Google+ Estórias Do Mundo: Fevereiro 2012

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Índia: As Formas dos Deuses.

, em Natal - RN, Brasil
Ardhanarisvara

Nas narrativas tradicionais hindus, é muito comum as estórias de deuses e mortais que mudam de sexo. Inclusive em muitas oportunidades eles têm encontros sexuais em diferentes gêneros nos quais encarnam. Neste caso, homossexuais e transgêneros têm sido comumente identificados com as várias formas das deidades hindus, contudo, em muitos casos o problema dessas identificações vem do desconhecimento de como funciona a religião hindu, de suas características intrínsecas. Um exemplo é o caso de Ardhanarisvara, a imagem considerada hermafrodita de Shiva. Porém, neste caso de Ardhanarisvara o que acontece é que temos numa imagem que consiste em Shiva, deus parte da tríade mais importante do Hinduismo (Brahma, o cirador, Shiva, o transformador, e Vishnu, o preservador) e sua consorte, Parvati, representando a união das energias masculina e feminina na criação. Ardhanarisvara não é um deus distinto de Shiva e Parvati é a representação da união dessas duas energias na criação porque para o hinduísmo toda energia é dotada de masculino e feminino, então cada Deus possui também a sua consorte feminina que o complementa, sendo Shakti, a consorte feminina de Brahma, e Mohini a consorte, a contraparte feminina, de Vishnu. Sendo assim, não é um deus que pode ser associado as relações homoeróticas, apenas uma imagem representando a duplicidade da energia divina.

Aravan

Outro caso é de Aravan, um herói com quem Krishna se casou após tornar-se uma mulher. O simples fato da necessidade da transformação de Krishna, o deus supremo do hinduismo, filho de Shiva, nascido de uma virgem rainha, nasceu então com uma vida de príncipe e após sua morte elevou-se como deus, comprova que o tipo de relação existente aqui não é homoerótica. Aravan já era um mortal (também conhecido como Iravan), que é cultuado na região ao sul da Índia. Ele é o principal personagem do poema épico, Mahabharata, que narra a guerra Kurukshetra e sua morte no décimo-oitavo dia da guerra. Contudo, bravo e honrado, Aravan era amado dos deuses e como ele pediu que antes de sua morte ele conhecesse o amor e estivesse casado, Krishna apiedado transformou-se em mulher e casou-se com ele um dia antes de sua morte. 

Ayyappa

Um terceiro caso é de Ayyappa, deus das estradas e protetor dos viajantes, filho de Shiva e de Mohini, a consorte de Vishnu. Para muitos dos leitores, acostumados com a personificação dos deuses do universo ocidental, essa estória soaria como uma traição da esposa de Vishnu, contudo, os três grandes deuses do hinduismo, Brahma, Shiva e Vishnu não podem ser considerados seres com gênero definido, na verdade, como são energias, eles mudam de ambivalência frequentemente, podemos dizer na verdade que Vishnu é a vibração masculina da energia protetora, é quando Vishnu protege ativamente o planeta como guerreiro, já Mohini seria a forma de vibração feminina da mesma proteção, quando ele gera e nutre, por exemplo. Sendo assim, não existe mudança de sexo ou relação homoerótica entre Shiva e Vishnu para gerar Ayyappa, ele é gerado quando as duas energias são colocadas juntas. 

Bahuchara-devi

Bahuchara-devi é uma deusa que um dia sua caravana foi atacada e ela para evitar ser morta cortou seus seios e disfarçou-se de homem entre os guerreiros lutando para sobreviver. Odiosa dos homens que atacaram, tornou todos eles impotentes, condenando-lhes a apenas uma vida: castrar-se e tornarem-se eununcos ou nasceriam por sete vidas como homens impotentes. Seus sacerdotes a partir daí se tornaram também sempre eunucos. Já o caso de Bhagavati-devi é uma deusa que tem uma festa cujos homens devem ir travestidos de mulher para a adoração por causa de uma estória em que vaqueiros que não queriam ser reconhecidos e queriam prestar homenagem a deusa se disfarçaram de mulheres para ir ao templo, neste dia a própria deusa apareceu diante deles para receber suas oferendas dado a sua discrição em relação a fé. Em ambos os casos, aqui, as deusas, por causa de um elemento de seu mito, foram tomadas como padroeiras de uma parte da população hindu, Bahuchara como padroeira dos eunucos e castrados e Bhagavati, daqueles que se travestem.

Bhagavati-devi

Chandi e Chamunda são duas deusas guerreiras. Inicialmente eram demônios masculinos chamados Chanda e Munda, que realizaram grandes coisas a fim de agradar Brahma. Tanto agradaram o grande deus que este um dia apareceu diante deles e concedeu-lhes um desejo. Estes pediram para se tornarem grandes guerreiros, fortes o suficiente para dominar o mundo e conquistar os céus. Brahma concedeu-lhes o desejo, porém, como os dois eram demônios, logo se tornaram cada vez mais gananciosos e tentaram tomar as casas de Brahma, Shiva e Vishnu. Ficou então decidido que a deusa Durga cuidaria deles. Lutou ferozmente até vencê-los. Durga então os transformou em mulheres, já que não podia tomar o poder que Brahma havia lhes concedido, mas agora como mulheres eles não ameaçariam mais os deuses. 


