Google+ Estórias Do Mundo: 2006

sábado, 30 de dezembro de 2006

PASSADO: Há algo de podre no reino da Dinamarca

Este texto é antigo, mas expressa exatamente o que estou sentindo hoje. Dormi mal. Acordei mal. Estou vivendo mal. Obrigado a todos os meus amigos que estão do meu lado nesta hora, em especial, os reais, Braz, Joshy e Henrique, e os virtuais (mas não menos reais e importantes) Trintinha, Marcelo Sunshine, Shinji e Edu. Obrigado a todos por me escutarem. E deixarem eu chorar nos seus ombros. Por me aturarem.

Há algo de podre no reino da Dinamarca. Hoje pelo menos há. Não estão sentindo? Não percebem energias estranhas se movendo em torno de nós? Questionando quem somos, pra onde vamos, com a mesma tristeza de Hamlet?

Ontem, uma estrela tenebrosa brilhou sobre meu signo, eu senti por volta das 19h, vou ver se foi a lua que entrou em movimento retrógrado ou se Saturno iniciou sua influência insípida, mas existente. Só sei que me fez abandonar a boa vontade com os homens que eu tinha até então. Comecei a achar todos aqueles movimentos de educação, todos os bons-dias, frases sem sentido, quis mandar todos à merda. Só sei que minha paciência com o gênero humano se acabou.

Isso me fez acordar hoje azedo, e olhando para as paredes recém pintadas do meu quarto, sem marcas, nem manchas, vi minha vida meio pálida olhando pra mim.

Acordei desejando sexo, sujeira, beijos e vermelho sangue. Contudo eu estava num quarto branco, coberto com lençóis azuis, vendo fotos de sorrisos e cds com lindas músicas olhando pra mim. Quis destruir tudo. Quis quebrar os espelhos e manchar as paredes com meu sangue. Quis fugir desta realidade tão pura e luminosa que não refletia meu espírito. Mas não pude.

Hoje é um dia para ler tragédias, quero ver sangue e mundos destruídos. Vou agarrar-me a Shakespeare e aos gregos. Hoje quem me procurar vai me encontrar entre o sangue de jovens viúvas.

terça-feira, 26 de dezembro de 2006

PRESENTE: Diário do Fim de um Namoro I

Bem, tem sido dificil. Mas resolvi relatar a evolução do processo aqui. Bem, esta semana meu ex me ligou. Ligou para desejar feliz natal, eu eu fui duro, seco, não quis demonstrar tristeza, mas ao mesmo tempo não queria que ele pensasse que estava tudo bem. Afinal não estava. Não há para que mentir. Não há porque esconder dele que eu ainda o amo. Logo depois que desliguei o telefone, comentei com Joshi, com quem eu estava na net, que meu ex tinha ligado, e ele falou que estava conversando com Beto naquele instante pelo telefone. Eu então falei que queria saber de toda a conversa e Joshi prometeu me contar.
Assim que desligou o telefone, Joshi me contou que Beto estava muito bem. Tinha conhecido um cara "muito legal e cabeça feita" de Recife, e também havia ficado com Kleiper (viado nojento!!!), um amigo dele, da cidade dele. Aí eu percebi que Beto tava vivendo a vida dele. Ficando. E já tinha me esquecido, completamente. Ou pelo menos aparentava isso. Resolvi então mudar tudo. Recuperar-me. Curar-me. E coloquei no MSN, sábado, ante-véspera de Natal: "Quem me chama pra sair hoje?". Henrique tava viajando. Descartado. Mas Gush tinha me chamado para ir para o BAR. O BAR é o código para uma das boates gays daqui de Natal. O nome na verdade é Avesso Clubber, mas como a boate é conhecida, para não dar muito na vista, entre nós, nós sempre combinamos de ir para o BAR. Bem, eu estava na net, e Gush já havia feito o convite, e Michel reforçou, dizendo que saíriamos ou para o BAR ou para a VG (outra sigla, outra boate, Vogue). Mas antes nos encontraríamos na praça do CEI, pois como estava havendo o PRESENTE DE NATAL (um envento da prefeitura com música ao vivo, no campus de uma das faculdades federais daqui), poderíamos primeiro assistir ao show, depois ir para a boate. Topei.
Encontramo-nos na praça do CEI. CEI é um colégio, que fica do lado do campus que mencionei. Este colégio adotou a praça que fica em frente, e transformou num ambiente bem agradável, que por ser bem escondida do movimento da cidade foi adotada por uma galera gay bem teen, que ainda não pode frequentar as boates, e outra galera que acabou de entrar na maioridade (com rarissimas excessões como eu). Passamos por lá, eu e Michel, e encontramos conhecidos, já começamos a beber e a fumar por ali mesmo. Decidimos lá pagar mais, mas ir para o Avesso. Isto porque percebemos que toda a praça do CEI ía para a boate, inclusive muitos menores com identidades falsas, e também porque Juh, um amigo, também ía.
Em um instante, quando decidi ir para o BAR, me vi cercado por vários conhecidos que também iriam. Rickie, Ewerton, Nel, Guel, me fizeram rir o caminho todo para a boate (feito de busão) contando um os podres dos outro. Jogaram-me inclusive no meio da brincadeira. Principalmente o Rickie que sabe em detalhes minhas estórias com Juan, meu ex, essas estórias que ele adora comentar. Não sei porquê.
Chegamos na boate e logo encontramos Gush. Ele foi logo se esfregando em mim. Dizendo que eu estava lindo, cheiroso e solteiro. E ele também. Ofereceu-me vodca. E me abraçou. Ao mesmo tempo, Nel, que havia conhecido no ônibus, ficava me olhando e lançando o sorriso mais lindo que eu já vi em muito tempo. Não sei o que acontecia. Mas quando ele sorria o rosto se iluminava. E uma covinha aparecia apenas na bochecha direita. Mas os olhos dele não se moviam. Como os meus que se apertam quando eu sorrio. Continuavam grandes, luminosos, brilhantes e verdes, como lagos.
Entramos. A música preenchia o primeiro ambiente. Muita Madonna. Are you ready to jump? Fomos para o lounge da boate. A fonte estava ligada. Com luzes. Decoração natalina. E muitas renas. Aí que Ewerton começou a rir do tema da festa naquela ante-véspera de Natal: Natal da Rena. Continuamos ali no lounge conversando, ouvindo muita música pop ao longe. Wish your girlfriend was hot like me? Wish your girlfriend was a freak like me?. Rindo muito. E eu me esqueci complemente dos meus problemas, e esta era a função da festa né?
Depois fomos a outro ambiente, ao Clubber, DJ Devasso tocando. Mais Madonna. Muita Drag music. Mais Devasso sem se tocar que ele tem que tocar para o público, não para ele mesmo. Mas tocou Xstina. Told my mother, my brother, my sister and my friends, told the others all my lovers both past and present tense. E é claro que relembrei de Beto. Mas exorcizei a imagem dele. Dançando. Com Michel e com Nel. Nel me chamava para dançar com ele. Entrava no meio da roda, e me puxava para dançar com ele. Lançava-me aqueles olhos de ressaca que me sugavam para dentro de um oceano verde. E conforme dançavamos o calor infernal tomava conta de nossos corpos. Música alta. Luz piscando. Um pouco de Witney Houston bombando num remix tribalístico. And I wished you joy and happiness, but above all this, I wish you love. Luz negra envolvendo corpos que começam a ficar mais desnudos. E o loló que Juh me passava sempre que o tum-tum de em minha cabeça começava a enfraquecer.
Vi atrás de mim, então, sem dançar muito. Felipe. Felipe era meu melhor amigo. Até que brigamos (depois conto esta estória para vocês). Ele estava conversando com Nel, puxou a camisa dele quando ele se afastou. E eu não estranhei. Felipe sempre foi assim. Ele era extremamente inconveniente. Insistia demais. Forçava a barra. Puxar roupas. Roubar beijos. Fazer gracinhas. Tudo isso era muito o estilo dele. Mas Nel se afastara. Fugiu dele. E veio dançar comigo. Não vi Felipe depois desta. Sumiu da boate. Sumiu da realidade (uma bela capacidade para quem tava usando aquela roupa dele, se posso comentar...).
Cansado de tanto calor. Sem coragem de dar o próximo passo para cima de Nel. E depois de Nel me segurar, quando cai num buraco negro onde a luz e o som se perderam, por causa da combinação de um Hollywood atrás do outro, copos e copos de vodca e a camisa de Juh encharcada que eu cheirava entre um trago e uma dose, eu sai. Voltei ao lounge. Jingle bells, jingle bells, jingle all the way, oh what fun it is to ride in a one-horse open sleigh. Sentei. E chorei por Betinho. Meus amigos chegaram. Todos. Rickie já estava ficando com Nel. Eu escondi minhas lágrimas. Mas Juh notou. Acendeu-me outro Hollywood. Fumamos. Encontrei Madê e Jô. Fumei dois Carlton de Jô. Bebi a cerveja de Madê quase toda. Perguntei do loló e Juh disse que acabara. Aí encontrei Juliana, amiga de Beto. Perdi-me. Não sabia o que fazer. Deveria fingir alegria, e dizer que estava forte. E Juliana diria a Beto que eu não estou sentindo a falta dele? Pra que mentir fingir que perdoou, tentar ficar amigos sem rancor. Ou falar a verdade? Mas ela poderia não acreditar, afinal quem é que sofrendo vai a uma boate? Ela deu-me notícias de Caicó. E eu só pedi para que ela não me falasse de Caicó: "Me faz mal". E bastou.
Voltei aos meus amigos. Antonella de Castro fez seu show. Vamos com você, nós somos invencíveis, pode crer, todos somos um e juntos não existe mal nenhum. Conversamos. Rimos. Ficamos ainda muito tempo por lá. Carol Podzaski começou a tocar. DJ Mobil começou a tocar no Clubber. Dancei. Pulei. Fritei. As beeshas (como diz Marcelo) me olhavam reprovadoramente. Deveriam pensar: "Em que rave ele pensa que está?!". Mas eu pulei. Consumi o alcool do meu corpo. Saí. Reecontrei Jô. Roubei-lhe mais um Carlton. Ele me oferece carona para casa, que recuso prontamente, enquanto comenta que a fila para pagar a comanda está longa. Reencontro Gush que diz que já vai. Bebi as custas dele nesta noite. A vodca que ele me oferecia. Também fumei junto com Juh e Jô. Eu estava um sugão, pois no fim da noite minha comanda estava vazia. E eu enlouquecido. In your head, in your head, they are cryin'. Mas para retornar para casa, já as seis da manhã, voltei com os amigos com que havia vindo. Acho isso importante. Eles merecem esta consideração.
Cheguei em casa, fedendo a cigarro e a bebida, e meu pai resolve abrir-me a porta. Esgueiro-me para o banheiro. Escondo minha roupa. Corro para longe dele. E me jogo na cama, para acordar apenas as 3 da tarde. Quando retorno a net, e aí descubro o melhor da noite. Johsy me conta que estava com Felipe em outra janela do MSN. Descubro que Nel é o ex-namorado de Felipe. Descubro que ele foi embora porque achou que nós ficaríamos e, de graça, sem fazer esforço algum (apesar de não ter aproveitado a fama), eu ganhei minha vingança. Felipe estava odiando Nel, e odiando mais porque ele foi traído comigo. Pelo menos foi o que Joshy disse que ele estava sentindo. Traído. Minha ante-vespera, terminou na vespera de Natal. Eu rindo. Rindo e rindo de Felipe.

sábado, 23 de dezembro de 2006

EXTRA, EXTRA, EXTRA: Carta para o papai noel

Querido Papai Noel,

Como o senhor está ai? Muito trabalho neste ano, espero que sim. Muito frio no polo norte? E os duendes (ou são elfos?) que trabalham com o senhor? Ouvi falar, pelo [AdultSwim], que eles ameaçaram uma greve reclamando de melhores condições de trabalho, isto foi verdade? Se foi, quem será que 'tá colocando essas idéias na cabeça deles? Provavelmente a televisão, não é?
Senhor Noel, como vai a sua esposa? Ela está bem. Soube que faz biscoitinhos deliciosos. O casamento está bem? Espero que sim, no frio polar deve ser bom ter alguém para esquentar os nossos pés a noite não é?
Bem, acho que estou enrolando muito né? Papai Noel, este ano eu fui um bom menino. Sei que ano passado eu não fui tão bem, acabei sendo reprovado numa disciplina no mestrado, mas este ano eu não deixei isso acontecer. Claro que tenho sido meio relapso com os estudos, mas no trabalho estou me esforçando muito. Isso deve ser levado em conta, não é? Também não briguei com meus pais este ano. Fui muito obediente. E não briguei com nenhum dos meus irmãos. Fui educado. Eu disse várias vezes este ano: obrigado, boa tarde, com licença. Eu mal menti esse ano. Teve umas mentirinhas, eu sei, mas nada grave, juro. Olhe que admitir que estava errado também é algo importante né, senhor noel? Eu acho que no fundo eu fui um bom menino.
Bem aqui está a minha lista de natal. Não é muita coisa. Sabe onde entregar né? Em Natal, vou colocar uma meia branca na janela este ano. Obrigado. Aí vai a lista.

