Google+ Estórias Do Mundo: Março 2007

sexta-feira, 30 de março de 2007

PRESENTE: Um: Este é só o ínicio

(Ocean disse que leoninos ficam bem de laranja. Vou de laranja então. Uma cueca vermelha cai bem né? Cores quentes para um leonino. Espero que dê sorte. Preciso de sorte hoje. Preciso de sorte na minha vida. Essa bermuda azul também, pulseira laranja, havaiana laranja. O Trintinha ia dizer que tô combinando demais. Hora de sair). São seis horas. A tarde se deita. Jú me acordou marcando isso. Acordei com os gritos graves de Aguilera e depois ouvi a voz macia dele perguntando se poderíamos nos ver hoje. Marcamos no fim da tarde, e quando ele desligou o celular um sorriso insistiu em me escapar dos lábios. (Não! Não posso ter esperanças, isso não funciona comigo! Será só mais uma tentativa infrutífera). Eu fui. Com fones no ouvido, tarde demais para óculos no rosto, mas com bastante pomada nos cabelos, mantendo-os eriçados.
Cheguei cedo, antes dele. O celular grita com Aguilera e ouço ele dizer que vai se atrasar. Aproveito o tempo. Pago contas, olho vitrines e escolho roupas novas para mim. Quando o celular grita novamente, tenho as mãos cobertas por calças e camisetas no meio da loja. Me atrapalho. Desligo o telefone. (Ai, ele tem que me ligar de novo. Não tenho crédito, não posso retornar. Mas ele me ligou daqui do shopping sim. Ele já chegou). O telefone grita. "Onde você está?". Respondo, controlando-me. "Venha aqui para frente então?". Concordo. Adianto-me. Vou por fora. Apresso o passo. Encontro um amigo da faculdade, o cumprimento. A distância está ele, ele sorri. (Meu Deus! Que sorriso lindo!!). Ele está usando uma camiseta negra, que combina com sua pele morena, uma calça jeans ajustada e segura uma pasta. (Ele disse que não íria a aula hoje para me encontrar). Ele se aproxima e fala: "Vamos para onde?". Eu sem jeito admiro-o. Os olhos negros como ônix premiam um rosto jovem e bonito. (Bem que eu pedi uma surpresa quando vinha para cá, mas não esperava isso tudo). Músculos magros cobrem um corpo esguio. "Eu tava comprando umas coisas na C&A, vamos lá comigo?". Ele topa. Andando, pergunto como ele me encontrou no Orkut, eu planejara perguntar isto assim que o visse, e ele conta de um amigo em comum. Mas eu insisto, isso é pouco. "Vi uma foto interessante, e resolvi te adicionar". Ele agradece por eu ter aceito. (Eu que agradeço a Deus por você ter me adicionado). Entramos na loja, escolhemos, rimos, conversamos. Ele sorri para mim o mais belo dos sorrisos. Um sorriso que deixava envergonhadas as insistentes luzes florescentes da loja. Seus olhos procuram os meus em cada uma das palavras. "Eu perdi aula, mas está valendo a pena". Neste instante, não vi mais ninguém naquela loja. Os olhos dele me aprisionavam. "Se você quiser eu faço mais coisa para valer ainda mais a pena". Ele ri. Morde os lábios. Olha para os lados para certificar-se que ninguém ouvira. E me encara. Eu sorrio. Sinto-me as faces rubras. Ele ri mais ainda. "Há muito tempo que não vejo ninguém ficar vermelho?". Outro sorriso. "Senhor, aqui estão suas compras!".
Saímos da loja. "Para onde?". Proponho dois lugares. Ele não quer ir para nenhum deles. "Vamos comer?". Eu topo. Procuramos um lugar. Ele aceita minhas sugestões. Sentamos. Piadas dele. Perguntas minhas. Tentamos nos conhecer melhor. Estórias contadas, passado revelado. Ex-namorados. Antigas experiências. Telefones tocando. "Quer ir para um churrasco comigo no domingo?". Ele fica de pensar. (Será que peguei pesado? Não é hora de falar logo em segundo encontro, nem rolou beijo ainda, ele vai pensar o que de mim?). "Você está solteiro né?". Confirmo limpando meus lábios com o guardanapo e molhando meus lábios com o refrigerante gelado. "Que bom!". Um sorriso de interrogação se impõe no meu rosto e ele complementa sorrindo aquele sorriso iluminador que ele tem. "Que bom para mim!". Peço a conta. Preparo-me para pagar, ele não deixa. Paga.
A luz amarela do mercúrio fibrila. Nós nos levantamos. Proponho que nós sigamos para a praça cívica ou para a praça do CEI, ele concorda. Descemos algumas ladeiras tortuosas banhados pela lua. Continuamos a conversar e rir. Quando paramos sobre o mercúrio. "Queria estar sozinho com você". Eu sorrio. E ele continua: "Você tem cara de safado!". Surpreso, nego. Ele não acredita. "Sou um anjo. Agora se você pedir que eu seja safado, aí eu serei. Na hora e no momento que você quiser. Eu sou um anjinho obediente". Ele ouve calado. Mordendo o lábio e olhando para os meus. E com as mãos, esconde um visível excitação. "Queria mas não posso. Muita gente aqui". Rindo, um riso infantil, aponto uma rua deserta, banhada em trevas. Ele ri também. Vamos juntos e sorrindo como quem luta contra trevas, ele se aproxima de mim. E me beija. Só beija. Não usa as mãos. Não me acaricia. Só beija. Os seus lábios são macios e delicados. Umidos. Frios. Lembram seda. Deslizam para dentro dos meus. Escorrem, escapam e num instante brilham. Brilham porque ele sorri. Depois me beija de novo. Não quero larga-lo ali. Eu seguro sua mão, ele me beija. Ilumina-se. Eu toco seu pescoço, seu peito. Ele me beija. Escorre para dentro de mim. Amacia-me. E ilumina-se. "Daqui a pouco tenho que ir". Eu concordo que temos que subir. (Será que ele gostou de mim?). "Este é só o início".

