Google+ Estórias Do Mundo: Dezembro 2006

sábado, 30 de dezembro de 2006

PASSADO: Há algo de podre no reino da Dinamarca

Este texto é antigo, mas expressa exatamente o que estou sentindo hoje. Dormi mal. Acordei mal. Estou vivendo mal. Obrigado a todos os meus amigos que estão do meu lado nesta hora, em especial, os reais, Braz, Joshy e Henrique, e os virtuais (mas não menos reais e importantes) Trintinha, Marcelo Sunshine, Shinji e Edu. Obrigado a todos por me escutarem. E deixarem eu chorar nos seus ombros. Por me aturarem.

Há algo de podre no reino da Dinamarca. Hoje pelo menos há. Não estão sentindo? Não percebem energias estranhas se movendo em torno de nós? Questionando quem somos, pra onde vamos, com a mesma tristeza de Hamlet?

Ontem, uma estrela tenebrosa brilhou sobre meu signo, eu senti por volta das 19h, vou ver se foi a lua que entrou em movimento retrógrado ou se Saturno iniciou sua influência insípida, mas existente. Só sei que me fez abandonar a boa vontade com os homens que eu tinha até então. Comecei a achar todos aqueles movimentos de educação, todos os bons-dias, frases sem sentido, quis mandar todos à merda. Só sei que minha paciência com o gênero humano se acabou.

Isso me fez acordar hoje azedo, e olhando para as paredes recém pintadas do meu quarto, sem marcas, nem manchas, vi minha vida meio pálida olhando pra mim.

Acordei desejando sexo, sujeira, beijos e vermelho sangue. Contudo eu estava num quarto branco, coberto com lençóis azuis, vendo fotos de sorrisos e cds com lindas músicas olhando pra mim. Quis destruir tudo. Quis quebrar os espelhos e manchar as paredes com meu sangue. Quis fugir desta realidade tão pura e luminosa que não refletia meu espírito. Mas não pude.

Hoje é um dia para ler tragédias, quero ver sangue e mundos destruídos. Vou agarrar-me a Shakespeare e aos gregos. Hoje quem me procurar vai me encontrar entre o sangue de jovens viúvas.