Eu quero abraços e beijos
carinhos e
meu verdadeiro amor (que todos sabem quem é)
quero dormir de conchinha (de novo)
quero poder fazer planos com ele
quero poder dizer que o amo
e poder ouvir ele dizer que me ama

Eu quero meus amigos pertos
que todos se tornem irmãos de coração
quero os amigos virtuais se tornando reais
quero ouvidos e ombros
quero mãos dadas
e sorrisos nas baladas

Eu quero paz e saúde
quero terminar meu mestrado
quero me orgulhar do que escrevi
quero continuar sonhando
e quero ter forças para lutar por cada sonho

Quero minha família feliz
mais sobrinhas e sobrinhos
mais sorrisos nas tardes de domingo
quero cinema
quero drum'n'bass
quero gritar para todo mundo
que sou só amor

Dá para conseguir Papai Noel? Espero que sim. Espero que sim. Não vou esperar acordado nesta noite de natal. Sei que bons meninos dormem cedo. Vou dormir cedo. Deixarei o leite com biscoitos, como sempre. Espero que goste, no ultimo Natal o senhor nem tocou neles. O leite tava frio era? Vou deixar numa lancheira termica para ele continuar quentinho. Obrigado Papai Noel. Obrigado.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

PASSADO: Os fins de meus começos

No clima, vou contar como terminaram, como foram meus outros fins-de-namoro. Alguns foram dramáticos, outros nem tanto. Uns foram absolutamente por minha culpa, já outros me trouxeram alívios imediatos. Alguns me pegaram de surpresa, outros foram muito bem arquitetados, decididos e pensados. Bem, vamos lá...

ANDRÉ: Éramos vizinhos, éramos e ainda somos. Nosso namoro começou com aquelas brincadeiras infantis. Ele perdeu a virgindade dele comigo. Seu primeiro beijo também foi comigo. A primeira pessoa que ele disse que queria ficar fui eu. Mas ele nunca me pediu realmente em namoro. Estávamos juntos e isso que importava. Mas havia amor? Não. Amor não. Era seco. Sem sentimento algum. Quando acabou então não houveram nem lágrimas, nem dor. Só fim. Afinal não havia amor. Havia carinho, amizade e também um sexo maravilhoso. Mas amor... amor não havia. Então a monotonia sexual se instalou. O sexo ficou chato. Sem graça. O tesão acabou. Não havia mais porque fugir do colégio para encontrar com ele antes de meus pais e meus irmãos chegarem em casa. Não havia porque fugir para sentir a pele morena dele contra a minha. Paramos de nos ver. Paramos de nos sentir. Diziamos apenas bom dia na rua. E só.


PEDRO: Ele não era bonito. Nem gostoso. Foi minha grande excessão. Mas eu queria ver no que dava. Afinal beleza não põe mesa. Conheci-o na net, e depois nos reencontramos na praia. Foi a primeira vez que o vi, de sunga. O namoro quase engatou, ele sabia conquistar mas teve uma hora que ele queria que eu corresse atrás dele, ai, antes mesmo de começar, eu cansei. Chamei-o para conversar. Fomos no shopping. Ele estava apaixonado como sempre. Sentamos. Mas quando terminei o que tinha para falar, ele disse que sentia a mesma coisa. Mentira. Ele só não queria sair por baixo. Leonino, ora. Conheço os truques.


FRANCISCO: Ele me amou. E eu que dei em cima dele. Ele era muito gato. Rosto perfeito. Corpo esguiu. E ele era tão carinhoso e cuidadoso comigo, e eu traí. Admito. Mesmo assim. E ele descobriu. Querem detalhes? Bem era Carnatal, ele ía trabalhar na sexta-feira, então eu decidi que não iria para a folia. Fui para Ponta Negra com Felipe, um grande amigo (na época), para encontrar um ficante dele, Rodolfo.
Nosso plano era fugir do Carnatal. O plano de Felipe era fazer-me de vela. Mas, Rodolfo tinha outros planos: Carnatal. E me deram meio litro de vodca para beber. E depois de meio litro de água russa... bem, você me leva para qualquer lugar... mas até aí tudo bem né? Você terminaria com seu namorado por isso? Claro que não. Porém há um catalizador: Sérgio. Loiro. Bronzeado. Sarado. Só queria me comer. Paquerava comigo no ônibus. Já havia me dado seu telefone deixando um cartão no banco. E, por coincidência, daquelas que só acontecem nesta pequena metrópole, Sérgio trabalhava com Rodolfo. Ele, Sérgio, eu e Natasha (a vodca). Como terminou? Numa amnésia alcoólica do que lembro, apenas entre nuvens, eu, abraçado com Sérgio, dizendo: "Olha, aquele é meu namorado!". Resultado: uma conversa, na qual fui perdoado. Por ter saído. Por causa de Sérgio. Mas eu não queria ser perdoado. Queria que ele acabasse o namoro. Mas ele não acabou. Aí esfriei. Não queria mas encontrar com ele. Enrolava. Fugia. E aí nos afastamos de vez, e ele apenas me ligou pra dizer "feliz ano novo".


JUAN: Bem, para contar minha estória com Juan, eu preciso apresentar-lhes Alejandro. Alejandro era meu amigo, conhecido de intermináveis horas no MSN-após-UOL, por minha causa ele ficara com um menino pela primeira vez (não eu, Vinny, um outro amigo). Bem, Juan tambpme conheci via MSN, mas depois de Alejandro, numa festa eletrônica que ocorreu num shopping, em que Alejandro estava presente, nós nos conhecemos, ficamos e começamos a namorar. Ele me pediu em namoro, e eu pensei: "Porque não?". Na festa ainda, Alejandro atacou. Pegou telefone, MSN. E foi, e viu, e venceu. Ficou com Juan no outro dia. Eu descobri. Eu os peguei em flagrante. E minha surpresa foi maior do que qualquer outro sentimento que senti. Sentei ali mesmo, sob o olhar aflito de Alejandro, e perguntei o que Juan queria e ele me disse: "Você é a matriz, e ele a filial". Eu apenas ri. Ri do pobre Alejandro e entendi que namorava uma putinha da pior espécie. E já que todos os pingos nos is foram colocados, eu traí também: com melhores e maiores. Mas um dia, bêbado, Alejandro confessou que estava apaixonado pelo "meu namorado". E eu decidi pular fora deste circo. Excluí Juan do MSN. Apaguei o telefone dele do meu celular. Terminei. Sozinho mesmo. Ele não merecia nem a consideração de saber. Mas um dia ele ligou para o namorado dele.
- Alô, quem é?
- Não sabe quem é?! Você não tem o número do seu namorado no celular?!
- Eu apaguei. Não quero ficar entre você e Alejandro. Ele te ama. Fica com ele.
- Mas eu não gosto dele. Gosto de você.
E desligou. E nunca mais falou comigo de novo.


JORGE: O mais bonito de todos. Professor de uma academia perto daqui de casa. Minha grande ilusão. Eu achava, admito, que se ficasse com um homem perfeito (fisicamente) eu, sem dúvida, me apaixonaria. Ledo engano. Deus me provou isso. Ele colocou Jorge literalmente no meu caminho, afinal nós nos conhecemos na rua, apenas para me mostra o quanto eu estava errado. Nunca me apaixonei por ele. Eu o achava vazio com seus assuntos sobre televisão e revistas de moda e cabelos, ele era esteta, ruim de cama e me dava pouca atenção. Nunca saíamos juntos porque o trabalho dele era mais importante, porque o corpo dele era mais importante ou porque a praia com o irmão dele era mais importante. Ah, cansei! E um dia, ele reclamou que eu vivia na casa de Ramon, pelo telefone, e eu aproveitei a deixa, atravessando a faixa de pedestres, me fiz de ofendido e terminei tudo. Finito.



THIAGO: Tudo começou com a gente ficando. Ficando. Ficando. Ficando. Só que eu ficava com outras pessoas e ele não. Ele me dizia que estava brincando com fogo, mas queria correr o risco. E eu achei a coragem dele tão bonita, que resolvi também me arriscar. Decidi começar a namorar com ele. Mas eu ainda não o amava, gostava muito de ficar com ele, mas não amava. Contudo, como era muito bom tê-lo ao meu lado, aos poucos, comecei a gostar mais e mais de Thiago, mas quando eu estava quase lá, quase amando-o de verdade, ele terminou tudo. Alegou que éramos mais amigos que namorados por causa da nossa intimidade, carinho, sinceridade e respeito. E aí acabou. Não entendeu? É, ninguém também nunca entendeu Thxi.

