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domingo, 8 de novembro de 2015

Oh, Hey, What's up, dude?

, em Natal - RN, Brazil
- Olar!
- Olá meu caro Foxx... rs... você tá bem?
- Saudades de você, amigo.
- Que bom que você mandou mensagem. 'Tô com saudades de papear contigo também... você me abandonou... rs.
- Você que me abandonou só porque sou feio.
- KKKK Eu não! Eu continuo por aqui! KKKKKKK E que mania de achar que é feio, Foxx.
- Na verdade, eu me acho lindo, mas ninguém concorda. KKKK
- KKKKK Mas é assim que tem que ser... você se achar lindo... o resto que se foda.
- Ah, fi... eu me acho lindo... inclusive esta é a razão de todos os meus "problemas": eu me acho tão lindo que não entendo porque não tem uma fila de homens me desejando. Minha antiga tristeza era só orgulho ferido.
- Dava para perceber. rs.
- KKKKK
- Mas, Foxx, você 'tá certo... se ache lindo, assim as pessoas também acharão. E, você reclama, mas sempre tem um boy no pedaço, vai.
- Ah, sempre tem sexo mesmo! #NumVôMinti
- Conhece o bom e velho ditado: enquanto o certo não aparecer, você se diverte com os errados?
- Sim. Uma pérola de sabedoria.
- Então, Foxx?

domingo, 29 de março de 2015

"Entre Peles"

, em Natal - RN, Brasil
- Desculpa, não deu p'ra ir na exposição. 
Falou meu amigo que eu havia convidado uma semana antes para ir a uma exposição no bar Mahalila, o novo ponto de encontro underground da cidade, no dia seguinte através do Whatsapp. Se é que Natal tem um lugar underground, até porque este termo é fora de moda, agora se fala "alternativo".
- Tudo bem, mas você perdeu. Foi lindo!
- Como foi?
- Era uma exposição de fotografias misturado com poesias. Poesia visual, é o que eles chamam. Depois teve um sarau. E era um público de meninos lindos e inteligentes. Eles estavam por todo lado. Mas como fui sozinho, fiquei por pouco tempo. Cheguei umas 18h e as 20h eu já estava em casa, de banho tomado e vestindo pijamas. Fiquei com vergonha de ser a única pessoa desacompanhada lá.
Ele respondeu seis minutos depois.
- Ai, amigo, que coisa! Não tem nada de embaraçoso estar sozinho.
Eu respondi:
- Ah, p'ra mim tem sim! Eu queria conversar sobre a exposição e não havia com quem. Poemas lindos, fotos maravilhosas, e eu não tinha com quem falar. E eu também não ia sentar numa mesa, sozinho, e pedir uma cerveja que é alcoolismo demais na vida da pessoa.
- Não concordo com você. Interrompeu meu amigo.
- Bem, eu fiquei encostado numa parede tentando sorrir para não parecer deprimente, fingindo ser cool e que não preciso de ninguém para me divertir. Que sou aquela pessoa moderna que vai a qualquer lugar sozinho porque não precisa da companhia de outras pessoas. Aí eu lembrei quando era mais novo, tinha 21 anos, e eu ia para balada sozinho porque não tinha amigos gays e eu sentia a mesa coisa, tentava não parecer deprimente, mas com um hora e meia eu já queria estar em casa, foi reviver aquele tempo.
Ele discordou.
- No caso de ir a balada sozinho, até concordo, também passei por isso, mas da exposição não. Você apenas não conseguiu aproveitar um bom momento por estar sozinho. E isso eu não acho lógico. Você foi para ver a exposição e não aproveitou porque se sentiu envergonhado por estar sozinho. É um sentimento horrível, Foxx, não apreciar sua própria companhia.
Eu fiquei bastante confuso neste momento e tentei contra-argumentar.
- Eu convivo comigo mesmo, amigo. Eu moro só, trabalho sozinho e, portanto, quando eu saio meu objetivo é tirar férias de mim mesmo. Férias dos meus pensamentos. Acho que ninguém entende isso porque todo mundo convive com outras pessoas, e eu só me relaciono via Whatsapp.
Ele respondeu:
- Justamente por esse motivo você devia aprender a se aproveitar mais ao invés de não gostar de estar sozinho.
- Acho que você não entendeu. Eu vivo muito bem com meus livros, meu quadrinhos, meus filmes, meus programas de tv, minhas plantas e meu gato. Vivo sim. Mas eu não quero viver somente comigo. Principalmente quando eu saio de casa. Até porque é chato quando todas as discussões terminam com você concordando consigo mesmo.




