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terça-feira, 22 de outubro de 2013

Cinco Reais

, em Natal - RN, Brasil



Ele estava ali no meu quarto, pelado, com seu corpo perfeito, musculoso e depilado, sorrindo para mim com aquele sorriso dele que demonstra toda certeza de que eu estou entregue. Mike é meu vizinho desde sempre. Eu que o vi crescer já que temos uma diferença de idade de alguns anos. Vi se tornar este homem maravilhoso que estava de pé na minha frente, oferecendo o membro duro para que eu chupasse. Ele havia me passado seu telefone alguns dias atrás, quando pediu cinco reais emprestado ao cruzar comigo na rua, disse para que eu o ligasse qualquer dia que ele me faria uma visita. Eu o liguei naquele sábado a tarde, não tinha nada para fazer mesmo, e ele atendeu o telefone animado. Disse que tomaria um banho e estaria na minha casa em meia hora. Dito e feito. Ele chegou com aquele sorriso dele de sempre. Aquele sorriso que ele sempre me dá na rua. Aquele sorriso de quem pensa que com certeza vai me comer. E agora ele estava lá. No meu quarto, de pé do lado da cama, completamente pelado. 
Eu então levantei e o beijei. Nosso primeiro beijo havia sido ainda na sala, quando fechei a porta atrás dele. Ele deixou claro o que veio fazer ali. Logo tirou a camisa, exibindo o peitoral forte e contraindo os músculos do abdômen. Comentei que ele tinha um corpo lindo e ele se envaideceu, falou que estava fraquinho ainda, que ia treinar mais para ficar maior. Fui eu que tirei-lhe a bermuda surfwear que ele usava. Também fui eu mesmo que tirei a minha roupa quando sentei na cama. Também era eu que apertava as nádegas dele entre meus dedos, enquanto engolia seu pênis grosso e ele segurava minha cabeça, olhei para cima enquanto eu jogava minha barba contra seu quadril e ele tinha a cabeça jogada para trás.
Quando eu o puxei para cama, e ele deitou-se por cima de mim. Beijava-me e minhas unhas arranhavam-lhe as costas, ele então levantou-se sobre seus braços fortes, contraindo os músculos, principalmente seu tríceps e sorriu para mim. Aquele sorriso de sempre, dono de uma segurança exemplar. E deitou-se do meu lado, colocando as mãos sobre a cabeça, contraia novamente seu peitoral e o abdômen, e disse-me: "Pode aproveitar!". Eu não entendi muito bem o que ele queria dizer com aquilo, mas o pau em riste era um convite para cavalgá-lo. Com a camisinha a mão, sentei naquele pênis rijo, ele me olhava com cara de prazer, mas concentrava-se também em manter o abdômen travado, sobretudo quando minhas mãos roçavam-lhe a barriga. Sentado sobre seu quadril, rebolando, contudo, foi que notei que, naquele momento, mais importante do que eu ali, era ele estar bonito. Ele, mesmo, naquele instante não estava fazendo nada além de posar e manter-se bonito enquanto eu o cavalgava. "Pode aproveitar!" ressovava nos meus ouvidos e o suor escorria pelos nossos corpos. Peguei então meu pênis duro e me masturbei. Aproveitava-o dentro de mim e a visão magnífica daquele corpo até que gozei sobre sua pele branca.
Levantei rápido e trouxe-lhe papel higiênico. Ele limpava a barriga quando cobrou. "E aí como ficamos?". Eu não entendi e ele correu para se explicar. "Eu normalmente cobro trezentos reais, mas como você é conhecido, você pode me dar o quanto quiser". E sorriu. "O quanto você acha que valeu!". Eu ri. "Mesmo?", falei. Ele confirmou e eu abri o guarda roupa e tirei uma nota de 5 reais lá de dentro. Coloquei no criado-mudo e saí do quarto. Ele veio atrás. "Só isso?". Eu confirmei. "Se você tivesse feito um pouco mais do que apenas ser bonito lá dentro, meu caro. Se não tivesse me feito ficar entediado no meio do sexo. Talvez valesse mais..."

