João Pessoa. Jampa. O que aconteceu aqui? A noite movimentada que conheci há quatro anos simplesmente não existe mais. De uma rua lotadas de simpáticos bares e boates gays ou no máximo friendly, como se gosta de dizer atualmente, estes tão estilosos que atraíam meninos ricos que exibiam suas cuecas Calvin Klein por dentro das calças Diesel, a mesma cidade que tinha programas sobre cultura na tv que falavam sobre shows, ballets, peças avant gardè. Tudo reúnido em Tambaú, próximo ao mar, o que facilitava a locomoção e a opção. E hoje, tudo se resume a duas boates: uma HT (se podemos dizer que uma boate em que homens se agarram nos banheiros de hétero), Incógnito, que reúne a "alta burguesia da cidade", citando Renato Russo, e uma gay, a Vogue, filial da VG natalense, que anda se expandindo pelo Nordeste propondo o mesmo modelo de Natal que é uma opção voltada mais para a população de renda mais baixa, o que dá a boate um público costumeiramente mais feio, todavia mil vezes mais simpática e consequentemente mais fácil, sem os carões que encontramos nas boates frequentadas por uma população de maior poder aquisitivo. A Vogue então, que também tem uma filial em Campina Grande, é, em João Pessoa, a única opção.
Bem, a entrada continua custando 5 reais, festas maiores como o Reveillon caem na casa dos 15 reais, como em Natal, funcionando na quarta-feira, e de sexta a domingo. Fui no domingo e na segunda, na festa de Reveillon. No primeiro dia no primeiro ambiente, Dance, onde estavam estampados enormemente cartaz que proibiam o fumo, comandavam as pick ups a drag Tânia Tumulto e a DJ Cris L, e como é de se esperar reinava a Drag Music. Já na festa de Reveillon, após a queima de fogos na praia de Tambaú e o show de Zé Ramalho, o DJ Cyber, com quem o eletro pop era o som dominante.
Sobre os frequentadores? No domingo, achar alguém bonito era como garimpar diamante entre o carvão, mas um clima diferente rodava o ar. Os meninos mais bonitos não deixavam de ficar com aqueles que em Natal seriam considerados feios. Havia conversas e as pessoas realmente estavam ali para conhecer às pessoas e não competir para saber quem terminara a noite com o mais bonito. Coisa muito comum em Natal, onde as pessoas bonitas como o Riba - meu companheiro de aventuras aqui em JP - que só ficam com alguém quando ele é mais bonito que ele. Ou seja, não serve um bonitinho, ou um bonito, tem que ser um quase deus. Eu não me importo com isso, prefiro conhecer as pessoas e, a neste caso conhecer pessoas interessantes. Se elas eram bonitos, juro, foi mera coincidência. Quatro: o Pocket, o Alex, o Cristiano e o Mário.
Peguei quatro meninos lindos, mas a viagem em si tornou-se uma grande frustração quando descobri que o menino mais interessante que conheci nesta terra de sol inclemente também me achou interessante, mas não demonstrou por causa de uma "gritante" timidez, e só conseguiu me dizer o que estava sentindo quando entrei na internet, pelo celular, na madrugada em que voltaria para Natal. Quem? O Espartacus.
Se alguém nesta blogosfera admira este paraibano saiba que está coberto de razão. Além de lindo, com um sorriso encantador de menino e uma voz confortante de homem, a inteligêndia dele é desafiadora e perspicaz, o que nos rendeu grandes conversas sobre história, Hugo Chavez, Deleuzze e a Invenção do Nordeste. E também, como grandes inteligências sempre são acompanhadas de grandes sensos de humor, também nos renderam belas gargalhadas, dos outros e de nós mesmos. Eu fiquei encantado com o Espartacus assim que o conheci sentado num bar na areia da praia de Tambaú, mas ele não demonstrou nenhum interesse por mim e quando voltávamos para a pousada que ele não fez a menor questão de acompanhar-me achei que ele decidira ser "apenas" um amigo. Não consegui deixar de pensar "que pena", afinal há muito tempo não conhecia alguém tão perfeito, mas ele não parecia interessado.
Agora, vocês se perguntam, se o Foxx ficou tão encantado assim pelo Espartacus como pode ficar com quatro? Fiquei encantado sim. Mas não queria estragar uma amizade que só está começando dando em cima dele, mas também estou solteiro, e também tenho minha grave crise de auto-imagem. Vocês sabem, aquela história de eu me achar feio e desinteressante, aí, piso em JP e sou assediado por inúmeros meninos, podendo escolher. Meninos com namorados fogem dos seus para vir falar comigo, dois fizeram isso, outros me observavam enquanto eu beijava um outro. Não tinha condições psicológicas de ficar em plena festa de Reveillon curtindo o encantamento que o Espartacus produziu em mim. No entanto, aqui, agora, eu admito: trocaria todos, por mais uma hora ao lado dele.