terça-feira, 26 de dezembro de 2006

PRESENTE: Diário do Fim de um Namoro I

Bem, tem sido dificil. Mas resolvi relatar a evolução do processo aqui. Bem, esta semana meu ex me ligou. Ligou para desejar feliz natal, eu eu fui duro, seco, não quis demonstrar tristeza, mas ao mesmo tempo não queria que ele pensasse que estava tudo bem. Afinal não estava. Não há para que mentir. Não há porque esconder dele que eu ainda o amo. Logo depois que desliguei o telefone, comentei com Joshi, com quem eu estava na net, que meu ex tinha ligado, e ele falou que estava conversando com Beto naquele instante pelo telefone. Eu então falei que queria saber de toda a conversa e Joshi prometeu me contar.
Assim que desligou o telefone, Joshi me contou que Beto estava muito bem. Tinha conhecido um cara "muito legal e cabeça feita" de Recife, e também havia ficado com Kleiper (viado nojento!!!), um amigo dele, da cidade dele. Aí eu percebi que Beto tava vivendo a vida dele. Ficando. E já tinha me esquecido, completamente. Ou pelo menos aparentava isso. Resolvi então mudar tudo. Recuperar-me. Curar-me. E coloquei no MSN, sábado, ante-véspera de Natal: "Quem me chama pra sair hoje?". Henrique tava viajando. Descartado. Mas Gush tinha me chamado para ir para o BAR. O BAR é o código para uma das boates gays daqui de Natal. O nome na verdade é Avesso Clubber, mas como a boate é conhecida, para não dar muito na vista, entre nós, nós sempre combinamos de ir para o BAR. Bem, eu estava na net, e Gush já havia feito o convite, e Michel reforçou, dizendo que saíriamos ou para o BAR ou para a VG (outra sigla, outra boate, Vogue). Mas antes nos encontraríamos na praça do CEI, pois como estava havendo o PRESENTE DE NATAL (um envento da prefeitura com música ao vivo, no campus de uma das faculdades federais daqui), poderíamos primeiro assistir ao show, depois ir para a boate. Topei.
Encontramo-nos na praça do CEI. CEI é um colégio, que fica do lado do campus que mencionei. Este colégio adotou a praça que fica em frente, e transformou num ambiente bem agradável, que por ser bem escondida do movimento da cidade foi adotada por uma galera gay bem teen, que ainda não pode frequentar as boates, e outra galera que acabou de entrar na maioridade (com rarissimas excessões como eu). Passamos por lá, eu e Michel, e encontramos conhecidos, já começamos a beber e a fumar por ali mesmo. Decidimos lá pagar mais, mas ir para o Avesso. Isto porque percebemos que toda a praça do CEI ía para a boate, inclusive muitos menores com identidades falsas, e também porque Juh, um amigo, também ía.
Em um instante, quando decidi ir para o BAR, me vi cercado por vários conhecidos que também iriam. Rickie, Ewerton, Nel, Guel, me fizeram rir o caminho todo para a boate (feito de busão) contando um os podres dos outro. Jogaram-me inclusive no meio da brincadeira. Principalmente o Rickie que sabe em detalhes minhas estórias com Juan, meu ex, essas estórias que ele adora comentar. Não sei porquê.
Chegamos na boate e logo encontramos Gush. Ele foi logo se esfregando em mim. Dizendo que eu estava lindo, cheiroso e solteiro. E ele também. Ofereceu-me vodca. E me abraçou. Ao mesmo tempo, Nel, que havia conhecido no ônibus, ficava me olhando e lançando o sorriso mais lindo que eu já vi em muito tempo. Não sei o que acontecia. Mas quando ele sorria o rosto se iluminava. E uma covinha aparecia apenas na bochecha direita. Mas os olhos dele não se moviam. Como os meus que se apertam quando eu sorrio. Continuavam grandes, luminosos, brilhantes e verdes, como lagos.
Entramos. A música preenchia o primeiro ambiente. Muita Madonna. Are you ready to jump? Fomos para o lounge da boate. A fonte estava ligada. Com luzes. Decoração natalina. E muitas renas. Aí que Ewerton começou a rir do tema da festa naquela ante-véspera de Natal: Natal da Rena. Continuamos ali no lounge conversando, ouvindo muita música pop ao longe. Wish your girlfriend was hot like me? Wish your girlfriend was a freak like me?. Rindo muito. E eu me esqueci complemente dos meus problemas, e esta era a função da festa né?
Depois fomos a outro ambiente, ao Clubber, DJ Devasso tocando. Mais Madonna. Muita Drag music. Mais Devasso sem se tocar que ele tem que tocar para o público, não para ele mesmo. Mas tocou Xstina. Told my mother, my brother, my sister and my friends, told the others all my lovers both past and present tense. E é claro que relembrei de Beto. Mas exorcizei a imagem dele. Dançando. Com Michel e com Nel. Nel me chamava para dançar com ele. Entrava no meio da roda, e me puxava para dançar com ele. Lançava-me aqueles olhos de ressaca que me sugavam para dentro de um oceano verde. E conforme dançavamos o calor infernal tomava conta de nossos corpos. Música alta. Luz piscando. Um pouco de Witney Houston bombando num remix tribalístico. And I wished you joy and happiness, but above all this, I wish you love. Luz negra envolvendo corpos que começam a ficar mais desnudos. E o loló que Juh me passava sempre que o tum-tum de em minha cabeça começava a enfraquecer.
Vi atrás de mim, então, sem dançar muito. Felipe. Felipe era meu melhor amigo. Até que brigamos (depois conto esta estória para vocês). Ele estava conversando com Nel, puxou a camisa dele quando ele se afastou. E eu não estranhei. Felipe sempre foi assim. Ele era extremamente inconveniente. Insistia demais. Forçava a barra. Puxar roupas. Roubar beijos. Fazer gracinhas. Tudo isso era muito o estilo dele. Mas Nel se afastara. Fugiu dele. E veio dançar comigo. Não vi Felipe depois desta. Sumiu da boate. Sumiu da realidade (uma bela capacidade para quem tava usando aquela roupa dele, se posso comentar...).
Cansado de tanto calor. Sem coragem de dar o próximo passo para cima de Nel. E depois de Nel me segurar, quando cai num buraco negro onde a luz e o som se perderam, por causa da combinação de um Hollywood atrás do outro, copos e copos de vodca e a camisa de Juh encharcada que eu cheirava entre um trago e uma dose, eu sai. Voltei ao lounge. Jingle bells, jingle bells, jingle all the way, oh what fun it is to ride in a one-horse open sleigh. Sentei. E chorei por Betinho. Meus amigos chegaram. Todos. Rickie já estava ficando com Nel. Eu escondi minhas lágrimas. Mas Juh notou. Acendeu-me outro Hollywood. Fumamos. Encontrei Madê e Jô. Fumei dois Carlton de Jô. Bebi a cerveja de Madê quase toda. Perguntei do loló e Juh disse que acabara. Aí encontrei Juliana, amiga de Beto. Perdi-me. Não sabia o que fazer. Deveria fingir alegria, e dizer que estava forte. E Juliana diria a Beto que eu não estou sentindo a falta dele? Pra que mentir fingir que perdoou, tentar ficar amigos sem rancor. Ou falar a verdade? Mas ela poderia não acreditar, afinal quem é que sofrendo vai a uma boate? Ela deu-me notícias de Caicó. E eu só pedi para que ela não me falasse de Caicó: "Me faz mal". E bastou.
Voltei aos meus amigos. Antonella de Castro fez seu show. Vamos com você, nós somos invencíveis, pode crer, todos somos um e juntos não existe mal nenhum. Conversamos. Rimos. Ficamos ainda muito tempo por lá. Carol Podzaski começou a tocar. DJ Mobil começou a tocar no Clubber. Dancei. Pulei. Fritei. As beeshas (como diz Marcelo) me olhavam reprovadoramente. Deveriam pensar: "Em que rave ele pensa que está?!". Mas eu pulei. Consumi o alcool do meu corpo. Saí. Reecontrei Jô. Roubei-lhe mais um Carlton. Ele me oferece carona para casa, que recuso prontamente, enquanto comenta que a fila para pagar a comanda está longa. Reencontro Gush que diz que já vai. Bebi as custas dele nesta noite. A vodca que ele me oferecia. Também fumei junto com Juh e Jô. Eu estava um sugão, pois no fim da noite minha comanda estava vazia. E eu enlouquecido. In your head, in your head, they are cryin'. Mas para retornar para casa, já as seis da manhã, voltei com os amigos com que havia vindo. Acho isso importante. Eles merecem esta consideração.
Cheguei em casa, fedendo a cigarro e a bebida, e meu pai resolve abrir-me a porta. Esgueiro-me para o banheiro. Escondo minha roupa. Corro para longe dele. E me jogo na cama, para acordar apenas as 3 da tarde. Quando retorno a net, e aí descubro o melhor da noite. Johsy me conta que estava com Felipe em outra janela do MSN. Descubro que Nel é o ex-namorado de Felipe. Descubro que ele foi embora porque achou que nós ficaríamos e, de graça, sem fazer esforço algum (apesar de não ter aproveitado a fama), eu ganhei minha vingança. Felipe estava odiando Nel, e odiando mais porque ele foi traído comigo. Pelo menos foi o que Joshy disse que ele estava sentindo. Traído. Minha ante-vespera, terminou na vespera de Natal. Eu rindo. Rindo e rindo de Felipe.

