Google+ Estórias Do Mundo: Àqueles Que Consolam

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Àqueles Que Consolam

, em Natal - RN, Brasil
Como tenho passado por uma fase extremamente ruim na minha vida nos últimos anos, muitas pessoas na sua mais intensa bondade tem vindo me consolar, o que agradeço de coração, porém eu não entendo a causa, motivo, razão ou circunstância que faz com que a maioria dessas pessoas utilize um único texto, em suas mais variadas versões, mais que sempre diz que neste mundo de sete bilhões de habitantes existem pessoas com sofrimentos muito maiores e mais graves que os meus. Tem aqueles que desembrulham pessoas acometidas de doenças graves ou que tem más formações físicas, o argumento é: "mas pelo menos você ainda tem saúde". Tem os que jogam na minha cara o fato de eu ainda ter uma família e um teto para viver, e citam as crianças de rua que moram na Candelária no Rio de Janeiro. Tem também os antenados ao mundo pop e fãs do Brangelina que lembram das crianças pobres da África. Mas sempre que me perguntam se eu "não tenho vergonha" de sofrer por tão pouco dado o sofrimento tão maior dessas outras pessoas.
Minha duvida, na verdade, quando falam isso é porque eu deveria me sentir bem com o sofrimento de outras pessoas. Quando eu sei que alguém está doente, isso não me faz sentir melhor em relação aos meus problemas, não penso: "ai, que bom que não sou eu", eu, pelo contrário, compartilho do sofrimento daquela pessoa, do mal que a aflige; quando eu lembro que crianças vivem sem família, eu não me felicito por, apesar de ter uma família ruim, ter uma família, não! A minha dor soma-se a dor dessas crianças que não tem famílias. Minha dor se amplia somada a deles. Quando meus pequenos problemas tomam proporções ridículas comparadas a guerra e a fome em diversos países do mundo, eu penso o quanto esse mundo é injusto, e não agradeço a Deus por ter escapado da mesma sina que uma criança somáli, eu me culpo por não poder ajuda-la mais. Isto, chama-se empatia. Do grego empátheia, paixão, substantivo feminino, forma de identificação intelectual ou afetiva de um sujeito com outra pessoa, uma ideia ou uma coisa.
Questiono então o porquê das pessoas não sentirem a mesma empatia que eu. A primeira ideia que me vem a cabeça é a de um ranking da felicidade. Citando uma conversa com o Cara Comum ele diz:  "Eu realmente acho que para algumas pessoas (...) saber que outras pessoas estão piores faz bem. São pessoas que não se preocupam com a própria felicidade nem com o que são, mas com o que APARENTAM num "ranking de felicidade". Saber que elas não estão em último é algo que as deixa melhor. É triste, mas existe gente assim". Neste caso, a preocupação deste consolador seria apenas que você reconhecesse que está em certo ponto da hierarquia e valorize o que tem até ai. 
Por um lado é bom, ele vai argumentar que você tem tantas coisas boas na sua própria vida que outros não tem, porém o problema está exatamente ai, este tipo de consolador é o que se prende ao verbo TER. Ele equilibra e balanceia todas as suas posses (materiais ou não) para te colocar no certo ponto em que você deveria ou não se sentir feliz. Este tipo de consolador na verdade é uma pessoa invejosa, o tipo que tenta derrubar aquele que está acima dela na hierarquia social. É o que destrói namoros porque está sozinho, mas também é o que cita namoros fracassados para provar que está melhor sozinho, como disse o Cara Comum.
Também é uma situação conformista porque ela não pretende modificar nada. Como disse-me a @vannessalopes no twitter, "se fulano está pior do que eu, então eu me conformo com a minha posição". Ela também afirma que trazer uma terceira pessoa no momento em que você consola alguém só funciona se a pessoa superou o mesmo problema ou algo muito parecido que aquele que você está tentando ajudar. "Porque pelo menos estimula a pessoa a reagir". 
Outra explicação que apareceu com as pessoas que conversei no grupo Os Caras do Facebook. O @joaomarcelo3dg chamou atenção para algo que é realmente importante. Alguém que está consolando pode estar tentando somente mostrar ao consolado que seus motivos são fúteis, que o problema não é tão grande. Pode está dando parâmetros para que ele mensure sua dor. No entanto, concordamos que isto não deve ser feito comparando alhos com bugalhos, uma dor de amor não pode ser comparado a um câncer de próstata, uma dor de amor não pode ser comparada as crianças da África. Mas sobretudo, ele pergunta: "Então o sentimento da gente deve se restringir aos problemas sociais e saúde do mundo?". Não podemos sofrer por nossas dores particulares? No twitter, o @TomFirmino afirma que o que questiono aqui, para ele, "é mera maneira de te fazer ter vergonha de estar pra baixo, disfarçada de consolo". Ele associa isso a famosa ditadura da felicidade que é imposta a todos, onde o que importa não é ser feliz, é parecer feliz inclusive para seus amigos. 
Por fim, eu encerro com um comentário do @joaomarcelo3dg: "De repente [as pessoas fazem este tipo de comentário] porque não gostam de ver que uma pessoa querida está abatida, ou então porque não aguenta mais lamentações e diz isso para encerrar a conversa". Minha pergunta final é: que espécie de amigos são esses que se enchem dos problemas de um amigo? Que espécie de amigos são esses?!



