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terça-feira, 8 de julho de 2014

A Escolha de Sofia

, em Natal - RN, Brasil
- Deixa eu ver se eu entendi. Você, Foxx, prefere morrer do que tentar de novo, mas, então p'ra quê você quer um namorado então, criatura?
- Eu não quero. Eu quero que isso acabe.
- Mas não vai, e você sabe. Não é melhor tentar de novo até encontrar um namorado?
- Não, preciso tirar isso da minha vida. Inclusive por isso é bom não sair mais de casa também.
- O menor problema que você tem é sair ou não de casa, Foxx. Você pode até precisar tirar isso da sua vida, mas você não quer. Como você mesmo já disse: você vive do passado, das suas lembranças e você não quer se livrar delas, logo, você nunca vai se livrar dos seus desejos, sorry!
- ...
- Seu desejo está ligado ao seu passado, às suas relações, para se livrar do seu desejo teria que jogar fora boa parte (ou todas) as suas lembranças. Tem certeza que quer isso?
- Um dia. Um dia as lembranças estarão tão distantes que eu conseguirei viver sem elas. 
- Um dia? Querido Foxx, esse "um dia" só chega quando você parar de nutrir as lembranças, aí elas ficam distantes. Enquanto você nutrir as suas como se elas tivessem ocorrido ontem, sorry, mas você nunca vai se livrar do seu desejo de ser amado.
- Mas eu não nutro minhas lembranças...
- Você que acha. Eu vejo que não. Por exemplo: postar no Instagram uma foto de um paper doll, com a legenda Forever Love ou simplesmente manter este boneco na cabeceira da sua cama, para que talvez seja a primeira coisa que você veja quando acordar e lembrar do seu relacionamento com ele, isso é nutrir o passado.
- Não está lá para ser a primeira coisa...
- A segunda então, pouco importa, mas o fato é que ele está lá para nutrir sua lembrança do Menino Bonito. E volto a dizer: você precisa se livrar de todas estas lembranças para se livrar do seu desejo, porque daí você não teria nenhuma referência de carinho e amor. 
- ...
- Mas você vive do passado, então enquanto viver dele, enquanto o paper doll estiver na cabeceira da cama, sua experiência com o Menino Bonito nunca vai sair de sua cabeça e o seu desejo de revivê-la, não necessariamente com ele, mas sentir o que você sentiu por ele com qualquer outra pessoa, nunca vai sair de você.
- A postagem foi um momento de fraqueza...
- Eu entendo, mas o fato do boneco ainda estar na sua cabeceira é sinal que você continua regando, adubando, nutrindo o passado. As pessoas para não viverem do passado, elas apagam, bloqueiam, tiram de suas vidas. E é por isso que eu não acredito que você vai conseguir se livrar do seu desejo, porque você teria que apagar tudo, e você não quer, de verdade, fazer isso.
As lembranças pipocaram na minha cabeça: a sensação do abraço do Tato, ou da respiração dele quando dormia no meu peito, o calor que invadia meu coração quando nos falavamos ao telefone. O prazer de sentar na sala do Anjo e discutir política ou Maria do Bairro, do meu coração disparado quando nos conhecemos naquele bar em Belo Horizonte, do gosto daquele beijo na chuva, ou quando ele me deu um beijo de despedida quando eu retornava para Natal. A alegria de sair para comer com o Menino Bonito, muito menos a felicidade que explodiu em mim quando ele, bêbado, disse que poderia me namorar facilmente porque eu era o tipo de homem que ele gostava, ah, e o sexo com ele também, o corpo que se encaixava perfeitamente no meu, era delicioso.
- Eu não teria nada se eu apagasse minhas lembranças, Ariano.
- Então não apague. Continue nutrindo, está tudo bem, mas aceite o outro lado da moeda que é o desejo. Você não pode ter as duas coisas: lembranças vivas e ausência de desejo. Será um ou outro. E enquanto você não se decidir o que quer vai continuar andando em círculos, como faz há 32 anos.
- É, você tem toda razão. 

