei para o fundo daquele vão e ainda senti minhas pernas fraquejarem devido a vertigem que me envolveu.
E fiquei lá, recostado sobre aquele parapeito, que deveria proteger-me da queda, com minha suave garrafa de Chateaux. Senti a suavidade do vinho levar as dúvidas e trazer as lágrimas.
Foram as lágrimas que me fizeram subir no parapeito. Talvez porque meus olhos úmidos não me deixaram ver as trevas profundas, ou por causa do álcool que corria nas minhas veias, só sei que não senti mais medo. O Chateaux acabou. A garrafa então tornou-se pesada, e meus braços se recusaram a segura-la. Ouvi-a cair.
Olhei para as estrelas. Admirei-as. Sorri um sorriso triste e larguei a coluna que eu me segurava. Senti o vento abraçando meu corpo. Um carinho frio. Pensei no passado e no presente, e quando pensei no futuro, gargalhei. A melhor gargalhada de toda minha vida.
Aí me soltei. Abracei o vento. A queda. Caí. No segundo seguinte me senti livre. No outro, me arrependi. Meu coração se encheu de esperança. Tudo pareceu tão pequeno. Nada vale isso. Para quê desistir? Para quê pular? Quando as trevas me alcançaram, eu só pensava em uma coisa: eu queria saber voar.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

PASSADO: Amores, Lama, Mármore e Véus

Texto escrito em 24 de abril de 2005. Para comemorar o meu aniversário de um ano de namoro com Beto. Se nós ainda estivessemos juntos. Porque, definitivamente, nosso namoro só funcionou quando estava no plano das idéias de Platão.



Os melhores amores são aqueles que nunca aconteceram. Por quê? Porque foram sonhados, não vividos. Porque nossos sonhos não são feitos para quando estamos acordados. Nossos sonhos pertencem ao encanto da Terra do Nunca. E só são reais lá.
A realidade transforma amores. Amores sonhados sofrem quando se tornam reais. Amores muito sonhados quando vividos se tornam reais demais. Amores sonhados não são feitos para se tornarem reais.
O problema da realidade é que, em nossos sonhos, nossos amores são ídolos de límpida mármore. E no mundo real seus ocultos pés de barro são a primeira coisa que percebemos. O barro então dissolvido por suor e lágrimas escorre, e logo. E nós mesmos, com nossos pés e mãos elameados, manchamos a fria mármore.
Com as manchas, a pureza de nossos sonhos se esvai, mas também as mesmas manchas cobrem a mármore de cor e carne, tal qual o amor de Pigmalião. Nossos ídolos se tornam humanos como nós.
É por isso que amar alguem enquanto sonho é fácil. A mármore só se move até onde o seu escultor deixa. Mas a lama! Esta parece ter vida própria. Escapa por entre os dedos. Não se mantém por muito tempo como a deixamos. Lama! E, ainda por cima, mancha nossos delicados véus, que teimamos em manter limpos.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

PRESENTE: Dores trágicas e Sorrisos líricos

Perdi o ônibus. É, eu estava na parada, e lendo "Meu reino por um cashmere", quando ergui a cabeça e vi o 76 se afastar. Quando vi aquele ônibus distante, eu sabia que era ele. "Droga, porque fui ler na parada, sempre acontece isso". Mas Ana Cristina Reis, bisneta da autora de "Minha vida de menina", me capturou com seus capítulos que cheiram a postagem de blog. "Espero o próximo?". Impossível! Outro 76 só daqui a trinta, quarenta minutos. São 13:13h, se esperar chego atrasado. Quando o acaso joga comigo assim gosto de pensar que o ônibus que perdi iria quebrar ou que eu encontraria algo/alguém desagradável nele e (os) deus(es) me protege(ram). Gosto de pensar assim. Então me pus a ir a outra parada, onde outros ônibus passariam em menos tempo. Caminho, ouvindo Moptop gritar nos meus fones de ouvido que tudo será sempre igual e o Linkin' Park cantar, entre palmas, gargantas cortadas, vejo meninos com quem gostaria de conversar e um cafunçuzinho encara meus óculos escuros, de aros dourados e lente verde, enquanto penso no que postar. "Meu blog precisa ser atualizado e 'tô sem net em casa". Decidi então republicar um texto. Um daqueles do meu primeiro blog, e que representa bem o que sinto hoje, então, um texto de 02 de abril de 2004, e ainda atual.

