Google+ Estórias Do Mundo: são paulo
Mostrando postagens com marcador são paulo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador são paulo. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

PRESENTE: Trechos Paulistas

, em São Paulo, Brasil

Bar d'Aloca, noite, garoando pela primeira vez que estou em São Paulo. Um vento frio nos cobre, e cervejas estão nas mesas. Sebek está comigo.
- Por isso você reclama que é difícil encontrar um namorado, menino. Comento.
Sebek me olha curioso, interrompendo a respiração naquele momento.
- Claro, você acha que é fácil alguém manter essa conversação que estamos tendo aqui?!
- Como assim?
- Estávamos até agora discutindo a história da Polônia. Dinastias polonesas e russas. A vida de Maria I em Portugal. Também os contos de Caio Fernando Abreu. Acha que é fácil encontrar alguém que possa conversar com você sobre isso?
- Bem...
- Acho melhor você se contentar com os burrinhos, amigo, com os burrinhos.


* * * * *


Bar d'Aloca também. Gus chegou lá um pouco atrasado. Lindamente vestido. De terno, saído do estágio em que trabalha.
- Ah, vou largar o curso de direito. Não combina comigo.
- Ah, amigo, mas você 'tá tão bonito nessa roupa. U-A-U! P'ra mim combina...
E rimos todos juntos. Conversamos um pouco e, logo, eu e o Sebek reconhecemos que ele era bem diferente do que aparentava no blog. O menino baladeiro do blog se mostrou um fofo romântico.
- É! Muita gente faz uma idéia errada da gente pelo que escrevemos no blog. Formam uma imagem. Nós nos tornamos uma personagem.
- Como o Heitor do meu blog. Comento.
- Ah, eu adoro o Heitor. Que homem é aquele?! Sou fã!
E rimos todos juntos.


* * * * *


Manhã de sexta-feira quando o meu celular toca no hotel. BinhoSampa brilha no visor. Eu atendo e ele me avisa que está indo buscar-me.
- Preciso comprar algumas coisas, vamos comigo?
Eu concordo! E chegando ao hall, sorrindo, ele avisa o destino.
- Conhece a 25 de Março?
Diante de minha negativa.
- Tem que conhecer! - e ri - Depois, almoçamos no Mercado Municipal. Combinado?
Novamente, concordo. E partimos, e após algumas horas de trânsito, chegamos e ele animado me explica o funcionamento da rua.
- Quando a polícia chega eles reúnem tudo e correm.
E, pouco tempo depois, uma briga estoura em meio aos camelôs fazendo com que as pessoas corram para o lado oposto, enquanto policiais correm em direção ao conflito. A confusão é genralizada. Pessoas se escondem dentro de lojas que fecham suas portas temendo assaltos ou balas perdidas.
- É acho que deu, né?


* * * * *


Noite de sexta. Encontramos, eu e o Binho, o Marcos na Av. Paulista. Binho sugere um bar, o Volt, onde a decoração com luzes neon iluminaram nossa conversa a três, enquanto eu trocava mensagens com o Louis e o LicoSP.
- Pois hoje estávamos, eu e o Foxx, conversando sobre a situação política do Brasil. - dizia o Binho - Eu afirmava que o último marco histórico de nossa história recente foi a eleição de Collor.
- O que eu concordo plenamente - reforço -, Collor foi uma bela lição aos brasileiros que esperavam eleger um príncipe e recomeçar uma monarquia e aprenderam, a duras penas, que o sistema republicano é diferente.
- Realmente - fala o Marcos - é realmente um marco. Ele abriu a economia do país.
- Sim, muita gente saiu mal do processo... começa a falar o Binho.
- É, ele abriu a economia brasileira muito rápido para o mercado estrangeiro. Interrompe Marcos.
- Pois é! - continua Binho - Mas sem a abertura que ele proporcionou à economia brasileira nós estaríamos muitos anos atrasados. Collor abriu as portas do Brasil à globalização.
- E em momento algum eu discordei disso, Binho? Comento.
- Mas bem que você é muito mais a favor do Lula.
- Eu sou de esquerda, ora. Reafirmo.
- E existe esquerda no Brasil hoje, Foxx? Pergunta o Marcos.
- Acredito que sim.
- Bem, eu acho - interrompe o Binho - que não.
- É - concorda o Marcos - temos uma esquerda que quando está no poder se comporta como direita.
- Bem, eu acho que vocês esperam uma esquerda necessariamente ligada o comunismo/socialismo. Para mim a esquerda é muito mais próxima à esquerda da Revolução Francesa.


* * * * *


Ainda sexta, estou no Sonique quando meu celular toca. Afasto-me da mesa para atender o telefone.
- Oi!
- Foxx?
- É! Sou eu!
- Olha para trás!
Eu me viro, e encontro o LicoSP. Um abraço e sentamos. Uma mesa de canto. Ele me apresenta o namorado. Estamos todos encantados pela Sonique.
- Eu queria conhecer, você me deu a desculpa perfeita. Fala o Lico.
Pedimos bebidas.
- Pior é que não posso beber. Eu moro um tanto longe e sempre tem policiais no caminho, não posso levar outra multa senão perco a carta.
- É! Isso é mal! E rimos.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

EXTRA, EXTRA, EXTRA: Parada Gay Bombando!!