domingo, 17 de dezembro de 2006

PRESENTE: Diário de viagem: do paraíso ao inferno


Viajei. Como vocês sabem. E vou contar agora pra vocês tudo o que aconteceu. Acordei na sexta feira, animadíssimo. Eu ía rever meu bb. Nós moramos em cidades diferentes. Em estados diferentes. Eu em Natal, Rio Grande do Norte, e ele em Souza, na Paraíba, onde ele faz faculdade. Neste fim de semana marcamos de nos reencontrar em Caicó, a cidade natal dele. Aproveitar. Ficar juntos. Nos amar muito.
Saí de casa às 9h da manhã e cheguei lá à tarde. Ele estava me esperando na rodoviária. Acompanhado de dois amigos dele, depois fomos para a pousada que ele havia reservado para mim, e lá, desde duas semanas atrás, senti os suaves lábios dele, a delicadeza com que ele me abraça e o carinho das palavras dele no meu ouvido. Sinceramente, quando eu o vi, meu coração se acelerou, e quando ele me abraçou, eu não queria mais sair dos braços dele.
Saímos a noite. Conheci os lugares que ele gosta de frequentar na cidade. Conheci melhor os amigos dele. Conheci o ex-namorado dele. O meu grande inimigo, um grande fantasma que ronda nossa relação, apesar dele afirmar que ele não tem mais nenhuma influência sobre ele, mas eu sinto, que sempre estou sendo comparado a Jonatan. Não dormimos juntos neste dia. Ele não se sente bem. Fica preocupado com o que vão falar sobre ele. Uma cidade conservadora. Uma cidade de gays conservadores. Ele é muito conservador.
Contudo no outro dia, é ele quem me acorda. A melhor coisa do mundo: a primeira coisa que eu vi ser o sorriso lindo do meu bb. Mas também notei uma carinha séria, que imaginei que era alguma preocupação em relação a faculdade dele (sei que ele está com dúvidas sobre se quer continuar no curso de Direito que ele faz). Aí passamos a manhã do sábado sozinhos, trancados no quarto, vendo a MTV, e namorando. Beijos. Abraços. E por fim, ele me abraça por trás. Ele nunca havia feito isso, ficar deitado comigo e abraçado. Foi bom. Senti-me protegido. Senti-me amado.
Neste instante, eu senti algo endurecendo atrás de mim. Notei o tesão dele crescendo, e então virei meu rosto e o beijei com paixão. Senti o calor subir, e comecei a fazer movimentos mais cadenciados com meus quadris. Comecei a me esfregar nele. E ele começou a demonstrar o desejo que estava sentindo por mim. Sua mão passeava por meu corpo e parou no elástico do calção do meu pijama pedindo permissão. E eu dei. Encaminhei a mão dele para dentro do meu calção. E ele achou o caminho da minha bunda. Tocou-a. Acariciou-a. E eu me assustei.
Assustei-me quando vi ele tirando meu calção e arrancando o cinto dele numa velocidade inimaginável. Acho que se o ziper e o botão não tivessem colaborado, aquela bermuda não existiria mais.
Ele tentou me penetrar. Falou-me depois que ele perdeu totalmente o controle. Tentou. Forçou. Mas a inexperiência dele, somada ao tamanho do instrumento e das caracteristicas da minha bunda (aqui, só entre a gente, eu sou muito apertado) atrapalharam. Era necessária algum tipo de lubrificação. Eu tinha KY na bolsa. Quando levantei e fui buscar. Ele disse que era melhor parar por ali. Esperar mais um pouco. Que não era hora ainda. Apesar do meu desejo, de ser possuído por ele, o que para mim iria com certeza parecer que havia sido minha primeira vez, afinal só uma vez eu desejei tanto alguém na minha vida, como bom e compreensivo namorado que sou, eu disse que tudo bem. "Vamos esperar você estar pronto".
Ainda brincamos mais nos outros dias, avançamos alguns passos. Vamos passo a passo. Aproveitei ainda mais Caicó sabendo que nosso namoro estava evoluindo, crescendo, amadurecendo. Então, na segunda feira, quando eu ía para casa, fui esperando um belo futuro para mim e para o meu bb. Comecei a planejar, sonhar com nosso futuro juntos. Sonhar com tudo que poderíamos passar juntos.
Mas ele estava estranho quando foi me deixar na rodoviária. Desta vez não consegui não notar. E isso ficou martelando na minha cabeça quando pela primeira vez, desde que nos conhecemos, passamos um dia todo sem nos falar. Dois dias. No terceiro ele me ligou. Disse que tinha um assunto sério, e falou que percebeu que não gosta mais de mim como antes. Percebeu que não me ama mais, percebeu que agora o carinho que ele sente por mim é de um amigo. Ele me contou que percebeu isso desde a primeira vez que nos revemos. E aí terminamos. E eu que estava no paraíso, cercado pelas harpas celestiais, fui lançado no mais tenebroso dos ínferos. Estou coberto de cinzas, lama e lágrimas. Sem forças para me erguer. Terminou. Mesmo eu estando amando. Amando Herberth mais do que tudo nesta vida.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

PASSADO: Eu sou tão alguém que isso não importa

Tem uma música do Pato Fu que diz o seguinte:

Pouco adiantou acender cigarro

Falar palavrão

Perder a razão

Eu quis ser eu mesmo

Eu quis ser alguém

Mas sou como os outros

Que não são ninguém

Acho que eu fico mesmo diferente

Quando falo o que penso realmente

Mostro a todo mundo

Que eu não sei quem sou

E uso as palavras de um perdedor.


Essa música representa tudo o que sou. Tudo o que quero ser.
Eu sempre quis ser alguém, me destacar da multidão. Eu esperneei, gritei, achando que chamando essa atenção eu seria alguém, mas como nada aconteceu, e segui o caminho contrário fugi, me escondi, mas também não adiantou. Tudo pra ser algo, alguém. Isso soa muito americano? Muito individualista? Nada! Crises típicas da adolescência.
Eu queria me achar dentro do mundo que me cercava. Queria saber onde começava o mundo e onde começava eu. Minha mente foi o primeiro lugar que eu procurei a mim mesmo. Meus diários (é eu escrevia diários) foram o lugar em que aos poucos eu descobri que o mundo estava lá do lado de fora, e aqui dentro quem estava era eu. Eu. Sozinho. Foi meio desesperador descobrir que eu estava só do lado de cá, desesperado eu quis abrir as janelas e deixar o sol entrar. Queria que alguém entrasse aqui dentro e ficasse comigo. Mabel? Mabel? Mesmo que eu me tornasse ela.
Quando eu me vi aqui, eu soube que os outros eram o mundo. Foi ai que eu quis estar com os outros. Queria tê-los ao meu lado, e durante muito tempo eu achei que as pessoas deveriam ficar aqui dentro comigo. E quando elas ameaçavam entrar, muitas vezes, cometi o maior erro de minha vida: eu as aprisionava. Desesperadas, as pessoas quebravam as paredes que as detinham. Abriam feridas. Destruíam a mesma muralha que me protegia do mundo de fora. Tudo disso tentando fugir. Eu só queria não estar só.
Mas depois eu adotei uma outra tática. Eu demoli as paredes, construí enormes janelas e paredes de vidro. Eu sei, frágeis demais, um risco! Mas eu podia observar as pessoas daqui de dentro e elas ficariam lá fora, livres para ir e vir. Só que as paredes de vidro sempre foram transparentes, apenas em alguns lugares bem mais reservados, há algo fumê, mas de qualquer forma, tudo pode ser visto e observado. Estão vendo porque este blog fala tanto de mim? Viram de onde vem minha sinceridade que tanto incomoda?
Sei que alguns dos meus leitores mais assíduos vão contestar que minha sinceridade incomoda. Vão gritar e espernear. Mas incomoda. Eu sei. Poucas pessoas sabem conviver com alguém que fala o que pensa, que não esconde que não sabe quem é, e que usa as palavras de um perdedor. Minha tática de demolir as paredes não funcionou, a luz entrou e muitos aspectos de mim mesmo foram iluminados, contudo eu não fiz isso por mim, eu fiz pelos outros.
Acho que vou reconstruir a antiga muralha. Mas dessa vez ela vai ter um pé direito alto e janelas estrategicamente posicionadas. Uma clarabóia também, quero que o sol entre, ainda há lugares muito sombrios em mim. Mas desta vez vai haver uma porta sempre aberta. Quem quiser entrar vai ficar a vontade, e aqueles que se forem não haverá porta para ser trancada. Não quero mais ser alguém… isso eu já sei que sou. Agora quero estar com alguém.



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terça-feira, 5 de dezembro de 2006

PRESENTE: O mal de Fausto

Sou obrigado a concordar com Fausto, eu também não queria sofrer, ou melhor, sejamos diretos: eu queria amar sem sentir dor. Mas Goethe explicou muito bem quando molhou sua pena no sangue de Desdêmona qual o mau disso: Tédio.
Sofremos muito para viver. Muito. Contudo é na esperança do sofrimento não acontecer que nos arriscamos, e arriscar é a graça da vida. Dormir, acordar e dormir é muito simples. Não dói e garante uma vida sem dor por toda a vida. Mas te afasta do desejo. Da apreensão de não conseguir, coroada pelo sorriso da vitória, ou mesmo a lágrima da derrota.
Afinal nosso coração é um músculo. E músculos precisam ser exercitados. Dores ou alegrias (por mais inconsequentes que estas sejam) dão sabor a vida. Morro de medo da dor. Morro! Mas não consigo deixar de me arriscar. De vez em quando abro meu peito e espero o dardo. Às vezes sou atingido. Às vezes, surpreendentemente, não. O meu atual namoro, por exemplo, é um risco constante. Todos os namoros são. Afinal estamos lidando com outros, outras pessoas, que por mais que gostem da gente, não podem evitar de nos magoar. Mas, durante muito tempo vivi numa bolha de plástico que me afastava das lágrimas e os sorrisos, agora a bolha estourou e dores me invadiram, mas alegrias vieram juntos. Quem sabe agora, com a experiência, eu sabia me proteger de um e de outro.
Mas se eu soubesse um jeito de não sentir dor... bem que eu queria... adoraria.

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segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

Exercitando o exibicionismo IV: Tentando alcançar o Trintinha


Eu tentei. Juro. Mas o Trintinha sempre passa minha frente. Não adianta.
Todas as vezes que eu posto uma foto, ele se adianta duas na minha frente. Eu sei. Estou devendo a final. Mas vamos ver primeiro a reação que essas fotos vão causar.

sábado, 2 de dezembro de 2006

PASSADO: Pré-elegia do filho da Fome

Ontem no Carnatal (o carnaval fora de época daqui de Natal, quando terminar eu faço uma crônica das folias de momo no Natal) reencontrei Victor, um ex-amor. Nunca namoramos, mas ficamos e logo eu me vi apaixonado. Contudo, segundo ele, ele estava saindo de um relacionamento e não queria ficar comigo. Mentira. Ele não gostou foi de mim. Logo, descobri, estava namorando outro. Chorei tanto. Mas agora é passado. Vejam o texto que eu escrevi pra ele, antes de saber do namorado dele. Ele nunca leu este texto, será que teria feito diferença?

É bom estar apaixonado. E não é por beijos, sexo e essas coisas carnais. É pelo espírito. Achei que morreria imune ao amor, mas não aconteceu. Fui atingindo! Tanto pedi que o malvado Cupido me acertou. Mas claro que não seria algo fácil... não, não é. É um amor platônico.
Sabe o que quer dizer a expressão "amor platônico". É um amor que não existe no plano real, apenas no mundo das idéias, onde é perfeito. Pensando bem, então, meu amor não é platônico. Ele só não é correspondido. Existe sim, quando deito à noite e fecho os olhos, abraçando o travesseiro, eu sei a quem quero desejar boa noite, que é a primeira pessoa que penso quando acordo e a quem meus pensamentos fogem quando estão livres durante o dia. Esse amor, meu primeiro, existe sim.
Tá aqui, guardadinho, e é só meu. Não me importa que eu não tenho a menor chance. Ninguém tem o direito de me impedir de sentir o que estou sentindo. Meu coração tem o direito de rejubilar-se com esse sentimento. A única coisa triste é que o Amor, como disse Platão, é filho da Fome. Ele precisa ser alimentado senão morre. Por isso estou comemorando o maior amor da minha vida com esse texto, porque a qualquer instante ele pode acabar.


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terça-feira, 28 de novembro de 2006

PRESENTE: Conselhos, por favor!