57 comentários:

  1. Tipo um dia eu estava "deprimido", na verdade triste, pq o pensamento de "forever alone" não saia de minha mente. Este dia eu fui fazer fisioterapia e tinha um menina na cadeira de rodas, eu acho que ela tinha um problema neurológico e ela estava sorrindo, aí eu pensei: ela tinha tudo para estar triste, mas estava sorrindo. Eu não me sinto pra cima com o sofrimento dos outros, mas vendo que estes que sofrem ainda assim sorriem, me faz pensar que eu deveria ver a vida como eles ou tentar.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. meu caro anônimo, qm disse q vc tem que ver a vida como eles? vc que está sendo preconceituoso e acreditando que a cadeira de rodas é a coisa mais terrível do mundo, ela tem um problema de saúde, a vida dela não terminou, ela pode ter milhares de outras coisas que a façam feliz, seus problemas podem ser pequenos porém, como é meu caso, talvez não haja entre os problemas nada que permita sorrir.

      Excluir
  2. Ai Foxx! Eu realmente acredito que quem fala isso pra vc quer seu bem.
    Eu quero seu bem e já posso ter falado algo do tipo (ou não, pelo que me lembro), mas acredito que as intenções sejam as melhores.
    Fica bem!
    bj

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. eu tenho certeza, Dan, que algumas pessoas realmente falam aquilo por que se importam, mas eu acho sinceramente que é o caminho errado pra ajudar.

      Excluir
  3. Acho que para a pessoa o problema dela dentro do seu circulo é tão devastador quanto uma pessoa fazendo uma quimio, o meu problema não é o seu e para seus olhos ele pode ser banal, mas pra mim é o fardo e vice-versa, eu compartilho as dores da humanidade, sou inconformado com a desigualdade e já até escrevi a respeito a muito tempo. Acho que para todos os problemas que não existe solução, existe a superação, e algo que ainda me fascina nesse mundo é a capacidade de superar. Eu não costumo dizer, veja aquela pessoa esta pior, agradeça. Mas costumo dizer se ainda há força , não desista!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. concordo plenamente, Fer... plenamente.

      Excluir
  4. E lá um homem do teu quilate e repertório precisa de amigos pra ser encorajado/animado/motivado?????? E zilhões de perdões adiantados pela ousadia mas tu és feito de um tipo de mármore raro que sabe muito bem diferenciar quem tem algo a te acrescentar ou quem só faz número, nzé? Hugzão!
    E eu tinha certeza que gostavas de um espinafre... hehehe!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. vc tem uma imagem maravilhosa de mim, que eu realmente gostaria de estar a altura dela, mas não estou. infelizmente eu preciso sim de amigos pra me encorajar, animar e motivar, porque minha solidão é tão profunda que as vezes preciso ouvir outra voz q não seja apenas a minha para não parecer q eu estou maluco.

      Excluir
  5. Problemas de amigos podem chegar ao ponto de encher sim. Quando eles chegam em um ponto onde você já disse tudo o que você poderia dizer, já fez tudo o que você poderia fazer para ajudar, e mesmo assim a pessoa não consegue de nenhuma forma transpor aquilo, chega uma hora que não há mais o que fazer. A gente não passa a gostar menos da pessoas por causa disso, mas não toca mais naquele assunto nem gosta que ele seja levantado de novo porque sabe que não vai levar a lugar algum.

