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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

EXTRA, EXTRA, EXTRA: Exército e Homossexualismo

Existem sempre áreas mais resistentes às mudanças quando pensamos na sociedade ocidental neste último século. Alguns chamam estas áreas de tradicionais, outras as chamam de direita, mas elas existem e estão lá. E, como nossa sociedade sempre caminha para frente, nem sempre melhorando, mas sempre um passo diante do outro, algumas regiões se mantém, como podemos observar desde o início do século XX, se mantendo reticentes enquanto as mudanças se aprofundam na sociedade, e um dos setores da sociedade ocidental que mais se mostram reticentes a mudanças são os militares.
Lembremos que a aceitação de negros em meio aos exércitos não exisitia de fato até a Segunda Guerra Mundial, apesar deles lutarem desde o século XVIII e XIX em meio as fileiras. Eles participaram das guerras americanas de Secessão e da guerra do Brasil e Paraguai como escravos, muitas vezes visando uma liberdade raramente conseguida ao fim da batalha. Na Segunda Guerra Mundial, que se encerrou em 1945, faziam serviços menores e de patente baixa, inclusive, no fronte os negros e brancos lutavam separadamente, sendo o exército brasileiro o primeiro a lutar, nos campos da Itália, com uma única tropa, racialmente integrada. Entre todos os outros exércitos, brancos e negros, ou membros de outra "raças" como descendentes de orientais, índios, etc, jamais lutavam juntos. Porém, os cargos de oficial eram preenchidos sempre com brancos. A própria FEB, no entanto, também tinha ordens de se excluírem soldados que não fossem brancos dos defiles ou, se caso fosse impossível, coloca-los no interior das fileiras. Os negros, no Brasil também, não deviam participar da formação de guardas de honra, em particular se estas se destinassem a autoridades estrangeiras.
Após a aceitação dos negros, graças mesmo a esta Grande Guerra, as mulheres passaram a ganhar destaque na sociedade ocidental e o movimento feminista ganhou força. A participação feminina anteriormente era unicamente como enfermeiras ou como secretárias, se mantendo longe do campo de batalha. Podemos pensar que isso mudou, mas estamos errados, o Colégio Militar de Salvador só teve sua primeira turma feminina para oficiais a partir de 1992, e mesmo assim os cursos oferecidos para mulheres - engenharia, área médica e os serviços técnicos (como administradoras, professoras, advogadas, etc) - excluem qualquer possibilidade de combate.
Pensando assim, não se torna surpreendente ouvir o general Raymundo Nonato de Cerqueira Filho, durante a audiência na Comissão de Constituição e Justiça do Senado para a eleição do Supremo Tribunal Militar, ao ser arguido pelos senadores Demóstenes Torres (DEM-GO) e Eduardo Suplicy (PT-SP) sobre o que estes pensavam sobre a presença de homossexuais nas fileiras militares. As palavras de Demóstenes Torres foram:

“Vossas excelências são favoráveis ao ingresso de homossexuais em qualquer das forças e acham que essa polêmica tem razão de ser?”

O general Cerqueira Filho respondeu, "de uma forma sincera", disse ele:

“Não é que eu seja contra o homossexual, cada um tem que viver sua vida. Entretanto, a vida militar se reveste de determinadas características que, em meu entender, tipos de atividades que, inclusive em combate, pode não se ajustar ao comportamento desse tipo de indivíduo”.

Pois é, e sempre foi política das Forças Armadas, definir qual é a capacidade de um indivíduo. Afinal negros não chegavam a postos altos porque não tinha a capacidade intelectual, as mulheres não podem lutar porque não tem a capacidade física, e como gal. Cerqueira Filho nos explica, os homossexuais também não tem a habilidade necessária para estar dentro das Forças Armadas. Pois, como ele nos permite entender:

“O exército americano está discutindo ainda, mas os casos que ocorreram mesmo no exército americano foram praticamente rechaçados. Não é que o indivíduo seja criminoso, mas é o tipo de atividade. Se ele é assim, talvez tenha outro ramo de atividade que ele possa desempenhar”

É uma incapacidade inata que está nos genes de um homossexual que o torna inapto a esta atividade. Não chega nem a ser preconceito contra gays do general, é uma certeza, afinal mulheres também são inaptas a mesma atividade militar. Ele explica melhor aonde está esta incapacidade:

"Tem sido provado mais de uma vez, o indivíduo não consegue comandar. O comando, principalmente em combate, tem uma série de atributos, e um deles é esse aí. O soldado, a tropa, fatalmente não vai obedecer. Está sendo provado, na Guerra do Vietnã, tem vários casos exemplificados, que a tropa não obedece normalmente indivíduos desse tipo".