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Uma Resposta Para Três Perguntas

, em Av. Afonso Pena, 603 - Centro, Belo Horizonte - MG, 30130-002, Brasil
Fazia muito frio apesar de já ser primavera e havíamos acabado de chegar da Casa Fiat de Cultura, onde tínhamos visitado a exposição Roma - a vida e os imperadores, e o Anjo me convidara para subir ao seu apartamento. "Tô precisando conversar, Foxx, e sei que seus conselhos são sempre bons!". Subi ao 13º andar junto com ele e sentei no sofá do apartamento, jogando minha bolsa-carteiro na mesinha de centro, ele deitou no sofá, no mesmo que eu estava, com a cabeça em meu colo e começou a falar. "Acho que vou me tornar monge budista". E contou que conhecera um fulano há algum tempo, um fulano que era muito ocupado, mas que ele estava interessado, gostara dele e me perguntava se deveria investir. "Tenho medo sabe? Medo de me envolver, de acontecer alguma coisa, de eu me machucar". Avisei-lhe que o risco dele se machucar sempre existiria, mas isso não é motivo para evitar se envolver. "Nada prova que você sairia magoado nesse relacionamento, meu querido Anjo". Ele sorriu e, me olhando nos olhos, acabou concordando. "Acho que sou pessimista demais mesmo, já acho que vai dar tudo errado e eu nem tentei", afirmou ele, "é que ele tem um blog, e lá ele fala que gosta de alguém, mas não sei se ele está falando de mim", nesse momento eu parei e pensei: "será que ele está falando de mim?".
Foi ainda deitado no meu colo que, ainda sorrindo, o sorriso dele que ilumina os lugares onde ele está, ele me perguntou: "E você? Como anda? Tenho visto seus comentários no Facebook, comentários que tem me deixado bem preocupado com você, por sinal". Eu sorri e tentei desconversar, mas ele insistiu. "Amigos servem p'ra isso, ora, mas você precisa se abrir". E eu falei sob os olhos atentos dele. Falei porque eu me sinto tão mal ao estar sozinho, que isso é um problema de aceitação, porque não recebi aceitação e carinho da minha família. Falei que sempre fui uma pessoa solitária, sem amigos e que os namoros que tive foram apenas virtuais, "eu não acredito que você já namorou alguém pela internet!", chocou-se ele. Contei da ameaça de morte por um dos meus irmãos, e de como meus pais preferem um filho morto a um filho gay. Ele se compadeceu e logo levantou-se e me puxou para o peito dele, onde ele tentava agora, me consolar. "Estar com alguém, no fundo", dizia eu, "significa que nada do que eu passei, do que eu ouvi dos meus pais e irmãos é real". Ele me olhou compadecido e, nesse momento, eu parei e pensei: "será que ele está com pena de mim?".
Já era meia-noite quando conversávamos, então o Anjo convidara-me para pernoitar em sua casa. Ele prepara  um colchão ao pé de sua cama. Foi quando reclamou de uma dor nas costas, além de uma crise de rinite, eu então me ofereci para fazer-lhe uma massagem para as costas, e uma sessão de reiki para a rinite. O reiki, uma técnica de cura japonesa, foi primeiro, porque eu sabia que já lhe deixaria mais relaxado. O Anjo inclusive chegou a cochilar rapidamente. Desperto, ele cobrou a massagem, deitando-se de bruços. Massageei-lhe as costas então, sentado sobre suas nádegas, quando ele falou: "Nossa, sentado assim na minha bunda você me deixa excitado!". Eu preferi não responder. Apenas continuei a massagem, todavia, quando terminei, o Anjo puxou-me para deitar com ele na cama e me abraçou, me aninhando no peito dele. Foi quando olhei para cima e ele me olhava firmemente, até que nossos lábios se aproximaram num beijo tímido, que logo cresceu até explodir em um sexo carinhoso, no qual os dois procuravam dar prazer ao outro e que denotava uma intimidade entre nós que eu nunca havia experimentado antes. Ele estava dentro de mim olhando sempre dentro dos meus olhos. Mas quando, no outro dia, eu acordei ao lado dele, nos tratamos como amigos, como se nada demais tivesse acontecido, como se tivesse acontecido apenas uma brincadeira inocente, eu parei e pensei: "será que ele só estava com tesão mesmo e, por acaso, eu era o único que estava lá?".
Na outra semana, o Anjo me ligou. "Ah, você vai fazer alguma coisa esta noite? É que eu 'tô sentindo falta de sua companhia! Vamos fazer qualquer coisa!". Eu, claro, concordei. Só troquei de roupa e já saí para encontrá-lo na porta de sua casa. Saindo de casa, ainda liguei para o Bruno contando o que estava acontecendo e ele, mais que eu, ficou todo animado. Cheguei já passando da meia-noite na porta do prédio dele e saímos para um bar ali perto: o Imperial. Sentamos numa mesa dentro do bar e uma das garçonetes, sorridente, veio nos atender. "Gente, há quanto tempo você não aparece por aqui". Surpreendi-me por ela me conhecer, se é que ela sabia mesmo com quem estava falando. Bebemos falando sobre Dostoiévski, musicais de Hollywood, parada gay do Rio de Janeiro e putas de Almodóvar. E por volta das 3h da manhã retornamos para a casa dele e, não demorou muito, já estávamos novamente entre beijos, sexo e gemidos que duraram até amanhecer. Foi ótimo, novamente! Dormimos juntos até meio-dia quando acordamos com o celular dele tocando. Era o tal, dono do blog que ele conhecera. O tal, cujo nome não me recordo, o convidava para sair, passaria lá em 15 minutos, e ele pulou da cama para banhar-se e encontra-lo. Desci o elevador com ele, com a resposta a todas as minhas perguntas bem claras naquele momento. Ele sente falta da minha companhia, porque eu sou uma boa companhia para sair; para ter bons papos, inteligentes e divertidos; para aconselha-lo quando ele tem problemas e, porque não, também sou ótimo para ter sexo casual, afinal sou bonito e bom de cama, porque não?, contudo, não sirvo, e não é apenas para ele, é para qualquer um, não sirvo para namorar. Para esta categoria, de namorado, ninguém considera que eu sirvo e, é por isso, que continuo sozinho.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Desisti De Você.