    Mas fora isso, cada um sabe a magnitude dos seus problemas, e pro outro entender só estando na sua pele ou tendo passado pelo mesmo que você, casos raros.

    Beijo primo.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. entendo, primo, neste caso a pessoa só evitaria o assunto, mas ainda permaneceria do lado?

      Excluir
  6. eita q é um chorão mesmo
    hehehe

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. mas sou mesmo! sempre fui!
      =)
      tem que me ver assistindo Lilo & Stitch e me debulhando em lágrimas...

      Excluir
  7. Três considerações a fazer:

    1) Minha opinião central sobre esse assunto está aí. Existe sim muita gente pequena que só se importa com a própria posição no "ranking da felicidade" e, ao ouvir conselhos dessas pessoas, eu também me sinto pior por perceber a dor alheia. Uma pena que exista ainda pessoas que não compreendem que guerras e fome de criancinhas não me deixam melhor!

    2) Mas é preciso destacar uma coisa: quando falamos que "fulano passa pelo mesmo problema", mesmo que ele não tenha superado tal situação, pode ser que não estejamos agindo como as pessoas do "ranking da felicidade".

    Eu penso que saber que outros passam pelo mesmo problema ajuda a gente a saber com quem podemos trocar ideias e experiências a fim de superar aquela questão. Na minha cabeça, isso funcionaria como um grupo de apoio aos moldes do A.A.

    Assim, nem todo mundo que diz que há outras pessoas sofrendo o fazem de forma improfícua (gastei meu vocabulário agora! rs). Às vezes, a intenção é indicar fontes de bons conselhos de quem está passando por situações parecidas.

    3) O problema dos amigos pode encher sim. E por dois motivos:

    O primeiro deles, e o mais comum, é que algumas pessoas querem transferir o problema delas para que o amigo o resolva. E isso pra mim não é uma atitude de amigo, mas de um parasita. Então, não me sinto na obrigação de ter paciência.

    O segundo motivo é que, às vezes, temos problemas muito grandes e difíceis de resolver e nem todos os amigos tem "estrutura emocional" para participar daquela dor. Costumo a fazer a analogia: se vc caiu na areia movediça e perceber que seu amigo que tenta ajudá-lo está prestes a cair também, o melhor a fazer é pedir que ele se afaste e procure uma outra forma de ajudar você. Uma corda, sei lá! Mas, se ele se afastar e não encontrar nada que lhe faça ampliar seu poder de ajuda, não podemos culpá-lo. Melhor um amigo bem que dois na pior. Então, em nome da própria sanidade, em alguns casos, é preciso tentar não se envolver com aquela dor do outro que não temos estrutura para lidar. Afinal, tenho certeza de que um verdadeiro amigo ao ver que o outro também está sucumbindo àquele sofrimento, preferirá ver o outro recuperando suas forças para ajudá-lo mais tarde a perceber que a situação vai destruir os dois.

    Abraços, querido! E que vc encontre a paz que necessita!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. vou comentar apenas o 3, ok?

      eu entendo esse raciocínio, Cara, mas eu não consigo aceita-lo pq eu nunca deixaria um amigo assim, na mão, sozinho com seu problema, eu nunca conseguiria fazer isso.

      Excluir
    2. Foxx, meu querido! Eu não disse que a gente deve deixar os amigos sozinhos, "na mão". A gente deve sim tentar ajudar. Mas quando percebemos que, ao invés de ajudar estamos atrapalhando (na medida em que ampliamos o sofrimento do outro quando este percebe em nós mais sofrimento) e que, se insistirmos, seremos dois precisando de ajuda ao invés de um, aí sim é preciso lembrar que a auto-estima vem em primeiro lugar. Pra ajudar não se pode fazer "qualquer coisa". É preciso fazer algo que traga bons resultados. Se não, não é ajuda e sim "suicídio coletivo".

      Um médico só pode curar os doentes quando ele está são. E a gente só pode ajudar alguém quando há energia sobrando em nós (porque não se dá aquilo que não se tem).

      Então ficar ao lado de alguém sem ter condições de ajudar seria mais "deixar na mão" que se afastar por um tempo, resolver as próprias questões e voltar para ajudar com muito mais força do que antes.