Estou namorando há 3 meses. Isso deveria ser motivo de festa né? E poderia ser. Se um problema não inisistisse em rondar minha cabeça: meu BB é virgem. Deixa eu contar nossa estória. Nós nos conhecemos através do Orkut, começamos a conversar e nos apaixonamos. Tem sido lindo. É a primeira vez que me apaixono de verdade e estou curtindo cada momento. Desde o carinho dele, ao ciúme. E olha que ele é ciumento (já odeia, por exemplo, o Marcelo Sunshine e qualquer um que demonstre intimidade comigo) e é um lutador.
É mesmo, apesar dos 19 anos que ele tem. Meu BB já sofreu muito. Há mais ou menos 1 ano, a família do namorado dele descobriu tudo e o perseguiu. Ele foi ameaçado de morte. Teve que mudar de cidade e com isso perdeu seus amigos. Tudo, inclusive o namorado, Jonathan. Com isso, ele entrou em depressão profunda, curada apenas com a intervenção psicanalítica.
Por isso nosso namoro começou com uma tentativa. Ele tinha (e ainda tem) muito medo de amar alguém como ele amou Jonathan, e perder esse amor de forma tão ou mais trágica. Mas não tenho medo do medo dele. Não obstante nossas brigas serem todas oriundas desta fobia que ele tem de ser feliz. É! Toda vez que eu faço algo que o deixa feliz, como uma declaração de amor ou uma demonstração do carinho que sinto por ele. É certo, no outro dia ele tem uma crise. Fica atacado. Briga. Chora. Mas eu entendo. É só medo de perder a felicidade que ele está sentindo. Um pavor inominável de sofrer. E bem, não é isso que me incomoda mesmo. O que me incomoda, sendo sincero com vocês, é a virgindade dele.
Necessidade de explicação? Bem, vejamos. Comecei o namoro e resolvi ser fiel a ele (o que todos devem concordar que é uma decisão acertada não é?). Só que aí começou a chover na minha horta (já notaram como isso sempre acontece?). Muita gente mesmo apareceu. Quer uma lista? André, que é um amigo de trinta e poucos anos que me avisou que a qualquer hora ele está disponível, que eu o visse como uma assistência técnica; Felipe, um menino de 15 anos que só quer perder a virgindade dele se for comigo; João Carlos, um aluno meu de 16 anos que me perturba todos os dias; Berg, que com 20 anos me achou pela net e pouco se importa com meu compromisso; Alison, que com 21 anos é simplesmente perfeito; Ricardo, do qual tive que me afastar porque ele arranjou um jeito de conhecer meu namorado e se fez de amigo para poder invenená-lo contra mim; fora os desconhecidos na rua, no orkut, no shopping (esta semana dois caras vieram falar comigo, quase tive que fugir). Socorro! Socorro mesmo!!
Berg e Felipe sabem que meu namorado é virgem, então eles fizeram a seguinte proposta: "Eu posso ser seu amante?". Chocados?! Também fiquei!!! Cogitei a possibilidade, não nego. Mas se meu BB descobrir? Ele com certeza não me perdoaria e acabaria com o namoro. E isso não quero. Por Deus. Não. Estou apaixonado. Não consigo me imaginar sem ele. E na minha idade já é bom começar a pensar no futuro. Mas, aí o medo dele se torna um problema. Ele não quer fazer sexo comigo até ter certeza. Certeza que o amo. Certeza que esse namoro tem algum futuro. Certeza.
Bem, certamente a esta altura estarei com calos nas mãos. Amigos, meus amigos, ele me excita. Ai, ai. No telefone, falando sobre a fome na Somália e eu excitado. Na net, discutindo se o Santo Sudário é real e eu excitado. Nem vou comentar nada quando a gente se beija né? Mas ele quer esperar. E eu tenho que esperar. Devo né? Ou não? Conselhos, por favor.

segunda-feira, 27 de novembro de 2006

Exercitando o exibicionismo III: Empatando com o Trintinha




Estou empatando com o Trintinha. Três fotos. Hehehe. Gente, nem o Trintinha, nem eu tínhamos a menos noção que essa brincadeira faria tanto sucesso. Meu blog recebeu tantas visitas que eu fiquei impressionado. Mas claro, com os padrinhos que tenho: Marcelo Sunshine e agora o Trintinha era mesmo de esperar que isso acontecesse.
Obrigado por todos os comentários. Obrigado por todas as visitas. Estou emocionado. E agora sempre qndo falo isso, lembro de Miss Simpatia e ela agradecendo no final. Lembram? as mãozinhas balançando? Agradecimento de miss? Ah, também tenho que agradecer meu parceiro nesta "prezepada". Hehehe. Trintinha está sendo um prazer inenarrável fazer esta brincadeira convosco. Por falar nele, soube por ele que vários de vocês blogueiros ficaram com vontade de entrar na nossa brincadeira, mas não tiveram coragem. Amigos, é uma brincadeira inocente! Podem entrar a vontade!!

PASSADO: Estou na verdade entre o poético e o filosófico hoje

Enxerto de Carta para Larissa, escrita numa quinta-feira, 12 de fevereiro de 2004. Hoje estou vivendo exatamente o que falo nessa carta. Um amor. Uma estória.


Estou na verdade entre o poético e o filosófico hoje. Estou pensando em como quero uma história de amor pra mim… não, não virei romântico de uma hora para outra, não passei a me preocupar com estas sentimentalidades e não é porque terça eu estive, novamente, segurando vela… não… não é isso, só quero viver uma história. Não quero o amor para sempre, não quero aquele que acaba, que deixa marcas e feridas, quero sofrer e chorar por amor. Pois é isto, ou não, que prova que amamos? Se eu não sofrer quando acabar é porque nunca começou, e eu quero começar, pouco me importa que acabe, pouco me importa quanto dure… só quero que comece. Porque mesmo que seja uma história de dois dias, uma semana, é uma história. Quero viver! Quero viver! E a vida é também sofrer, então… que eu sofra! Vou sofrer sorrindo! Vou chorar cada lágrima no fim sorrindo, dizendo: minhas primeiras lágrimas de amor. Quero receber a primeira carta de amor, receber o calor que flui delas, que tornem minha experiência superiormente interessante. Eu quero ser um ridículo como em todas as cartas, só por ser… ser algo, viver! Não, não procuro o amor desesperadamente como talvez possa parecer, não. Eu procuro a vida com uma sede enlouquecedora, quero me agarrar a ela de todas as formas, usando garras e dentes, amarrando minhas tranças (???) nas tranças dela. Quero a vida, a vida! Quero amá-la, apenas ela, mas para amá-la preciso dividir meu amor com outros, irônico não… a vida é uma amante que adora ser traída… quem diria? E quem diria que sou um poeta, mas lembre-se o poeta é sempre, sempre um fingidor… talvez por isso digam, por aí, que sou falso, na verdade sou só poeta… mas se finjo algo, então o que será verdade? Como eu disse também tenho o péssimo hábito de ser filosofo (pelo menos com a minha vida… meus antigos diários que o digam).

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

PRESENTE: Ser ou não ser

Não é fácil ser homem, hoje em dia, ontem e em qualquer tempo desde que o mundo é mundo, e é por isso que, acredito eu, que tantas outras possibilidades de ser têm surgido atualmente. Não. Não estou falando em homossexualidade ou bissexualidade. Estou falando de coisas bem mais modernas. E pra mim, bem irritantes. Ultimamente se têm falado em metrossexuais, em emoboys, em bi-curious, diversos nomes pra escapar do título mais pesado: homem. Mas porque ninguém mais quer ser homem?
Ou melhor, talvez a questão principal seja o que significa ser homem? E por que isso assuta tanto? É tão óbvia essa resposta, porém ninguém consegue respondê-la tão facilmente. Por quê? Porque ninguém é preparado para respondê-la. Nós acreditamos que se nasce homem. E só! Em instante algum você pensa sobre isso, e muito menos você imagina que você é ensinado a ser isso, e então o óbvio, de repente, não mais que de repente, se torna escorregadio.
Bem, definamos homem. Homem é alguem que nasce com um cromossomo Y, um pênis, uma inabilidade exatam em perceber maiores nuances numa palheta de cor (Vermelho, Rosa e Salmão é um peixe, não uma cor), uma dificuldade real com tarefas que exijam atenção, delicadeza e paciência. Neste instante alguém pode virar pra mim e perguntar se é nisso que homem foi educado. Não. Isto não é educação. É disposição genética.
Como bichos que somos, os homens foram selecionados pela Mãe Natureza para serem rápidos e fortes, enxergar bem a distância e correr, tornou-o um caçador. As habilidades acima são habilidades necessárias para aqueles que fossem ser responsabilizados pela coleta, tarefa, que normalmente era reservada a mulheres, e por isso, o corpo da mulher foi sendo selecionado, por milhares de anos, para cumprir melhor esta tarefa. Agora, quando falamos da dificuldade masculina com sentimentos, ai sim... falamos de como os homens são educados... por suas mães.
Primeiro, se os homens são criados para serem pedras de gelo sem coração, eles são criados assim por suas mães, as únicas criaturas a quem eles ainda podem demonstrar carinho e afeição sem parecerem fracos aos olhos de uma sociedade machista.
E este com certeza é o motivo pelo qual se criam esses monstros metrossexuais/emoboys por ai. São homens heterossexuais que querem fugir do estereótipo, que não se sentem confortáveis sendo homens heterossexuais. Mas a pergunta que fazemos é: por que é necessário o novo estigma? Por que tem que haver ou homens ou bichas? Por que um homem não pode ser sensível e chorar sem perder a sua masculinidade?
O metrossexual e o emoboy é o triunfo do machismo. É a certeza de que a frase de João Wainer está correta. "Uma coisa é homem. Outra coisa é sensível". Ridículo! Mães, a responsabilidade é de vocês! Mudem esta educação. Criem homens que saibam chorar e que continuem homens após isso. E sejam rápidas, antes que eu não queira mais ser homem.


POST SCRIPTUM: As minhas fotos do desafio ainda estão sendo providenciadas. Confiem em mim. Vai valer a pena esperar. Agradecido.

terça-feira, 21 de novembro de 2006

Exercitando o exibicionismo II: Respondendo ao desafio


Que atrevimento! O Trintinha me deixou um comentário mal educado dizendo que eu fugi do desafio. Como é que pode! Claro que não, afinal fui eu quem lancei o desafio. Hehehe. Apenas, deixe-me explicar, quando eu tentei postar a fotinha, ela simplesmente não carregou. Senhor Trintinha, agora a bola está com o senhor.

segunda-feira, 20 de novembro de 2006

Brincando com T.S. Eliot: Dicas para se ler melhor

Lolita Pille escreve sem pudor sobre o mundo ao seu redor. Retrato sincero e devastador da juventude rica e consumista de Paris, que preenche suas vidas com sexo, álcool, drogas e roupas de grife, 'Hell' poderia se passar em qualquer grande cidade do mundo, pois espelha os valores e o comportamento de uma classe para quem o mundo se divide em duas categorias - 'nós' e 'vocês'. Uma classe que, sem encontrar limites para o prazer, vive o angustiante vazio do excesso. Hell, pseudônimo da narradora, é uma garota rica, fútil e arrogante, detestável sob todos os aspectos. Assumidamente frívola e preconceituosa, ela gasta diariamente em butiques de luxo mais do que o salário mensal da maioria dos leitores do livro. Em sua narrativa nervosa quase não há trama, porque HelI e suas amigas vivem um presente perpétuo, uma sucessão de prazeres cujo sentido está nas aparências e na superfície das coisas.

De todos os dândis que encantavam a sofisticada sociedade londrina do final do século passado, o mais brilhante e luminoso era sem dúvida Oscar Wilde (Dublin 1854 - Paris 1900). Célebre, respeitado, Wilde vivia o ano de 1895 como o grande autor de Retrato de Dorian Gray (1891) e de três peças que faziam sucesso no momento; O leque de Lady Windermere, Um marido ideal e A importância de ser prudente. Neste mesmo ano, acusado de Homossexualismo, foi processado pela família de Lord Alfred Douglas, um jovem aristocrata por quem se apaixonara e com quem compartilhava um excêntrico estilo de vida. Condenado, sua vida mudou radicalmente e o talentoso escritor viu-se encarcerado por dois anos que consumiram sua saúde e fulminaram sua reputação. Preso, escreve esta carta a seu amante no qual desabafa todas as dores e alegrias que este o proporcionou. Emocionante, De Profundis fala sobre as últimas conseqüências que um verdadeiro amor pode ter.