sábado, 23 de dezembro de 2006

EXTRA, EXTRA, EXTRA: Carta para o papai noel

Querido Papai Noel,

Como o senhor está ai? Muito trabalho neste ano, espero que sim. Muito frio no polo norte? E os duendes (ou são elfos?) que trabalham com o senhor? Ouvi falar, pelo [AdultSwim], que eles ameaçaram uma greve reclamando de melhores condições de trabalho, isto foi verdade? Se foi, quem será que 'tá colocando essas idéias na cabeça deles? Provavelmente a televisão, não é?
Senhor Noel, como vai a sua esposa? Ela está bem. Soube que faz biscoitinhos deliciosos. O casamento está bem? Espero que sim, no frio polar deve ser bom ter alguém para esquentar os nossos pés a noite não é?
Bem, acho que estou enrolando muito né? Papai Noel, este ano eu fui um bom menino. Sei que ano passado eu não fui tão bem, acabei sendo reprovado numa disciplina no mestrado, mas este ano eu não deixei isso acontecer. Claro que tenho sido meio relapso com os estudos, mas no trabalho estou me esforçando muito. Isso deve ser levado em conta, não é? Também não briguei com meus pais este ano. Fui muito obediente. E não briguei com nenhum dos meus irmãos. Fui educado. Eu disse várias vezes este ano: obrigado, boa tarde, com licença. Eu mal menti esse ano. Teve umas mentirinhas, eu sei, mas nada grave, juro. Olhe que admitir que estava errado também é algo importante né, senhor noel? Eu acho que no fundo eu fui um bom menino.
Bem aqui está a minha lista de natal. Não é muita coisa. Sabe onde entregar né? Em Natal, vou colocar uma meia branca na janela este ano. Obrigado. Aí vai a lista.