terça-feira, 29 de julho de 2014

"Sexo Verbal Não Faz Meu Estilo"

, em Natal - RN, Brasil
Um amigo da Igreja que frequento me dá uma carona até um outro ponto de ônibus no qual tenho mais opções em frente ao Shopping Via Direta, mas antes de sair da rua em que o carro estava estacionado, ele dispara:
- E aí como anda o coração, meu querido Foxx?
- Vazio, como você bem me conhece. Ninguém se interessa por mim nesta cidade...
- Nossa, Foxx, porque você diz uma coisa dessas...
Eu interrompo e não deixo ele terminar o sermão.
- Meu caro, eu sou muito bichinha para o povo dessa cidade.
Ele gargalha. 
- Você 'tá maluco, Foxx? Aonde que você é bichinha, cara?
- 'Cê não acredita? Olha a mensagem que eu recebi de um menino que conheci neste domingo.
E mostrei a mensagem que ele leu, rapidamente enquanto o sinal vermelho não nos deixava passar.

[7h41] Lima:
Olha só! Eu gostei muito de vc, vc é um cara muito bonito.
Vou ser sincero com vc!
[7h44] Lima:
Eu não me sinto a vontade com pessoas afeminadas, não me pergunte por quê, nem eu sei!

 Ele me olhava chocado, sem saber o que responder.
- Eu não me considero efeminado, Santos, no máximo admito que minha voz é um tanto aguda, mas eu não me considero efeminado.
- Nem eu te considero...
- Mas você é carioca. Quando eu fui para Belo Horizonte, eu não era considerado para os padrões de lá efeminado, mas aqui no Nordeste, aqui em Natal, talvez porque nós temos um modelo de macho (e fiz aspas com os dedos) diferente, aqui eu tenho este estigma.
Ele me olhava ainda sem compreender a mensagem. Eu falava olhando para as luzes traseiras dos carros a frente.
- Todos os homens que me explicaram porque não queria ficar comigo utilizaram esta desculpa, como também muitos que ficavam comigo, só ficavam longe dos olhos de seus amigos por vergonha de ficar com alguém como eu. Talvez não seja verdade...
- Não é verdade, amado.
- Mas, para as pessoas desta cidade, é assim que eles me veem e este julgamento interfere em qualquer relacionamento que eu tenha ou venha a ter. E, por isto, conte-me você como está seu coração?