, em Belo Horizonte - MG, Brasil
os parenteses indicam pensamentos que não foram verbalizados.



Anjo: Ei, vem cá, vi no seu Facebook que você desistiu. Desistiu de quê?
Foxx: (sério que você me perguntou isso? sério? respondo ou não respondo... ah, foda-se!) É! Desisti de você.
Anjo: Ahnnn? Como assim?
Foxx: Bem, você sabe que eu estava interessado em ter você mais do quê como amigo, não sabe?
Anjo: Olha, Foxx, eu gosto muito de você. Mas não desse jeito. 
Foxx: Eu sei! E não fico chateado com você por isso.
Anjo: Você é uma pessoa incrível, mas a gente não manda nessas coisas do coração.
Foxx: (ah, manda sim!) ... Não se preocupe, lindo, mas como eu dizia, durante a noite eu percebi (quando você se agarrou com o Vini) que de forma alguma você ia, um dia, querer me namorar, então... mas, normal, gosto de sair com você, as conversas com você são sempre ótimas e eu me divirto muito quando estamos juntos, por isso eu não queria que a amizade ficasse abalada.
Anjo: Eu estou surpreso!
Foxx: Com o quê?
Anjo: Ah, normalmente nessas situações, você seria grosso e me xingaria muito...
Foxx: Gente?! Mas claro que não! Você não tem a menor culpa de não corresponder aos sentimentos que eu tenho por você.
Anjo: É! Definitivamente você é alguém realmente especial. Nunca vi alguém ser tão maduro numa situação como essa. Além, é claro, da sua sinceridade. Ninguém costuma ser tão sincero assim, normalmente, as pessoas apenas fingiriam que está tudo bem...
Foxx: (nem por isso você me namoraria) Pois é, meu querido, eu sou assim e espero de verdade que possámos ser amigos.
Anjo: Espera aí... quer dizer que quando você desapareceu foi porque você ficou chateado comigo ficando com o Vini?
Foxx: (exatamente!) Mas claro que não, eu saí p'ra comprar cigarro e, no meio do caminho, uma das meninas que mora comigo me ligou, em prantos, por causa de uma briga com o namorado dela... (obrigado Pat por inventar essa desculpa para mim).
Anjo: E ela está bem agora?
Foxx: Sim, está tudo bem, como diria Churchill, between the dead and wounded, save everyone.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Sorriso de Anjo