Terra: Bomba deixa feridos no Centro de SP após Parada Gay

Folha de São Paulo: Bomba caseira explode e deixa três feridos no centro de São Paulo

O Globo: Bomba caseira explode e fere 21 após a Parada Gay em São Paulo

Estado de São Paulo: Bomba caseira fere 21 no Largo do Arouche após Parada Gay

Jornal do Brasil: Parada Gay termina com explosão de bomba caseira

Agora: Festa da Parada Gay tem tumulto e violência

BBC: Sao Paulo holds Gay Pride parade

O Dia: Manifestantes são atingidos por bomba na Parada Gay de SP

G1: Polícia investiga responsável por bomba que deixou feridos após a Parada Gay

Meio-Norte: Bomba deixa feridos na Parada Gay

Último Segundo: Bomba caseira deixa ao menos 20 feridos no centro de São Paulo

Gazeta do Povo: Bomba caseira deixa 20 feridos no centro de São Paulo

Agência WSCOM: Bomba deixou 21 feridos após a Parada Gay em São Paulo


Certo! Agora que vocês já sabem a informação! Vamos a minha interpretação, não dos fatos, mas das notícias. Comecemos pelas manchetes. Note-se que nenhum dos jornais e agências de notícias usou a palavra "atentado" em suas manchetes, ou seja, aquela bomba que foi construída sozinha, acidentalmente se lançou num suícidio bárbaro de uma janela caíndo em meio aos transeuntes. As manchetes poderiam ser: "Bomba suicida", "Bomba se joga em cima de passantes e, sem intenção, explode". O fato de que alguém construiu aquela bomba - "fabricação caseira" - e intencionalmente jogou-a entre outras pessoas é minimizado. Talvez pela certeza que a investigação não vai dar em nada, "Saber quem foi mesmo, a pessoa que fez isso, ninguém sabe", afirmou o tenente da PM Fábio de Nóbrega a O Globo, ou talvez porque jogar uma bomba entre gays é um crime menor. Porque foi tudo apenas um acidente. Somente um acidente.
Assim, chegamos ao nosso segundo ponto, somente O Globo, supõe que o ataque seja realizado por homofobia. O Globo, num artigo assinado por Gio Mendes, é o veículo que definitivamente dá a maior cobertura ao fatídico evento, associando-o a homofobia, ligando ao assassinato de travestis em Curitiba e ao espancamento de um adolescente de 17 anos na Frei Caneca, atualmente em coma, entrevista testemunhas e um policial. Informa, definitivamente, e também emite opinião! Ah, Pausa para explicar o termo, homofobia: crimes de homofobia são aqueles incitados por um ódio pela sexualidade da vítima, o qual o projeto que tramita no congresso quer dar a essa característica um agravante. Um exemplo claro, preconceito é crime no Brasil, existe preconceito por nordestinos, por idosos, por mulheres, porém o preconceito quando é racial, graças a uma lei, é tratado com mais gravidade; um crime de violência então, se a lei passar, se caracterizado por homofobia será tratado com mais gravidade ainda, da mesma forma que um roubo seguido de morte também é pior que um simples roubo. No entanto, nossos jornais analisados, querendo não tomar partido em relação a aprovação da lei, acabam por minimizar o incidente. O Agora, por exemplo, juntamente com a agência WSCOM, e os jornais Meio-Norte e Último Segundo, tratam a explosão apenas como um incidente violento, algo do tipo: "Que feio! Ai ai, viu?", e uma palmadinha na mão de quem jogou a bomba, comparando ao que em outros países é considerado terrorismo com assaltos, brigas e tumultos. É um crime comum! Jogar uma bomba em outras pessoas e bater uma carteira são crimes que devem ser encarados da mesma forma. Diz o Jornal do Brasil, por exemplo: "Aconteceram outros incidentes violentos durante a parada. Dois jovens foram espancados e a prefeitura encheu quatro caminhões de bebidas vendidas ilegalmente. Brigas pontuais também foram registradas durante a Parada, com um rapaz sendo esfaqueado após briga que deixou mais quatro feridos" (Repete comigo: foi tudo apenas um acidente, somente um acidente).
A minimização chega ao cúmulo em dois jornais especificamente, no Estado de São Paulo, que diz, através de Paulo Maciel: "O grupo estava parado ouvindo música alta e dançando em frente de prédios residenciais quando foi atingido", e o Agora, em que Adriana Ferraz e Janaína Nunes assinam a pérola: "Por volta das 22h, o morador de um edifício na avenida Vieira de Carvalho (centro) se irritou com o barulho que algumas pessoas que dispersaram da festa ainda faziam e jogou uma bomba caseira no grupo. Segundo a PM, 30 pessoas ficaram levemente feridas pelo artefato". Sério?! É lícito agora jogar uma bomba nas pessoas porque elas estão perturbando sua paz? Claro, é crime perturbar a paz pública após as 22h, no entanto, deve haver uma liberação naquele caso específico pois estava havendo um evento que precisa pedir esse tipo de autorização para o Ministério Público, e segundo outras notícias a explosão se deu entre 21h e 21:40h, nota-se que as belas e lindas jornalistas associadas a Folha de São Paulo, pois o Agora é o primo pobre da Folha, alteraram um pouco os dados, sem mentir, afinal 21:40h é por volta das 22h, para assim permitir que um senhor, vestindo pijamas e sandálias, incomodado com o barulho das crianças no pátio, jogasse uma bomba nelas. Vou fazer uma comunidade no Orkut: "Sou Fã de Adriana Ferraz e Janaína Nunez", ou melhor: "Eu Atiro Bombas Em Meninos Barulhentos". Pois pelo jeito pode né? (De novo: foi tudo apenas um acidente, somente um acidente).
Próximo ponto: como podemos ver nas manchetes há uma óbvia tentativa de desvincular o incidente (ou devo chamar de atentado?) da parada em si. O incidente/atentado aconteceu após o término da Parada sim, na "zona de dispersão", expressão usada pelos jornais, porém isso torna os dois eventos sem ligação? Mesmo? Então a pessoa jogaria a bomba em qualquer pessoa que passasse, foi apenas uma pura coincidência ter sido no domingo da 13ª Parada do Orgulho Gay de São Paulo, não é? A Folha de São Paulo, a Gazeta do Povo e o Último Segundo não associam na manchete a relação entre a bomba e os militantes/manifestantes/as bichas da parada, apesar de explicarem em suas reportagens; os outros jornais, com excessão do Agora e do Jornal do Brasil, falam primeiro da bomba e depois a localizam na parada, porque a parada gay já foi caracterizada em outro artigo, sendo linda, harmoniosa e desnecessária porque não existe homofobia algum no Brasil, nem nenhum tipo de preconceito, porque somos uma democracia perfeita. E viva Gilberto Freire! Viva! (Foi tudo apenas um acidente. Somente um acidente! Om!).
Acham que eu estou falando bobagem? É uma simples questão de lógica discursiva, se você atraí o termo para o início da sentença, você garante atenção a ele, se o desloca para o fim você garante que o leitor não vai prender-se muito a ele. Duvida que isso funcione? Faz o teste, lê duas dessas manchetes pra qualquer um, uma hora depois pergunta sobre o que era as manchetes, a pessoa responderá bomba em são paulo, não bomba na parada gay. Foi tudo apenas um acidente. Somente um acidente. Vamos repetir isso como um mantra. Quem sabe a gente acredita!?