Chandi e Chamunda

Gangamma-devi é a irmã mais nova de de Vishnu, a deusa da mentira e do disfarce. Ao nascer na Terra, ela era a mulher mais bonita em todo o planeta e usava o nome Ganga. O rei dos demônios então ao vê-la desejou-a para si. A deusa então para escapar dos planos do demônio de aprisiona-la em seu palácio usava sua maya (capacidade de criar ilusões) para disfarçar-se, contudo, somente ao se disfarçar de homem que o demônio não conseguiu encontra-la. Nestes dois últimos mitos, por exemplo, as transformações que são basicamente colocadas pela literatura especializada como travestismo não tem absolutamente nenhuma ligação com a sexualidade dos personagens, por isso também considero que não existem relações homoeróticas nestes contos.

Gangamma

Concluindo: as possibilidades dos deuses hindus de assumirem outro sexo é comumente ligada a relações homoeróticas, porém não deviam. Estas possibilidades de transformação na verdade não tem nenhuma relação com a sexualidade e sim ou a representações do poder feminino ou apenas momentos do mito dos personagens que explicam parte do rito. Que explicam porque a presença do terceiro sexo, por exemplo, é comum dentro do rito de um determinado deus, porém, diretamente, não representam relação direta com o homoerotismo, na verdade, seu mito é apenas apropriado por grupos que se relacionam com o homoerotismo. 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Comédia Romântica

, em Natal - RN, Brasil
Não consigo falar, não consigo escrever. Talvez porque ainda seja cedo para falar ou escrever qualquer coisa. Mas eu sinto essa ânsia, essa vontade, ele diria essa urgência. Ele diz que eu tenho uma urgência. Aos que torcem para que minha fórmula "estarei sempre sozinho" esteja errada, um brinde! Ele apareceu do nada e de mansinho, como bom mineiro, foi ocupando espaço. Ironicamente ele esperou eu ter saidi de Minas para aparecer na minha vida. Apareceu, mas não estourem os champanhes! Ainda não! Como eu disse no começo: ainda não aconteceu nada.
Nós apenas nos conhecemos e nos tornamos amigos. Bons amigos, eu diria. Ele se abriu para me conhecer, e me permitiu conhecer um homem maduro e encantador que dissolveu qualquer barreira que eu tinha e reimplantou dentro do meu coração a sementinha da dúvida na minha eterna solidão. Conversamos há quatro meses, sempre virtualmente. E ele afirma que se tivesse me conhecido pessoalmente nós já seríamos namorados. Ele disse que me queria para ele, e eu queria estar com ele, mas  por enquanto estamos muito distantes para isso.
  

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Ombro Para Chorar

, em Natal - RN, Brasil
Eu troquei a última cerveja a qual eu tinha direito e sentei numa cadeira perto do bar externo da boate. Um dos quatro bares daquela boate. Ficava, a cadeira, entre o bar e um jardim, de costas para a parede. Eu já havia bebido outras cervejas e vários goles de absinto com energético. O Bruno divertia-se com o nono da noite, quando eu cansado do jogo de pegação, resolvi sentar. Disse isso e ele se sentira ofendido, como se eu tivesse o chamado de promíscuo. Bruno não foi capaz de perceber que eu estou cansado desta brincadeira, isso não tem absolutamente nada a ver com ele (tudo cupa do egocentrismo leonino). Eu só queria sentar e em momento algum o chamei para ir embora, afinal ele estava em Natal, tinha mesmo é que se divertir.
Quando troquei a cerveja, percebi que já era bebida demais. Vi então o Bobtuso com o namorado sentados a frente e dei-lhes minha última cerveja, mas quando voltava para minha cadeira, eles me acompanharam e sentaram do meu lado. "Por que você está aqui sozinho?", foi a pergunta óbvia. E eu expliquei que estava cansado. "Cansado de estar sozinho, cansado desta porcaria de vida", e eu quis disfarçar, mas as lágrimas caiam com extremo alívio. Bob tentou me consolar e de pé me apertou junto a seu corpo, seu namorado segurou a minha mão. "Isso não vai durar para sempre, Foxx, não é justo que dure para sempre!". 
Eu soluçava quando tive forças para levantar a cabeça e encarar o Bob. "O problema, meu amigo, é que eu não acredito mais nisso". Expliquei que não acreditava na mudança para mim, "minha vida nunca mudou", como também não acreditava na justiça, "Eu sei que mereço! Estudei p'ra caralho p'ra única oportunidade de emprego que me surgiu oferecer R$ 278,00 de salário. Eu não mereço isso, e não é orgulho, é justiça!". Ele passava os dedos entre os meus cabelos. "Eu queria poder fazer alguma coisa". E eu disse que nada poderia ser feito, além, é óbvio do ombro para que eu pudesse chorar. 