Eu quero abraços e beijos
carinhos e
meu verdadeiro amor (que todos sabem quem é)
quero dormir de conchinha (de novo)
quero poder fazer planos com ele
quero poder dizer que o amo
e poder ouvir ele dizer que me ama

Eu quero meus amigos pertos
que todos se tornem irmãos de coração
quero os amigos virtuais se tornando reais
quero ouvidos e ombros
quero mãos dadas
e sorrisos nas baladas

Eu quero paz e saúde
quero terminar meu mestrado
quero me orgulhar do que escrevi
quero continuar sonhando
e quero ter forças para lutar por cada sonho

Quero minha família feliz
mais sobrinhas e sobrinhos
mais sorrisos nas tardes de domingo
quero cinema
quero drum'n'bass
quero gritar para todo mundo
que sou só amor

Dá para conseguir Papai Noel? Espero que sim. Espero que sim. Não vou esperar acordado nesta noite de natal. Sei que bons meninos dormem cedo. Vou dormir cedo. Deixarei o leite com biscoitos, como sempre. Espero que goste, no ultimo Natal o senhor nem tocou neles. O leite tava frio era? Vou deixar numa lancheira termica para ele continuar quentinho. Obrigado Papai Noel. Obrigado.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

PASSADO: Os fins de meus começos

No clima, vou contar como terminaram, como foram meus outros fins-de-namoro. Alguns foram dramáticos, outros nem tanto. Uns foram absolutamente por minha culpa, já outros me trouxeram alívios imediatos. Alguns me pegaram de surpresa, outros foram muito bem arquitetados, decididos e pensados. Bem, vamos lá...

ANDRÉ: Éramos vizinhos, éramos e ainda somos. Nosso namoro começou com aquelas brincadeiras infantis. Ele perdeu a virgindade dele comigo. Seu primeiro beijo também foi comigo. A primeira pessoa que ele disse que queria ficar fui eu. Mas ele nunca me pediu realmente em namoro. Estávamos juntos e isso que importava. Mas havia amor? Não. Amor não. Era seco. Sem sentimento algum. Quando acabou então não houveram nem lágrimas, nem dor. Só fim. Afinal não havia amor. Havia carinho, amizade e também um sexo maravilhoso. Mas amor... amor não havia. Então a monotonia sexual se instalou. O sexo ficou chato. Sem graça. O tesão acabou. Não havia mais porque fugir do colégio para encontrar com ele antes de meus pais e meus irmãos chegarem em casa. Não havia porque fugir para sentir a pele morena dele contra a minha. Paramos de nos ver. Paramos de nos sentir. Diziamos apenas bom dia na rua. E só.


PEDRO: Ele não era bonito. Nem gostoso. Foi minha grande excessão. Mas eu queria ver no que dava. Afinal beleza não põe mesa. Conheci-o na net, e depois nos reencontramos na praia. Foi a primeira vez que o vi, de sunga. O namoro quase engatou, ele sabia conquistar mas teve uma hora que ele queria que eu corresse atrás dele, ai, antes mesmo de começar, eu cansei. Chamei-o para conversar. Fomos no shopping. Ele estava apaixonado como sempre. Sentamos. Mas quando terminei o que tinha para falar, ele disse que sentia a mesma coisa. Mentira. Ele só não queria sair por baixo. Leonino, ora. Conheço os truques.