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

PRESENTE: Último Post?

- Sebek! - : Senhor temperamental, tu 'tá melhor?

Foxx: em BH : Oi, eu não estou mal! Só meio sem paciencia, aí fui ver um filme.

- Sebek! - : Ok, agora dá para discutir saudavelmte sobre o blog ou não quer falar?

Foxx: em BH : Sim, podemos discutir saudavelmente sobre o blog.

- Sebek! - : Exponha seu parecer.

Foxx: em BH : Bem, eu tenho uma imagem lá. Uma imagem de menino-gay-sozinho-e-feliz e que sempre achei que era a função social do meu blog. Porém, hoje, essa imagem é tão distante da realidade, está cada vez mais distante da realidade.

- Sebek! - : Bom, que tal direcionar agora para real dimensão do que você é? Isso é fácil conseguir.

Foxx: em BH : Mas eu não quero. Não quero provar para todos os héteros como ser gay é ruim.

- Sebek! - : E, pretende fechar o blog?

Foxx: em BH : Maybe!

- Sebek! - : :( Não acho certo! Não concordo!

Foxx: em BH : Com o que você não concorda?

- Sebek! - : Em você fechar o blog.

Foxx: em BH : Mas não quero começar a postar como eu fico sozinho olhando para o teto e imaginando o dia que alguém vai gostar de mim. Não quero postar os foras que eu levo.

- Sebek! - : Por que não quer falar a verdade?

Foxx: em BH : Porque eu não gosto dessa verdade! Porque essa verdade diz que eu estou errado em ser gay.

- Sebek! - : Hã?

Foxx: em BH : Essa verdade diz que se eu fosse hétero eu seria mais feliz! Porque se eu fosse hétero, eu teria engravidado Joyce 5 anos atrás. Já teria um filho e provavelmente já estaria separado, mas teria uma vida, e não isso: essa coisa esperando um dia começar a viver.

- Sebek! - : Bom, primeiro, você gosta da Joyce ainda? Depois, você ia ser fiel a ela?

Foxx: em BH : Se eu fosse hétero, talvez, mas não sou e por isso continuo sozinho.

- Sebek! - : Foxx, Foxx...

Foxx: em BH : E quem lê meu blog não consegue notar isso, porque também nunca foi o objetivo dele, e por isso não consigo escrever nele.

- Sebek! - : Foxx, a verdade existe sempre, mas ela não pode nos derrotar.

Foxx: em BH : Porque eu teria que contar como me diverti com você, da festa na piscina que um dos meninos perguntou quando eu ia fazer o seguro das minhas coxas, dos 3 carinhas disputando minha atenção na boate, do café divertidissimo com o Klero e o Mauri. Tudo foi ótimo... mas não é disso que eu estou disposto a falar. Eu quero gritar que não aguento mais ser o único solteiro em todas as rodas.

- Sebek! - : Será que não está na hora de deixar o semi-deus e ser o homem normal?

Foxx: em BH : Mas e meu público? kkkkkkkkkkk

- Sebek! - : Foda-se o seu público! Importa ser a personagem ou você mesmo?

Foxx: em BH : Mas falando sério agora: tenho uma responsabilidade com meninos que lêem meu blog, não quero que eles pensem que não podem ser felizes, só porque EU nunca consegui.

- Sebek! - : Foxx, você tem uma responsabilidade com você mesmo.

Foxx: em BH : Sim, mas a responsabilidade comigo mesmo não está no blog.

- Sebek! - : Foxx, você é de carne e osso, o blog é um mito.

Foxx: em BH : Ele não foi criado para isso. O blog foi criado para contar estórias boas, não a minha rotina chata.

- Sebek! - : Bom, sua estadia aqui em São Paulo foi rotina chata?

Foxx: em BH : Não... mas eu não quero escrever sobre isso.

- Sebek! - : Então não escreva!

Foxx: em BH : Quero escrever sobre o menino que fui conhecer ontem e dispensei porque não gostei dele, mas agora estou arrependido porque sei que não terei outra oportunidade. Quando uma outra pessoa vai reparar na minha existência além daquele gordo drogado? Mas meu blog não serve para contar coisas ruins. É para contar sobre São Paulo, elogios as minhas pernas, pegação na boate, fotos da minha bunda de fora. Isso é o Estórias do Mundo! É por isso q ele faz sucesso! Ninguém quer ler sobre minhas noites chorando.