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Dez Por Um

, em Natal - RN, Brasil

FOXX: Como assim eu conto sempre a mesma história e só mudo o contexto?

Raphael: Você dá voltas, posta sobre varias coisas e volta à estaca zero. Como se fosse a resposta para tudo, tipo resposta automatica no MSN quando se está ausente.

FOXX: Como assim? Seja mais claro e mais direto.

Raphael: Mais direto, impossível! Não sei se a sua intenção quando posta sobre sua tristeza é desabafar ou encontrar uma solução milagrosa pra esse problema. Concordo, no entanto, quando você diz sobre a ditadura da felicidade - que somos obrigados a aparentar felicidade o tempo todo -, mas nao precisa ser só tristeza. Há um meio termo.

FOXX: Você não está sendo direto, Raphael. Você está enrolando.

Raphael: Estou pisando em ovos para não ser grosso.

FOXX: Está, e você não precisa fazer isso. Seja claro e direto, grosso se precisar.

Raphael: Então eu quero saber o que você espera ao postar sobre sua tristeza?

FOXX: Nada, estou contando apenas, falando, divagando...

Raphael: Eu acho que não! Como vc mesmo disse, se quisesse poderia salvar o desabafo no word...

FOXX: Ah, entendi sua pergunta. Sim, eu tenho um objetivo com o meu blog: ele serve pra que outras pessoas se identifiquem. Elas não precisam me ajudar, mas a ideia é que eu as ajude de alguma forma.

Raphael: Entao a sua intençao é que se identifiquem com a tristeza?

FOXX: Sim! Tem gente triste ai que como eu não tem apoio, porque os blogs só falam de coisa boa o tempo todo e p'ra quem está mal como eu, eles se sentem apenas oprimidos. Elas saberão que não são obirgados a serem felizes o tempo todo.

Raphael: Você acha que postando sobre tristezas irá apoiá-las? Já pensou que você pode colocá-las ainda mais pra baixo?

FOXX: Não! Nunca!

Raphael: Por que você sabe que existem pessoas altamente influenciáveis...

FOXX: Com meu blog, Raphael, eles sabem que é normal ser triste, que não é doença, que você não precisa se entupir de drogas.

Raphael: Não, Foxx! Não é normal ser triste e você precisa de tratamento igual ao Ro Fers.

FOXX: Desculpa, mas não é assim, é normal ser triste sim! O que não é normal é quando você está na merda sair por ai sorrindo e sendo a pessoa mais feliz do mundo como se nada estivesse acontecendo. Não é normal você ver sua vida se desfazendo e fingir que tudo continua lindo.

Raphael: Você deve ter reparado, porém, que alem da ditadura da felicidade, há a ditadura do "mais forte", não é? Que as pessoas não costumam mostrar suas fraquezas.

FOXX: Sim e dai? E isso é certo?

Raphael: Não, não é. Mas você pode ser julgado como fraco demais, às vezes sem ser.

FOXX: Mas e quando eu mostrando minha fraqueza posso ser a abertura pra alguém se aproximar? Alguém q sofre? Eu quero ajudar quem está mal e não é criando um ambiente fake q esta pessoa vai se aproximar de mim, é mostrando qm eu sou de verdade.

Raphael: Não concordo, você não ajudará ninguem assim... só se você mostrar o fato e der a solução, mas você ao contrário ainda está procurando a sua solução. Como vai então ajudar as pessoas que também querem uma solução?

FOXX: Eu já ajudo pessoas assim, Raphael, eu mostro o fato e digo que eu também não tenho a solução. Mas eu não estou aqui para ensinar os passos para ninguém, eu estou aqui para pensar junto. Pensar juntos uma resposta para os problemas dessas pessoas, desses meninos que me procuram, que me mandam e-mails como relatei neste post que você criticou. São meninos que estão tristes e que não se vêem nos outros blogs porque os consideram falsos.

Raphael: Não, Foxx, eu não concordo! Como vc quer ajudar alguem se não consegue se ajudar?

FOXX: Então você está sugerindo que eu feche o blog?

Raphael: Não, eu sugiro que repense o significado de ajudar. Não sei se estou errado, até pq nao acredito em altruísmo...

FOXX: Bem, eu tento ajudá-los e não é por mim. Eu sei que eu não tenho mais jeito, não vou encontrar algo que resolva meus problemas, mas eu sei que posso dar uma visão de fora pra eles, porque eu passei pelas mesmas coisas. Se eu já tivesse a resposta pronta, eles iam me ver como alguém distante com quem não tem o que falar, alguém que está certo. Eu não estou certo, eu sou igual a eles.

Raphael: Não concordo. Acho que as pessoas tem que ter uma base em algo que deu certo para ser referencia. Tipo, as pessoas não costumam respeitar um psicologo sem diploma...

FOXX: Talvez não, Raphael, mas as pessoas respeitam o fracassado que está de pé. 