FRANCISCO: Ele me amou. E eu que dei em cima dele. Ele era muito gato. Rosto perfeito. Corpo esguiu. E ele era tão carinhoso e cuidadoso comigo, e eu traí. Admito. Mesmo assim. E ele descobriu. Querem detalhes? Bem era Carnatal, ele ía trabalhar na sexta-feira, então eu decidi que não iria para a folia. Fui para Ponta Negra com Felipe, um grande amigo (na época), para encontrar um ficante dele, Rodolfo.
Nosso plano era fugir do Carnatal. O plano de Felipe era fazer-me de vela. Mas, Rodolfo tinha outros planos: Carnatal. E me deram meio litro de vodca para beber. E depois de meio litro de água russa... bem, você me leva para qualquer lugar... mas até aí tudo bem né? Você terminaria com seu namorado por isso? Claro que não. Porém há um catalizador: Sérgio. Loiro. Bronzeado. Sarado. Só queria me comer. Paquerava comigo no ônibus. Já havia me dado seu telefone deixando um cartão no banco. E, por coincidência, daquelas que só acontecem nesta pequena metrópole, Sérgio trabalhava com Rodolfo. Ele, Sérgio, eu e Natasha (a vodca). Como terminou? Numa amnésia alcoólica do que lembro, apenas entre nuvens, eu, abraçado com Sérgio, dizendo: "Olha, aquele é meu namorado!". Resultado: uma conversa, na qual fui perdoado. Por ter saído. Por causa de Sérgio. Mas eu não queria ser perdoado. Queria que ele acabasse o namoro. Mas ele não acabou. Aí esfriei. Não queria mas encontrar com ele. Enrolava. Fugia. E aí nos afastamos de vez, e ele apenas me ligou pra dizer "feliz ano novo".


JUAN: Bem, para contar minha estória com Juan, eu preciso apresentar-lhes Alejandro. Alejandro era meu amigo, conhecido de intermináveis horas no MSN-após-UOL, por minha causa ele ficara com um menino pela primeira vez (não eu, Vinny, um outro amigo). Bem, Juan tambpme conheci via MSN, mas depois de Alejandro, numa festa eletrônica que ocorreu num shopping, em que Alejandro estava presente, nós nos conhecemos, ficamos e começamos a namorar. Ele me pediu em namoro, e eu pensei: "Porque não?". Na festa ainda, Alejandro atacou. Pegou telefone, MSN. E foi, e viu, e venceu. Ficou com Juan no outro dia. Eu descobri. Eu os peguei em flagrante. E minha surpresa foi maior do que qualquer outro sentimento que senti. Sentei ali mesmo, sob o olhar aflito de Alejandro, e perguntei o que Juan queria e ele me disse: "Você é a matriz, e ele a filial". Eu apenas ri. Ri do pobre Alejandro e entendi que namorava uma putinha da pior espécie. E já que todos os pingos nos is foram colocados, eu traí também: com melhores e maiores. Mas um dia, bêbado, Alejandro confessou que estava apaixonado pelo "meu namorado". E eu decidi pular fora deste circo. Excluí Juan do MSN. Apaguei o telefone dele do meu celular. Terminei. Sozinho mesmo. Ele não merecia nem a consideração de saber. Mas um dia ele ligou para o namorado dele.
- Alô, quem é?
- Não sabe quem é?! Você não tem o número do seu namorado no celular?!
- Eu apaguei. Não quero ficar entre você e Alejandro. Ele te ama. Fica com ele.
- Mas eu não gosto dele. Gosto de você.
E desligou. E nunca mais falou comigo de novo.


JORGE: O mais bonito de todos. Professor de uma academia perto daqui de casa. Minha grande ilusão. Eu achava, admito, que se ficasse com um homem perfeito (fisicamente) eu, sem dúvida, me apaixonaria. Ledo engano. Deus me provou isso. Ele colocou Jorge literalmente no meu caminho, afinal nós nos conhecemos na rua, apenas para me mostra o quanto eu estava errado. Nunca me apaixonei por ele. Eu o achava vazio com seus assuntos sobre televisão e revistas de moda e cabelos, ele era esteta, ruim de cama e me dava pouca atenção. Nunca saíamos juntos porque o trabalho dele era mais importante, porque o corpo dele era mais importante ou porque a praia com o irmão dele era mais importante. Ah, cansei! E um dia, ele reclamou que eu vivia na casa de Ramon, pelo telefone, e eu aproveitei a deixa, atravessando a faixa de pedestres, me fiz de ofendido e terminei tudo. Finito.



THIAGO: Tudo começou com a gente ficando. Ficando. Ficando. Ficando. Só que eu ficava com outras pessoas e ele não. Ele me dizia que estava brincando com fogo, mas queria correr o risco. E eu achei a coragem dele tão bonita, que resolvi também me arriscar. Decidi começar a namorar com ele. Mas eu ainda não o amava, gostava muito de ficar com ele, mas não amava. Contudo, como era muito bom tê-lo ao meu lado, aos poucos, comecei a gostar mais e mais de Thiago, mas quando eu estava quase lá, quase amando-o de verdade, ele terminou tudo. Alegou que éramos mais amigos que namorados por causa da nossa intimidade, carinho, sinceridade e respeito. E aí acabou. Não entendeu? É, ninguém também nunca entendeu Thxi.