      Nem toda solidão é cruel. Algumas são remédio amargo necessário (estou generalizando e não penso que este seja seu caso, ok?).

      Abraços!!

      Excluir
    3. sim, meu querido amigo, eu entendi o que vc quis dizer, eu só quis dizer que mesmo nesta situação que vc levantou, de que o sofrimento do outro me fizesse mal, eu não conseguiria me afastar... foi o q eu tentei dizer.

      Excluir
  8. faço minhas as palavras do Cara Comum e do Lobo ... problemas existem para todos os seres do mundo sem exceção, o peso dele só quem os carrega sabe avaliar, a solução deles não depende de ninguém a não ser de nós mesmos q nos afligimos com eles, no máximo uma ajuda profissional pode ter utilidade, mas o q conta mesmo é a nossa determinação e força de vontade para superá-los.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. de verdade, Bratz, q vc acha isso? depende apenas da pessoa que se aflige do problema resolve-lo? então, em outras palavras vc está dizendo que (um exemplo apenas) a culpa de toda a minha solidão é exclusivamente minha? fui eu que busquei isso pra mim?

      Excluir
    2. Infelizmente é amigo Foxx, somente sua. Acho que você esta procurando no 'lugar errado', por isso não encontra...Detalhe: Só você saberá qual é o 'lugar certo', porque ninguém tem nada a ver com sua vida.
      Resolva-se logo, o tempo esta passando...Viva...

      Excluir
    3. não consigo acreditar nisso, Mark, de verdade, não está nas minhas mãos, por exemplo, fazer alguém gostar de mim, não tenho essa poção do amor entre minhas coisas, eu só posso fazer os 50% que me cabem, a parte dos outros, do universo, do destino, de Deus, não cabe a mim... e sim, existe uma parte nas coisas que nos acontecem q não está nas nossas mãos.

      Excluir
  9. Achei um tanto estranho a abordagem. Quando eu vou tentar consolar alguém ou algo do gênero, eu simplesmente tento estabelecer parâmetros e claramente mostrar que talvez não seja tão ruim assim. Acho que qualquer pessoa é assim. Se você gosta de alguém ou quer o bem desta pessoa, claro, você vai tentar animá-lo, não importa e como e mesmo que você tenha que usar alguns clichês ridículos.

    Sem contar que se você tenta consolar alguém é porque a pessoa te deu liberdade (nem sempre) e, óbviamente, te contou o que está passando. Ou seja?

    Bem... É isso. Nem tenho mais o que dizer.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. tá vendo, um homem inteligente faz assim.

      Excluir
  10. Como eu já passei por todas essas situações. O engraçado que agora ninguém mais tenta ajudar, pois consegui fazer o milagre de perceberem que o que eu sofro não é algo simples, bobo ou fácil de ser resolvido. É algo que está fora do mundo em que aqueles que me aconselham vivem. Talvez ai resida o problema dos conselhos. Normalmente tentamos aconselhar alguém sobre aquilo que nunca vivemos. Tem-se então, uma visão “limpa” do problema que na verdade pode ser entendido como deixar de lado todos os fatores que rodeiam aquele que está no próprio problema.
    Comparar um problema com os outros no mundo provavelmente significa esvaziar totalmente a capacidade de sofrimento do EU em si. Vivemos numa era pós-moderna na qual o que a caracteriza é exatamente a PROBLEMATIZAÇÃO DO EU. Um ficou mais importante do que o coletivo. A moda é ser SINGULAR. Se reparar, nas narrativas contemporâneas o narrador sempre está em primeira pessoa e o assunto mais importante da historia, sabe qual é? EU. Isso se deve ao fato de nós mesmos sermos capazes de criarmos um circo de emoções e fazermos de tudo um grande show de terror no qual o personagem sofredor é a nossa própria personificação. Não é errado, muito pelo contrário, todos nós fazemos isso. O lamentável da história e ver que os “amigos que aconselham” não são capazes de perceber que X não se compara a Y e muito menos a Z. Cada um sofre a sua dor e com ela permanece. Comparar a dos outros é idiotice, sentimento não é físico, não é numerado, nem nada. SENTIMENTO É SENTIDO, subjetivo, incomparável.