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Visconde de Taunay

, em Natal - RN, Brasil


Estávamos na sala do meu apartamento, amigos da igreja que frequento bebiam cervejas jogados no tapete da sala, sentados em almofadas, ou estirados no sofá, bebíamos Devassa quando um deles vira-se para mim e olhando nos meus olhos diz:
- Foxx, você tem olhos lindos.
Eu sorri e agradeci o elogio.
- Sério, não estou brincando! São muito lindos mesmo!
Eu novamente sorri, sentindo um calor nas bochechas.
- E... nossa! Você se considera tão esperto, mas olha só... - e chamou atenção de todos para olharem para mim - vejam quanta inocência tem nos olhos desta criatura!
- Eu não me considero esperto...
- Mas também não acha que tem toda essa inocência dentro de você - me interrompeu ele - se acha sofrido, magoado, machucado, mas olha todo esse amor aí dentro, esse amor inocente.
Eu sorria, todos me olhavam naquele momento.
- O problema é essa barba, de fato! Ela cria uma imagem completamente diferente de você! De homem maduro e vivido, e esconde esta criança inocente que vive ai dentro.
Ele falou e tomou outro gole de Devassa.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Tentativa de Suicídio?

, em Natal - RN, Brasil


Eu caminhava voltando da casa dos meus pais. Minha mãe havia me convidado para jantar com ela os camarões que o sogro de um dos meus irmãos mais velhos havia lhe dado. Ele deu uns cinco quilos do crustáceo, coisa comum aqui em Natal, tanto o ato de presentear com comida, quanto o fato desta comida ser camarões frescos. O congelador ficou lotado com aquele saco enorme e ela reclamou, enquanto eu comia, do trabalho para descascar tudo aquilo por causa do meu pai que não come camarão com casca. Com certeza não passava, ainda, de 22:30h, quando eu já no quarteirão de minha casa senti uma presença atrás de mim, muito perto. Virei-me assustado e ele anunciou o assalto. "Passa tudo o que você tem!". E me apontava algo que ele escondia através da camisa. Eu balbuciei que não tinha nada comigo. "Me passa tudo o que você tem ou te dou um tiro!". Eu o observei. Era um menino magro, vestido uma gola polo que devia ter sido comprada em alguma feira de Caruaru, uma bermuda jeans folgada e uma sandália Ryder. "Atira!", respondi com um sorriso. Ele foi pego de surpresa com minha reação e ameaçou de novo. "Me passa tudo ou te dou um tiro!". Eu que havia me surpreendido com minhas primeiras palavras, vi elas brotarem de novo da minha boca. "Pois atire se você tiver coragem!", e ri. Ele avançou, eu notei que não havia nada mais que o dedo dele apontando para mim atrás daquela camisa, ele puxou a alça da minha bolsa que eu carregava a tira-colo, e eu, aproveitando o movimento dele em minha direção, o puxei pelo colarinho. Ele se desequilibrou, eu o girei duas vezes, agarrando-o pela camisa que, por fim, senti ceder e rasgar, ele então escapou de minha mão e caiu, de costas, no paralelepípedo da rua. Eu me aproximei e o chutei no estômago, ele se curvou em posição fetal; eu o chutei no rim que ficara exposto e ele gemeu alto de dor, com certeza sem conseguir atinar para o que estava acontecendo. "Não tente me assaltar de novo, seu pedaço de merda!", eu gritei. Foi nesse momento que vi um homem negro, alto e forte se aproximando. Achei que era mais seguro eu entrar rapidamente em casa naquele momento. Foi o tempo de eu entrar no meu prédio, e subir as escadas para a varanda que da para rua, que o homem negro alcançou o assaltante que agora tentava se levantar somente para cair novamente no chão com um soco que deve ter-lhe arrancado sangue ou quebrado-lhe o nariz. "Para você tomar vergonha e não tentar assaltar pessoas no bairro em que você mora", disse enquanto espancava o malandro caído no chão. O assaltante gemia que era inocente, "Eu não fiz nada! Não tentei assaltar ninguém!", e eu me questionei se havia apenas me defendido ou deliberadamente tentado me matar.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

"Don't Trust The Bitch In Apartment 23"