Raphael: Você acha que eu sou o unico a pensar assim?

FOXX: Não, muito pelo contrário, tanto que sou criticado sempre no blog. 10 me criticam, 1 pede ajuda, mas acho q vale a pena as criticas pelas pessoas que eu ajudo.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

ESPECIAL SÃO VALENTIM: Vodca Martini

, em Natal - RN, Brasil
Miguel preparava Vodcas Martini que nos servia no jardim de sua casa. À luz da lua cheia porque a luz insistia em não ligar e a noite quente deveria ser aproveitada ao ar livre. 
- Eu realmente acredito nisso, Foxx.
- No que?, perguntou uma amiga de Miguel, enquanto acendia seu Lucky Strike.
- O Miguel afirma que eu estou solteiro porque eu não me encaixo no padrão de beleza que as pessoas de Natal exigem. Respondi.
Ela nos olhou intrigada, mas Miguel adiantou-se a explicar.
- É... o Foxx usa barba, ele não é magro e sem pêlos. Ele é careca...
- Gente, e o que tem de mal nisso?
- Simples, - respondi eu -, as pessoas aqui em Natal só querem modeletes imberbes p'ra namorar, para poder exibir pelas boates e bares da vida, para ter o status de estar namorando alguém que poderia estar na capa de alguma revista por ai.
- Mas - continuou a amiga do Miguel - você é bonito. Sua barba e sua careca só te deixam ainda mais charmoso, e você falou que tem 30 anos, não é? Nem parece, te daria no máximo 27. E pela nossa conversa agora, até porque acabamos de nos conhecer, você parece ser uma pessoa super inteligente e uma ótima companhia.
- Mas ninguém quer namorar com ele. Falou Miguel.
- Mas ninguém quer namorar comigo. Repeti.
A amiga do Miguel tomou o último gole do martini dela e brincou com a azeitona. E concluiu:
- As pessoas são idiotas!



Feliz dia de São Valentim!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

ESPECIAL SÃO VALENTIM: Índia: O Kamasutra, o Livro do Desejo


O Kama Sutra é um dos textos mais antigos do mundo a tratar do kama ou desejo (de todos os tipos), no entanto dentro da cultura hindu ele é um dos quatro textos normativos da vida espiritual. O Kama Sutra é o texto mais antigo e mais importante na tradição Kama Shastra da literatura sânscrita. Ele foi compilado pelo filósofo Vatsyayana por volta do século IV, de textos ainda mais antigos, e descreve práticas homoeróticas em diversos lugares, também como a participação no sexo de outros gêneros além do binômio masculino e feminino com que lidamos hoje. 
Neste texto são descritos técnicas em que os membros do masculinos e femininos do terceiro sexo (tritiya-prakriti), tanto quanto as mulheres, fazem o sexo oral. Nesta parte é bom dizer que o sexo oral realizado por homens é proibido aos brâmanes (KS 2.9.37). Na segunda parte, no Nono Capítulo do Kama Sutra descreve especificamente dois tipos de homens que nós reconheceríamos hoje como os homossexuais mais masculinos e aqueles efeminados, contudo a tradução vitoriana de Richard Francis Burton, de 1883, do texto simplifica ambos sobre a alcunha de eunucos. O capítulo descreve suas aparências, os tipos efeminados que se vestem como mulheres, enquanto os mais masculinos mantém o corpo musculoso e cultivam barbas e bigodes, etc.. A tradução vitoriana diz: "Existem dois tipos de eunucos, aqueles que são disfarçados de homens e aqueles que estão disfarçados de mulheres". O texto também descreve suas profissões como massagistas, barbeiros e prostitutos. É interessante notar que na versão vitoriana boa parte das informações sobre homoerotismo e travestismo foram excluídas da tradução, partes estas que foram recuperadas do texto apenas com a tradução de 1994 de Alain Daniélou.
Logo no início do capítulo, o texto ensina como os eunucos realizam o sexo oral: "Sob o pretexto de lavagem, um eunuco deste tipo abraça e chama para si mesmo as coxas do homem que é lavado, e depois deste toca as articulações das coxas e seus jaghana, ou a parte central de seu corpo [chacra localizado no períneo]. Então ele encontra o lingam do homem ereto, ele pressiona-o com a mão e o debulha para entrar neste estado. Se depois disto, e depois de conhecer sua intenção, o homem não diga ao eunuco a proceder, em seguida, este continuará com a sua intenção, e o fará por vontade própria". O texto, a seguir, conta os oito passos necessários para fazer um bom sexo oral e para recebê-lo, pois o Kama Sutra considera que há participação dos dois envolvidos. Diz o texto: 

"As seguintes oito coisas são, então, feitas pelo eunuco após as outras. A união nominal. Mordendo os lados. Pressionando fora. Pressionando dentro. Beijo. Fricção. Chupando a manga. Engolindo. No final de cada uma dessas coisas o eunuco manifesta seu desejo de parar, cabe ao outro que manifeste seu desejo para que ele continue". 