domingo, 17 de dezembro de 2006

PRESENTE: Diário de viagem: do paraíso ao inferno


Viajei. Como vocês sabem. E vou contar agora pra vocês tudo o que aconteceu. Acordei na sexta feira, animadíssimo. Eu ía rever meu bb. Nós moramos em cidades diferentes. Em estados diferentes. Eu em Natal, Rio Grande do Norte, e ele em Souza, na Paraíba, onde ele faz faculdade. Neste fim de semana marcamos de nos reencontrar em Caicó, a cidade natal dele. Aproveitar. Ficar juntos. Nos amar muito.
Saí de casa às 9h da manhã e cheguei lá à tarde. Ele estava me esperando na rodoviária. Acompanhado de dois amigos dele, depois fomos para a pousada que ele havia reservado para mim, e lá, desde duas semanas atrás, senti os suaves lábios dele, a delicadeza com que ele me abraça e o carinho das palavras dele no meu ouvido. Sinceramente, quando eu o vi, meu coração se acelerou, e quando ele me abraçou, eu não queria mais sair dos braços dele.
Saímos a noite. Conheci os lugares que ele gosta de frequentar na cidade. Conheci melhor os amigos dele. Conheci o ex-namorado dele. O meu grande inimigo, um grande fantasma que ronda nossa relação, apesar dele afirmar que ele não tem mais nenhuma influência sobre ele, mas eu sinto, que sempre estou sendo comparado a Jonatan. Não dormimos juntos neste dia. Ele não se sente bem. Fica preocupado com o que vão falar sobre ele. Uma cidade conservadora. Uma cidade de gays conservadores. Ele é muito conservador.
Contudo no outro dia, é ele quem me acorda. A melhor coisa do mundo: a primeira coisa que eu vi ser o sorriso lindo do meu bb. Mas também notei uma carinha séria, que imaginei que era alguma preocupação em relação a faculdade dele (sei que ele está com dúvidas sobre se quer continuar no curso de Direito que ele faz). Aí passamos a manhã do sábado sozinhos, trancados no quarto, vendo a MTV, e namorando. Beijos. Abraços. E por fim, ele me abraça por trás. Ele nunca havia feito isso, ficar deitado comigo e abraçado. Foi bom. Senti-me protegido. Senti-me amado.
Neste instante, eu senti algo endurecendo atrás de mim. Notei o tesão dele crescendo, e então virei meu rosto e o beijei com paixão. Senti o calor subir, e comecei a fazer movimentos mais cadenciados com meus quadris. Comecei a me esfregar nele. E ele começou a demonstrar o desejo que estava sentindo por mim. Sua mão passeava por meu corpo e parou no elástico do calção do meu pijama pedindo permissão. E eu dei. Encaminhei a mão dele para dentro do meu calção. E ele achou o caminho da minha bunda. Tocou-a. Acariciou-a. E eu me assustei.
Assustei-me quando vi ele tirando meu calção e arrancando o cinto dele numa velocidade inimaginável. Acho que se o ziper e o botão não tivessem colaborado, aquela bermuda não existiria mais.
Ele tentou me penetrar. Falou-me depois que ele perdeu totalmente o controle. Tentou. Forçou. Mas a inexperiência dele, somada ao tamanho do instrumento e das caracteristicas da minha bunda (aqui, só entre a gente, eu sou muito apertado) atrapalharam. Era necessária algum tipo de lubrificação. Eu tinha KY na bolsa. Quando levantei e fui buscar. Ele disse que era melhor parar por ali. Esperar mais um pouco. Que não era hora ainda. Apesar do meu desejo, de ser possuído por ele, o que para mim iria com certeza parecer que havia sido minha primeira vez, afinal só uma vez eu desejei tanto alguém na minha vida, como bom e compreensivo namorado que sou, eu disse que tudo bem. "Vamos esperar você estar pronto".
Ainda brincamos mais nos outros dias, avançamos alguns passos. Vamos passo a passo. Aproveitei ainda mais Caicó sabendo que nosso namoro estava evoluindo, crescendo, amadurecendo. Então, na segunda feira, quando eu ía para casa, fui esperando um belo futuro para mim e para o meu bb. Comecei a planejar, sonhar com nosso futuro juntos. Sonhar com tudo que poderíamos passar juntos.
Mas ele estava estranho quando foi me deixar na rodoviária. Desta vez não consegui não notar. E isso ficou martelando na minha cabeça quando pela primeira vez, desde que nos conhecemos, passamos um dia todo sem nos falar. Dois dias. No terceiro ele me ligou. Disse que tinha um assunto sério, e falou que percebeu que não gosta mais de mim como antes. Percebeu que não me ama mais, percebeu que agora o carinho que ele sente por mim é de um amigo. Ele me contou que percebeu isso desde a primeira vez que nos revemos. E aí terminamos. E eu que estava no paraíso, cercado pelas harpas celestiais, fui lançado no mais tenebroso dos ínferos. Estou coberto de cinzas, lama e lágrimas. Sem forças para me erguer. Terminou. Mesmo eu estando amando. Amando Herberth mais do que tudo nesta vida.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