A mudança definitiva da casa dos meus pais para meu apartamento só aconteceu esta semana. Inúmeros contratempos me impedriam. Primeiro, o prédio sendo novo ainda não tinha água ligado ao sistema de águas e esgoto da prefeitura. A empresa que cuida disto por estas bandas potiguares, a CAERN, levou daus semanas para finalmente fazer a ligação. Nessa época, desde a posse da chave, eu já comecei a levar as poucas coisas que tenho para o meu novo lar: livros, panelas, coisas de cozinha, baralho, plantas, tudo foi levado aos poucoas para lá. Quando finalmente a água chegou, eu torci meu pé direito. Foi na sexta-feira que encabeçava o fim de semana que eu havia planejado para minha mudança. Esperei então meu pé curar-se. Foi uma semana com ele imobilizado, levantado numa cadeira na sala da minha mãe, mais uma semana com ele quase curado, eu caminhava ainda com insegurança, porém assim que pude pisar firme, ainda na quinta-feira daquela semana, decidi que faria logo a minha mudança. Aí um medo começou a se instalar em meu coração: e se tudo desse errado?
O primeiro medo foi de não conseguir pagar as contas. Água, luz, telefone, internet, aluguel, eram coisas que ficariam sob minha responsabilidade agora, e que eu teria que dar conta com um pouco mais que um salário mínimo. Tive medo de por causa disso ter que desistir de tudo e voltar, com o rabo entre as pernas, para a casa dos meus pais. Seria humilhante! Era um frio na barriga que me impediu no sábado de juntar as minhas roupas, desmontrar meu guarda-roupa e levar minha cama para o apartamento. Outro medo foi a reação da minha mãe. Fique receioso do escandalo que ela faria ao me ver finalmente saindo de casa, afinal depois de tanto tempo ela provavelmente considerava que aquilo era um blefe. E a verdade seja dita: ela não queria que eu saísse porque pretendia curar a minha homossexualidade a base de suas orações. E vinha exigindo que eu a acompanhasse à Igreja que ela frequenta, católica mesmo, me inscreveu em cursos, seminários e repetia sempre que eu devia integrar o Shalom.
Eu só superei meu medo no domingo de manhã. Joguei minhas roupas dentro de malas e com um martelo e uma chave phillips desmontei o guarda-roupa que comprei no meu aniversário passado; demorei neste serviço, e somente a tarde consegui levar as peças desmontadas para o novo apartamento no coarro do meu irmão caçula e remontei o móvel por lá. Depois do roupeiro no seu lugar e as roupas dentro dele, foi a vez de trazer a cama. Todavia, na hora que saí com meu irmão, minha mãe não estava em casa, mas quando retornei para buscar a cama, ela estava lá e a primeira coisa que me disse foi: "Você tem certeza do que você está fazendo?", eu, apesar de não estar nem um pouco certo e estar morrendo de medo, menti: "Claro que estou certo!". Então fui ao quarto e busquei a cama, tive ajuda do meu irmão para isso e, poucos minutos depois, já estava na minha própria casa. Restaram apenas meus quadrinhos por lá, que ainda irei buscar, falta mais uma estante, ela no entanto se despediu de mim dizendo: "Se der tudo errado, não se preocupe, você tem para onde voltar". Dormi cansado na primeira noite na minha casa com medo do futuro que virá.


PS: Meu vizinho de frente é gato, mas muito gato mesmo! Deus do céu!!