sexta-feira, 23 de março de 2007

PASSADO: Meu Ostracismo

Deixem-me cantar, como Homero cantou suas canções, o modo que aos 12 anos eu fui expulso da cidade e me tornei um pária. Meu nome foi escrito em cacos de cerâmica e exposto na ágora. Todos votaram. Fui expulso e fiquei durante muito tempo acreditando que meu lugar não era entre os bons cidadãos de Atenas. Acontecera assim: meu pai tornou-se mal visto na cidade, acusado de tentar tornar-se um tirano. Ele tornou-se o vilão, afinal que homem ergue sua mão contra a virginal Palas Athena. Todos então, os meus colegas de ginásio, todos aqueles que participaram de minhas brincadeiras infantis foram proíbidos por seus pais a dirigirem-me a palavra. Tornei-me um meteco. Sem abandonar nossa vila. E aprendi a falar outra língua. Persa.
Quatro anos eu fiquei isolado. Vivendo em outra realidade. Um estrangeiro vivendo numa terra que não lhe pertencia. Não tinha família comigo. Não tinha amigos. Eu me fechara. Nesta época eu percebi meus desejos pelas mulheres. Lembro como se fosse hoje a primeira vez que uma menina me ferveu a alma. Eu pensava: "Mas eu não gosto de meninos?". É, estes meus desejos já eram uma realidade, e eu me acostumara com o caminho que iria trilhar. Sabia que seria um pária. Entretanto Cíntia aconteceu. Bagunçando o suave equilíbrio de minha mente. Depois de Cíntia, outras meninas começara a me "incomodar". A palavra é esta. Porque eu estava acostumado com tudo. Acostumado com Atenas. Em Atenas eu sabia o caminho que estava reservado a mim. Eu sabia que viveria no bairro dos ceramistas. Eu sabia os submundos antigos que teria que enfrentar. Mas agora eu vivia na Pérsia. Os jardins me elevaram. Eu estava ao sol. Mas só.
Vivia abandonado. Sem amigos. Eu não queria ter amigos, não queria me ligar as pessoas, nem a meus pais, nem a meus irmãos, nem a mais ninguém, abrir-me, contar as dúvidas que me corroíam, para quê? Estas pessoas, com certeza estas pessoas logo partiriam ou partiam logo por que eu não ligava a elas? Não sei. Só sei que na Pérsia eu queria morrer. Desejei. Chorei. Sobre meu único travesseiro. Queria lançar-me por cima de Persépolis e cai ferido por um dos dardos do exército de Ciro. Eram tantos dardos. Heródoto dizia que cobriam o sol. E porque nenhum nunca me feriu tão gravemente? Sobrevivi a Pérsia. E aprendi a ser persa e grego.
Quatro anos depois, persa e grego, eu voltei a Atenas. Fiz as pazes comigo e com alguns bons de Atenas. A maioria negou-se a receber-me em seus salões. Eles não queriam um meio persa, meio grego ali entre eles, eles preferiam alguem que fosse apenas um. Porém, os cidadãos de Atenas não podem se recusar a aceitar você na ágora, se você se tornar importante em Atenas. Eu fiz isso. Filosofia. Academia. Drácmas. E agora os bons de Atenas, em público, me suportam. Mas trancados, mais fundo que seus gineceus, eles me odeiam. E querem minha alma rasgada por abutres no Tártaro.