- Sebek! - : Ok! Entendi! Mas não acho que deva fechar o blog por causa dos momentos tristes que vives. É bom mesclar alguns momentos de frustração, traz realidade as narrativas.

Foxx: em BH : Mas a questão é que não gosto de escrever sobre os momentos de frustração, porque se eu começar não paro mais.

- Sebek! - : Então não escreve!

Foxx: em BH : Então voltamos ao problema do personagem que não sou mais eu. E aí está o meu dilema: o blog serve para escrever sobre momentos felizes, que eu pouco vivo, pois minha vida tem sido frustração atrás de frustração, coisa sobre o qual não gosto de escrever... então eu tenho duas opções: escrever sobre aquilo que é excessão na minha vida, como tenho feito até agora, ou escrever somente lamentações, coisa que sinceramente não me apetece. Fechar o blog, neste caso, seria uma saída. Não preciso escrever coisas boas, nem compartilhar as ruins

- Sebek! - : Fechar o blog, neste caso, seria uma fuga!

Foxx: em BH : Seria...

- Sebek! - : E você vai fugir?

Foxx: em BH : Não sei, não sei.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

ESPECIAL SAMPA (Parte 3): Os Encontros

Era uma tarde quente que, de repente, passou a soprar um vento consideravelmente frio, enquanto eu caminhava por aquela calçada de pedras irregulares da Avenida Paulista. Meu ônibus deixara-me na altura da estação da Consolação, vinha de um almoço com o Vilser e o seu marido, Robson. "Não te achei aquela bichinha que você tanto dizia que era", intimidade é uma coisa né? "Era exatamente como eu pensava que você seria". O almoço começou tímido e terminou tímido, com o Vilser servindo de tradutor entre eu e o Robson, nos apresentando na verdade.
Da Consolação, parti em busca da Frei Caneca, pois, diante do shopping, eu deveria encontrar os blogayros. Mas antes eu deveria encontrar um banco porque eu não tinha dinheiro algum, e eu precisaria para pegar o metrô, pois dali eu me debandaria para a rodoviária. Sim, eu carregava minha mala comigo. Preocupado com o banco, não vi a Frei Caneca passar por mim. Encontrei o Banco Real, saquei o dinheiro que precisava, e continuei andando, até perceber que eu já deveria ter passado. Perguntei numa lanchonete e o rapaz me confirmou, eu deveria voltar. E eu que não queria fumar naquele dia, com ódio de mim, comprei um maço de Carlton. "Foda-se!" e acendi enquanto voltava quarteirões. Atrasado, já, mandei uma mensagem para o SAM: "Estou perdido! E a maldita OI não disponibiliza meus créditos!". Três cigarros depois, encontrei a rua, tencionei perguntar a dois seguranças que estavam por lá onde ficava o shopping, e mal eu citei "shopping frei caneca" um deles me interrompeu dizendo que ficava a quatro quadras dali. Agradeci, e segui meu caminho. Na porta do shopping estavam o Paulo, o Megafashionista, o SAM e o Demian. O Paulo me reconheceu: "Lá vem o Foxx!". E todos se apresentaram. Abraços! Mas faltaram os beijinhos! "Vamos p'ra onde?".
Voltamos então pela Frei Caneca, conversando e rindo já. Primeiro bar: "Se chegar mais alguém não vai caber aqui". Continuamos. Segundo bar: Bar da Loca! Entramos, sentamos no fundo do bar, e pedimos cervejas. Eu, o Paulo e o Mega. O SAM e o Demian começaram com suquinhos. "Laranja, com gelo, por favor!". Mas o Demian não resistiu e logo juntou-se ao grupo alcoolizado. Conversas e mais conversas, Demian: "Foxx, de que site você tira aqueles contos que você posta no seu blog mesmo?"; SAM: "Eu tava conversando com o Goiano outro dia e ele falou assim: 'Você acha mesmo que tudo o que ele posta é verdade?', você aumenta um pouquinho né?". Que maledicência!! "Eu só falo a verdade! No máximo dou uma arrumadinha p'ra ficar mais bonitinho. Mas tudo o que eu narro realmente aconteceu".
Risos. O Venenoso então liga para o SAM. O Edu-Ouriço me manda uma mensagem pedindo que eu o ligue. Eu ligo mas "o número ligado se encontra desligado ou fora da área de cobertura". Mais cervejas, mais cigarros, fumam eu, o Paulo e o Demian. As outras mesas nos olham. "Vamos sair daqui quilos e quilos mais magros". O Venenoso chega e, a seis, ficamos lá falando de baladas, nossas vidas, nossos mundos, relacionamentos, namoros e casamentos, experiências, Kylie Minogue e a pista VIP da Madonna, o make up do Venenoso, a chapinha do Demian e do Mega, a progressiva do SAM, "puf!", e que não tem graça ficar com amigos. "Pois me considere fora da sua lista de amigos, Paulo".
Entre piadinhas e conversas sérias, entre promessas de novos encontros e baladas marcadas para o próximo fim de semana, entre cervejas, sucos e sanduíches, ficamos lá até as 22h. Com uma chuvinha que ameaçava cair, deixamos o bar, de carona com o Paulo, eu e o SAM fomos novamente até a Consolação. Lá, me despedi do organizador do encontro, e desci para pegar o metrô enquanto ele ia em busca do seu ônibus. Lá, quando eu me dirigia para comprar o ticket, cruzei com um japonesinho lindo. Olhei para ele, apenas pelo costume de admirar a beleza quando ele fala: "Foxx?".
Facilmente o reconheço. "Edu!". Essas coincidências do destino. "Tentei te ligar...", "Eu te retornei...", "Deve ter sido na hora que eu entrei no metrô...". E um novo abraço. Ele ia encontrar um rolo. Eu tinha que ir pegar meu ônibus de volta a Belo Horizonte. Garoava lá fora. Conversamos um pouco, ali no metrô mesmo, mas eu precisava ir. De mala não mão entrei no metrô em direção ao terminal do Tietê. Plataforma 1, ônibus para Belo Horizonte das 23:00h. Cheguei em BH as 7h da manhã, bem mais feliz. Fiquei feliz em conhecê-los, todos, finalmente, foi apenas um breve encontro, mas que tenho certeza, só abriu novas portas para uma amizade que já existe.