terça-feira, 23 de abril de 2013

Gelo Fino

, em Natal - RN, Brasil



Não, eu sei que todos se irritarão com este comentário, mas não estou feliz. Estou bem melhor, sem dúvida. Mas feliz ainda não dá para dizer porque parece ainda que caminho sobre gelo fino. As coisas têm melhorado. Conhecer o Mr. Creepie tem sido interessante, é realmente surpreendente ver alguém tão dedicado a demonstrar interesse por mim, é estranho todo o excesso dele, principalmente porque todo mundo sempre me ensinou que isso é interesse demais para alguém que me conhece tão pouco, mas não vou negar que me faz um bem danado ver que alguém nutre algum sentimento por mim. Eu estava há tanto tempo acostumado a ser considerado ou o passatempo para sexo ou o amigo assexuado que é refrescante, a palavra é bem essa mesmo, é refrescante esta situação nova. É como um sopro de ar novo na minha vida sentimental toda, e não por acaso, ao mesmo tempo que isso tem acontecido, outras pessoas também começaram a aparecer, principalmente através do Facebook em que nunca na estória deste país fui tão cutucado por pessoas completamente estranhas e, na maioria dos casos, bem interessantes. Outro dia um menino até me parou na rua e não foi para me convidar para fazer sexo em uma rua escura. É chocante ver tudo isso acontecer. Alguma coisa mudou.
Ao mesmo tempo, também, consegui sair de casa. Ainda não fiz minha mudança completa, mas o apartamento já está alugado. Estarei dividindo o apartamento com uma amiga do templo que frequento. Já levei para o apartamento metade das minhas coisas (principalmente livros), falta as outras que estou levando aos poucos, além de que estou comprando coisas para minha casa, escolhendo bobagens como copos e panelas e poder fazer isso me dá uma sensação ótima. Estou pesquisando, por exemplo, caixas plásticas para guardar minhas revistas em quadrinhos (quero aquelas de frutas, vazadas, sabem?), e o procurar isso para a minha casa é extremamente prazeiroso. São essas pequenas coisas que sempre me fizeram falta. Quando eu falava aqui que eu me sentia infeliz é porque eu não tinha essas coisas: eu não tinha um convite para almoçar com alguém durante a semana, eu não passava diante de lojas e comprava uma conha para sorvete vermelha porque combina com minha cozinha. Repito, as coisas têm melhorado. Estou bem melhor, sem dúvida. Mas não estou feliz, eu prefiro esperar para anunciar a minha felicidade quando ela estiver mais sedimentada, quando ela não possa ainda se desfazer como pó de um dia para o outro, porque ainda parece que caminho sobre gelo fino. Em resumo, eu tenho ainda medo que essas conquistas sejam apenas uma ilusão e que derretam na minha mão como gelo sob o calor escaldante de Natal.


terça-feira, 16 de abril de 2013

O Apartamento



- Foxx - falou minha mãe entrando no meu quarto pela manhã, eu acabara de tomar café da manhã e voltara ao quarto para pegar minha bolsa e ir trabalhar - então você decidiu mesmo, não é?
Eu havia deixado um bilhete pedindo que ela me devolvesse parte do dinheiro que eu deixei, guardado, para uma eventualidade, com ela. No bilhete eu explicava que era para pagar o calção do apartamento que eu ia alugar. Ela chegou com o dinheiro na mão. Eu não respondi a sua pergunta.
- Você decidiu mesmo que vai sair de casa? Você acha que tem dinheiro para se sustentar? Que esse salário mínimo que você ganha dá para se manter?
Eu tentei responder, mas eu sabia que ela estava certa, que seria sim muito difícil. Mantive-me calado. Ela, no entanto, continuava a falar.
- Você não paga água, nem luz, aqui. Muito menos precisa pagar aluguel. Mas você decidiu não foi?
Eu só confirmei com um aceno de cabeça.
- Você escolheu não foi?
Eu quis responder que eu escolhi o menor sofrimento. Para mim, para eles. Porque dentro daquela casa, eu não conseguiria manter o amor que sinto pelos meus pais, porque eu me afastava a cada tentativa deles de me curar usando a Bíblia, empreitada que se tornara extremamente comum, afinal todo dia que eu chegava em casa havia um trecho da Escritura transcrito por minha mãe numa folha de papel branco sobre a minha escrivaninha. Eu me tornara a alma que ela estava destinada a salvar, e sabia que agora quando perguntava se eu havia escolhido ela queria dizer que eu estava trocando minha família pelo pecado.
Ela continuou:
- Eu quero que você saiba que você está dando outra cabeçada. Cometendo um outro erro, como foi ir para Belo Horizonte. Mas não tem problema, quando você voltar, as portas estarão abertas para você. Estaremos aqui. Esperando para o momento que você precisar... e vai precisar.
Todas essas palavras me soaram como uma maldição, mas eu não respondi. Ela me entregou o dinheiro e saiu do quarto, eu peguei minha bolsa e sai de casa, estava a meio caminho da saída quando ouvi ela falar, chorosa.
- Você sabe o quanto está me fazendo sofrer com isso, não sabe? E outra coisa: cuidado com a AIDS!
Caminhei então para o ponto de ônibus, com meus óculos escuros no rosto.