* * *

Quem disse que a vida da gente tem que ser perfeita para a gente ser feliz? Não! Não precisa! Minha vida por exemplo não é perfeita. Eu não amo ninguém, por exemplo. Estou me sentindo um tanto só e carente. Eu não tenho um amor para viver. Para sonhar. Para me esquecer.
Mas em compensação eu tenho amigos incríveis. Pessoas que se preocupam comigo, que se entristecem com minhas tristezas e vibram com minhas vitórias. É bom ouvir deles "te adoro". É bom ouvir que ninguém merecia mais do que eu da boca deles. É bom saber que eles vão estar lá pra qualquer coisa.
Porém a vida é de dores e sorrisos andando de mãos dadas. E meu bolso tem doído muito. Tenho um problema de relacionamento com dinheiro raro: ele não gosta de mim! Foge apavoradamente. E isso me estressa e cria problemas na minha casa. Todavia, eu estou numa fase profissional muito boa. Belas vitórias. Derrotas eu nem consigo lembrar. Tenho recebido belas batatas.
É a vida é assim. Estamos sempre entre as dores e os sorrisos, e se você pesá-los eles têm a mesma quantidade. As dores parecem ser mais persistentes, por são mais intensas, dramáticas; o lirismo dos sorrisos são exatamente o oposto. Diáfanos. Nossos sorrisos se desmancham como fumaça no ar. Somem fácil. Marcam pouco.
É, podemos ser felizes sem ter uma vida perfeita. Podemos sustentar sorrisos após dores lancinantes. Podemos esperar melhoras quando as dores nos consomem. Estou feliz hoje. Minhas dores nunca me pareceram tão distantes.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Estórias de Uma Vida Não Vivida 2

Para avisar a todos: isso aqui é ficção, viu?



De Profundis


Que dia! Que dia!
Eu estava no computador, fazendo Deus sabe o quê, quando o interfone tocou. Era Bruno pedindo pra subir, nem perguntei o que era, ele logo subiu. Abri a porta olhando no rosto de Bruno tentando adivinhar o que ele queria me dizer. Ele estava sério e tenso. Eu sorri para relaxá-lo, mas ele continuou na mesma.
Pedi que ele sentasse e ele sentou no sofá, e continuou em silêncio. Perguntei o que tinha acontecido, e ele após uma pausa excessivamente dramática disse que era um assunto muito sério... e ele tava tomando coragem. Eu sorri e levantei, rindo e dizendo que quando ele tomasse coragem eu estaria na “biblioteca”.
Fui preocupado. Bruno estava preocupado mesmo com algo. E algo que me envolvia para ele ter que escolher tanto as palavras. Sentei no computador, vasculhei a net um pouquinho, mas nada me fez esquecer Bruno lá na sala ensaiando o que ia falar pra mim.
E algum tempo depois ele chegou. Ele começou cheio de dedos, me perguntando sobre o Douglas. Como era nosso relacionamento, se eu estava realmente gostando dele, me perguntou como nos conhecemos. Tudo coisas que ele já sabia. Eu imaginei que ele sabia de algo e queria me contar. E ele só começou o assunto quando eu fiz essa pergunta: “O que você quer me falar, Bruno?”
Doeu ouvir aquilo de Bruno. Subiu uma angústia a cada palavra que saia da boca dele. Ele começou dizendo que sempre que saíamos era sempre eu que pagava as coisas pro Douglas. Que conversando com a Camilla ele tinha descoberto que ele tinha comprado roupas no meu cartão e não pagou. Que, nas palavras de Bruno, “trocando em miúdos, eu estava sustentando àquele michê”. Como doeu ouvir isso.
E o pior é que eu neguei de forma tão veemente que qualquer um teria acredito em mim. Menos o Bruno. É terrível quando alguém conhece tua alma tão profundamente não? Mas eu só dizia não, não, não. Como foi difícil ouvir essa verdade, como eu me forcei para não vê-la. E por que tinha que ser justo Bruno que tinha que vir falar comigo?!
Mas eu continuei negando. E cada não meu irritava ainda mais o Bruno. Ele ficou possesso. E eu sentado no computador, olhando pra ele, e ele de costas pra estante de livros. Só sei que o final foi digno de uma novela. Inacreditável!
Eu continuava negando. Bruno, puto. Virou-se para a estante de livros e ficou olhando os livros. Dali a pouco, após um não, ele retirou um livro da estante e jogou em mim. Bateu no meu peito. Não doeu. E o susto não foi maior do quê a dor que eu senti na alma quando vi que livro era. “De Profundis”, Oscar Wilde. Quando levantei a cabeça, Bruno não estava mais lá. Quando apanhei o livro do chão, li a dedicatória. “Com todo meu ‘afeto’, Bruno”. E ouvi a porta bater.
Como chorei com aquele livro em minhas mãos. Eu chorava descontroladamente. Mas aos poucos me recuperei, e após enxugar as lágrimas vim extirpar minha dor, dividindo-a aqui.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

