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sexta-feira, 21 de junho de 2013

Quando Queremos Estar Errados

, em Natal - RN, Brasil


Eu estava no trabalho quando chamei o jogador de rugby para conversar no bate-papo do Facebook, ele me disse que estava precisando falar comigo por uma SMS na noite anterior. Ele havia dito a mesma coisa semanas antes e dito que tinha a ver com o Mr. Creepie, e eu me preocupei: "como assim eles se conhecem?". Eu havia contado ao jogador tudo o que havia acontecido com o Mr. Creepie, ele estava a par, mas parece que o meu ex-ficante resolveu que também queria contar a sua versão da história para o jogador. "Estamos conversando", foi a única coisa que o jogador disse, mas me tranquilizou, "Olha, eu por mim não vejo problema por você está ficando com outros caras". Porém algo estranho continuou no ar porque a partir daquele momento todos os meus convites eram imediatamente recusados. Bares, cinemas, boates, sexo, nenhum dos meus convites foram aceitos novamente. As mensagens e conversas via Whatsapp também se reduziram a quase nada, ele esfriou.
Recebi sua mensagem dizendo que ele gostaria de falar comigo quando estava em um bar com amigos, perguntei se era alguma coisa importante, mas ele garantiu que não, por isso, ao acessar o Facebook no trabalho, após uma reunião de 1:30h, chamei-o para a tal conversa. Ele falou sobre várias coisas, perguntou sobre os outros caras que eu estava vendo e me disse: "É que eu tenho conversado bastante com o Mr. Creepie", eu disse que imaginava que isso ainda estaria acontecendo e que a imagem que ele deveria estar passando de mim para ele não era nada boa. "Mas tem mais: nós estamos saindo". Eu parei por um segundo e não acreditava no que estava lendo. Perguntei para confirmar: "Você e o Mr. Creepie estão ficando?", ele confirmou e disse que tudo estava muito confuso.
"Confuso?", falei, "não, nada está confuso, meu querido. Eu agradeço de verdade cada segundo que você passou do meu lado, mas acho que não dá para continuar assim. Eu não posso ficar com alguém que está ficando com o Mr. Creepie. Torço por sua felicidade... de verdade". Ele agradeceu meus votos, mas eu precisava falar algo mais. "Eu só preciso te dizer uma coisa: você está deixando de ficar comigo para ficar com uma pessoa que só resolveu dar em cima de você para me ferir de alguma forma. Tome muito cuidado!". Ele tentou argumentar que o Mr. Creepie não estava com ele somente para me ferir, eu sinceramente espero que ele esteja certo, e eu errado.

terça-feira, 4 de junho de 2013

A Nova Era

, em Natal - RN, Brasil


A vida tem mudado. Surpreendentemente. Tudo tem ocorrido de forma completamente diferente do que estou acostumado, ou melhor, do que me acostumei a esperar nos últimos quatro anos. E, com isso, tenho sido colocado em situações nunca antes experienciadas. Um exemplo claro é a minha vida amorosa. Como todos sabem por aqui, minha vida amorosa, na falta de uma expressão que a defina tão bem, é cagada. A expressão é do Gato, mas tomo a liberdade de apropriar-me dela. Todavia, desde que o Sol entrou em Áries something has changed.
Depois que conheci o Mr. Creepie, por exemplo, eu descobri o universo completamente novo do encontro e, com ele, a região nublada do "estamos nos conhecendo". Acho que preciso explicar ao que se resumia minha experiência com homens no passado para que vocês entendam como tudo é muito novo para mim. Eu conhecia homens basicamente em baladas, o que significava alguns beijos ao som de música alta e, isto quando havia muita intimidade, sexo de madrugada com sabor de cerveja; ou encontros singulares com pessoas que eu conhecera no Uol ou em sites de relacionamento. Eu era o rei dos primeiros encontros, porque eu nunca chegava a um segundo. Com isso, obviamente, não havia nenhum compromisso entre as partes. 
Porém estamos no começo de uma nova era agora. O Mr. Creepie foi o primeiro, saímos cinco vezes; depois dele sugiram outras (sim, no plural) pessoas. O primeiro foi um jogador de rugby, com o corpo de um jogador de defesa, a inteligência afiada de um redator publicitário e um sorriso capaz de derreter o iceberg que afundou o Titanic. Ele é amigo de um amigo, nos conhecemos em um show na Ribeira há pelo menos um ano e, um dia, do nada, ele simplesmente me convidou para sair. Eu não podia no dia, contudo a partir dali um canal foi aberto e nós começamos a conversar. Ele reservado e até tímido a príncipio, começou a falar de si, até que a comunicação diária culminou num segundo convite para uma cerveja após o trabalho. 
Sentamos um diante do outro na praça de alimentação de um shopping que eu frequentava na época da faculdade. O garçom me reconheceu e perguntou como eu estava quando sentamos. Ele, rindo, comentou que eu devia frequentar muito aquelas mesas. "Foram meus anos de faculdade", ri. Conversamos a noite toda, sem silêncios constrangedores, nem quando ele contou que ao me fazer o primeiro convite ficou com medo de eu pensar que ele era um bobo ou maluco por, de repente, resolver me chamar para sair. Foi quando entramos no assunto "falar ao telefone". Ele comentou que detestava falar ao telefone, que preferia mensagens de texto e eu fiz uma gracinha: mandei-lhe uma mensagem de texto, via Whatsapp, dizendo que eu queria um beijo dele. Ele, entretido na conversa, não ouviu o telefone anunciar a chegada da mensagem, continuamos conversando, e até eu esqueci, quando já havíamos pago a conta e caminhávamos para fora do shopping, dava para ouvir que chovia bastante lá fora, ele me avisou que havia visto e respondido minha mensagem, eu cheguei o telefone então e havia uma carinha sorridente. Eu, com um sorriso entredentes, perguntei o que aquele hieróglifo significava, pois poderia ter zilhões de interpretações. Ele se aproximou de mim naquele instante, sorrindo, e me beijou os lábios, com carinho, sem pressa de acabar, no corredor vazio do shopping, seguido de um abraço que me permitiu sentir a força dos seus músculos rijos. "É isso que o sorriso significa". Este, então, foi o primeiro de vários encontros.
E, esses encontros, fazem crescer em mim uma dúvida nessa área nebulosa: é correto eu sair com outros? É ético sair com mais de uma pessoa ao mesmo tempo? Em que momento devemos fidelidade a alguém que, de fato, não é nada mais do que uma pessoa que você está conhecendo? Carinho existe, é óbvio que existe senão nem eu, nem ele, estaríamos nos vendo, porém qual é o turn point que faz com que este relacionamento ultrapasse essa fase? Eu não sei, nunca vivi essas coisas, e é ansioso e excitado que observo este fabuloso mundo novo.