A partir daí ele descreve cada por menor de cada uma das oito coisas pertencentes a técnica do Auparishtaka que deve ser feita pelo eunuco.

"(1) Quando segurando o lingam com a mão e coloca-lo entre os lábios, o eunuco o move sobre sua boca, ele é chamado de união 'nominal'. (2) Quando para o fim do lingam [isto é, o prepúcio] com os dedos reunidos como um broto de uma planta ou flor, pressiona o eunuco os lados dele com os lábios e os dentes também é chamado de 'morder os lados'. (3) Quando, sendo desejado a prosseguir, o eunuco pressiona o lingam com os lábios fechados e juntos, beija-o como se o tivesse puxando para dentro da boca é chamado de 'pressionando fora'. (4) Quando, sendo solicitado a continuar, ele colocou o lingam mais em sua boca e apertá-lo com os lábios e, em seguida, leva-lo para fora, ele é chamado de 'pressionando dentro'. (5) Quando, segurando o lingam com a mão, o eunuco beija-o como se ele estivesse beijando o lábio inferior, ele é chamado de 'beijo'. (6) Quando, depois de beija-lo, ele toca com a língua em toda parte, e passa a língua sobre o fim de tudo. É chamado de 'fricção'. (7) Quando, da mesma forma, ele coloca a metade de tudo na boca, e beija-o com força e o suga, isso é chamado de 'chupando a manga'. (8) E, por último, com consentimento do homem, o eunuco coloca o lingam inteiro em sua boca, e pressiona-o até o fim, como se tivesse indo a engoli-lo, é chamado de 'engolir'."

O livro também prescreve o casamento entre homens. De acordo com o Kama Sutra: "Existem também cidadãos deste terceiro sexo, que algumas vezes se apaixonam completamente por outro igual a ele e tem completa fé neste outro, que devem se casar juntos" (KS 2.9.36). No Jayamangala do Yashodhara, um importante comentarista do século XII do Kama Sutra, também fala: "Os cidadãos que tem este tipo de inclinação [homoerótica], que renunciam mulheres e podem viver sem elas de bom grado porque amam outro igual a eles, casam-se juntos, vinculados por uma profunda amizade e confiança".
O Kama Sutra também se refere as svairini, que, como já dissemos, são consideradas "mulheres independentes que frequentam outras como elas" (2.8.26) ou em outra passagem: "a mulher liberada, ou svairini, é aquela que recusa um marido e tem relações em sua própria casa ou na casa de outros" (6.6.50). No famoso comentário, Jaymangala, explica: "uma mulher conhecida por sua independência, sem barreiras sexuais, que age pelo seu desejo, é chamada de svairini. Ele faz amor com outras do seu tipo. Ela é acaricia sua parceira até o ponto em que se unem, quando elas se beijam" (J 2.8.13). As variadas formas de sexo lésbico são descritas em detalhes na Segunda parte, Oitavo Capítulo do Kama Sutra. Aqui, infelizmente, eu não tenho como mostrar para vocês o que está escrito, porque não tive acesso a nova tradução do Daniélou, apenas a de Sir Burton.
Mas ele conclui: "O que um homem deve ou não fazer, portanto, diz respeito ao local e para o tempo e com a prática que deve ser realizada, como também quanto ao fato de que é agradável a sua natureza e a si mesmo, e então ele pode ou não praticar estas coisas de acordo com as circunstâncias".




sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

ESPECIAL SÃO VALENTIM: Divirta-se Com Os Errados

, em Natal - RN, Brasil
Algumas pessoas que entram em contato comigo aqui pelo blog se dizem enfrentando o mesmo que eu. Dizem que são solitários e por isso entendem pelo que eu passo. Eu me interesso, de cara, pela estória dessa pessoa obviamente. Interessa-me saber a vida dessas pessoas. Pelo que elas passam, como reagem, como sobrevivem. Talvez eu aprenda algo, talvez eu ajude de algum jeito. Então eu entro em contato e a pessoa confirma, dizendo: "Estou solteiro há tantos meses, meu ex era cafajeste e homem nenhum presta, por isso eu desisti de homens e sou igual a você, nunca vou encontrar alguém" (grifos meus). 
"Epa!", é o que penso. E alguém aí já adivinhou o que tem de errado nesta mensagem aí? Bem, primeiro eu não estou solteiro, estou sozinho. E não estou assim por alguns meses, fazem dois anos que minha solidão de sempre fez um intervalo. Intervalo? Sim, eu só namorei uma vez na vida, entre fins de 2009 e início de 2010, fora este intervalo, eu sempre estive sozinho. Então, faça as contas, não foram meses. Subtraia 6 meses dos meus 30 anos de existência e você terá um número exato. E por que conto 30 anos? Porque quando falo que estou sozinho não estou reclamando apenas dos namorados (se fosse o caso seriam apenas 15 anos), reclamo também de uma família ausente e de amigos, sempre, fisicamente distantes. Ai, fulaninho vem me falar de meses? Hunf!!
Aí, em segundo lugar, a pessoa acha que não vai encontrar ninguém na vida porque tem encontrado gente que não presta? Sério que só eu acho que tem algo errado nessa formulação de pensamento, minha gente? Ninguém notou que a pessoa tem encontrado pessoas sempre, só ainda não encontrou o "príncipe"? Sério que a pessoa me reclama, aos 19 anos, que nunca encontra ninguém que presta? Claro que não encontra! Aos 19, 22, 27, não é para encontrar mesmo. As pessoas querem encontrar seus "príncipes" numa velocidade aterradora, só pode ser isso. Deve ser culpa da modernidade. Não sei! Só sei que, felizmente, o processo não é assim. Para conhecer alguém que valha a pena é necessário sim conhecer centenas de outros que não valem nada. 
Lembrando que esse valer a pena e valer nada é absurdamente relativo. Seu ex, por exemplo, é cafajeste para você, mas para outra pessoa ele pode reluzir como um príncipe em um cavalo branco. Você também que está ai sofrendo por alguém que você ama e não te quer, também já fez alguém sofrer terrivelmente. Pois é, acrescento ainda isto: aos 19, 22, 27, é bem provável também que você não valha a pena. Convenhamos quem é você na coleção da Louis Vouitton? Lembro de um conhecido chorando no meu ombro porque o moço que ele gostava tinha dado um fora nele alegando que ele era muito intenso, que ele estava indo muito rápido, ele reclamou dizendo que era injustiça, e eu lembrei que ele contara meses antes em um bar que estava terminando com seu último ficante exatamente pela mesma situação. Lembrei também que eu havia predito que ele se arrependeria. Dito e feito! Em poucas palavras, todos nós também somos o ex que não vale nada de alguém. Tem alguém por ai que xinga todos nós secretamente de "filhos da puta". Apesar disso, com o tempo, nós amadurecemos. Até o ex cafajeste amadurece, todos! E só amadurecemos após muito sofrimento. A manga mais doce é sempre a que caiu do ponto mais alto da mangueira.
Portanto, meu querido leitor, que só encontra gente que não presta na vida, você não é igual a mim (dê glórias três vezes!). Você apenas ainda não encontrou o cara certo e, por isso, aquela máxima de divirta-se com os errados ainda deve funcionar para você. Porém, o errado não é aquele que você troca beijinhos na boate e nem pede o telefone; o errado também não é aquele que você conheceu na internet e levou para cama. Esses não são os errados, esses não são nada (esses são os que querem ficar comigo). O errado é este namorado cafajeste que te encheu de bons momentos até você perceber que ele não prestava para você. Você deve se divertir com eles. Aproveita! Aproveita o sexo e o carinho, até porque se ele for um cafajeste de verdade (eles fazem curso para poder ganhar a carteirinha) é bom de cama e carinhoso. Aproveita e espera que um dia, em meio a todos esses homens que não prestam para você, vai surgir um e você vai ser extremamente feliz com ele. Já eu estarei aqui sozinho mesmo porque nem os cafajestes me querem. Talvez um garoto de programa se eu conseguir um bom emprego.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

ESPECIAL SÃO VALENTIM: Caça-Niqueis

, em Natal - RN
O Dia de São Valentim está chegando e eu vou fazer um especial em homenagem ao dia dos namorados. Falarei sobre como eu vejo o amor, de minhas teorias, sonhos e desejos, de como vejo esse sentimento tão distante de mim. Este é o primeiro, espero que gostem. 