CONVOCAÇÃO
Caríssimos, blogayros mineiros, venho por meio desta convocar a todos para a organização do I Encontro de Blogayros de Minas Gerais. Vamos lá?

sábado, 22 de novembro de 2008

ESPECIAL SAMPA (Parte 2): Diário de Campo

Era uma noite surpreendentemente quente em São Paulo. Eu esperava frio. Afinal chovia quando deixei Belo Horizonte para trás, mas alguns quilômetros de distância separam uma chuva torrencial de uma agradável noite com estrelas no céu. André nos pegou no carro dele. Eu saí para uma boate, ou como dizem os paulistas, "para uma balada", usando uma regata pela primeira vez. Emprestada, devo dizer, afinal eu esperava frio.
Estacionamos o carro. Para um lado a Ultra Diesel, "se você for bonito, ganha V.I.P."; do outro lado ABC Bailão, "acima de 65 anos - 15 reais". Bem, eu não estava disposto, e não me arrependi: ABC Bailão! "Mas qualquer coisa a gente vai p'ra Diesel, 'tá?". Entramos, à porta um simpático senhor de cabelos e bigode brancos apertava a mão de cada cliente que entrava. Apertou minha mão, desejou-me boa noite e eu sorri. E sorri durante toda a noite.
Primeiro pelo set list definitivamente único, o qual me lembrou muito minhas noites em Natal graças ao forró, samba e axé que apareceram entre as músicas. Sou feliz, por isso estou aqui, também quero viajar nesse balão. Superfantático! Mas, sobretudo, não é qualquer lugar que toca Cher, Cindy Lauper e Madonna, junto com Rihanna e Lindsay Lohan. Do you believe in life after love?
Segundo porque aquelas pessoas estavam ali para se divertir. E que pessoas eram essas? Sejamos claros, eu me senti um menino; e não duvido que fosse ali. Eu deveria ser com meus 27-quase-30, um dos mais novos presentes. Sim, eram quase todos velhos. Mas velhos que sabiam se divertir. A noite começou, por exemplo, com uma drag vestida de Clara Nunes dançando na pista diante de mim. "Foxx, você já viu coisa mais feia?". Ela então girava sua saia rodada. Bum bum be-dum bum bum be-dum bum, why do I feel like this? "O velhinho ali 'tá fritando mesmo!", eu e André observávamos enquanto o velhinho, baixinho, de cabelos completamente brancos, dançava e cantava animado. Because I'm living a bad dream. Um teddy também fritava atrás de mim. Suava, dançava, e me deu alguns empurrões enquanto cantava também. Come on up to the dance floor, I've got something so sweet. Dois senhores acompanhados por um loiro e moreno musculosos. Enquanto o loiro não se negava ao serviço que fora contratado, "Quanto será que eles cobram?", o moreno parecia envergonhado, principalmente quando seus olhos cruzavam com os meus. Eu não tinha culpa, meus olhos eram atraídos por aquela beleza. E ele parecia pedir socorro. "Mas eu não posso pagar o que ele te paga, queréedeenho!". Muitos casais também. Casais do tipo que não vemos na novela, nem na boate, nem na reportagem de capa da DOM, pessoas comuns, cheias de estereotipos de como é ser gay, mas felizes, se divertindo a olhos vistos, sem vergonha de ser quem são. Bichinhas tratadas como mulher de malandro, mas felizes por ser quem são.
Porém eu não fui ao Bailão apenas para ver, também fui visto, claro. Aos poucos olhares também começaram a se voltar para mim. At last, my love has come along, my lonely days over and life is like a song. Alguns senhores, outros homens, alguns meninos. Dos que me interessaram, comecei olhando para dois. Um japinha baixinho, de corpo escultural dentro de uma camiseta vermelha que marcava seu braço, ele percebera meus olhares e já sorrira também. "Calma! 'Tá cedo!". Também um loiro de olhos verdes, alto, peitoral largo, e queixo quadrado, usando uma bandana preta na cabeça. "Cara de homem, ao contrário do japinha que parece mais um menino". Tempos depois, eu localizei na pista, ao longe, ele estava do outro lado, um moreno de rosto perfeito, corpo nem tanto, uma bunda muito grande, quase feminina, bem alto, mais alto que o loiro que já era mais alto que eu. Os olhares com o japinha continuavam. Ele esperava que eu chegasse nele. "Foxx, aquele loiro de bandana veio me perguntar se você 'tá solteiro?". Minha surpresa ficou clara. Afinal eu tinha achado ele interessante, mas não tinha visto ele me achando interessante. "Ah, manda ele vir falar comigo". André foi saltitante enquanto eu corava de vergonha. De longe então ele olhou para mim por baixo das sobranceças, sorrindo, me chamou para perto dele. "Sabe quando eu passei por você e vi tua boca: eu precisava beijá-la". Foi a primeira coisa que ele me disse, me fazendo sorrir. "Com esse sorriso a vontade só aumenta". Não tinha como não beijá-lo. "Vamos ali para o canto". Eu o segui, enquanto ele me levava pela mão. Beijamos, um beijo macio, com calma, delicado, bom. Já as mãos vasculhavam. Nossas bundas, nossos paus, minhas coxas, seus braços, meu cabelo, seu rosto. "Queria que você me chupasse!". Eu ri e falei que ali era impossível. Ele concordou."Você é mestiço? Adoro olhinhos apertadinhos". Perguntou onde eu morava e se decepcionou ao ouvir que eu vinha de Belo Horizonte. Algum tempo depois, o amigo dele apareceu, falou que eles tinham que ir embora, e ele se demorou comigo despedindo-se. Afastou-se umas duas ou três vezes, retornando e me beijando mais um pouco. "Adeus!".
Voltei a pista. Encontrei o André que olhava para um cara feio enquanto um gato olhava pra ele. "Não faz meu tipo, pode ficar p'ra você". Chocado, resolvi arriscar, mas o gato só tinha olhos para o André, fiquei então dançando, foi quando o moreno que eu observara do outro lado da pista chegou do meu lado. Ofereceu-me uma Halls e ficamos batendo papo. Foi quando o amigo dele chegou. Pressupôs que estavamos ficando e enquanto o cara foi no bar, começou a elogiar o amigo, dizendo coisas que nós dizemos de nossos queridos amigos, eu então o avisei que não estávamos ficando. Nem um beijinho ainda. "Mas você quer beijá-lo?". Eu ri e disse que sim, e quando o amigo dele voltou, ele falou com ele, fazendo o moreno curvar-se para beijar-me. Foi quando o André chegou, convidando-me para ir embora. Eu me despedi e saí. "Você, hein, safadeeenho, pegou dois?". E rimos o caminho todo para casa.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