PASSADO: Realidades Paralelas

Nas revistas em quadrinhos da Marvel e DC existe uma infinidade de universos paralelos. Segundo esta teoria de ficção científica (ou Sci-Fi, como é cult dizer), das quais nunca se deve rir porque acabam se comprovando... é amigo, desde os clássicos de Julio Verne que no século XIX inventou o submarino e o ônibus espacial, ao computador de bordo dos carros de 007 ou o teleporte de Jornada nas Estrelas, a Sci-Fi que tem melhor previsto nosso futuro tecnológico... mas voltando as realidades paralelas...
Segundo esta teoria, cada universo paralelo é muito parecido com o nosso, todavia pequenos detalhes tornariam ele único. Você nunca imaginou como seria sua vida se em determinado instante de sua vida existência você tivesse tomado um caminho diferente? Feito escolhas diferentes? Em outra realidade paralela você seria aquele que disse sim no lugar de não.
Tenho alguns momentos que considero cruciais em minha vida. Que se não tivessem acontecido me tornaria um pessoa diferente do que sou hoje. Como tenho tanta certeza? Não tenho! É intuição!! Mas alguns são óbvios.
Não ser filho dos meus pais é um desses elementos óbvios. Afinal outros pais, outra criação, outros traumas. E imagine como eu seria diferente se tivesse nascido em "berço de ouro". Mas seria uma mudança para melhor ou pior? E se eu tivesse nascido em outra cidade: em Ceará-Mirim, a cidade que meus pais nasceram? Ou em Sampa, para irmos ao outro extremo, que espécie de pessoa eu seria?
Ter saído do Impacto, meu primeiro colégio, aos 12 também foi um momento fundador (acho que podemos definir assim)e que se não tivesse acontecido eu seria outro. Não passar no exame de admissão para a Escola Técnica daqui do estado também me definiu. Voltar ao ICC aos 16, enão ir para um grande colégio, renomeado, com alunos de vários lugares da cidade, do estado, outros mundos, outras realidades, e também fazer História na faculdade e não Psicologia (que minha mãe acha bonito) também foi definidor.
Imaginem se eu não tivesse sido um menino delicado e sofrido todo o preconceito que sofri, da minha família, isolamento dos amigos, se não tivesse passado por tudo que já passei, talvez hoje tivesse vergonha de ser quem eu sou, vergonha no exato momento de minha vida que eu posso ser quem eu sou. Sofreria mais. Negaria talvez. Teria preconceitos... comigo... com os outros.
Claro que quando passei por estes momentos eu não tinha noção que eles me definiriam. Para saber isso eu preciso da insensão do tempo (coisa típica de historiador), estar distante o bastante para enxergar de fora. Por isso não reconheço os momentos que estão mudando o rumo de minha vida.
Mas a pergunta chave é: eu seria melhor, mais feliz, se tudo fosse diferente? Não sei. Não há como saber, só resta especular. A única coisa que posso dizer é que eu gosto de quem sou, como sou e onde estou. E se mudando meu passado eu me tornaria alguém diferente do que sou hoje, é melhor deixar tudo como está.