    ResponderExcluir
  11. Engraçado: Tb nunca entendo quando se compara sofrimento.
    Sofrimento não é muito passível de comparação.

    O menino da rua, a mãe que perdeu o filho na chacina X, a dor pelo amor q não volta...
    Cada sofrimento é diferente.
    E se constitui assim.

    Abraços.

    PS: Vc já pensou em fazer análise? Eu morro de vontade.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. eu já faço análise, meu caro, não serve de absolutamente nada!

      Excluir
  12. Talvez da espécie que se preocupa, já tentou tudo pra ajudar e ainda não conseguiu nenhum tipo de resultado.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. ai desiste? achei que quando a gente não chega ao objetivo não pode desistir, ou estou errado?

      Excluir
  13. Pelo menos em mim a carapuça não serviu. :D

    ResponderExcluir
  14. Eu acho horroroso esse que faz qq coisa pra encerrar a conversa.. Acho mais digno vc falar q não tah mais a fim de continuar falando sobre isso do que falar qq coisa pra encerrar a conversa, pk nego que tah te ouvindo e tah mal pode estar muito vulnerável e tah realmente considerando bastante a suas "colocações mal colocadas" em função do seu desejo de encerrar logo a conversa!!!!

    Anfã... Amei o texto, muito, muito, muito bom mesmo... E a carapuça me serviu um pouco em especial se considerar um movimento de mim para mim mesmo... Falei disso naquele texto da Dercy, sinto vergonha de reclamar muito sobre algo, bate uma culpa católica e invariavelmente comparo... Tb assumo que, na minha profissão, optei por trabalhar com classes menos favorecidas por me sentir mais útil naquele espaço do que ouvindo os conflitos existenciais/amorosos da classe média... Porém reconheço que sofrimento não se mensura e como eu disse naquele mesmo texto sobre a Dercy a felicidade está mais ligada a estrutura psíquica da pessoa do que pelo sofrimento que ela passa em si... Talvez a menina de 12 anos de fato esteja sofrendo mais com o fim dos eu primeiro namoro do que o cara que tah com câncer... Não da pra medir isso, mas é possível que ela sendo mais frágil e inexperiente se torna mais vulnerável e o luto dela é quase que um luto de morte, daquela que perdeu o grande amor da vida!!!

    Eu mesmo já trabalhei numa ONG com pacientes com câncer e numa escola pública logo na sequencia e percebia que os problemas sociais da segunda eram infinitamente piores que o do primeiro caso.

    Ai Nego poderia falar: mas nossa, na ONG vc trabalhava com gente que estava com o maior dos sofrimentos, que é ter o bem da vida ameaçado enqto na escola, ainda que problemas familiares possam ser muito graves, há chance...

    Porra nenhuma, o que eu percebia era que família fazia toda diferença em ambos os casos.. Akeles que tinham uma estrutura familiar que funcionava, próxima, dedicada, preocupada enfrentava melhor todas essas questões.. Biológicas ou sociais...

    Mas é isso, Foxx-lindo, não é pk tem gente com câncer que eu vou deixar de tratar minha dor de cabeça... E as pessoas acabam falando essas coisas não por serem invejosas e feias e blá blá blá... É pk elas repetem,repetem de forma irrefletida.. Compram a ideia corrente sem pensar a cerca delas... E muitas vezes elas mesmas se martirizam com esse pensamento.. No fim somos todos vítimas e esse pensamento é o pensamento corrente de uma sociedade que carrega consigo a culpa de no fundo saber q precisam existam os sofridos da África pra que elas possam ter a vida que tem.. E ai ficam nessa pseudo-solidariedade qdo no fundo tão cagando pra tudo isso e só pensam nos pobrinhos da África pra servir de conselho!!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. pronto, agora temos uma resposta profissional, e que concorda comigo. agora estou todo cock! =)

      Excluir
  15. Foxx:

    Amei a resposta do Carlos Roberto, foi o que mais se aproxima do que penso. Dor cada um tem a sua e sabe mensurar o tamanho dela. Amigos são essenciais se queremos ajuda de verdade.
    Abraços.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. concordo também, Edilson. Mas quando queremos ajudar os amigos, precisamos dar a ajuda q eles precisam, não a que queremos dar a eles, eu acho...