, em Belo Horizonte - MG, Brasil
Chovia fraquinho na rua, e ele esperava embaixo da marquise comigo o ônibus. "Não vou te deixar a essa hora sozinho aqui", me dizia, apesar de meus protestos, "o ônibus não vai demorar nada, você não precisa se preocupar". Mas ele insistiu e eu aceitei a gentileza. Sentamos em um degrau, ali embaixo, enquanto a água lavava o asfalto negro, ele do meu lado e me sorriu com aquele sorriso perfeito. Aquele sorriso dele que ilumina o coração, a alma, a vida de quem está perto. E sentou bem próximo, colou seu braço no meu e eu pensei: "Que se foda! Se eu levar um fora agora, eu desisto e pronto!". E enrosquei meu braço no dele.
Naquele momento, todas as conversas desde que saímos do filme do Woody Allen, no CineClub Savassi, com o primo dele, sobre o tipo físico de homem que o atraía, o que minha barriga (e só ela) me coloca de fora, pipocaram na minha mente naqueles segundos. Nos poucos segundos em que eu puxei meu braço para trás e o encaixei entre o dele e o seu tronco, os poucos segundos que demorei para deslizar até segurar sua mão e colocar meus dedos entre os dele. 
A sensação foi de alívio, no entanto, quando ele sorriu em resposta. E depois de euforia, quando após sorrir, se aproximou e me beijou. Um beijo lento, caloroso, linguas juntas, lábios que se encaixam. Depois eu me levantei, e ele veio junto, o beijo continou agora com nossos corpos colados, o abraço dele em torno do meu corpo, meu dedos cravados nas suas costas. Ele me beijou enquanto chovia na rua, agora tão intensa e fortemente quanto ele me beijava, e as vezes sorria, agora somente para mim. O meu Anjo me beijou novamente. E sorriu para mim.  

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Minha Vida É Uma Comédia *

, em Belo Horizonte - MG, Brasil
- Pois é, tenho mil coisas p'ra contar. Esse fim de semana foi agitado. 
- Não é, menino? Pois conte-me do Anjo lá (personagem daqui e daqui). O que aconteceu?
- Então, a pessoa me chama no MSN e convida p'ra gente ir correr. Ele sempre corre na praça da Liberdade. Eu respondi na hora um, desanimado, "pode ser", aí ele rebateu: "Poder ser aí na Lagoa da Pampulha!". E eu me assustei. Logo ele que sempre disse que sair da Savassi, onde ele mora, p'ra vir aqui p'ra Pampulha é uma viagem imensa. Que é longe demais! Aí, de repente, do nada, o menino me convida p'ra caminhar aqui?
- É verdade! Se ele sempre colocou esse obstáculo...
- Eu pensei imediatamente: esse Anjo quer coisa...
- Aí você aceitou?
- Mas é claro que sim! Quando Deus resolve me oferecer um dos seus anjos... the cutest guy de Belo Horizonte... ever... querendo passar a tarde comigo... eu também não sou idiota né?
- Não, não é!
- Você continua dando em cima dele pelo MSN?
- Sempre que ele está on-line. Desde que terminei com o Príncipe. Mas ele me ignora totalmente. Aí, de repente, ele me resolve aparecer aqui, vir aqui...
- E como foi?
- Bem, nós caminhamos, corremos, pela orla, depois ele foi lá p'ra casa...
- ELE FOI P'RA SUA CASA?!
- Sim, foi. Aí ficamos conversando. Ele com aquele sorriso que ilumina o ambiente. E só conversamos.
- Comassim só conversaram? Não aconteceu nada?
- Nada!... Quer dizer... teve um momento que ele sorriu, aí ficou em silêncio e me olhou nos olhos, foi um momento "me beija", eu acho.
- Você acha?
- É! Eu acho. Não tenho como saber se foi coisa da minha cabeça...
- Bem, parece que ele estava esperando você fazer alguma coisa.
- É, parece, mas eu fiquei com medo de avançar e ele dizer um: "Que é isso, cara? Tem nada a ver. A gente é amigo!". Pior que também teve um outro momento... (isso aqui 'tá parecendo a Rachel e o Ross e o seu famoso eye contact, né?)... continuando: eu fui deixá-lo na ponto de ônibus, e teve uma hora... bem... como vou explicar... ele fez um movimento querendo enxergar alguma coisa atrás de mim, e a boca dele passou a centímetros da minha, passou a centímetros da minha orelha, eu fiquei arrepiado até chegar em casa de novo. Mas eu preferi ficar na minha... pelo menos lá na hora.
- Na hora?
- É! Quando ele entrou no MSN de novo, isso no mesmo dia, já quase meia-noite, eu falei: "Nossa, você tem um sorriso muito bonito, sabia? Toda vez que você sorria me dava vontade de te beijar".
- E ele?
- Respondeu: "Obrigado". Só e somente... 
- Gente, esse menino é realmente estranho. Primeiro a estória lá do Estúdio, agora isso...
- Não é? Mas aí continuando o fim de semana... o Lex me liga, meia-noite: "Vamos porque vamos para o Estação"...
- Estação 2000?
- É! Eu sei que não é o melhor lugar p'ra ir no sábado. Mas eu nem pensei, o Lex quer conhecer o Andaluz que ele não conhece. Teria sido bem melhor... mas... eu me diverti com a menina fingindo que tava cantando. Sério! A menina tava dublando Beyoncé. E fingindo que era a voz dela.
- hauahauahauahuahaua.
- Pois então, lá, um menino pediu para o amigo dele chegar em mim. 
- Uia!
- Pois é, e como meu modos operandi agora inclui só ficar com pessoas que chegarem em mim, então fui conversar com o menino.
- E como ele era?
- Bonitinho, magro, uma barba bonita, só estava muito mal vestido.
- Mal vestido?
- Sim! Camisa listrada, calça xadrez cheia de zipers. Muito estranho! 
- hauahauhauahauahauahua. Nada que um banho de loja não resolva. 
- Com certeza! 
- Mas beijava bem, gostosinho, acabou que ele foi dormir comigo...
- Acabou seu celibato então? Zerou a contagem de 8 meses sem sexo?
- Deixa eu terminar a estória, caríssimo!
- ...
- Estavamos lá, eu comendo ele de frango assado, scratch his belly for inside, quando eu olho p'ra baixo... e vejo, simplesmente, a barriga dele banhada em sangue.
- QUÊ?!
- Pois é, o freio do pau dele rompeu. Amigo, era tanto sangue, mas tanto sangue, mas tanto sangue. 
- ...
- Mas muito sangue mesmo!!! Sujou toda minha roupa de cama!
- hauahuahauahauhaua... Você levou ele para um hospital, né?
- Calma, dramático. Foi um ferimento pequeno no freio, mas você imagina a quantidade de sangue que é bombeada para um pênis excitado né? Um ferimento pequeno vira um chafariz. Aí paramos, dei um banho nele, vimos o ferimento, um pouquinho de remédio para cicatrizar e nada de tocar no pau dele mais, nem deixá-lo excitado. Aí dormimos. E mandei ele não pegar no pau por umas semanas...
- Eu 'tô chocado!
- E nada de acabar com meus 8 meses sem sexo.
- ...
- Pois é...
- Foxx, amiguinho, eu não sabia, definitivamente, que você era assim tão fã da saga Crespúsculo.
- ¬ ¬'
- hauahuahauahauhauahau. Uma última piada para não perder a oportunidade: a música de vocês vai ter que ser keep bleeding, keep bleeding... 
- Eu não vou te apresentar a ele tão cedo, viu? Já tá sabendo né?
- hauhauahauahua.