PASSADO: Eu sou tão alguém que isso não importa

Tem uma música do Pato Fu que diz o seguinte:

Pouco adiantou acender cigarro

Falar palavrão

Perder a razão

Eu quis ser eu mesmo

Eu quis ser alguém

Mas sou como os outros

Que não são ninguém

Acho que eu fico mesmo diferente

Quando falo o que penso realmente

Mostro a todo mundo

Que eu não sei quem sou

E uso as palavras de um perdedor.


Essa música representa tudo o que sou. Tudo o que quero ser.
Eu sempre quis ser alguém, me destacar da multidão. Eu esperneei, gritei, achando que chamando essa atenção eu seria alguém, mas como nada aconteceu, e segui o caminho contrário fugi, me escondi, mas também não adiantou. Tudo pra ser algo, alguém. Isso soa muito americano? Muito individualista? Nada! Crises típicas da adolescência.
Eu queria me achar dentro do mundo que me cercava. Queria saber onde começava o mundo e onde começava eu. Minha mente foi o primeiro lugar que eu procurei a mim mesmo. Meus diários (é eu escrevia diários) foram o lugar em que aos poucos eu descobri que o mundo estava lá do lado de fora, e aqui dentro quem estava era eu. Eu. Sozinho. Foi meio desesperador descobrir que eu estava só do lado de cá, desesperado eu quis abrir as janelas e deixar o sol entrar. Queria que alguém entrasse aqui dentro e ficasse comigo. Mabel? Mabel? Mesmo que eu me tornasse ela.
Quando eu me vi aqui, eu soube que os outros eram o mundo. Foi ai que eu quis estar com os outros. Queria tê-los ao meu lado, e durante muito tempo eu achei que as pessoas deveriam ficar aqui dentro comigo. E quando elas ameaçavam entrar, muitas vezes, cometi o maior erro de minha vida: eu as aprisionava. Desesperadas, as pessoas quebravam as paredes que as detinham. Abriam feridas. Destruíam a mesma muralha que me protegia do mundo de fora. Tudo disso tentando fugir. Eu só queria não estar só.
Mas depois eu adotei uma outra tática. Eu demoli as paredes, construí enormes janelas e paredes de vidro. Eu sei, frágeis demais, um risco! Mas eu podia observar as pessoas daqui de dentro e elas ficariam lá fora, livres para ir e vir. Só que as paredes de vidro sempre foram transparentes, apenas em alguns lugares bem mais reservados, há algo fumê, mas de qualquer forma, tudo pode ser visto e observado. Estão vendo porque este blog fala tanto de mim? Viram de onde vem minha sinceridade que tanto incomoda?
Sei que alguns dos meus leitores mais assíduos vão contestar que minha sinceridade incomoda. Vão gritar e espernear. Mas incomoda. Eu sei. Poucas pessoas sabem conviver com alguém que fala o que pensa, que não esconde que não sabe quem é, e que usa as palavras de um perdedor. Minha tática de demolir as paredes não funcionou, a luz entrou e muitos aspectos de mim mesmo foram iluminados, contudo eu não fiz isso por mim, eu fiz pelos outros.
Acho que vou reconstruir a antiga muralha. Mas dessa vez ela vai ter um pé direito alto e janelas estrategicamente posicionadas. Uma clarabóia também, quero que o sol entre, ainda há lugares muito sombrios em mim. Mas desta vez vai haver uma porta sempre aberta. Quem quiser entrar vai ficar a vontade, e aqueles que se forem não haverá porta para ser trancada. Não quero mais ser alguém… isso eu já sei que sou. Agora quero estar com alguém.