ESPECIAL SAMPA (Parte 1): Carteado

Saí de Belo Horizonte esperando encontrar frio e chuva em São Paulo, porém cheguei lá numa noite estrelado de sextra feira, mas com uma certa cerração. A mesma cerração que eu costumo ver no meu futuro e que eu queria substituir por um sol claro, por isso estava ali sentado diante do Dih. Quando sentei-me e ele acendeu uma vela e um incenso, e escreveu meu nome numa folha de papel junto com a data do meu aniversário, um arrepio de medo me percorreu a espinha. Ele somou os números e um foi o resultado obtido. O número do individualismo. "Pronto! Vou ficar sozinho sempre é?". Ele me acalma e se explica: "Isso representa que sua Lição de Vida é desenvolver a individualidade e a liderança, ser o seu próprio chefe, não dependendo de ninguém". Eu respiro fundo, concordando. "Você precisa desenvolver a capacidade de tomar a iniciativa e nunca esperar os outros dizerem o que deve ser feito". Isso eu já faço. "Deve aproveitar para descobrir novos campos de atuação. Ser vanguardista, original e intuitivo, liderar e ser ambicioso se quer algum sucesso na vida, mas também não deixar ser envolvido pela arrogância, pelo orgulho e pelo egoísmo". Um outro suspiro meu, e ele termina: "Você é alguém que não precisa do outro para se conhecer, para ser feliz, mas que precisa de alguém para dividir aquele que você é, aquilo que costuma sempre conquistar sozinho, porque você consegue quando quer". Eu olho para aquele papel branco, agora coberto de números, e concordo: "O problema é exatamente esse: quando depende de mim, como meu doutorado, eu sou sempre um vitorioso, agora quando eu dependo de alguma outra pessoa, qualquer coisa que tenha uma outra pessoa no meio é naufrágio certo!".
Ele então veste suas guias. Azuis, verdes, brancas, amarelas, brozeadas. Juntamente com um bracelete. Joga, então, três vezes dezesseis búzios sobre a mesa branca, recolhendo aqueles que caíam virados para cima. Os búzios me deram sete meses. Novembro, dezembro, janeiro. Em sete meses eu serei agraciado com os prêmios que mereço e desejo. Fevereiro, março, abril. Em sete meses eu não terei motivos para reclamar de minha vida. Maio.
Mas que vida é essa? O Baralho Cigano é o primeiro a me responder. Ele inicia dizendo que voltarei a Natal, que minha vida está ligada aquela cidade, onde tenho raízes e família, e, sobretudo, minha vida está ligada ao mar. "Odoiá, minha mãe Iemanjá!". E que eu não preciso me preocupar com dinheiro, que o trabalho e meus estudos são os elementos que nasci para brilhar, que, nesta área da minha vida, o sucesso me aguarda, porém se, e somente se, eu manter-me nas graças de uma filha de Iansã. Uma mulher morena, filha da chuva. Que eu acho que sei quem é. Mas as mulheres me dão sorte.
Sobre o amor, no entanto, o Baralho Cigano me mostrou nuvens, um menino e um homem. A carta das nuvens fala de muitos amores, passageiros, vazios e que, na verdade, mas me iludem e decepcionam do que trazem alegrias. Ó sina, ó azar! E que por causa desses amores, eu não consigo enxergar nenhuma saída para este destino em que me meti. E por isso meu desespero e minha descrença. Mas o baralho também tem boas notícias: ele me contou de dois amores, a carta da Criança e a carta do Mensageiro.
Primeiro apareceu-me um menino. Este vai entrar na minha vida logo logo, mais novo, e muito complicado. Imaturo. Para ser imaturo não precisa ser mais novo, na verdade. O Dih me conta então que ele vai me trazer problemas, muitos. Era só o que me faltava! Porém eu vou me apaixonar verdadeiramente por ele. Um namoro longo, um namoro que pode se transformar incluvise em mais do que isso. "Minha nossa! Quem será?". E eu que sempre atraí menininhos! Mas o Dih ainda falou do Mensageiro, um outro homem, mais velho, rico, estável, adulto, o extremo oposto do menino vai cruzar meu caminho enquanto eu estivesse comprometido. "Mas não te vejo ficando com esse cara, deve ser um affair, coisa rápida, talvez sexo. E ele vai ser da área que você trabalha". Embaralha tudo de novo. "Corta em três com a mão direita". E ele me fala que o menino deve aparecer até o fim do ano. "Ele 'tá no teu presente! E, no fim, uma viagem que não sei se você o leva, ou se você tem que escolher entre ele e a viagem". Chocado! O mais velho, no entanto, só apareceu no baralho num futuro distante, junto com minha ascensão profissional e financeira. "Encerrou?". Ufa! Ufa! Surpreendentemente só coisa boa! "Só coisa boa, hein? E nós vamos comemorar aonde nesta noite esse seu futuro grandioso?". Eu sorri, e agradeci ao Dih com um abraço.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