PS: A BARRIGA NÃO ESTÁ INCLUIDA NESTE MOMENTO DE AUTO-ESTIMA. ELA SAI. E A ACADEMIA ESTÁ AÍ PARA ISSO.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

PASSADO: Momento Leonino.


Este texto foi escrito no dia 03 de agosto de 2004, eu o alterei um pouco para se encaixar a data de hoje, mas vocês não se importam não é?


Estaremos em Leão daqui a 10 dias. Não deveria haver aula, trabalho ou qualquer outra obrigação em Leão. Ou melhor, só deveria haver uma obrigação em Leão: bajular os leoninos. É tudo o que queremos. Sim, sou leonino, do dia 10 de agosto. E bajulação é o que todo leonino quer. Nossos aniversários têm que ser datas especiais. Sempre fico esperando. Sempre. Inclusive já comecei a contagem regressiva, faltam exatos 31 dias. E eu sempre espero uma festa surpresa, que todos os meus amigos se reúnam ao meu redor e celebrem a minha existência, receber provas de amor e de amizade. Já sonhei muito com isso, mas nunca aconteceu. Nunca.
Minha raiva e minha carência são sempre os primeiros a se manifestar. Por que eu não posso ter essas coisas? Por que eu não posso ter todos os meus amigos ao meu redor dizendo que me amam? Grandes manifestações de carinho. Era isso o que eu queria no meu momento leonino. Mas ai meu bom censo (é, ele existe) grita: Por que diabos eu não posso me contentar com as pequenas manifestações do dia-a-dia? Por que eu tenho que tornar o dia 10 de agosto um dia especial? É um dia como qualquer outro. E nesses dias comuns eu comecei a aprender o que são grandes declarações de amor. Elas são sempre tão pequenas, imperceptíveis para a maioria, e pra mim também eram. Até que eu aprendi a ler as entrelinhas (porque homens só dizem que gostam de alguém nas entrelinhas) e a entender que “eu não quero nada com você” na verdade significa “você é meu irmão”.

Este ano eu não vou precisar de grandes declarações de amor. Porque hoje eu já sei que independente delas meus amigos gostam de mim e minha família se preocupa comigo. Eu sei. Eu sei. (Mas continuo carente, se alguém quiser fazer uma grande declaração de amor próximo dia 10, por favor, não se acanhe)...




quarta-feira, 4 de julho de 2007

A Carta

É, começando uma nova sessão de ficção aqui no blog. São exercícios de criatividade. Chamem de pequenos contos. Tudo irreal, repito! Espero que gostem.