terça-feira, 20 de março de 2007

PRESENTE: Um conto de fadas

Esta é a estória de Hudson e Rosie, e da mãe deles. É tudo real viu? Ou quase tudo. A estória não aconteceu assim, mas bem que poderia.


Era uma vez, um principe e uma princesa. O principe era filho de um rei estranho que não gostava de mulheres no seu reino. Seu reino era apenas para homens. Seu reino, em meio a uma floresta de árvores antigas que já tinham visto de tudo, tinha apenas animais e homens. Mas um dia, o rei percebeu que precisava de um herdeiro para seu reino. Ele tentou de todas as maneiras que os mitos contavam que era possível, mas não conseguiu isso no seu reino. Ele então aconselhou-se com um leão que um dia encontrou na floresta e este disse-lhe: "Para que tenhas um filho, ó grande rei, encontra o mar". Ou seja, para que o rei tivesse um principe seu, ele deveria sair de seu reino no meio da floresta e ir para perto do mar. Nas areias douradas que cerceiam o mar, o rei conheceu uma sereia, e esta sereia deu-lhe um principe. Um menino de cabelos cor de areia. Alguém que podia herdar-lhe o reino apenas de homens.
A princesa, de olhos de tumarlina e cabelos negros como a noite, era filha de uma rainha. Uma rainha que tinha muitas irmãs, e um irmão, o rei do reino dos homens. Casada com um duque. Ela vivia perto do mar, e o rei decidiu que era mais seguro, para o seu menino, que ele fosse criado por ela. Ali perto do mar. Mesmo que sua mãe já tivesse voltado para as profundezas de onde surgira trazendo-lhe um colar de lápis-lazuli que o rei deixou com o menino. O rei achava que seu reino de homens seria muito perigoso para um criança pequena. A rainha concordou e criou o pequeno principe como se fosse um filho seu, como criava a sua pequena princesa.
Mas como o rei, o pequeno principe descobriu que também não gostava de mulheres. Seu reino, assim que tivesse idade para portar a coroa, também seria apenas de homens. A princesa, percebendo isso, disse que isto era um insjustiça. Se o principe proibiria a entrada de mulheres no seu reino, a princesa proibiria a entrada de homens no seu. Haveria então agora um reino de homens e um reino de mulheres. Um castelo de lápiz-lazuli e um de tumarlina.
O rei ficou orgulhoso de seu principe querer assumir seu reino. Mas a rainha não sentiu o mesmo pela sua princesa. Afinal o que ela faria com todos os súditos homens do reino de sua mãe? Mas a rainha não a largou. Não a abandonou. E sim a acolheu. Quando a pequena princesa trouxe outra princesa para o castelo, ela acolheu-as. Quando a princesa decidiu que também queria um herdeiro, ela apoiou-a e um pequeno principe nasceu. E quando a princesa trouxe sua consorte para a alcova, a rainha-mãe também amou-a.
A rainha-mãe, agora viúva, sob seu castelo guardava então um futuro rei de um reino de homens e abrigava a futura rainha de um reino de mulheres. Os súditos destes reinos começaram a frequentar sua casa. Príncipes de reinos distantes que cortejavam o herdeiro do reino na floresta. Reis que ameaçavam o reino do príncipe porque o reino de homens ameaçava o seu. A corte que seus herdeiros formavam em torno de si. As damas-de-companhia da princesa e de sua consorte real. Valetes, vassalos e cavaleiros que juravam lealdade ao príncipe e deixavam seu ósculo.
A rainha-mãe aceitava tudo. Fez toda a família real entender e respeitar o que os príncipes planejavam para os seus reinos. Fez com que mesmo os deuses reconhecessem que os principes estavam certos. A rainha queria vê-los feliz, porque amava-os.