EXTRA, EXTRA, EXTRA: 55

"Que frio! Por que ninguém vem de casaco pra cá?". Ouvi atrás de mim. Um menino magro, com calça skinny e uma pólo Triton colada ao corpo reclamava enquanto esfregava os próprios braços. Eu acabara de chegar a fila da Bubu, após passar em uma lanchonete e comprar uma carteira de Carlton, procurava o Mike ou o Paulo. No caminho havia enviado-lhes uma mensagem: "P'ra me encontrar: estou de boné e um casaco escrito 55", havia marcado com ambos do lado de fora as 00:30h, porém não os encontrei. Resolvi então entrar assim mesmo. A fila na calçada impar da Rua dos Pinheiros estava grande, mas andava rapidamente, logo, na porta recebi uma ficha dourada, "Entregue no balcão", e entrei pagando R$ 50,00 de entrada que se convertiam em consumação. Aquele horário, a pista principal ainda estava fechada, no entanto, o lounge já estava apinhado de gente. Meninos que não pareciam ter mais de 15 anos, casais heteros posando de hype por frequentar a noite gay e meninas paqueradoras, bonitas e magérrimas.
Porém logo a pista principal abriu e rapidamente se encheu, ao comando de um DJ que, sob um letreiro luminoso em que as palavras fashion e passion se alternavam com art e sexy, tocava um house batido e maçante. Pensando em ficar mais visível e lembrando dos conselhos do Cara Imperfeito, subi para um dos mezzaninos que ladeavam a pista, me debruçando no parapeito. Minutos depois, enquanto eu observava distraído e beijava minha cerveja, um menino alto e com um sorriso caloroso me chama pelo nome: Mike. Ele me chama para descer, encontrar o Cuiabá e irmos juntos para outra pista. "Ah, não te reconheci pela roupa não, foi de tanto fuçar seu fotolog". Descemos, a caminho da pista, paramos no bar, eles pedem vodca com energético, eu continuo na cerveja que já bebo desde as 14h com o Dih. Dizem para não misturar. Atravessamos então o lounge e subimos para a outra pista que fica um lance de escadas mais alto que o mezzanino.
O DJ aqui toca eletro-pop. Britney, Beyoncé, Mariah Carey e Madonna disputam espaço no set junto com Olivia Newton-John e John Travolta em Grease e o chic-bum-bum da Gretchen. Muitos casais heteros e muitas meninas já aos beijos, disputam o espaço da pista. Homens bonitos de regata dançam em cima do queijo. Vejo então um homem alto, loiro e bonito aproximar-se de mim e perguntar se sou o Foxx: Paulo. "Eu vi o 55 lá de cima". "É, eu estou aqui fantasiado de placa de trânsito: KM 55". "Pois então aproveita e cobra pedágio". Risadas. Cervejas. Cigarros. Tequilas. Vodcas. Alguém passa a mão na minha bunda, reclamo com o Mike: "Eu não achei que você fosse tão cheio de pudores". Nem eu.
Mas a noite foi para enterrar a minha Sandy, de vez. Primeiro, um moreno, um pouco mais alto que eu. Não tão bonito. Cabelo espetado, lembro dele da fila. Olha-me, e sorri. Camisa apertada mostrando os parcos músculos. Eu sorri também, porém mais por educação, do que por interesse. Ele então passa a me olhar, sorri um sorriso de interesse e me lança um olhar sob as sobrancelhas, enquanto eu fico conversando ou com o Mike, ou com o Paulo. Ele, sinceramente, não me interessa mesmo. Em certo momento, vou ao banheiro, e para tanto devo passar ao lado do menino de cabelo espetado. Ele me segura pelo braço, delicadamente, e me pede um beijo. E como aprendi que beijo e água não se nega a ninguém. Beijei sim. Apenas por caridade. Minha religião ordena fazer caridade na balada de vez em quando. Apenas para que o universo saiba que estou disposto. Ele tem que saber que hoje a Britney está em modo ON. Apenas para entrar na lista. O número 1 da noite. Mas beijei.
No entanto, a noite me reservava mais. Eu, de costas para o vidro que dava para a pista principal, as luzes brancas me ofuscavam quando um outro moreno, corpo atlético, camisa aberta mostrando o peitoral definido, pernas grossas e bunda pequena e empinada, barba por fazer, fala no meu ouvido: "Eu ainda beijo essa sua boca hoje". Eu apenas viro o rosto, sorriu, e falo: "E porque vai esperar tanto?". Ele se encaixa nas minhas costas, e segurando minha cabeça para trás me dá o primeiro beijo. Depois me vira, me puxa pela cintura. Uma pegada forte. Minhas mãos deslizam pelas costas dele, musculosas, enquanto a barba dele arranha meu rosto. "Vou ficar todo vermelho, 'tô até vendo!", penso. Seguro-lhe a bunda. Aperto e ele me beija mais intensamente. "Olha vou procurar minha amiga, volto logo 'tá?". Risos. O dia que eu cair nessa dispensada, eu não me chamo mais Foxx.
Diante dos elogios ao menino feitos pelo Mike e pelo Paulo, recomeçamos a caçada. Passeios pela pista principal. O Paulo beija um, dois. Cervejas. Olhares. Gracejos. Dispensadas. "Como 'tô dando fora em feio hoje!". O Mike gargalha. "Quem mandou entrar no clube dos ex-gordos, é assim, muda tudo". Mais gargalhadas. Todo mundo desaparece. Procurando os meninos, me deparo com um negro, alto, com uma camiseta justa que mostrava os braços musculosos, ele passou por mim de mãos dadas com outro cara, mas segurou a minha mão, e apertou. Quando olhei, ele pediu que eu esperasse. Como não tinha muito mais o que fazer, paguei para ver. Ele voltou em segundos. Segurou-me a mão e me levou para o outro lado da pista. Recostou-se ao balcão e me segurou pela cintura junto a ele. "Quem era aquele cara que você estava?", perguntei. Ele me olhou seriamente com seus olhos verdes: "Você quer mesmo saber?", e sorriu um sorriso doce. Sabendo que aquele com certeza era o namorado dele, eu o beijei, e ficamos juntos por muito tempo. Até o segurança tocar o ombro dele e dizer: "Rapazes, essa pista já está fechando!". No mezzanino, ele me deu mais um beijo, e foi falar com as amigas e quando eu passei por ele, ele sorriu sem jeito, e se eu tinha alguma dúvida que ele estava traindo o namorado, seu comportamento diante das amigas desfez.
Resolvi descer. Já eram 6 da manhã, não obstante a falta de janelas daquele lugar impedir que alguém percebesse. Eu tinha duas opções: ir embora, ou continuar a caçada. Resolvi deixar o destino escolher, fiquei lá, diante do letreiro, diante do DJ, se ninguém me olhasse eu iria, se alguém se aproximasse eu ficaria. Apenas mais um: só porque não gosto de números ímpares: 4. Quatro seria um bom número para uma noite em São Paulo. Pois então, me deixei ficar, e não a toa: algumas pessoas me rondam, me secam, me comem com os olhos, mas as ignoro. Não me interessam. Afinal a escalada agora tem sido vertiginosa: o último tem que ser o melhor de todos. Apenas fico a sorrir. É quando sinto um par de olhos azuis sobre mim. Observo-o se aproximar dançando. Passa a mão no cabelo loiro, com uma franja longa e luzes sem retoque, e dança em torno de mim. Dança como meninos de rave: pernas marcadas, braços caídos, nenhum quadril. Eu só sei sorrir novamente, desta vez, com todo ar de aprovação, ele dança na minha frente eu me aproximo mais dele, é quando ele gira e para atrás de mim. Ele então se aproxima e beija minha nuca, esfregando-se na minha bunda. Eu me viro, seguro-o pelo rosto, o beijo. Ele dança, nós dançamos juntos enquanto nossas bocas não se desprendem. Beijamo-nos sem pressa da noite acabar. "Eu tenho que ir". Eu o beijo e vou pagar minha comanda. 50 reais exatos! Ele me acompanha. "Por que ele está atrás de mim?". Saímos, peço um taxi, o valete abre a porta do carro, dou-lhe um último beijo, entro e fecho a porta atrás de mim. "Jaguaré, por favor!". E ele ficou lá na porta, sem entender. "Ele achou que vinha comigo? Britney, querido, mas eu chego já já em Paris Hilton".