Baseado em Alice no País das Maravilhas, do escritor inglês Lerris Carrol, Alex in Wonderland é uma sátira engenhosa e bem traçada que sabe utilizar bem os personagens do livro (não tão) infantil de Carrol. Este Fanzine - para quem não sabe o que é, veja a definição da Wikipedia no fim deste post - tem ganho prêmios por onde passa, e é produzido pelo grupo Gatos Pingados, e no site (http://alex.in.wonderland.tripod.com) pode ser lido gratuitamente. O traço é baseado no mangá japonês, adaptado ao modelo americano de leitura de quadrinhos. O traço é comovente. A estória é contada de uma forma que a metalinguagem é seu padrão mais comum. E a afiada ironia dá muito prazer a leitura. Um defeito: escrito em capítulos, temos que esperar até o próximo episódio estar pronto.



APROVEITEM

*Fanzine é uma abreviação de fanatic magazine. Fanzine é, portanto, uma revista editada por um fan (fã, em português). Trata-se de uma publicação despretensiosa, eventualmente sofisticada no aspecto gráfico, dependendo do poder econômico do respectivo editor (faneditor). Na sua maioria é livre de preconceitos engloba todo o tipo de temas em padrões experimentais.


quinta-feira, 16 de novembro de 2006

PASSADO: O puto de olhos verdes

Era um sábado, a luz do sol entrava pelo meu quarto e aquecia a manhã. Eu estava deitado, me libertando lentamente dos braços de Morfeu, quando minha mãe pediu que eu fosse ao centro da cidade para comprar-lhe a tintura que ela usa no cabelo. Deu-me o dinheiro. Recomendou-me a cor. 4.35. Loreal. Castanho dourado. E eu, como filho obediente e prestativo que sou, fui. Saí de casa, e o sol aqueceu minha pele recém resfriada por uma ducha. Coloquei meus óculos escuros e enfrentei a luz fulgurante do sol de Natal. Peguei um ônibus para o centro e desci junto da Catedral nova. Que é uma parada mais distante da que eu costumo descer quando vou ao centro. Por acaso. O destino? Gosto de pensar que o destino decide essas coisas por nós. Que às vezes ele nos protege ou arruma brincadeiras para tornar nossas vidas um pouco mais interessante fazendo a gente perder este ônibus ou aquele. Fazendo chegar cedo ou atrasado em certos lugares. Etc. Etc.
Eu pretendia ir as Lojas Americanas. Compraria a tintura de minha mãe e voltaria para casa. Seria rápido. E se possível não seria nem visto. Eu estava num daqueles dias que me enfio atrás de meus óculos escuros e dos meus fones de ouvido. Que fico observando o mundo de fora, e quero ser percebido o menos possível. Mas, o destino tinha seus próprios planos. Enquanto eu caminhava para loja, percebi um lindo homem atrás de mim. Era moreno com pele de bronze, lembrava, com quase 1,80 de altura e com um corpo atlético, uma estátua de Rodin. Forte. Bonito. E rude. Mas quebrando esta rudeza, reinando do alto, os olhos verdes mais lindos que já vi. Olhos profundos. Que me seguiam. Que me sugavam. Que me queriam pra ele.
Continuei meu caminho, claro, olhando de vem em quando para ele, mas sem nenhuma outra intenção. Era muita areia pro meu caminhãozinho. Eu imaginava: "Quem sou eu para sonhar alguma coisa com ele". Reparei na roupa que ele usava: um abadá de micareta e uma bermuda surf wear. Reparei que a roupa não combinava com a beleza que ele tinha. E acabei me assustando quando percebi que ele estava se aproximando, e parecia que pretendia falar comigo.
Todavia, quando ele chegou quase do meu lado, eu cruzei com um primo meu e sua esposa. Educadamente, eu parei pra falar com eles. Trocamos notícias. E enquanto falávamos, o rapaz passou por mim. Não olhou para mim (o que não me surpreendeu) e começou a se afastar. É óbvio que desisti de algo que nem tinha acontecido assim que parei pra falar com meu primo. Mas como meu primo logo me dispensou, dizendo estar atrasado, eu pensei que poderia alcançar o cara, seria uma bela paisagem para curtir até chegar a loja. Aí comecei a fantasiar. Sou bobo. Admito. Mas não durou muito. Achei que poderíamos nos conhecer, quem sabe até uma história romântica.
Continuei andando. Como ele tinha passado por mim e eu não fiquei muito tempo falando com meu primo, logo eu fui agraciado com a visão magnífica: a da bunda do cara. Linda. Redondinha! Gostosa!! Uma escultura feita pela mão de Deus, sem sombra de dúvida. Na verdade, aquela visão me fez esquecer tudo o que estava em volta. Sinceramente não lembro de nada além da imagem daquela escultura. Nada. Absolutamente nada.
Mas, amigos, imaginem o meu susto quando percebi que esse deus estava retardando o passo ao me ver se aproximar. E quando chegou perto o suficiente. Meu coração explodindo na garganta. Ele se virou e se apresentou: William. Ele era lindo. Uma voz macia. Um olhar carente e profundo. Fui tragado por aqueles olhos verdes. Eu me perdia naqueles espelhos.
E aí seguimos até as lojas Americanas. Com ele conversando comigo. Percebi pelo seu sotaque que não era de Natal. Ele contou sobre ele. Que vinha de Campina Grande e ía tentar a sorte em Natal. Tinha um irmão militar na cidade, mais velho. Contou sua idade, 22 anos. E sorria para mim. Sorria aquele sorriso verde dos olhos dele.
Continuamos até as Americanas. E eu achei que ele ía continuar o caminho dele. Mas ele parou. Acompanhou-me até a loja. Esperou-me procurar o que eu tinha pra comprar. Conversávamos bobagens dentro da loja. Parecíamos amigos. Ele falou que estava indo encontrar com seu irmão no porto. Eu falei que ele ía acabar se atrasando, mas ele disse que eu era um bom motivo para o atraso. Eu ri com o galanteio. Enquanto eu ficava com ele, descobri que ele era um grande sedutor. Todos os gestos dele me envolviam. Todas as atenções dele eram pra mim. Que homem!
Depois saímos da loja. Sem a tintura que eu ía comprar. Não achei a nuance que minha mãe queria. Sentamos na frente do Banco do Brasil, e ficamos conversando. Na verdade um clima começou a se instalar e a excitação a tomar conta de nossos corpos. As pessoas na rua não eram mais que vultos sem forma. Apenas eu e ele existíamos. Foi quando William tomou a ofensiva e perguntou se eu sabia onde tinha uma pousada ou um motel onde poderíamos ficar mais a vontade. E eu falei que não conhecia nenhuma. Ele falou que próximo ao porto deveríam ter algumas. Imaginei que o nível não deveria ser dos melhores e acabei dando a desculpa de que não tinha dinheiro ali comigo. E ele falou uma frase que nunca esqueci. "Como você pretende sair com um cara sem dinheiro no bolso?!?". Meus brios se morderam. Meu orgulho foi ofendido. Eu parecia Apolo ofendido pela música de Mársias. E eu disse que poderia passar no banco. Ele então falou que conhecia algumas pousadas, mas não sabia quanto era a diária, ele então propôs que poderia ir a pousada saber o preço da diária, enquanto eu iria no banco.
Fizemos isso. Retirei o dinheiro. Ele foi a pousada. Encontramo-nos na porta do banco. E ele ainda me envolvendo com aquela magia verde lembrou que tinha que comprar camisinha, e foi na farmácia.
De lá, seguimos para a pousada. Passamos pelas ruelas da Ribeira. E eu senti todos os olhares sobre mim como se soubessem o que estava por acontecer. Chegamos na pousada, e ele reservou um quarto. Um outro casal deixava a mesma pousada. E dois rapazes perguntavam quanto era a diária, tentando disfarçar suas reais intenções que o sorriso quase maligno da recepcionista deixava óbvio. William não se importou. Pelou a chave, e me chamou carinhosamente. Ainda disse aos rapazes os preços, que ele havia perguntado anteriormente. O sorriso maléfico da recepcionista continuava lá. E eu me enterrei o máximo que pude atrás dos meus óculos escuros.
Entramos no quarto e nada foi diferente do que eu esperava. Uma cama coberta por um colchão velho e lençóis baratos. Duas toalhas velhas, duras e ásperas. Uma tv presa na parede, um lavabo e um banheiro. Sem porta. William começou a se despir e deitou-se na cama. Eu o acompanhei. Ele me beijou com fervor e vontade, e me convidou pra ir tomar um banho. Aceitei. Água estava gelada. Os sabonetes não tinham cheiro algum. Nem espuma faziam. O banho acabou. E só quando o vi usando as toalhas, que percebi no que me metera. Tive de usa-las, e senti sua aspereza contra minha pele. Mas logo, William tomou a toalha de minha mão, e com uma delicadeza que era só dele, enxugou meu corpo.
Naquele fim de manhã eu tive o melhor sexo da minha vida. Sem a menor sombra de dúvida. Mas no fim tive que pagá-lo, o que admito, não foi nada agradável. Nem um pouco. Foi degradante. Não para ele. Para ele, depois percebi, este tipo de relacionamento só poderia acontecer mediante a presença do metal. Mas eu me senti mal. Por causa da pobreza daquele quarto. Por causa da pobreza de alma que eu sentia em William. Porque joguei o dinheiro na cama, como se eu saísse de um bordel, e ele lançou-se sobre ele como um cão sobre o osso. Acho que me senti mal porque eu desejei do fundo do coração que aquele homem tão perfeito tivesse se interessado em mim, mas, no fim, ele só viu a minha carteira.

terça-feira, 14 de novembro de 2006

Exercitando o exibicionismo

Depois de uma honrosa citação e de fotos tão... como poderei dizer... a palavra me escapa entre os lábios, ela pretende sibilar... acho que é essa mesmo... fotos tão deliciosas que o Trintinha postou (olhem a link ai do lado, Casa dos Trinta). Ainda dizendo que foi pra mim. Me senti obrigado a mostrar mais. Coisa que ele já havia me pedido antes. Mostrei o mesmo que ele. Caso queiram mais, o Trintinha vai ter que mostrar mais. Hehehehe.
Claro que se meu namorado ver isso... ele me esfola vivo. Ele já tinha visto essa foto, e não gostou nada da idéia de vê-la na net. Mas vocês prometem não contar né? Pra dizer a verdade, eu só estou postando essa foto porque ele não sabe da existência desse blog, afinal eu revelo coisas aqui que ele algumas vezes não deve saber... mas foi ele que me batizou de FOXX. Ele, no fundo, está envolvido com tudo isso.