      Excluir
  16. Ai o povo me ama (brincadeira, precisava me sentir um pouquinho, sabe como é, levantar o ego é bom rs). Que bom que você e o Edilson Cravo gostaram da minha resposta. É de fato o que penso com relação a esse tema controverso e complexo. As pessoas deveriam ter mais consciência antes de abrirem a boca. XD

    (Tô pensando no seu comentário no meu blog para fazer o próximo texto. #Fikadica)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. claro, vc fez um excelente comentário, óbvio que iamos concordar. vou já no seu blog ver qual comentário te inspirou.

      Excluir
  17. Bom texto e excelente articulação, mas em todos os momentos enxerguei você criando uma carapaça duríssima de proteção e também uma visão muito perniciosa sobre as tentativas de ajuda da pessoas ! Assim como você tem essa visão, não consigo não enxergar isso de uma maneira quase inocente. Na intenção de tentar te ajudar, te por pra cima, acabam cometendo uma gafe e isso é perfeitamente humano e não é pior crime nem o mais cruel como o ar do texto passa as vezes.

    Bom, de resto só tenho a dizer que sua armadura me derrotou, não vou mais tentar atravessa-la com minha metralhadora de palavras e de idéias, até por que não tenho mais munição, mas uma imagem reflete bem o que penso

    http://1.bp.blogspot.com/-HX54u4zlK8s/Tm1A44MYoRI/AAAAAAAABT8/1rLWMNc_AtQ/s1600/namorados2.jpg

    Abs e se cuida !

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. ai se eu tivesse construído essa armadura q você menciona eu não estaria sofrendo pq estou sozinho, não é?

      e eu sei que as pessoas tem boas intenções
      acho q o texto não deixou isso passar...

      Excluir
  18. Então... dois consolos (ui!)...
    Primeiro: malucos, todos somos.
    Segundo: a "imagem maravilhosa" que tenho de ti não nasceu de graça, não... ela vem daquilo que me mostras e - da forma que for - conte comigo sempre que precisar desse "encorajar, animar e motivar"! Te quero bem, Foxxito! Hugz!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. vc é um anjo no que se trata de consolos, não é fred?
      =)

      Excluir
  19. muitas vezes aquilo que chamamos de sofrimento no presente sera a preciosa licao que no futuro nos tornara uma pessoa mais madura, forte e sabia. muita paz!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. claro, isso é verdade, todo sofrimento se torna uma preciosa lição. mas isso não muda que foi um sofrimento não é?

      Excluir
    2. certo, mas o correto seria dor, ou inves de sofrimento, pois a dor e inevitavel mas o sofrimento e opcional. Isto e um cliche, eu sei, mas e a pura verdade.

      Excluir
    3. eu concordaria... 3 anos atrás eu concordaria de verdade com você, hoje eu não consigo mais dizer que o sofrimento é opcional. seria necessária uma carapaça, uma espécie de armadura, extremamente resistente, para que eu conseguisse passar por toda a dor q eu tenho passado, por exemplo, e simplesmente não sofrer. não sei se me faço entender, seria necessário talvez um desprendimento de mim mesmo ou uma insensibilidade que não faz parte da minha personalidade, entende? eu sei que algumas pessoas conseguiriam tirar de letra tudo q tenho passado, pq são pessoas com estórias diferentes da minha, mas infelizmente eu não tenho as ferramentas para evitar esse sofrimento.

      Excluir
    4. o objetivo da dor não é destruir o ser, por isso não é necessário se isolar do mundo, muito pelo contrario. eu acho que o objectivo da dor e fazer acordar dentro de cada um "potencialidades adormecidas", novas maneiras de encarar a vida e principalmente a própria vida. No mais, acredito que a solução esta dentro de vc mesmo, que não deve ser muito diferente de todo ser humano, com defeitos a serem superados e qualidades que o ajudarão a superar estes mesmos defeitos.

      Excluir
    5. com certeza, moço, concordo que a dor serve para o aprendizado, mas viver só de dor tb cansa não é?