O homossexual é tão intrissicamente um amoral que em momento algum é capaz de liderar e ser respeitado por um grupo, sobretudo se estes são heterossexuais. Por isso nenhum chefe em empresa alguma é homossexual, por isso que um professor homossexual não controla sua turma de alunos, por isso que não existem advogados homossexuais defendendo nenhum cliente diante de um juri. Talvez os homossexuais possam ser médicos, talvez eles sejam superiores, pelo menos, a vírus, micróbios e bactérias, possam combatê-las, será que gays são superiores pelo menos a seres unicelulares? E, o pior é que, sinceramente, não acredito que o general Cerqueira Filho seja realmente homofóbico, talvez um pouco machista, ou só um militar, ele definitivamente não teve a intenção de ofender ninguém.



A resposta do almirante Luiz Pinto ficar para o próximo texto.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

PRESENTE: "Ao Futuro! E Aos Amigos!"

, em Natal - RN, Brasil
Cheguei da praia, onde deixei meus pais na paz de Santa Rita e liguei para meus amigos. Chegara em Natal dois dias antes e eles ainda não sabiam que eu estava lá. "Vamos sair, vamos nos ver", repetiram. E marcamos no Kafofu. Descemos caminhando para o bar, a noite quente se enchia de nuvens e perdia estrelas enquanto caminhávamos, começou a chover fino e eu os vi se apressarem e por um instante fiquei para trás. Reconheci-os tão diferentes agora.
Peter não tinha mais seus cabelos cumpridos e não estava preocupado com seus garotos perdidos. Namorando agora um gênio, estava trabalhando no lugar de contar com a herança de seu avô. Voltara a faculdade, que ele abandonara por dois anos e estava quase morando com o namorado, passando mais tempo na casa dele do que na sua própria, abandonara as boates e bares. Tive que perguntar: "Fumar você ainda fuma né?", e ele acendeu um Malboro.
O Andarilho parou. Suas caminhadas antes traçadas por caminhos agora obscuros se encerraram. Trabalhando, morando sozinho, fazendo faculdade, o tempo para as armações que seriam de se esperar dele acabaram. Também o vi de forma diferente, sofrendo por amor, ou melhor, agora conhecendo o que é sofrer por amor, antes ele só conhecia o que era pessoas sofrendo porque chegaram a amá-lo. Lembro que o Marcelo Sunshine dizia que sofrer por amor é demodé, mas que também dá ao sofredor uma certa profundidade. No espírito do que dizia Vinícius, sem uma sombra de tristeza, toda beleza é só beleza. E agora o Andarilho tinha esta sombra que destacou a beleza dele. O sorriso dele não era mais somente um sorriso, um sorriso de criança que ele se gabava de possuir, agora era um homem bonito com um sorriso bonito.
Michel também estava diferente. Sem o Stan ao redor dele, está mais leve, e com um novo namorado que agora o considerava mais importante que os amigos, ele demonstrava estar mais confiante. E também um novo emprego. O mais novo entre nós é o que está mais bem encaminhado na vida profissional. Trabalhando com a indústria de moda agora, graças ao curso técnico do SENAI, estava em dúvida se investia nesta área com uma faculdade de design ou de engenharia de produção.
Crescemos, todos nós. Agora somos adultos! Agora as discussões na mesa de bar falam sobre aluguel de apartamento, futuro no emprego, casamento, enteder exatamente no que seu amigo trabalha. "Afinal, Foxx, se você for falar qual é o seu emprego, o que você diz?". É, eu também estou diferente. Quase terminando o doutorado e com planos de agora assentar minha vida. De definição! De finalmente alcançar meu futuro, de realiza-lo porque a estrada está chegando ao fim, está na hora dele começar. E também um namoro. Um namoro que começou pela internet e ouço meus amigos dizendo: "Isso é tão sua cara!". Um futuro amoroso finalmente começando.
E o brinde com os copos de vidro e a cerveja barata do Kafofo se tornam diferentes, que por um segundo pareceram taças de cristal e champagne:"Ao futuro! E aos amigos!".