Eu tenho uma teoria sobre o amor. Sobre relacionamentos amorosos. Apesar de não ter quase nenhuma experiência, eu observo bastante. Bem, eu primeiramente acredito que namoros que dão errado não são namoros ruins. Eu penso o seguinte: você só encontrará o seu "príncipe" uma vez na vida, não é? Você vai encontrar o cara certo uma vez, e ficar com ele para sempre. Não é assim que conta os contos de fadas? Pois bem, se você vai encontrar esse cara apenas uma vez na sua vida, é óbvio que todos os outros que você encontrar antes dele e acabaram é porque não eram o cara certo para você. Então, dica da raposa número 1: terminou seu relacionamento, eu sei que dói, mas é porque ele não era o cara certo para você, porque o The one vai ficar com você. Então aquele cara pelo qual você está morrendo não é o amor de sua vida, afinal, ele te deixou. Dica número 2: Se você tem o dedo meio podre e anda escolhendo apenas sapos e não príncipes, relaxa, porque uma hora você vai acertar e sim encontrar o cara certo. Cada sapo te prepara para o futuro príncipe. Mas ai você me pergunta: por que eu tenho tanta certeza? Essa é a teoria de qual eu falava.
Acredito que para alguém ser feliz no amor ele precisa encontrar uma combinação de três coisas: amar + ser amado + romance. Quando esses três elementos são satisfeitos, o relacionamento caminha feliz. O que quero dizer com isso. Duas pessoas só são infelizes num relacionamento se uma não ama a outra, não é? Se há amor entre elas, não existe motivo para que o relacionamento não flua a contento. Apesar que há um terceiro impedimento, às vezes, por mais que duas pessoas se amem, elas não conseguem ficar juntas, o relacionamento em si entre aquelas pessoas não funciona por N motivos. Então, eu acredito que uma hora as pessoas terão seus contos de fadas realizados por que, como num caça-níqueis, cada vez que você encontra uma pessoa nova você puxa o braço da máquina e ela rola, às vezes você vai encontrar amar (você se apaixona pelo cara) - limão (ele não se apaixona) - romance (não sei por cargas d'água ele resolve te namorar mesmo assim), qual o resultado disso: merda! Pelo menos em determinado momento porque uma hora ele vai te dar um fora e você vai estar muito apaixonado, concordam?
Outro cenário, você conhece alguém ai e puxa o braço da máquina, resultado: amar - ser amado (dessa vez ele também se apaixona por você) - limão (por algum motivo vocês não podem ficar juntos). Daí você fica conversando horas e horas pelo MSN, quem nunca? Ou um terceiro cenário: limão - ser amado - romance, e ai quem se fode é ele, o outro, porque você vai lá namora-lo só para não ficar sozinho e acaba magoando o pobre do rapaz. Também temos os relacionamentos platônicos: amar - limão - limão, quando você se apaixona e não é correspondido, e limão - ser amado - limão, quando ele se apaixona e não é correspondido. Várias combinações, não é?
Aí sim, eu acredito, que é apenas uma questão de tempo até você encontrar alguém, entre os milhares de sapos que eu falei anteriormente, puxar o braço da máquina e finalmente três corações aparecerem na tela: amar - ser amado - romance. A sorte lhe sorri, inevitavelmente. Acredito, firmemente, que quanto mais oportunidades você tem para colocar a máquina de caça-niqueis em movimento, quanto mais moedas de vinte-e-cinco centavos você tiver (seu investimento pessoal) e mais chances de ir ao cassino (mais pessoas conhecer), melhores chances você terá de ter um resultado perfeito e ganhar o grande prêmio, a felicidade tão almejada. O que, definitivamente, é o meu problema, eu já acabei todas as minhas moedas e os únicos resultados que obtive ate hoje foram amar - limão - limão e amar - ser amado - limão (é, por mais incrível que pareça eu já fui amado uma vez sim, pena que não era possível ficarmos juntos dado a geografia), acho que meu caça-niqueis está quebrado ou viciado para não permitir que ninguém ganhe nele nunca. 


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Pulsos

, em Natal - RN, Brasil
Estou aqui sentado, nu, embaixo do chuveiro, a água atinge minha nuca e escorre pelas minhas costas, abraço meus joelhos e penso como seria bom se algum daqueles azulejos tivesse uma ponta, cortar os pulsos seria uma boa saída agora. Lembro da música da Pitty agora e cantarolo. "E um dia se atreveu a olhar pro alto, tinha um céu, mas não era azul. No cansaço de tentar, quis desistir, se é coragem eu não sei". Lembro de como tentei até agora, como lutei para alcançar os sonhos que eu tinha. Tapo os ouvidos, mas as palavras da minha mãe estão no meu coração: "Por mim você tinha feito engenharia, mas você quis fazer história então agora tem que arcar com a responsabilidade". A água fria cai no meu corpo e eu olho para os meus pulsos, e lembro que acabei de chegar de Campina Grande aonde fui fazer um concurso que não passei. "E um dia decidiu, quis terminar, só mais um gole e duas linhas horizontais". Seria tão fácil, mas fácil do que voltar em todas as escolas que já deixei currículo e ouvir novamente que não há vagas, ou pior, ouvir que tenho formação demais. "Desculpa, seria ótimo, mas eu não posso pagar um doutor". Poderia finalmente descansar sabe? Fechar os olhos e finalmente sentir-se aliviado porque não tenho que acordar amanhã e enfrentar isso tudo de novo. Ficaria ali embaixo com a água escorrendo pelo ralo que fede a baratas até alguém vir reclamar que estou gastando água demais. Demoraria, com certeza, o bastante para a água levar todo sangue. "Sem a menor pressa, calculadamente, depois do erro a redenção". Mas eu acabo levantando e esfrego o corpo com aquele sabonete de perfume pobre, lavo os cabelos com ele também porque xampu é um luxo que eu não me dou mais. Depois volto para debaixo da água e espero encarecidamente que ela lave até a minha alma. "Tenta achar que não é assim tão mal, exercita a paciência. Guarda os pulsos pro final, saída de emergência".