P.S.: Vejam este link: http://hosting.pop.com.br/glx/glx.php?artid=3090

Me identifiquei com este ai:
A QUE É, MAS NÃO SABE QUE É - TIPO 1 – a bil é simpática e tem um corpo razoável, possui certo charme e inteligência e usa umas roupinhas do bem (ou seja, é ‘quase bonita’). Quer namorar sério e sonha em ser um membro de um CASAL 20. Mas acha que é feia e que ninguém gosta dela. Nunca toma a iniciativa, e fica com praticamente qualquer um que vá falar com ela.
Com qual vocês se identificarão?

sábado, 17 de março de 2007

quarta-feira, 14 de março de 2007

PASSADO: Será que não conheço a poesia de Cervantes?

Este texto foi escrito no dia 14 de outubro de 2004 e fala sobre minha bissexualidade, que ultimamente tem aparecido muito nos meus posts. E diante de algumas criticas quero abrir um parêntese e explicar-me. Segundo um amigo, PJ, eu sou 2/3. 2/3 homo, 1/3 hetero. Tradução? Em outras palavras, entre um homem e uma mulher eu prefiro um homem, mas isso, sinceramente, não quer dizer que eu não me encante com mulheres. Mas, quando ocorre, ocorre de uma forma diferente. Com homens, o que me atraí é algo físico e animal, com mulheres não. Às mulheres, reservo a poesia. Amo-os com o corpo, e elas, com a alma. Leiam. Espero que gostem.


Ainda não sei dizer se conheço a poesia de Cervantes, às vezes eu acho que sim, às vezes fico excitado ao me deparar com as flores espanholas, às vezes acho que a delicadeza dos braços, que o movimento das melenas, que os dois brilhantes que conduzem o destino delas são simplesmente perfeitos. Mas ao mesmo tempo eu acho que nunca lutaria por Helena. Será que habita em mim algum espartano Menelau? Talvez o que me falte seja o amor, o que falta é minha Psiquê, alguém que desvende o véu da minha alma. Mas com certeza o que me falta é experiência!
Preciso de uma flor distante a alcançar. Preciso de minha flor, para lutar, desbravar mares, ferir florestas virgens, romper hímens, tudo para alcançá-la. Quero aquele objetivo impensável que ninguém tentara antes, tudo para conseguir o beijo daquela formosa donzela. Quero os sonhos irrealizáveis cujo prêmio é o afável mel que escorre pelos lábios de Iracema.
Mas às vezes me sinto tão distantes destas jóias femininas. Me sinto indigno de toca-las, e até mesmo de observa-las. Meus olhos fogem das meninas. Tenho medo de tocar suas peles de marfim e lábios de açucena. Tenho medo de vê-las estendidas e desfalecidas tal qual Moema. Tenho medo de vê-las ativas como Catarina ou Medeia, virar-se para mim e tratar-me como Hipólito tratou Fedra.

domingo, 11 de março de 2007

PRESENTE: Meu pai e a balada

- Foxx, eu queria falar uma coisa com você. Mas acho que é pura perda de tempo.
- Fale ora.
- É que eu acho que você sair agora é só perda de tempo e dinheiro.
- ...
- É, ou você acha que estes amigos que você vai encontrar te servirão para algo nesta vida? Você está disperdiçando sua vida. Ouça minha experiencia: quando você está bem, os amigos estão ao seu lado. Eu já fui assim, cheio de amigos. Mas quando fiquei mal, até minha irmã quis roubar esta casa que foi a única coisa que me restou. Ela tramava escondido de mim. Espero que você pense sobre isso.
- ... mas posso pensar e no fim não concordar com você?
- Sabia que era perda de tempo falar com você!

Será que meu pai tem razão? Saí apenas para gastar? Vejamos. Primeiros os gastos. Depois, o que ganhei.


BICHA LINDA, BICHA LUXO


Boné Triton R$ 64,70

Camiseta Clock House R$ 19,90

Calça Ângelo Lítrico R$ 59,90

Sapatênis Jingles R$ 49,90

Cueca Fórum R$ 21,00

Meias Clock House R$ 9,90

Cinto Clock House 9,90

Pulseira de contas (2) R$ 3,00

Isqueiro R$ 1,00

Chaveiro gancho Centauro R$ 15,90

Carteira Stalker R$ 45,50


DJ, A BICHA TÁ PRONTA


Passagem de ônibus (casa - Natal Shopping) R$ 0,80
(Avesso - Natal Shoppinh) R$ 1,50
(Natal Shopping - casa) 0,80