      Excluir
  20. Nossa eu li esse texto com muita atenção pra poder entender bem, forcei minha atenção ao máximo! Eu gostei da parte do "ranking da felicidade" você tem toda razão, mas eu nunca fui bom em dar algum conselho pra ajudar um amigo, talvez seja pela minha falta de esperiência no assunto rsrsrs... Mas pensando bem eu nunca usei esse tipo de conselho com ninguém e quando me diseram isso eu fiquei meio confuso, na minha cabeça eu acho que não dá pra comparar um problema pessoal com a fome e a pobreza, não seria melhor usar uma pessoa que já passou pelo mesmo problema ( e superou) e usa-la como um exemplo? Eu sempre pensei assim, sem falar que é um milhão de vezes mmelhor fazer o amigo se sentir bem sem faze-lo ficar pensando que existem pessoas que estão pior do que ele não acha? Depois de ler o seu post eu fico aliviado, por que eu finalmente percebi que meu pensamento não estava errado. OBRIGADO!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. que bom q vc gostou, moço.
      fico mto feliz em ter esse tipo de retorno.

      Excluir
  21. Cara, eu vi o teu post "Pulsos". Pelo amor de Deus, não faça nenhuma loucura.

    A dor pode ser grande agora, mas olhe adiante e "veja" você já superando isso e se orgulhando de si mesmo por ter suportado e vencido.

    Meu, nem sei o que dizer numa situação dessas... Vou rezar por você e que Deus te ajude e fortaleça o seu interior.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. obrigado, o post vai voltar ao ar, é que eu publico apenas nas terças e sextas, apertei no botão errado. mas de qualquer forma, eu ainda não consigo me ver superando tudo isso, mas obrigado pelas orações...

      Excluir
  22. Hum, esse negócio de "comparar" uma vida com a outra, parece-me mais, coisa de "pesquisa de mercado". Coisa de pessoas vazias e que não sabem lidar com muita coisa em vida. Você sempre me pareceu uma pessoa muito sensível, porém de uma força grandiosa. E isso é o que, espero, te levará a alcançar seus objetivos. A gente faz um monte de escolhas na vida, e essas escolhas nos moldam e fazem quem e o que a gente é... Dificilmente poderia te dar conselhos certeiros, até porque não temos uma vida igual! Então, o que sempre faço é dar o conselho que eu faria (e o que acho que funciona pra mim. E mesmo que você ache muitos conselhos tolos - se se deram ao trabalho, é pq tem um mínimo de gostar pela pessoa - no caso você). Então, não cabe ficar esmiuçando, revirando e cutucando feridas. Você precisa aproveitar os conselhos, apenas o que lhe poderiam servir, ou os que você acha que poderia melhorar pra você. E reclamar menos e agir mais. (lembrando que é o conselho que dou pra mim mesmo, rs).

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. bem, meu amigo, eu não reclamo, eu comento.
      e as ações, eu tentei muito, mas não consegui nada, esse é o problema.

      Excluir
  23. Raras vezes me deparei, em blogs, com uma reflexão tão sincera e que tivesse me levado a ver as coisas de outro modo.

    Dá muito o que pensar, o que mostram os comentários.

    Conhecer a dor do outro, sentir a dor do próximo, não diminui a nossa mas, antes, nos lembra que somos igualmente humanos, que estamos todos num mesmo barco, que todos temos dias e noites, e isso, de algum modo, no mostra que não estamos sozinhos, que precisamos continuar. Eu ainda penso assim...

    ResponderExcluir
  24. acho que por um lado tem gente que precisa diminuir o outro pra se sentir bem. desses a gente tem que manter distância.

    por outro lado, existem pessoas que querem nos ajudar e são sinceras, muitas vezes dizendo coisas que não queremos ouvir, mas fazem isso porque se importam com a gente.

    agora, se os amigos falam e a pessoa têm a solução, mas não a aplica, e continua reclamando, então começa a encher o saco. é o típico caso daqueles que não querem ser ajudados.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. e para cada um desses uma ação diferente né?

      Excluir
  25. "Chorei, não procurei esconder
    Todos viram, fingiram
    Pena de mim não precisava
    Ali onde eu chorei
    Qualquer um chorava
    Dar a volta por cima que eu dei
    Quero ver quem dava

    Um homem de moral não fica no chão
    Nem quer que mulher
    Lhe Venha dar a mão
    Reconhece a queda e não desanima
    Levanta, sacode a poeira
    E dá a volta por cima"


    http://www.youtube.com/watch?v=pbbUyhmEzt4

    Apolo

    ResponderExcluir

" Gosto de ouvir. Aprendi muita coisa por ouvir cuidadosamente."

Ernest Hemmingway