quinta-feira, 9 de novembro de 2006

PRESENTE: Aventuras aventurescas

Após uma tediosa aula de Historiografia da Produção dos Espaços, ergui-me da sala e peguei minha mala que já havia preparado com três dias de atecedência. Ergui-me. Espreguicei-me. E Leilane me perguntou se eu estava chegando ou de partida. Gentilmente respondi que viajaria hoje ainda. "Estou indo agora pra rodoviária, Lê". Encaminhei-me até o ponto de ônibus, percebendo que teria muito tempo pra chegar na rodoviária, tinha comprado as passagens mais cedo para as 19h, tinha reservado as cadeiras 47 e 48. Lembrei então que ainda teria que encontrar Henrique no shopping. "Bom, assim eu aproveito e compro umas revistas e uma escova de dente". A gente sempre esquece algo quando arruma a mala. Peguei o circular do Campus, e sentei-me numa cadeira no meio do ônibus, liguei meu mp3 que tocava Chemical Brothers, e esperei o circular chegar ao ponto final ao lado do shopping que eu havia marcado, algumas horas antes com Henrique.
No shopping, dirigi-me primeiro a banca de revistas. Vasculhei a parte de quadrinhos procurando algo de interessante. Nenhuma das que costumo colecionar, X-Men, mas algumas relacionadas a mega saga que está sendo publicada agora, Dinastia M, mas pensei bem. Eu ía gastar tanto dinheiro nesta viagem, pra que uma revista que no fundo não me serviria de nada, que eu leria em 15 minutos ou 30 no máximo. Afinal dentro da minha bolsa estava Hell, e eu queria terminar aquele livro ainda aquela semana. Resolvi esperar Henrique apenas ouvindo música, o mp3 passeava agora entre músicas de Miss Eliot e Sean Paul. Sentei a uma distância que podia observar a parada que Henrique iria descer e fiquei observando o movimento, as pessoas indo e vindo, algumas belezas estranhas, outras pessoas nada belas, todas seguindo sua vida, conforme a luz do sol se despedia.
Atrazado meia hora, Henrique chegou. Ansioso, precisando de um cigarro, como ele sempre chega quando desce de um ônibus. "Não temos tempo amigo, quem mandou chegar tarde". Logo o outro ônibus que nos levaria a rodoviária chega. Eu percebo que estou com fome. Comento isso. Cronomêtramos o tempo para tentar comer algo antes de embarcar. E já estamos dentro do ônibus. Sentamos um de frente para o outro. Mas logo uma cadeira fica vaga e sentamos um de lado para o outro. A duas cadeiras do cobrador. Ainda na frente do ônibus. Vamos rindo e conversando. Alguns telefonemas são atendidos. Confirmamos que estamos indo. Recebemos a notícia que teremos que pagar mais caro pela pousada porque todas as outras estão lotadas. Ao mesmo tempo que nos entristecemos porque teremos que pagar mais caro, ficamos felizes porque agora sabemos que a cidade está lotada de gente de fora.
Chegamos na rodoviária. Localizamos nossa plataforma de embarque e olhamos para o relógio. Ainda dá tempo de um lanche e de tirar dinheiro para a viagem. Mas antes quero dar uma passada no banheiro. Banheiro. Espelho. Nota mental: meu cabelo continua caindo. Elogio mental: nem tô tão gordo assim. Vamos tirar dinheiro. R$ 150, 00. Acho que dá pra nós dois durante o fim de semana. Qualquer coisa levo meus cartões. Vamos comer. Eu peço um enroladinho (adoro salcicha) e um nescau prontinho, Henrique pede um pastel de forno e um refrigerante. Ele que paga. Adoro que paguem pra mim. Mas fui eu que comprei as passagens. Ele nem tem coragem de recusar. Comendo ainda, percebemos que as pessoas já estão entrando no ônibus. Terminamos nosso lache e subimos para encontrar nossos lugares.
Entramos. Rindo. Conversando. Encontramos nossos lugares e quando olho pra baixo encontro uma menina sentada em um deles. Henrique não sabe o que fazer. Eu muito menos. Ela olha pra nós como se não soubesse o que está acontecendo. A senhora ao nosso lado olha pra mim e em seu olhar está a explicação de tudo. A empresa vendeu assentos em pé, esta menina não tem um lugar marcado. Ela deveria viajar em pé, ou sentar-se caso alguém desistisse. Mas eu não queria me estressar. Henrique sentou-se do lado da menina. Eu sentei atrás. Cadeira 51. O rapaz que estava sentado do meu lado, então, vendo a situação ofereceu-se pra trocar de lugar com Henrique. Eu declinei num primeiro instante, eu tinha esperança que a menina se tocasse, mas ela não pretendia, então eu pedi ao rapaz que trocasse de lugar, se ele não se incomodasse. "Claro que não".
Lugares trocados já a caminho de nosso destino. Primeira parada ainda dentro de Natal. Sobem algumas pessoas que ocupam os ultimos lugares vazios. A maioria fica de pé. Todas se deslocam pro fundo do ônibus. Segunda parada ainda em Natal, aí mais algumas pessoas sobem, desta vez ficando em pé na parte dianteira do ônibus. O cobrador ainda não passara recolhendo e checando as passagens. E eu já havia me tranquilizado porque os donos das cadeiras que ocupávamos indevidamente com certeza não apareceriam. Eu já estava com o texto ensaiado pra expulsar aquela menina do lugar dela. "Sua rashinha..." era como começava. Ia baixar a bicha com certeza! Uma bicha barraqueira!!
Só que de repente, ouvimos um estampido. Eu olho pra fora. Achava que era um pneu. Uma pedra. Um traque e quando olho pra dentro do ônibus vejo as pessoas se jogando no chão. Meu primeiro pensamento foi como as pessoas são bobas, provavelmente eram crianças brincando na rua, mas em seguida eu vejo um cara, magro, de estatura mediana, negro, com cavanhaque, armado com um revolver. Logo por trás dele se formam mais outros vultos, tão magros quanto, mas de pele mais clara, um com outra arma de fogo, e outro armado com o que eu viria a perceber depois que era uma faca.
Não consigo raciocinar muito bem. Mas vejo Henrique escondendo o celular e a carteira dele dentro da cueca. Repito o gesto inconscientemente. Ouço pela primeira vez a voz do ladrão ordenando que passemos tudo. Carteiras, bolsas, celulares. Ele gritam. Agitam as armas. Dizem que alguém vai morrer ali se ninguém cooperar. As pessoas passam os celulares. Carteiras. Eu fico quieto. Não consigo me mexer. Só imagino que se ele chegar perto da gente, vai desconfiar de nem eu, nem Henrique termos celulares nem carteiras. Fico com medo dessa possiblidade e começo a inventar desculpas que nenhuma parece ser convincente. Imagino que Henrique pode dar a carteira dele. Sei que ele não tem muito dinheiro na carteira. Ao contrário de mim. Nosso dinheiro estava comigo. Meus cartões, caso perdessemos o dinheiro, estava comigo. Mas ele se recusa. Mas também logo percebo que por causa das pessoas em pé, os ladrões não podem chegar muito próximo da gente, eles apenas mandam que passemos tudo, e eu finjo que sou invisível.
As carteiras, bolsas e celulares acabam. Mas os ladrões não querem descer. Dizem pro motorista continuar andando. Agora eles pedem relogios e joias. Olho pro meu pulso e só tenho algumas pulseiras de contas. Nem lembro da existência de meu piercing nesta hora. Mas pensando bem eu não consigo tirar quando estou calmo, imagino nervoso como o ar estava ali. Pai nosso que estás no céu. O ônibus cheirava a tensão. Santificado seja o vosso nome. E ar ficava mais pesado conforme se ouvia baixinho, múrmurios de choros, gritos de crianças apavoradas e orações. Venha nós ao vosso reino. E os ladrões andam por cima das costas das pessoas que se abaixam amedrontadas nas cadeiras. Seja feita a vossa vontade. Agora que o único ladrão que estava sem arma de fogo fala pela primeira vez. Assim na terra como no céu. Grita pra que um rapaz passe-lhe a aliança. O rapaz apanha. O primeiro ladrão. O negro. Grita que eles têm que descer. Eles correm para frente do ônibus. Levam sacolas cheias. As pessoas ainda se mantêm tensas. Eles descem. O ônibus parte.
E do ônibus, contra os ladrões, são disparados três tiros. Pelo rapaz que trocou de lugar com Henrique. Do lado da minha janela. Eu vi a arma. E fiquei encantado pelo fogo do disparo. Parece que o tempo parou naquele instante.

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

PASSADO: Entre amores reais e virtuais: separando o joio do trigo

Li o post do Ouriço e me inspirei. Quero contar como me apaixonei por duas pessoas através da net. E como estas duas estórias tiveram fins bem diferentes.

O mineiro: Conheci Pedro em um dia de domingo. Estava na net, e meu melhor amigo me apresentou ele. Felipe estava apaixonado por Pedro. Completamente. Ele realmente era apaixonante. Inteligente. Viajado. Falava inglês e francês. Era jornalista e trabalhava como relações públicas no Rio de Janeiro. E era lindo. Fisicamente muito bonito. Musculoso, olhos castanhos, cabelo curto, e uma tatuagem de Nossa Senhora de Guadalupe no braço direito. Comecei a conversar com Pedro. Falávamos em inglês na maior parte do tempo. Descobrimos coisas em comum. Até que um dia, que ele virou pra mim e disse que estava interessado em mim. Ao mesmo tempo, Felipe marcava com ele de encontra-lo. Felipe me dizia que ele viria a Natal para vê-lo. E naquela hora, Pedro me disse que não estava mais interessado em Felipe e sim em mim. Fiquei chocado. Perguntava porquê. Mas ele falou que a coisa ficou desinteressante. "E eu sou mais interessante por acaso?", eu perguntei. Ele disse que sim. "Muito mais. Mais bonito e mais interessante".
Aí, ele passou a tentar me seduzir. E eu passei a dormir cada vez mais tarde esperando por Pedro. Ele dizia que só entrava na net pra falar comigo. E eu comecei a escrever no meu flog poesias pra ele. Todas em inglês. Ele entao começou a dizer que viria morar em Natal. Ele tinha mesmo um espirito aventureiro deste gabarito. Nasceu em Minas, mas logo mudou-se para Floripa, assim que terminou a faculdade. Depois conheceu um homem com que se casou, e por causa deste casamento mudou-se para o Rio. O marido dele passou num programa de pós-graduação e ele foi junto. Contudo, segundo ele, o Rio de Janeiro fez mal ao casamento deles. E eles se separaram. Ele então começou a dizer que viria a Natal. Morar e trabalhar aqui. Namoraríamos. Eu ajudaria ele a decorar o apartamento dele. Eu teria uma chave do apartamento dele. Ficaríamos juntos. Ele marcou o dia que viria a Natal. E eu sonhei. Sonhei com esse dia. Sonhei com toda essa vida que ele me propunha.
Ele marcou então o dia que ele viria a Natal. Disse a hora. O hotel. O apartamento. Mas no dia, nada! Ai, pouco tempo depois, eu soube que a foto não era dele. Pouco tempo depois, eu soube que ele nunca pretendeu largar toda a vida dele. Que ele morava com os pais em Juiz de Fora. E era desempregado. Como eu soube? A verdade sempre vem a tona. Cedo ou tarde.


O caicoense: Conheci meu BB através do Orkut. Ele me adicionou. Demorou a travar um diálogo que eu que comecei. Passamos ao MSN. Começamos a conversar e eu soube toda a história dele. Toda a vida de sofrimento que aquele menino tinha passado. O namoro dele que foi descoberto pelos pais do namorado. E fizeram com que toda a cidade dele se voltasse contra ele. Que o causou uma depressão que foi tratada com remédios. Que fez com que os pais do namorado o ameaçassem de morte. E fez com que ele fosse morar com a irmã em outra cidade e estado, Souza, na Paraíba. Apiedei-me tanto. Queria protegê-lo de tanto mal. Me apaixonei. Passei a falar com ele todos os dias pela internet. E no fim de semana no telefone (usando os serviços Oi 31 anos). Um mês e duas semanas depois. Conheci-o em Caicó. Me abalei da minha cidade para conhecê-lo e não me arrependi. Agora estamos namorando. E estou completamente apaixonado.