Lembra-te como nos conhecemos? Eu não. Não tenho idéia, porque, impressio-namente, nunca pensei que poderíamos nos tornar o que somos hoje. É estranho isso não?
Em compensação, eu lembro em detalhes do dia que descobri que seríamos tudo o que somos hoje: lembro da festa na piscina na casa do Rodrigo, em detalhes, como o dia amanheceu meio nublado, o Rodrigo me ligou preocupado: “Será que vai chover?”, ele me perguntou. Respondi rindo, que bobagem se preocupar. Mas fez sol.
Lembro quando você chegou, o sorriso habitual, o sorriso que tinha me feito tornar-me seu amigo. Nos cumprimentamos de longe, afinal, nem tão próximos éramos, você tinha mais intimidade com a Dri, não era? Não! Era com a Alice. Alice, cadê ela hein?
O destino é mesmo estranho. A festa rolou, tinha tanta gente, mas em um instante virou só eu e você, e depois virou tudo uma música de Cássia Eller (que estou ouvindo agora para me inspirar). Eu te vi se apoiando na borda da piscina, e a porta do nosso amor estava se abrindo. Como isso aconteceu? Foi tão rápido. Quando me vi, na minha boca só morava teu nome, e você era a vista que eu queria ver.
E não sei como ninguém percebeu, temos amigos muito burros não? Passei a festa te olhando, percebendo o que nunca tinha visto. O jeito de arrumar o cabelo ao sair da água, a forma de andar, o jeito correto de comer, de olhar para aquele com quem está conversando (parece que todo mundo é importante). Nunca tinha reparado, outros sim, sua educação já fora comentada lá em casa, meus pais te elogiavam e me diziam: “Você nunca é assim”. Eu te detestava!
Mas ali tudo ficou tão bonito, que peça se encaixou em mim? Como dizem suas poesias, acho que foi ali que fui flechado. É, o Cupido deve existir, alguém deve decidir por quem vamos nos apaixonar. E este Cupido é louco, muito.
Mas é agora que sei que tinha me apaixonado ali. É claro que eu não percebi, eu só comecei a reparar tanto em você, mas ninguém percebeu. Quer dizer, a Alice percebeu não foi? Também, sua melhor amiga, claro que era a quem eu ia perguntar algo sobre você, e naquele instante, apesar de seu amigo, eu nem sabia se você estava namorando (e, graças a Deus não estava).
Meu súbito interesse, dizia ela. Ela nunca comentou nada com você? Provavelmente. Mas eu não estava preparado pra falar com você. Pela primeira vez, fiquei encabulado pra me aproximar de alguém. Isso me irritava, nunca fui tímido, mas você me causava isso. Foi aí que percebi, agora eu estava apaixonado! O caso inédito!
Sempre foram as meninas que se interessavam, ou se apaixonavam, por mim. Eu ficava ora, por motivos óbvios, não que eu nunca tivesse amado alguém, mas nunca fora “o primeiro”. Mas agora era, e você?! E, pior, você parecia nem me enxergar. Não como homem, apenas como amigo. E como você mesmo diz: “Amigo não tem sexo.”
Foi difícil deixar de ser só seu amigo não? E até ficamos antes disso, mas você ainda me enxergava como seu amigo. O que pra mim, definitivamente, não era o bastante. Lembro que foi quando fomos para a casa de praia dos meus pais que finalmente fui falar com você: como arquitetei uma estratégia para falar com você, e na hora tudo fugiu. Sentados na praia, eu e você sozinhos. Você com seus fones de ouvido, eu de cabeça baixa juntando coragem...
Tenho esta cena gravada na minha cabeça: Lua cheia, você ao luar, eu disse teu nome, você se virou, e respirei fundo e falei: “Quer namorar comigo?” Você riu, e eu me senti ridículo. Você se virou para mim e disse: “Piada né?”. Eu respirei fundo aí, eu tinha duas opções: “Sim” ou “Não”. Uma me livrava daquela cena humilhante, e a outra me expunha a você. Mas após umas horas olhando para a areia (pelo menos foi o tempo que senti) eu disse “Não, eu gosto de você de verdade.”
Lembro de sua surpresa. Lembro que não entendi sua surpresa. Lembro de ter tido raiva de sua surpresa. Eu pensei “Eu te amo, caralho, entende?”. Pensei que você deveria dizer: “Eu também te amo, mas a timidez sabe? Por isso nunca disse nada.” (eu já havia notado sua timidez mesmo antes da festa na casa do Rodrigo). Mas não... você continuou em silêncio. Olhava para o mar, e eu olhava para você, tentava descobrir o que você pensava. E assim você permaneceu, em silêncio.
Eu levantei puto. Nem olhei para trás. Fui para a casa, peguei a primeira rede que vi e me enterrei nela, todos perceberam que eu estava estranho. A Dri até tentou descobrir o que era, mas eu não disse. Logo adormeci, não vi você voltar.
Só nos vimos no outro dia não foi? E não lembro se nesse dia era eu que te evitava ou você que fazia isto. E aí o mundo (leia-se nossos amigos) percebeu. O que lembro desse dia é quando o sol se pôs, você estava na varando observando o espetáculo, quando cheguei, e por acaso você estava na minha rede.
Quando nos vimos, você logo me pediu desculpas, lembra? Disse que havia silenciado porque não sabia o que dizer simplesmente, pois não acreditava no que acontecera. Eu perguntei se era impossível por acaso que eu me apaixonasse por você. E você do alto de sua baixa auto-estima disse que era impossível qualquer um se apaixonar por você.
Ri com a bobagem que você disse, e acabamos rindo juntos. E foi assim, rindo que começamos a namorar. Não foi a partir de um beijo, e muito menos a partir de sexo. Foi, sim, a partir de uma boa gargalhada – daquelas que só entre amigos conseguimos dar.
Não me arrependo de nada desde então… só porque agora estamos juntos.
Domingo, 19 de outubro de 2003.
00h44min