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Àqueles Que Consolam

, em Natal - RN, Brasil
Como tenho passado por uma fase extremamente ruim na minha vida nos últimos anos, muitas pessoas na sua mais intensa bondade tem vindo me consolar, o que agradeço de coração, porém eu não entendo a causa, motivo, razão ou circunstância que faz com que a maioria dessas pessoas utilize um único texto, em suas mais variadas versões, mais que sempre diz que neste mundo de sete bilhões de habitantes existem pessoas com sofrimentos muito maiores e mais graves que os meus. Tem aqueles que desembrulham pessoas acometidas de doenças graves ou que tem más formações físicas, o argumento é: "mas pelo menos você ainda tem saúde". Tem os que jogam na minha cara o fato de eu ainda ter uma família e um teto para viver, e citam as crianças de rua que moram na Candelária no Rio de Janeiro. Tem também os antenados ao mundo pop e fãs do Brangelina que lembram das crianças pobres da África. Mas sempre que me perguntam se eu "não tenho vergonha" de sofrer por tão pouco dado o sofrimento tão maior dessas outras pessoas.
Minha duvida, na verdade, quando falam isso é porque eu deveria me sentir bem com o sofrimento de outras pessoas. Quando eu sei que alguém está doente, isso não me faz sentir melhor em relação aos meus problemas, não penso: "ai, que bom que não sou eu", eu, pelo contrário, compartilho do sofrimento daquela pessoa, do mal que a aflige; quando eu lembro que crianças vivem sem família, eu não me felicito por, apesar de ter uma família ruim, ter uma família, não! A minha dor soma-se a dor dessas crianças que não tem famílias. Minha dor se amplia somada a deles. Quando meus pequenos problemas tomam proporções ridículas comparadas a guerra e a fome em diversos países do mundo, eu penso o quanto esse mundo é injusto, e não agradeço a Deus por ter escapado da mesma sina que uma criança somáli, eu me culpo por não poder ajuda-la mais. Isto, chama-se empatia. Do grego empátheia, paixão, substantivo feminino, forma de identificação intelectual ou afetiva de um sujeito com outra pessoa, uma ideia ou uma coisa.
Questiono então o porquê das pessoas não sentirem a mesma empatia que eu. A primeira ideia que me vem a cabeça é a de um ranking da felicidade. Citando uma conversa com o Cara Comum ele diz:  "Eu realmente acho que para algumas pessoas (...) saber que outras pessoas estão piores faz bem. São pessoas que não se preocupam com a própria felicidade nem com o que são, mas com o que APARENTAM num "ranking de felicidade". Saber que elas não estão em último é algo que as deixa melhor. É triste, mas existe gente assim". Neste caso, a preocupação deste consolador seria apenas que você reconhecesse que está em certo ponto da hierarquia e valorize o que tem até ai. 
Por um lado é bom, ele vai argumentar que você tem tantas coisas boas na sua própria vida que outros não tem, porém o problema está exatamente ai, este tipo de consolador é o que se prende ao verbo TER. Ele equilibra e balanceia todas as suas posses (materiais ou não) para te colocar no certo ponto em que você deveria ou não se sentir feliz. Este tipo de consolador na verdade é uma pessoa invejosa, o tipo que tenta derrubar aquele que está acima dela na hierarquia social. É o que destrói namoros porque está sozinho, mas também é o que cita namoros fracassados para provar que está melhor sozinho, como disse o Cara Comum.
Também é uma situação conformista porque ela não pretende modificar nada. Como disse-me a @vannessalopes no twitter, "se fulano está pior do que eu, então eu me conformo com a minha posição". Ela também afirma que trazer uma terceira pessoa no momento em que você consola alguém só funciona se a pessoa superou o mesmo problema ou algo muito parecido que aquele que você está tentando ajudar. "Porque pelo menos estimula a pessoa a reagir". 
Outra explicação que apareceu com as pessoas que conversei no grupo Os Caras do Facebook. O @joaomarcelo3dg chamou atenção para algo que é realmente importante. Alguém que está consolando pode estar tentando somente mostrar ao consolado que seus motivos são fúteis, que o problema não é tão grande. Pode está dando parâmetros para que ele mensure sua dor. No entanto, concordamos que isto não deve ser feito comparando alhos com bugalhos, uma dor de amor não pode ser comparado a um câncer de próstata, uma dor de amor não pode ser comparada as crianças da África. Mas sobretudo, ele pergunta: "Então o sentimento da gente deve se restringir aos problemas sociais e saúde do mundo?". Não podemos sofrer por nossas dores particulares? No twitter, o @TomFirmino afirma que o que questiono aqui, para ele, "é mera maneira de te fazer ter vergonha de estar pra baixo, disfarçada de consolo". Ele associa isso a famosa ditadura da felicidade que é imposta a todos, onde o que importa não é ser feliz, é parecer feliz inclusive para seus amigos. 
Por fim, eu encerro com um comentário do @joaomarcelo3dg: "De repente [as pessoas fazem este tipo de comentário] porque não gostam de ver que uma pessoa querida está abatida, ou então porque não aguenta mais lamentações e diz isso para encerrar a conversa". Minha pergunta final é: que espécie de amigos são esses que se enchem dos problemas de um amigo? Que espécie de amigos são esses?!