Moral da estória: Relacionamentos virtuais têm seus problemas. Eles têm uma grande probabilidade de serem baseados em mentiras. Muitas pessoas interessantissimas que você conhecerá na net são apenas personagens inventados por alguém que não tinha muito o que fazer numa tarde de domingo. Porém, em alguns casos, você pode conhecer pessoas maravilhosas. No entanto, para separar o joio do trigo, é necessário que o virtual se torne real. Vozes precisam ser ouvidas. Mãos precisam ser tocadas. Olhos precisam ser sentidos. Depois disso, podemos avaliar essas pessoas que conhecemos que nos parecem ser tão maravilhosas. Mas que... desculpem a sinceridade... precisam de um pouco de desconfiança, inclusive eu mesmo (com excessão de Marcelo Ribeiro, porque ele pode falar a verdade ou mentir pra mim, que eu deixo).

terça-feira, 31 de outubro de 2006

EXTRA, EXTRA, EXTRA: Enquanto isso, no trabalho

Sala do 6º ano F. Alunos fazendo um trabalho sobre o Código de Hammurábi. Fico indo de carteira em carteira tirando dúvidas. Quando João Carlos me chama:

- Porfessor, Thiago tem algo pra falar com o senhor. Ele vai falar no intervalo.

- Thiago?

- Sim. Do 7º ano B.

- Sim, sei.

- Mas só no intervalo, professor.

- Tá certo. Agora volte a fazer seu trabalho.

Sala dos professores. Estou ocupado passando a limpo um texto. Professores sentados na mesa de reuniões conversam. A diretora avisa de um curso sobre sexualidade. Eu me inscrevo no curso. O intervalo prossegue e eu nem lembrava mais sobre o que havia ouvido na sala do 6º ano.

- Professor, o senhor pode vir até aqui?

- Oi, João Carlos?

- É que Thiago quer falar com o senhor…

- Pois fale, Thiago.

- Fala tu aí, João Carlos!

- Nam, você que queria falar com ele.

- Fale rapaz.

Várias meninas passam por nós. Ele desconversa. Noto vergonha.

- Não... é sobre o trabalho.

- Que trabalho? Sim… sobre Galileu? Você tem que entregar próxima aula.

- Humm… tá… professor, me dá teu telefone?

- Como é?!?

- É, professor, escreve aqui no meu caderno teu telefone.

- Não.

Retiro-me. Volto à sala dos professores. João Carlos me chama.

- Professor, vem aqui. Professor… da aí vai?

- Pra quê?

Responde Thiago: - Professor, o senhor sabe?

- Sei?

- É professor – interrompe João Carlos – pra depois a gente marcar?

- Marcar o que?

Novamente Thiago, com um olhar safado: - O senhor sabe.

- Não, meninos!

- Por que não?

- Porque não estou interessado.

Retorno à sala dos professores. João Carlos me chama, implorando.

- Omi, deixe essa estória pra lá.

sábado, 28 de outubro de 2006

PRESENTE: Quem nunca traiu, que atire a primeira pedra

É muito dificil ser fiel nesse planeta. Ah, meu Deus, como eu tento! Deus está de prova. Eu tento. Mas quanto mais forte eu pareço. Mais intensa parece ser a tentação. Mas vamos por partes. Estou namorando a 1 mês e 10 dias, com a criatura mais fofa que já conheci, e sem dúvida alguma estou realmente apaixonado, como nunca estive por ninguém na minha vida. Isso, sem dúvida alguma, facilita muito o trabalho pra se manter fiel. Simplemente, não saio atrás de ninguém. Não tenho a menor necessidade de sair pela noite caçando gatas extraordinárias, como diz Caetano.
Contudo, quem disse que essas gatas me deixam em paz? Acabei de receber uma corrente do Marcelo Ribeiro (a qual tive que repassar... eu não quis arriscar, vai q meu pinto cai mesmo) que dizia que quanto mais sexo você faz, mais pessoas você atraí. Acho que com namoro também. Não sei se por um motivo químico, de seu corpo produzir mais feromônios que atraem mais as outras pessoas, ou se por um motivo irônico, de que você está agora tão desinteressado em outras pessoas que agora elas se interessam por você. Ainda acrescento um agravante. Comecei a namorar pouco tempo depois de ter iniciado na academia. Então agora estou mais bonito e comprometido.
E muitas tem se interessado por mim. Muitas mesmo. Tenho tido que aceitar ou recusar todo dia dois ou três convites no Orkut. Alguns mais aldaciosos lançam-se logo no meu MSN. Tenho que me livrar destes tiros que vem de todos os lados. Contudo, quando encontro as pessoas pessoalmente é que a coisa fica dificil. Tenho evitado sair. Assumo. Não quero trair meu namorado. Nem dá chance para que ele pense que eu o traí. Em outras palavras, não quero que alguém chegue no ouvido dele e diga que eu fui a tal lugar e daí uma simples balada com os amigos se torne uma noite de orgias selvagens em um motel. É, eu tenho sorte pra esse tipo de coisa. Do jeito que só mole, num instante eu ganho a fama, sem nem aproveitar a cama. Mas sabe porque pessoalmente a coisa fica dificil? Meu namorado não mora na mesma cidade que eu. Eu o amo, mas a distância tá me deixando carente. E ninguém pode negar que a melhor coisa pra uma carência é alguém tentando te seduzir.
Claro! Imagine o que é para um carente abraços cheios de segundas intenções. Elogios intermitentes. Carinhos suaves e outros mais picantes, feitos como quem não quer nada. É dificil. Enfim... estou muito tentado. Eu poderia terminar o texto por aqui, mas falta algo a dizer. Estou tentado, mas amo meu bbzinhu. Amo muito. E não quero fazê-lo sofrer e acho q isso é o que faz um relacionamento. Sei que Confúcio disse que não fazer o mal não é tão importante, mais importante é não desejar fazer o mal. Mas sou humano. Minha iluminação não chegou ainda a esse ponto de me distanciar do Desejo.

segunda-feira, 23 de outubro de 2006

PASSADO: E aí meu irmão me perguntou se eu era gay

Aqui em casa todos tem a certeza absoluta que sou gay. Não importa. Não importa eu desmentir. Nem preciso admitir. Eles decidiram. Fui criado pra ser o menininho gay. Tenho esta teoria, baseada em meus estudos históricos e sociológicos (claro, deixa eu me exibir ora), que todos os comportamentos sociais são aprendidos. Bem, eu fui ensinado a ser gay. Ninguém aqui em casa me deixou ter experiências que os meninos heterossexuais tem. Eu fui protegido das meninas. Eu fui levado a gostar de coisas femininas. Eu fui obrigado a assumir o papel da filha que minha mãe nunca teve. Aprendi a cozinhar. A costurar. A limpar uma casa. Sou extremamente prendado. Mas este "conhecimento" teve o seu preço. Minha masculinidade.
Aí um dia eu tomei conta da minha vida. Na sexta série, eu descobri q ao contrario do que todas as pessoas diziam. Eu sentia atraçao também por meninas. E sabe... comigo aconteceu exatamente o processo inverso. Comecei a me sentir culpado por não ser gay. Afinal, todos esperavam isso de mim. Repreendi esse sentimento. Me envergonhava o fato de agora me excitar por meninas. Evitei-as. Me isolei. Mas, como graças a Deus, não existe nada melhor que o tempo. E com o tempo, vem a maturidade. Eu me entendi. Entendi o que sentia. E isso causou muitos estragos na minha família.
Aos 18 anos, foi a primeira vez q meus pais souberam q eu fiquei com uma menina. O choque era perceptível. Eles já tinham me dado como perdido, já haviam reservado pra meu nome um lugar de pouco destaque na nossa genealogia. Eu ria muito com a surpresa deles. E percebi como é bom chocar as pessoas. E com isso entendi qual a minha função aqui. Mas... continuando a história. Algum tempo depois, um dos meus irmãos, o 2º filho do meu pai (sou o 3º), foi na faculdade me pegar. Tava rolando uma festinha lá. E eu quando ele chegou lá, eu estava ficando com uma menina. S. Uma linda morena de cabelos curtos e uma inteligencia ferina (gosto de mulheres inteligentes... homens até suporto burros, mando calar a boca e fodo; mas mulher não... não agüento). Ele ficou abalado. Porque a primeira menina, eles apenas ouviram falar. Aquela era a primeira menina que alguém da minha família tinha visto comigo.
Eu entrei no carro. E ele ficou se remoendo. Notava-se que ele queria perguntar algo. Mas de forma alguma que eu esperava o que se passava pela cabeça dele. Até que ele fez a pergunta que todos nós sabemos o que precede. "Posso te perguntar uma coisa?". Eu já sabia o que ele queria. E concordei. "Você é gay ou o quê?". Mas quando o ultimo folego da palavra saiu dos seus lábios, ele se arrependeu piamente do que fizera. "Não precisa responder, não importa. Não muda o que sinto por você". Foi bonito. E eu acabei contando. "O quê!". Ele não entendeu. "Não sou gay, não. Gosto de meninas. Mas se você perguntar se já fiquei com meninos, aí é outra estória". Ele quis dizer então que sou bi. E sinceramente não me considero bi. Tenho fases. Já fiquei muito com meninas. Hoje estou numa fase apenas de meninos. Amanhã? Não sei.
Um amigo meu tentou me definir. MP. Segundo ele, sou 1/3 hetero, e 2/3 gay. Acho que faz sentido. Ou talvez, isso só seja o resultado da educação que eu tive. Fui preparado pra este papel. Agora, eu tenho q aprender um outro que surgiu naturalmente. Enquanto vocês passaram isso ao aprender a ficar com meninos, eu tive que aprender a ficar com meninas. Mundo estranho esse nosso nao é?

quarta-feira, 18 de outubro de 2006

PRESENTE: Sedutor Acidental


Minhas maiores conquistas não foram propositais. Na verdade, parece que quanto mais me interesso pelas pessoas, menos elas se interessam por mim. Contudo, ironicamente, fico comumente com homens que para todos, até aquele momento, era heterossexual. Desperto neles um interesse estranho. Uma vontade nova. Como faço isso? Fácil. Extremamente fácil. Vocês não sabem como é fácil.
Normalmente o que acontece é eu conhecer um cara através de uma das minhas amigas. Ele fica com F, ou com M, ou com D, ou ficou algum tempo atrás. Bem, sendo assim, eu não costumo nem prestar atenção nele. Ele é hetero. Não tem porque fantasiar qualquer coisa. Mas, de repente, não mais do que de repente, algo acontece. Um olhar. Um toque. Um sorriso. E noto a diferença.
Uma vez perguntei a um deles, B, o porquê disso. Ele explicou que sou fascinante (palavras dele). Que meu bom humor e inteligência (palavras dele) envolvem a pessoa e dali a pouco o cara só pensa em comer a minha bunda gostosa (é, também palavras dele).
Acho que minha inteligencia já envolveu muitos. Estou me especializando em "heteros". Alguns chegaram até o fim, de outros eu fui apenas o primeiro homem que eles beijaram. Não esqueço de V, indo comigo até o bar numa rave, me dizendo que se um dia fosse ficar com um homem, seria comigo. Eu corei na hora. E ele não deixou de notar. "Fique vermelho não, senão eu não me controlo". É, eu ainda fico vermelho.
Mesmo com os namorados de amigas soltando indiretas sempre que elas saem de perto. H: mostrava os músculos pra mim. Ou eles me paquerando pelo retrovisor do carro. J: um amigo meu que estava no carro ainda chegou a perceber. Namorados de amigas tentando tocar em mim como quem não quer nada. F: chegava a ser chato de tanto q tentava passar a mão em mim.
Sim, terminei o texto me achando o máximo. Quando eu tiver com baixa auto-estima vou vir aqui. Ler esse texto de novo.

domingo, 15 de outubro de 2006

PASSADO: Experiências lícitas e ilícitas

Fui criado por um pai com sérios problemas na fase oral do seu desenvolvimento. Fui criado pra acreditar que caráter e honra eram as coisas mais preciosas que hum homem podia ter (nunca reparei como isso soa medieval até por no papel agora), e que três coisas podiam abalar tudo isso: a mais importante, ser gay; depois beber e, finalmente, agir contra a lei. Bem como eu já estava fudido mesmo (em todos os sentidos da expressão), então resolvi experimentar as outras coisas.