segunda-feira, 21 de maio de 2007

PASSADO: Superior como um egípcio

Texto escrito em 04 de junho de 2005, e era como eu estava me sentindo semana passada. Mas já passou. Tem um p.s. também: quero agradecer todos os comentários preocupados no post anterior, mas eu não estava mal, só entediado.



Quero me manter longe. A lama do mundo não pode me tocar as vestes. Não quero ter que limpar a lama de meus pés. Não que eu me considere superior. Que ache o mundo indigno de ter-me em seu meio. Não! Não e isso.
Mas o mundo tem ultimamente me sufocado. A lama não tem envolvido apenas meus dedos. Tem sido lançada na minha cara. Sujado meus cabelos. E tocado meus lábios.
Não que suaves dedos não tenham retirado a lama de meu rosto. Com carinho, alguns tem limpado a lama do meu rosto. Mas alguns têm os dedos sujos também. Sujam mais quando tentam limpar.
É como se o Num ameaçasse meu mundo. Estou precisando afastar estas águas negras que querem afogar-me. Proteger-me! Salve-me Isis!!.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

PRESENTE: Tédio com um T bem grande pra vocês

Tédio, tédio, tédio.Tenho pavor desta palavra. Para evitá-la já fiz algumas besteiras, sair sem dinheiro, encontrar pessoas que não valiam a pena ou ir a lugares em que eu não era bem quisto. Tudo para evitar o Tédio. É por isso que as pessoas não entendem minha filosofia básica de vida: melhor coisas ruins que coisa nenhuma.
Prefiro mil vezes debulhar-me em lágrimas do que me encontrar, como diz O Rappa, sentado em uma poltrona, num domingo, com novas drogas de aluguel. Prefiro a dor, a não sentir nada.

Claro que não me importo se o que puder acontecer for bom. Mas vamos falar sério, numa balança em sua vida acontecem mais coisas boas que ruins?? Na minha acontece mais coisas ruins, então o que eu faço pra não sofrer? Curto as minhas dores como se fossem alegrias.

Acho que por isso nunca vou me viciar em algo que me faça fugir da realidade. Não gosto de fugir da realidade. Minhas dores são minhas. São meus parcos tesouros nesta terra tão negra e enlameada que nós vivemos. Minhas alegrias são ouro cravejados de diamante, claro, mas minhas tristezas são no mínimo prata. Merecem cuidado. E serão curtidas.

Ninguém me roubará o prazer de chorar minhas lágrimas. De me jogar em meu travesseiro e sufocar com meus soluços. Ninguém pode me roubar a oportunidade de reclamar que o sol nasceu. Tenho direito de ser dramático e trágico. Até o direito de ser cômico e ridículo.

A única coisa que me importa é que eu não caia no meio termo. Não quero um arco-íris em tons de cinza. Não quero talvez. Quero chorar por ter perdido um amor. Porque o importante não é ter um amor eterno, mas sim ter amado. Quero reclamar do joelho fudido. Fudido de ter caído jogando vôlei com meus amigos. Quero passar mal com a ressaca. Ressaca de ter passado a noite na gandaia com uma boa amiga. Não tenho nenhum problema com as dores, lágrimas e ferimentos. Meu problema é só com o Tédio.



Texto de 30 de setembro de 2004, mas coube perfeitamente aqui.

quinta-feira, 19 de abril de 2007

PASSADO: Eu acordei com medo hoje

Este texto vai dar muito o que falar. Causar revoltas e revoluções. Mas ele precisava ser dito. Ele foi escrito em 29 de setembro de 2004, e volta aqui para marcar uma mudança. Declaro aqui solenemente que esta é a última vez que toco neste assunto.