terça-feira, 8 de julho de 2014

A Escolha de Sofia

, em Natal - RN, Brasil
- Deixa eu ver se eu entendi. Você, Foxx, prefere morrer do que tentar de novo, mas, então p'ra quê você quer um namorado então, criatura?
- Eu não quero. Eu quero que isso acabe.
- Mas não vai, e você sabe. Não é melhor tentar de novo até encontrar um namorado?
- Não, preciso tirar isso da minha vida. Inclusive por isso é bom não sair mais de casa também.
- O menor problema que você tem é sair ou não de casa, Foxx. Você pode até precisar tirar isso da sua vida, mas você não quer. Como você mesmo já disse: você vive do passado, das suas lembranças e você não quer se livrar delas, logo, você nunca vai se livrar dos seus desejos, sorry!
- ...
- Seu desejo está ligado ao seu passado, às suas relações, para se livrar do seu desejo teria que jogar fora boa parte (ou todas) as suas lembranças. Tem certeza que quer isso?
- Um dia. Um dia as lembranças estarão tão distantes que eu conseguirei viver sem elas. 
- Um dia? Querido Foxx, esse "um dia" só chega quando você parar de nutrir as lembranças, aí elas ficam distantes. Enquanto você nutrir as suas como se elas tivessem ocorrido ontem, sorry, mas você nunca vai se livrar do seu desejo de ser amado.
- Mas eu não nutro minhas lembranças...
- Você que acha. Eu vejo que não. Por exemplo: postar no Instagram uma foto de um paper doll, com a legenda Forever Love ou simplesmente manter este boneco na cabeceira da sua cama, para que talvez seja a primeira coisa que você veja quando acordar e lembrar do seu relacionamento com ele, isso é nutrir o passado.
- Não está lá para ser a primeira coisa...
- A segunda então, pouco importa, mas o fato é que ele está lá para nutrir sua lembrança do Menino Bonito. E volto a dizer: você precisa se livrar de todas estas lembranças para se livrar do seu desejo, porque daí você não teria nenhuma referência de carinho e amor. 
- ...
- Mas você vive do passado, então enquanto viver dele, enquanto o paper doll estiver na cabeceira da cama, sua experiência com o Menino Bonito nunca vai sair de sua cabeça e o seu desejo de revivê-la, não necessariamente com ele, mas sentir o que você sentiu por ele com qualquer outra pessoa, nunca vai sair de você.
- A postagem foi um momento de fraqueza...
- Eu entendo, mas o fato do boneco ainda estar na sua cabeceira é sinal que você continua regando, adubando, nutrindo o passado. As pessoas para não viverem do passado, elas apagam, bloqueiam, tiram de suas vidas. E é por isso que eu não acredito que você vai conseguir se livrar do seu desejo, porque você teria que apagar tudo, e você não quer, de verdade, fazer isso.
As lembranças pipocaram na minha cabeça: a sensação do abraço do Tato, ou da respiração dele quando dormia no meu peito, o calor que invadia meu coração quando nos falavamos ao telefone. O prazer de sentar na sala do Anjo e discutir política ou Maria do Bairro, do meu coração disparado quando nos conhecemos naquele bar em Belo Horizonte, do gosto daquele beijo na chuva, ou quando ele me deu um beijo de despedida quando eu retornava para Natal. A alegria de sair para comer com o Menino Bonito, muito menos a felicidade que explodiu em mim quando ele, bêbado, disse que poderia me namorar facilmente porque eu era o tipo de homem que ele gostava, ah, e o sexo com ele também, o corpo que se encaixava perfeitamente no meu, era delicioso.
- Eu não teria nada se eu apagasse minhas lembranças, Ariano.
- Então não apague. Continue nutrindo, está tudo bem, mas aceite o outro lado da moeda que é o desejo. Você não pode ter as duas coisas: lembranças vivas e ausência de desejo. Será um ou outro. E enquanto você não se decidir o que quer vai continuar andando em círculos, como faz há 32 anos.
- É, você tem toda razão. 

sexta-feira, 13 de junho de 2014

O Primeiro Passo

, em Natal - RN, Brasil
- Pronto, agora vá encontrar um namorado, permita-se encontrar um amor.
Eu disse, concluindo o tópico da conversa pelo Whatsapp. Meu amigo Doc riu.
- Vou procurar nada. Deixa acontecer. 
Eu sorri e digitei a resposta.
- Isso não existe, moço. Imagina, se todo mundo fica sentado esperando acontecer, como é que vai ter alguém procurando?
- Ah, claro que se encontra, boy. 
Ele respondeu, e continuou:
- Quantas pessoas relatam que quando pararam sua busca desenfreada conheceram alguém?
- E quantas pessoas realmente falaram a verdade quando contaram isso?
- Ah, depende da pessoa...
Ele respondeu enquanto eu ainda digitava a próxima mensagem.
- Se uma pessoa realmente tivesse parado de procurar, seria como eu, que não fico mais com homens desde outubro e neste meio tempo também não tentei conhecer ninguém novo.
- Mas também não é assim...
Tentou ele, novamente, me interromper.
- Se a pessoa não fez isso, ela não parou de procurar coisa nenhuma. Só falou isso para parecer descolado, aquele que não está preocupado em encontrar um namorado porque vive muito bem consigo mesmo, mas fica profundamente incomodado quando leva um fora na balada; ou para aparentar um milagre romântico, do tipo que causa inveja em todos: "olha como fomos feitos um para o outro".
Doc então respondeu:
- O que eu quis dizer é que não é uma prioridade neste momento, mas se por acaso eu encontrar alguém no ônibus, na faculdade, em uma festa, não tem por que não conhecer mais a fundo. Na verdade, inclusive, a todo momento conhecemos pessoas novas, trocamos olhares e tudo...
- Se você olha para o lado, você está procurando, Doc. Eu, por exemplo, não estou. Eu só saio para a Igreja e para o ensaio do coro, e quando eu saio vou lendo o caminho todo para garantir que meus olhos não esbarrem em alguém bonito pelo caminho. Isso é não procurar. Não procurar significa necessariamente não estar aberto se acontecer porque você realmente não vai ver que algo existe. Não se vê através de portas fechadas.
- Ah, agora entendi. De acordo com isso, estou procurando então. Esse negócio de conceito é foda.
- Assumir é sempre o primeiro passo.
Conclui e ele respondeu com uma risada.


Feliz Dia dos Namorados!