domingo, 24 de janeiro de 2010

PASSADO: Anna Karenina, capítulo 3

, em Natal - RN, Brasil

"O pior é a malícia, sim, a malícia da inteligência. A fraude da inteligência"


Ficamos! Ali e várias outras vezes, e descobri quem era Anna. Mulher fogosa apesar dos olhos mortos e da pele fria. Olhava para as pessoas com aquele ar de quem não se importava com ninguém e caminhava como se não houvesse mulher mais bonita do que ela em toda cidade. Dançava como raras pessoas conseguem, aulas de balé e de dança de salão, vivera dois anos na Itália, e jurava, com lábios trêmulos, que nunca se prostituíra lá, apesar de ter trabalhado como dançarina "exótica". Ninguém acreditava. Ninguém acreditava porque era a Itália e porque era Anna. E porque Anna tinha dinheiro. Muito, pagava tudo para quem estivesse com ela. Mas não se vestia com luxo, na verdade, se vestia como uma putinha daquelas mais baixas que você possa imaginar. E não, não imagine as putinhas de Lolita Pille. Um dia me apareceu com uma minissaia branca e uma bota até o joelho para passear no shopping. Ela era olhada, admirada, temida, homens a cercavam e ela fingia-se de inocente nestes momentos, brincava com eles, como se fosse somente uma menina. Um dia me colocou contra a parede: "Por que ainda não fizemos sexo? Parece que você tem medo". Olhei-a de cima a baixo e confirmei: "Sim, tenho medo de você, de quem eu posso ser estando com você, mas principalmente você é uma mulher que assusta qualquer homem". E foi quando a chamei pela primeira vez de Anna Karenina, e ela sorriu, maliciosamente, por trás dos olhos mortos.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

A imperfeita VIDA DE HEITOR RENARD

, em Belo Horizonte - MG, Brasil
Heitor estava sentado ao lado dele, na sala de seu apartamento, quando aquela mão resolveu vasculhar o seu corpo. Apalpando o peitoral, dobrando-lhe a pele, caçando glândulas, até, categórico, ele declarar: "Acho que você precisa perder uns cinco quilos, mas só aqui". E apertou a barriga de Heitor com um olhar sério. "Acredito que perdendo essa barriga, seu corpo ficaria perfeito".
Suspirando, o herói troiano olhou em volta, a sala milimetricamente arrumada, depois desviou seu olhar para o companheiro cujas cicatrizes atrás da orelha denunciavam a plástica para eliminar as rugas; os dois pontos escuros logo acima das nádegas revelavam a lipoescultura; a textura das coxas diziam quanto de uma prótese havia sido depositada ali e o negrume dos cabelos exibia a tintura e os implantes feitos. Além disso, livros entreabertos, garrafas mal tocadas, músicas sofejadas, tudo para criar um pretenso conteúdo. Fingimentos afinal de contas. Até a excitação é falsa, afinal o vidro vazio, na lixeira metálica do banheiro, escrito Viagra lhe pertencia. "Eu não preciso de fato, mas é um ótimo adtivo".
Heitor perdeu-se em pensamento por um segundo, então, questionando a si mesmo se era pior ser falso ou imperfeito.


E Aqui Se Encerram As Aventuras de Heitor Renard: Sua Vida.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