PRESENTE: Tic-tac-tic-tac

2:25h, Natal, Aeroporto Internacional Augusto Severo. Check-in no guichê da TAM. Vôo 3319 NAT-GRU. Natal, Guarulhos. Trinta e cinco minutos depois o avião taxeia pela pista e decola, digo adeus a Natal mais uma vez, porém com menos entusiamsmo do que disse em janeiro quando a deixei.
6:45h, São Paulo, Aeroporto Internacional Governador André Franco Montoro. Acordo segundos antes do comandante anunciar que nos aproximávamos da terra da garoa e que faziam 11°. Um coockie do lanche servido a bordo - torradas, suco, geléia e requeijão - ainda estava no bolso do meu casaco. Esteiras 10 e 9, bagagens. Eu não tenho medo algum de andar de avião, minha fobia está em perder a minha bagagem. E minha mala é logo a que demora mais a aparecer e, com segundos na cidade, a tensão metropolitana já me invadia as têmporas.
7:30h, telefone, mainha, frio e fumaça saindo da boca. Sandália no pé. Dih, ele me busca e me leva a casa dele. Um banho. Uma rápida olhada na net. Cama, o sono dos justos.
14:08h, os travesseiros me cercam e o edredom preto cobre meu corpo. Susto, ainda dormindo acho que tem alguém deitado comigo. Desperto, e vejo-me sozinho. Compras para um churrasco. Amigos do Dih. Telefonemas. Samcleber, "Que Foxx? Ah, o Foxx!!". Mike, Paulo, Vilser. Programação para mais tarde.
17:30h, chácara, Ibiúna, Itaipava, Malboro vermelho. Três perdidos numa estrada de terra usando a principal prerrogativa masculina. Amigos dos amigos de Dih, pizza caseira, quebra-cabeças. Professores discutindo a profissão, contadores exercendo a sua. Risadas frouxas. Obrigado.
00:30h, fila da Bubu.