AH, APROVEITE TAMBÉM E CONHEÇAM PSEUDEA, MEU BLOG DE FICÇÃO.

WWW . PSEUDEA . BLOGSPOT . COM

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

PRESENTE: O mal de Fausto

Sou obrigado a concordar com Fausto, eu também não queria sofrer, ou melhor, sejamos diretos: eu queria amar sem sentir dor. Mas Goethe explicou muito bem quando molhou sua pena no sangue de Desdêmona qual o mau disso: Tédio.
Sofremos muito para viver. Muito. Contudo é na esperança do sofrimento não acontecer que nos arriscamos, e arriscar é a graça da vida. Dormir, acordar e dormir é muito simples. Não dói e garante uma vida sem dor por toda a vida. Mas te afasta do desejo. Da apreensão de não conseguir, coroada pelo sorriso da vitória, ou mesmo a lágrima da derrota.
Afinal nosso coração é um músculo. E músculos precisam ser exercitados. Dores ou alegrias (por mais inconsequentes que estas sejam) dão sabor a vida. Morro de medo da dor. Morro! Mas não consigo deixar de me arriscar. De vez em quando abro meu peito e espero o dardo. Às vezes sou atingido. Às vezes, surpreendentemente, não. O meu atual namoro, por exemplo, é um risco constante. Todos os namoros são. Afinal estamos lidando com outros, outras pessoas, que por mais que gostem da gente, não podem evitar de nos magoar. Mas, durante muito tempo vivi numa bolha de plástico que me afastava das lágrimas e os sorrisos, agora a bolha estourou e dores me invadiram, mas alegrias vieram juntos. Quem sabe agora, com a experiência, eu sabia me proteger de um e de outro.
Mas se eu soubesse um jeito de não sentir dor... bem que eu queria... adoraria.

AH, APROVEITE TAMBÉM E CONHEÇAM PSEUDEA, MEU BLOG DE FICÇÃO.

WWW . PSEUDEA . BLOGSPOT . COM

segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

Exercitando o exibicionismo IV: Tentando alcançar o Trintinha


Eu tentei. Juro. Mas o Trintinha sempre passa minha frente. Não adianta.
Todas as vezes que eu posto uma foto, ele se adianta duas na minha frente. Eu sei. Estou devendo a final. Mas vamos ver primeiro a reação que essas fotos vão causar.

sábado, 2 de dezembro de 2006

PASSADO: Pré-elegia do filho da Fome

Ontem no Carnatal (o carnaval fora de época daqui de Natal, quando terminar eu faço uma crônica das folias de momo no Natal) reencontrei Victor, um ex-amor. Nunca namoramos, mas ficamos e logo eu me vi apaixonado. Contudo, segundo ele, ele estava saindo de um relacionamento e não queria ficar comigo. Mentira. Ele não gostou foi de mim. Logo, descobri, estava namorando outro. Chorei tanto. Mas agora é passado. Vejam o texto que eu escrevi pra ele, antes de saber do namorado dele. Ele nunca leu este texto, será que teria feito diferença?

É bom estar apaixonado. E não é por beijos, sexo e essas coisas carnais. É pelo espírito. Achei que morreria imune ao amor, mas não aconteceu. Fui atingindo! Tanto pedi que o malvado Cupido me acertou. Mas claro que não seria algo fácil... não, não é. É um amor platônico.
Sabe o que quer dizer a expressão "amor platônico". É um amor que não existe no plano real, apenas no mundo das idéias, onde é perfeito. Pensando bem, então, meu amor não é platônico. Ele só não é correspondido. Existe sim, quando deito à noite e fecho os olhos, abraçando o travesseiro, eu sei a quem quero desejar boa noite, que é a primeira pessoa que penso quando acordo e a quem meus pensamentos fogem quando estão livres durante o dia. Esse amor, meu primeiro, existe sim.
Tá aqui, guardadinho, e é só meu. Não me importa que eu não tenho a menor chance. Ninguém tem o direito de me impedir de sentir o que estou sentindo. Meu coração tem o direito de rejubilar-se com esse sentimento. A única coisa triste é que o Amor, como disse Platão, é filho da Fome. Ele precisa ser alimentado senão morre. Por isso estou comemorando o maior amor da minha vida com esse texto, porque a qualquer instante ele pode acabar.


AH, APROVEITE TAMBÉM E CONHEÇAM PSEUDEA, MEU BLOG DE FICÇÃO.

WWW . PSEUDEA . BLOGSPOT . COM