Carlton Crema R$ 3,00

Carona no carro de Mané (Natal Shopping - Avesso) R$ 0,00

Lata de cerveja Sol R$ 0,00

Entrada R$ 12,00

Caipirosca com Smirnoff (6) R$ 18,00

Coca-cola (lata) R$ 2,00

Café da manhã R$ 2,25

SE JOGA

Trintinha ajudando na minha produção

Barriga de Paulo (o barman, logo abaixo)

Frozen na voz de Izaque Galvão

Ain't no other man e Dejá vù estourando nas caixas de som

Eu e FD dançando Buttons e eu finjindo arrancar os dele

Luz estroboscópica

Dançar até ficar com a camisa encharcada de suor

Esnobar o menino que falou comigo pelo MSN por 5 minutos e me deu um fora

Fechar com a cara de uma drag ("Ei, esse é copo é meu! Deixe de ser baixa e devolva!!")

Ignorar as cantadas de André ("Sua bunda é muito linda! Desculpa, é que eu estou meio bêbado. Você poderia ficar bêbado comigo, não?" E eu pensando: "Ficar com você, só muito bêbado mesmo!")

O go-go boy (Kill Bill) dançar apenas para você e seus amigos tirando onda depois

Subir no palco, dançar e sair de lá aplaudido

Andarilho, FD, Mané, Erick

Terminar a noite nos lábios da go-go girl (Polly)

NÃO TEM PREÇO!


sábado, 10 de março de 2007

PASSADO: Epitáfio Perfeito

Texto escrito em 21 de dezembro de 2004. Texto pequenininho para compensar a última postagem.


Eu amei todos os amores que me foram possíveis:
aqueles felizes, e os infelizes,
os tranqüilos, os conturbados,
aqueles mais frágeis e os que pareciam eternos.
Amei os amores possíveis e os impossíveis,
os nascidos do nada e os da amizade.
Amei alguns sonhos e desencantos,
dádivas e castigos,
belezas e personalidades.