PRESENTE: O Anjo, parte II

, em Belo Horizonte - MG, Brasil
O The L é uma boate de e para lésbicas. Tem uma pista pequena, pois a maior parte do espaço é tomado por mesas de madeira e cadeiras de ripa, simples, móveis de boteco. Ficam a direita, enquanto a esquerda um palco para música ao vivo, às vezes ocupado por um dj, toma mais um terço do espaço. Facilmente encontramos aquele lugar lotado, com filas dobrando o quarteirão. Lotado de meninas lindas, bem vestidas e de cabelos sempre lisos e escovados, usando belas roupas e caros cortes de cabelo. Contudo, aquela noite estava diferente. Poucas mulheres haviam ali, ao contrário, muito homens circulavam sob aquela meia luz. Bebíamos cerveja, novamente, e contávamos causos, o amigo do Behink contava suas estórias na Bahia, "Loiro na Bahia você já viu né? Faz sucesso!", quando uma mensagem chegou no meu celular: "Estou no The L, e você?", olhei então em volta e não o vi, até que ele passou na minha frente, indo ao banheiro, fiquei animado, mas não interrompi o caminho dele. Eu devia esperar.
Foi quando ele voltou, e dessa vez segurou a minha cintura, voltei-me e ele sorriu iluminando tudo e me beijou. "Que bom que você veio", e um novo beijo eu ganhei. Ficamos juntos toda a noite, dançando, cantando e bebendo juntos. Quem nos via julgavá-nos namorados de anos, apaixonados. E eu estava encantado. Conversamos muito. E rimos também. E o Behink, a distância, observava e comentava ao meu ouvido como estávamos bonitinhos juntos e quando resolveu ir embora, e eu e o amigo dele decidimos ficar, ele saiu me desejando sorte. "Sinto que dessa vez vai ser diferente, bicha! Não estraga nada não! Ok?". Sorrindo eu o abracei e voltei para o meu menino com nome de anjo, que me abraçou e beijou novamente.
Era alta madrugada quando decidimos ir embora e ele me convidou para ir para a casa dele e eu repeti para mim mesmo. "Mas nada de sexo, senão acabou!". E eu fui, e dormimos juntinhos e acordamos tarde, e ele sorrindo e segurando minha mão foi me deixar no ponto de ônibus, e pisando em nuvens eu cheguei em casa porque achava que havia conhecido um anjo.
E aí, nos dias posteriores, nas semanas posteriores, telefonei, tentei conversar com ele pelo MSN, mas apesar de tudo que aconteceu entre nós naquela noite tão estranha, pois fazia frio e era fim de primavera, ele reagiu como qualquer um, e a regra se fez valer, e ele foi frio e, por mais que eu tentasse contato, ele demonstrava que não queria mais nenhum. E sumiu, como um anjo, simplesmente sumiu no ar.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

PASSADO: Anna Karenina, capítulo 2

, em Natal - RN, Brasil
"E eu que procurava milagres, pesaroso de não ter visto nenhum que me convencesse! Um milagre material ter-me-ia conquistado. E sem ver o único milagre possível, o milagre permanente e que nos rodeia por todos os lados!"


Quando me aproximei de meus amigos, eles me perguntaram o que havia acontecido. Jonathan já havia corrido atrás de Anna, que saíra em disparada após bofetear-lhe a face com uma impetuosidade de mulher traída. Eu não sabia explicar. Ao meu redor, outros também me olhavam sem acreditar e sem entender o que acontecia. Afoguei minhas preocupações em outras cervejas, quando Jonathan voltou. E voltou me puxando para junto dele, exibindo os músculos do braço e as tatuagens, mas antes dele beijar-me novamente, perguntei o que tinha acontecido e, rindo, ele respondeu: "É que ela queria ficar com você!".
Disparei a rir, sinceramente surpreso, sinceramente lisongeado. E ele continuou a falar: "Mas eu disse que você, com certeza, preferia ficar comigo". E apertou minha bunda com as mãos calejadas pelas barras da musculação. Eu o beijei de novo, mas desta vez comentei no seu ouvido: "Não tenha tanta certeza que você seria o escolhido". Ele riu, meio sem acreditar, e me desafiou, duvidando que eu ficaria com ela também. Coincidentemente ela se aproximou, com o mesmo olhar morto, foi quando ele sorriu para ela e soltou: "Ele disse que também ficaria com você, se você quisesse...".



sábado, 2 de janeiro de 2010

A dolorosa VIDA DE HEITOR RENARD

, em Belo Horizonte - MG, Brasil
"Devagar, devagar", ele reclamava. Heitor se sentia surpreso. "Meu pau não é tão grande assim", comentou. O outro sorriu por entre os travesseiros nos quais afundava, virou o rosto e beijou a boca do herói troiano. "É que estou um tanto dolorido". Heitor sorriu, e puxando-o de quatro espalhou sua mão naquelas nádegas morenas. "A noite ontem foi boa hein?". Tapas foram ouvidas. A mão branca do herói nas nádegas volumosas daquele negro de corpo magro explodiram alto. O outro sorriu e seu pênis vibrou de tão duro, Heitor então o agarrou, mesmo ele de quatro, com o herói cravado, e o masturbava lentamente, fazendo o jovem negro amolecer e acabar por deixar-se cair novamente a cabeça entre os travesseiros, empinado ainda. "Posso?". O outro gemeu. "Pode... vai, pode! Me fode!!".


Penúltima Estória de Heitor Renard