Eu acordei com medo hoje. As lágrimas que ainda escorrem no meu rosto atestam isso. Meu maior medo está muito próximo, e eu não sei mais como evita-lo. Não, não sou claustrofóbico, muito menos tenho medo que o toque de alguém me transmita alguma doença mortal, e sinceramente eu não tenho medo nem da morte. Mas sabe o que me faz encharcar minha face? Eu tenho medo do meu futuro.
E hoje particularmente estou apavorado.

Meu futuro vai ser negro. Eu tenho o vislumbrei hoje. Algum anjo esqueceu de guardá-lo ontem numa caixa e hoje de manha aquela criancinha brincalhona acordou aos pés da minha cama. Num gesto de ímpeto eu perguntei o nome dele, ele balbuciou sílabas desconexas e por fim disse que se chamava Amargura. Eu ri, no inicio achei-o uma criança linda, mas aos poucos eu comecei a reconhecer traços de dor no seu rosto, e quando ele me olhou nos olhos eu me vi.

Vi meu futuro. Eu, sentado na varanda de um apartamento, bebendo alguma coisa, velho, careca, e gordo. Livros nas estantes, cds, tv, mas um silêncio irritante. Só escuto água aberta no chuveiro, é uma linda mulher que se banha. Contudo, apesar de que ela está lá comigo, meus olhos não demonstram nenhum sentimento. Ela sai do banho, pega o dinheiro na cômoda e sai. E eu continuei lá: velho, careca e gordo.
Foi uma lágrima que embaçou minha vista e me impediu de continuar. Eu pisquei e o meu futuro ainda estava ao pé da minha cama, rindo um riso irônico. Foi ai que seu olho aprisionou-me de novo. Vi-me ao lado de minha sobrinha, que chorava muito, reclamava do namorado, do amor, e minhas palavras de consolo foram: “O amor não existe, minha filha”. A dor das minhas próprias palavras me arrancaram do transe, e aquela criança, que era meu futuro, ria como se acabasse de receber um novo brinquedo.

Implorei que um anjo aparecesse naquela hora e me dissesse que aquele era o futuro de outra pessoa. Olhei para os lados, mas só vi a cama vazia do meu irmão. Nenhum enviado apareceu. Meu futuro permaneceu lá, rindo.
Gritei com ele. Mandei-o embora. “Você não me pertence”, eu esperneava. Mas ai ele me abraçou e se aninhou no meu colo, brincando com os dedinhos. Quis empurrá-lo, mas era uma criança, eu não podia machucá-lo. Novamente ele olhou nos meus olhos. Desta vez, eu enxerguei sucesso nos olhos de Amargura, dinheiro e até fama. Mas sempre quando a porta se fechava, e o copo se enchia, eu estava sozinho. Foi o gosto do bom uísque que me fez voltar. E encontrar meu futuro adormecido no meu colo.
Levantei e fui lavar meu rosto. Queria entender que parte da estrada eu errei. Evoquei meu passado. Mas ele só mandou suas emissárias, as lembranças. E elas riram de mim quando perguntei se eu tinha errado em algum lugar. Explicaram-me que ninguém erra seu próprio caminho, afinal não há outro pra seguir. Riram dizendo “você só tenha essa vida pra viver, ela nunca estará errada”. Então perguntei por que aquele bebê dormia no meu quarto, mas elas não souberam responder.
Fui trabalhar. Achei que quando voltasse aquele bebê teria sumido como fumaça no ar. Contudo quando voltei, ele ainda estava lá, sentado na minha cama, brincando com meus lençóis. Eu quis gritar com ele. Mas quando ele me viu, todo sorridente, correu e me abraçou. O toque dele me fez tremer dos pés à cabeça. Mas eu o pus no colo.
Ele vai dormir comigo. Espero que amanhã tenha desaparecido. Mas acho que não. Algo me diz que este bebê vai crescer forte e saudável, afinal sua ama é o meu coração partido.

quarta-feira, 14 de março de 2007

PASSADO: Será que não conheço a poesia de Cervantes?