terça-feira, 6 de março de 2007

PRESENTE: Uma ex-noite

Saí do táxi e um vento quente abraçou-me as pernas que eu trazia descobertas. Usava um bermuda e um tênis conga azul que somados ao boné que escondia meus cabelos davam-me um ar infantil. Todavia o que eu não poderia nunca prever é que aquela noite não teria nada de infantil. O calor e a música apenas aumentavam conforme aproximavam-nos, eu e Peter Pan, da Torre. Também foram o calor e a música que afastaram a gripe que me perseguia, enquanto subíamos as escadas que levavam ao último andar do prédio no qual ficava a boate. Eu já não espirrava mais. Peter sorria ao meu lado. Estava animado e por isso ria e falava alto descompassadamente, entre cigarros.
Pisando no primeiro piso da boate, fui invadido pela voz de Mônica Vange que gritava as vogais de uma canção qualquer. Passando pelo espaço que sobrava naquela sala apertada, tocando corpos que às vezes evitavam minha mão, às vezes não se importavam com o contato, atravessei todos os ambientes até chegar a sala que vibrava graças ao tribal e o pop que Nazareth rasgava na pick up. Procurava Michel. Encontrei-o. Outros amigos também. E ao som da pick up, jogamo-nos na pista. Meus pés doíam. "Devia ter vindo com tênis mais confortáveis". Mas eu vibrava com a música que entrava em meus poros e fazia a semana cansativa que tive sair de dentro de mim. Eu girava. E girando foi que vi e depois comentei com Peter: "Menino, quantos ex meus estão aqui hoje!" Ele quis saber quem e discretamente apontei. Thiago, "uau! libera pra mim?", Alessandro, "por que é ex?", Toni, "hummm", Anderson, "ai, meu deus!!". Ex-ficantes. Jorge, "#$%&@". Ex-namorado. Ri da situação, porém não achava que aquilo seria muito mais do que uma curiosidade, lêdo engano!!
A música continuava. Continuava a entrar-me pelo corpo. Até que senti coxas macias e fortes pressionando as minhas. Olhei para baixo e vi lindas coxas douradas aprisionadas num short jeans e coroadas por um piercing que argenteamente refletia o laser que inundava o ar impregnado de fumaça e gelo seco que aquela sala exalava. Levantei um sorriso. E uma loira mulher sorriu-me em resposta. Dançamos. Ao som das batidas, nossos quadris moviam-se ritmadamente. No meio do salão. As mãos delas mantinham meu corpo quente. As minhas afastavam dela minha cerveja e o cigarro. Tomei um gole. Ela me puxou contra o corpo dela. Descíamos. As pessoas se afastaram. Puxei minha bermuda que prendia meus movimentos. Todos nos observavam. Ela lançava o corpo dela sobre o meu e sinuosamente movíamos unidos. Meus ex me observavam, mas eu apenas olhava para ela. Seus olhos diziam: "Beije-me" e obedientemente correspondi.
Foi um beijo lento que contrastava com a música que estourava nossos tímpanos. Sem toca-la, beijei-a. Lento, com calma, dando a ela todo controle da situação. Ela então me puxou para perto de um pequeno palco, onde fez recostar-me. Deixei a cerveja ali, não sem antes levá-la aos meus lábios. O cigarro que agora era mais cinza do que laranja também tocou-me, e a nuvem plumbea lancei entre os lábios dela, que respirou-a e soprou, enchendo com mais nuvens o céu daquela negra sala. Joguei o cigarro no chão. E ela beijou-me com avidez. Dada a sua agressividade, senti que podia agir e permiti que minha mão percorresse aquele corpo delicado e macio. Suavemente. Lábios. Dedos. Até que ela sorriu e se foi.
Tonto. Tentei sair da sala. A música explodia. Queria algo mais calmo. Peter então me puxou. Carregou-me e fui como quem segue a voz de uma sereia. Quando saí daquela explosão sensorial, cruzei com Jorge que dançava o pagode que ele tanto gosta. Desvencilhei-me de Peter, "te encontro já" e fiquei lá, observando-o se exibir. Quando ele notou, puxou a camisa e mostrou no meio daquelas pessoas o corpo talhado por formão durante anos de musculação. A pele morena brilhava junto com a corrente de prata que pendia de seu pescoço. Os olhos verdes dele procuravam os meus que, desta vez, não fugiram. Ele se aproximou. E, aproveitando-se do som alto daquele lugar, ele fez uma coisa que é especialista em fazer. Puxou-me pela cintura, e me encaixou pequeno no corpo musculoso dele, encostou o rosto dele perto da minha orelha e nada longe de minha boca e soltou: "Você é a única pessoa que me faz implorar um beijo, sabia?". Sorri. Ele também. E beijei. Ele também. Um meio beijo. Daqueles que você só beija metade da boca. Rápido. Discreto. E o deixei lá, com cara que quem queria mais.
Virei-me. Tinha que procurar Peter. Mas Alessandro vira tudo. Thiago também. Olhavam-me chocados. Olhavam-me ciumentos. Eu ri. Saí. Encontrei Peter, mas sentia os olhares deles seguindo-me para onde eu estava. "Quem mandou te darem fora?", disse Peter. Eu ri e Anderson se aproximou. Ele ria, sentiu-o meio bêbado. "Tô não, juro!". Ri. Ele também. Conversamos. Mas ele olhava para minha boca com desejo. Eu sorria. Lembrava do que ele me dizia no passado: "Teu sorriso parece com o de Dado Dolabella". Eu ficava lembrando. Ele me puxou. Carimbo no braço. Degraus e degraus. Ele me olhava safado. Empurrou-me na parede. Beijava-me devagar. Suave. Queria controlar-me. Mas não deixei. Segurei-lhe os cabelos. Puxei-o. Ele olhou-me tentando entender. Mordi-lhe a orelha, ele se rendeu. Gemeu. Seus braços caíram, rendidos, e aquele homem se tornou meu. Dentes e unhas se cravaram naquele corpo áspero. Segurando-o, não permitia que ele escapasse. Puxava-o. Segurava-o. Seus quadris forçavam os meus. Suas mãos seguravam minhas costas, as minhas apertavam-lhe a bunda. Ele fechava os olhos entregue. Eu observava se estavamos sendo observados. Com o boné, eu me escondia, mas mordia-lhe o pescoço e arranhava-lhe as costas. Até que sorri, beijei-lhe uma última vez e subi. Não sem antes ouvir: "Como foi que eu fui perder você?".


COMENTEM NO POST DO DESAFIO TAMBÉM, OK?


domingo, 4 de março de 2007

EXERCITANDO O EXIBICIONISMO: Versão 0.7, parte 6


Aviso que o nosso desafio está acabando. E como fase final resolvi fazer uns desafios mais dignos deste nome aos meus amigos. Gostaram? Pois então comentem que é dos comentarios que vivemos aqui. Mais uma coisa: eu estou enciumado! Milhares de elogios para o Trintinha! Outros milhões para o Imperfeito!! Será que nem agora eu mereço alguns?

P.S.: Esperem para ver o próximo post! Vocês vão adorar...