EXPERIÊNCIA Nº 1: "Nunca fiz amigos bebendo leite".
Esta frase é uma das mas sábias que já ouvi. Homem só tem amigo que possa levar ao bar. O que você espera? Dois homens indo ao cinema? Sentados na cama trocando confidências? Não né? Sabemos muito bem o que isso significa. Então... minha vida alcoólica se iniciou cerdado de homens (D, por que eu era louco, tudo sempre acontecia na sua casa; C, que nunca me deu nenhuma brecha, exatamente o contrário de M, mas que o destino conspirou contra) e um pirata. Rum. Rum com coca. Cuba Livre. Abaixo Fidel Castro! Logo eu, o filho de um comunista. Amamentado por Marx (depois conto esta estória).
Tomei gosto, aos 18 anos, pelo rum. Mas fiz um trato comigo mesmo. Nunca beber mais do que a primeira tontura. Que aos poucos começou a demorar mais a chegar. Meu primeiro porre só aconteceu aos 22 anos, na minha formatura.
Com um delicioso vinho branco. Completamente consciente do que estava fazendo. Ainda lembro de W dizendo: "Bebe mais se você ainda está sentindo as pernas". A primeira amnésia apenas com um litro de vodca que eu levava abraçado. Natasha. Aquela mulher odeia bicha. Daí não lembro de nada. Cheguei no Carnatal e depois lembro de não ter dinheiro pra voltar pra casa e acabar indo a pé. Uns 3 km. Cheguei em casa bonzinho.

EXPERIÊNCIA Nº 2: "Fumar dá status".
Ao contrário de beber, não senti pressão social para fumar. Mas na faculdade o cigarro estava cercado por uma aura intelectual. Ao mesmo tempo que nas baladas, ele sempre me pareceu tão cool, que foi procurando essas imagens que acendi meu primeiro cigarro. Intelectual porque as grandes pessoas que eu admirava fumavam. E nas baladas, bem... ser baladeiro sempre foi uma das minhas metas de vida. E cigarro me traz essa imagem. Festa! Balada! Fumaça de cigarro e bebida tocando em tudo. Acho que no fundo eu queria crescer. E não esqueço a cara de L quando me viu tentando fumar um de seus cigarros. "Que é isso?!?" E depois ela me ensinando a fumar com estilo. Por isso fumando sou uma dama. Uma dama francesa. Alguns diriam, uma puta francesa de um bordel oitocentista.


EXPERIÊNCIA Nº3: "Todo primata é curioso".
Aprendendo a fumar, a curiosidade pela maconha surgiu. A galera da faculdade curtia. Eu queria saber "qual era a lombra". Primeira vez, no setor de aulas, atrás do predio do centro acadêmico, com S e A (colegas de faculdade), não senti absolutamente nada. "Normal! Primeira vez é assim mesmo". Segunda vez, com um amigo travesti e o traficante da favela que ela vivia. Nunca vi tanta maconha na minha vida. Tudo de graça. "Hoje tu sabe o que é, boy" Soube mesmo! E não gostei. Me senti estúpido. Simplesmente não consegui formular uma simples frase. Engraçado né? Eu fico burro. Mas repeti. Em festas. Em raves. Às vezes é bom desligar meus neurônios.


EXPERIÊNCIA Nº 4: "Não conte para ninguém".
Loló. Lança-perfume. Vamos cheirar. Minha vida de raves e boates. A vida de baladeiro que sempre quis ter. Me levou aos alucinógenos leves. A irmã caçula de um amigo me deu pela primeira vez, se eu jurasse não contar nada ao meu amigo. Provei. Fiquei louco. Fritei. Depois Carnatal, onde o loló e o lança existem mais que peixes no mar. Todo mundo tem. Todo mundo quer. E na ultima vez foi na VG, onde o tesão acumulado por estar namorando um menino virgem subiu a cabeça e eu quase ferrei com tudo. Estou fera no auto-controle.


Terminado tudo isto, não me sinto menos homem, como meu pai me ensinou que aconteceria. Nem mesmo me sinto uma pessoa pior. Não estou viciado, apenas experimentei. Desculpe, papai, mas provavelmente seus ensinamentos não servem para a (minha) vida real.

quinta-feira, 5 de outubro de 2006

PRESENTE: Natal precisa sair do armário

Eu, sem dúvida alguma, vivo na cidade mais gay do Brasil. É com certeza o paraíso. Mas também o inferno. Em Natal, 99,9% da população masculina já teve alguma experiência homossexual. Este é um numero hipotético, é claro. Nenhuma pesquisa séria foi feita sobre o assunto, e dificilmente será. Afinal, quem vai revelar detalhes tão íntimos a um pesquisador do IBGE? Mas bem, eu paguei Estatística na faculdade. Aprendi um pouco. Deixa ver o que posso fazer...
Trabalhemos por amostragem. Amostragem funciona assim: vc pega um pequeno grupo, que vai representar todo o grupo. Então, observemos o universo amostral de minha rua. Eramos 21 meninos na minha rua. Nestes, apenas 4 (que eu saiba) nunca experimentaram o amor grego. E aí, basta calcular. Sendo científicos. Minha calculadora respondeu que a porcentagem correta é 80, 96% dos homens de Natal.
Isso explica porque toda vez que você sai em Natal percebe uma cantada ou pelo menos olhares mais insinuadores. Sabe? Aqueles olhares que significam mais. Em que lugares alguém já me abordou? Deixa ver se me lembro. No ônibus, no shopping, no banheiro do shopping, no banheiro da faculdade, na sala de aula, na padaria, na rua enquanto eu corria, na porta de casa bem na frente do meu pai, no trabalho, em todo canto e todo lugar.
Por isso que toda vez que meu namorado diz que eu posso sair sozinho se não for para boates glbt. Eu sempre contenho um riso. O fato de ser um lugar hetero não impede nada em Natal. O fato do cara estar com uma namorada do lado não impede que ele te dê uma cantada assim que a pobre da menina se distrair. Natal é uma cidade muito estranha!

domingo, 1 de outubro de 2006

PASSADO: Primeira Vez ou As coxas do Gato.

Entre brincadeiras infantis, um vizinho me mostrou algo novo. Fábio. Um toque em partes nunca antes tocadas. Uma sensação nunca antes sentida. Entre brincadeiras. No escuro. No quintal de uma casa abandonada. Dois meninos se descobriram. Inebriados. Envolvidos. Perdidos. E hoje adulto, foi numa aula de Prática de Ensino, que numa frase da professora, entendi que naquela época eu não era mais do que um dos meninos do trapiche de Capitães da Areia, de Jorge Amado. Já leram?
Capitães da Areia conta a história de um grupo de meninos de rua, que vivem entre o porto e a praia de Salvador, na Bahia. Meninos sem lar. Sem pais. Sem carinho. Sem amor. Estes meninos se amavam. E mesmo quando o padre ou os homens adultos disseram ou q era pecado ou que diminuía a honra de um homem, os meninos não conseguiram parar de se amar. Porque aquele amor supria uma carência. Supria. Alimentava. Ocupava um espaço vazio que as familias deveriam ocupar. Aqueles meninos estavam tão sós que precisavam do calor um dos outros. E este calor estava nas coxas um dos outros.
Fui criado, então, numa familia que não se toca. Fui criado entre irmãos que não se abraçam. Por Freud! Eu me entreguei sim ao primeiro que me ensinou o que era carinho. As mãos infantis dele que cuidavam de mim. O desejo infantil dele que precisava de mim. O amor infantil dele que só tinha a mim. Entreguei-me a ele de corpo e alma. Aprendi com ele, durante anos, como o carinho era bom. E fui castigado por isso, brutalmente.
Mas como afastar um menino viciado em carinho de seu vício, brutalmente? Efeito oposto, claro! Mas agora o segredo, sabia-se, era necessário. Não poderia mais ser ali. Não poderia mais acontecer sem uma desculpa. Então resolvemos brincar. Éramos crianças não? Somos crianças. Meninos. Meninos bricam. Tantas brincadeiras. Tantas aventuras. Não há melhor desculpa!

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

QUANDO EU PENSAVA QUE ERA GAY

Texto de setembro de 2004. Quiz republicar este texto antigo pra poder explicar como este blog vai funcionar. Ele vai falar de uma parte de mim. Outras, vcs vêem em outros lugares.

Era uma vez um menino que nasceu diferente e o mundo definiu que ele era gay. Ninguém perguntou o que ele era, eles só definiram um estigma e colocaram-no em sua testa como uma coroa de espinhos. O estigma também o feriu. Também o fez sangrar. Psicólogos foram chamados. Conselhos de padres foram buscados. Mas ninguém lembrou de perguntar ao menino o que ele era.

Ele tinha 7 anos e já era. Não importava o quê, mas era. Aos 7 anos, o menino não tinha noção do que ele era, mas ele era. Porque “quando o povo fala, ou é, ou foi, ou será”. Não tinha importância o que o menino era, importante era que todos já haviam decidido o que ele era. Não precisava perguntar.

Ele não podia ser só diferente? “Ele não é um menino igual aos outros, só isso”. Mas isso não é resposta que se dê. Ninguém “não é”, todos tem que “ser”. O mundo queria uma definição segura sobre aquele menino de 7 anos, queriam saber o que ele era e aquilo que ele não era. Por isso o batizaram apressadamente, correram apressadamente, o condenaram apressadamente. Mas ninguém lembrou de perguntar ao menino o que ele era.

Desde os 7 anos, o menino quis ser outra pessoa. Porque todos diziam que ele era uma coisa, que ele sentia profundamente que não era. Mas aos poucos, o menino começou a convencer-se de que era. O menino começou a achar que se todos falavam, ele devia ser, afinal, como todo mundo ia errar? O menino pensou: “Se eles dizem, eu devo ser”. E quando ele começou a pensar, até o menino esqueceu de perguntar a si mesmo se era.

Então, a partir dos 7 anos, sendo ou não, o menino achou que era. Ele devia ser. Todos diziam: “Parece que é”. Mas dentro dele, ele não era. O mundo queria que ele fosse, porque assim eles estavam mais seguros, não precisavam pensar uma nova categoria para o menino. Ficava mais fácil usar àquelas que todo mundo era. “Quem é esse menino para exigir que pensemos?”.

Mas um dia o menino de 7 anos cresceu. Claro ele cresceu pensando que era, contudo conhecendo como o mundo era, o menino descobriu que tinham decidido o que ele era sem tê-lo perguntado. Ele percebeu que antes que o perguntassem qualquer coisa haviam aprisionado qualquer desejo seu de ser alguma coisa. Afinal ele era. Agora que ele era, só lhe restava ser aquilo que quem é, era. Manter-se marginal e distante dos holofotes. Se era a sombra que lhe pertencia? Era.

Mas o menino não queria ser assim. Não queria prisões. Sua diferença estava exatamente na liberdade de fazer qualquer coisa. Sem limitações. Sem pré-definições. O menino queria lançar-se ao vazio e ver no que dá. Mas o menino era. E este era aprisionava-lhe na Terra, prendia seus pés no chão.

Ele precisou de ajuda para desamarrar os próprios pés. E tornar-se leve de novo. Leve o bastante para que o vento o levasse. E levasse o que ele era embora. Afinal aquilo que não somos, sai com água. Ele não era, e aprendeu que aquilo que ele é, ainda não foi inventado.


segunda-feira, 14 de agosto de 2006