Este texto foi escrito no dia 14 de outubro de 2004 e fala sobre minha bissexualidade, que ultimamente tem aparecido muito nos meus posts. E diante de algumas criticas quero abrir um parêntese e explicar-me. Segundo um amigo, PJ, eu sou 2/3. 2/3 homo, 1/3 hetero. Tradução? Em outras palavras, entre um homem e uma mulher eu prefiro um homem, mas isso, sinceramente, não quer dizer que eu não me encante com mulheres. Mas, quando ocorre, ocorre de uma forma diferente. Com homens, o que me atraí é algo físico e animal, com mulheres não. Às mulheres, reservo a poesia. Amo-os com o corpo, e elas, com a alma. Leiam. Espero que gostem.


Ainda não sei dizer se conheço a poesia de Cervantes, às vezes eu acho que sim, às vezes fico excitado ao me deparar com as flores espanholas, às vezes acho que a delicadeza dos braços, que o movimento das melenas, que os dois brilhantes que conduzem o destino delas são simplesmente perfeitos. Mas ao mesmo tempo eu acho que nunca lutaria por Helena. Será que habita em mim algum espartano Menelau? Talvez o que me falte seja o amor, o que falta é minha Psiquê, alguém que desvende o véu da minha alma. Mas com certeza o que me falta é experiência!
Preciso de uma flor distante a alcançar. Preciso de minha flor, para lutar, desbravar mares, ferir florestas virgens, romper hímens, tudo para alcançá-la. Quero aquele objetivo impensável que ninguém tentara antes, tudo para conseguir o beijo daquela formosa donzela. Quero os sonhos irrealizáveis cujo prêmio é o afável mel que escorre pelos lábios de Iracema.
Mas às vezes me sinto tão distantes destas jóias femininas. Me sinto indigno de toca-las, e até mesmo de observa-las. Meus olhos fogem das meninas. Tenho medo de tocar suas peles de marfim e lábios de açucena. Tenho medo de vê-las estendidas e desfalecidas tal qual Moema. Tenho medo de vê-las ativas como Catarina ou Medeia, virar-se para mim e tratar-me como Hipólito tratou Fedra.

sábado, 10 de março de 2007

PASSADO: Epitáfio Perfeito

Texto escrito em 21 de dezembro de 2004. Texto pequenininho para compensar a última postagem.


Eu amei todos os amores que me foram possíveis:
aqueles felizes, e os infelizes,
os tranqüilos, os conturbados,
aqueles mais frágeis e os que pareciam eternos.
Amei os amores possíveis e os impossíveis,
os nascidos do nada e os da amizade.
Amei alguns sonhos e desencantos,
dádivas e castigos,
belezas e personalidades.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

PASSADO: Texto que quero escrever ou Exercício de ironia

Veja como nunca nada muda. Texto antigo, de 10 de dezembro de 2005. Mudou alguma coisa? Muita coisa aconteceu entre o dia que eu o escrevi entre dores e o hoje. Há alguns meses atrás, quando eu o relia, sinceramente eu achei que ele não tinha mais seu lugar de ser na minha história. Que ele não era mais irônico e sim narrava a vida que eu estava levando. E achei que seria a vida que levaria daquele momento em diante: como sou ingênuo! Hoje ele recuperou sua ironia. Leiam-no. Espero que gostem.



Eu estava errado! Totalmente!! Completamente!!! Não sabia que poderia acontecer assim tão fácil e tão bonito. É simples: nos conhecemos e, incrivelmente, nos gostamos. E aí depois foi só ficar juntos. Aí tornamo-nos os grandes amigos que deveríamos ser. E provamos o delicioso mel que o amor pode proporcionar. Estamos juntos e nada mais importa.
Temos problemas é claro. Ciúmes. Pouco tempo para ficar um com o outro. Mas quando o celular toca e vejo quem é. Quando escuto: "Vou passar o fim de semana com você tá?". Meu coração se enche de vida. Minha vida se enche de alegria.
É. É um sonho sim senhor. O mais perfeito que já sonhei.