* Diálogo semi-ficcional. Ele não aconteceu exatamente com estas palavras, na verdade, foram três conversas que foram reunidas em uma.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

PRESENTE: O Anjo, parte II

, em Belo Horizonte - MG, Brasil
O The L é uma boate de e para lésbicas. Tem uma pista pequena, pois a maior parte do espaço é tomado por mesas de madeira e cadeiras de ripa, simples, móveis de boteco. Ficam a direita, enquanto a esquerda um palco para música ao vivo, às vezes ocupado por um dj, toma mais um terço do espaço. Facilmente encontramos aquele lugar lotado, com filas dobrando o quarteirão. Lotado de meninas lindas, bem vestidas e de cabelos sempre lisos e escovados, usando belas roupas e caros cortes de cabelo. Contudo, aquela noite estava diferente. Poucas mulheres haviam ali, ao contrário, muito homens circulavam sob aquela meia luz. Bebíamos cerveja, novamente, e contávamos causos, o amigo do Behink contava suas estórias na Bahia, "Loiro na Bahia você já viu né? Faz sucesso!", quando uma mensagem chegou no meu celular: "Estou no The L, e você?", olhei então em volta e não o vi, até que ele passou na minha frente, indo ao banheiro, fiquei animado, mas não interrompi o caminho dele. Eu devia esperar.
Foi quando ele voltou, e dessa vez segurou a minha cintura, voltei-me e ele sorriu iluminando tudo e me beijou. "Que bom que você veio", e um novo beijo eu ganhei. Ficamos juntos toda a noite, dançando, cantando e bebendo juntos. Quem nos via julgavá-nos namorados de anos, apaixonados. E eu estava encantado. Conversamos muito. E rimos também. E o Behink, a distância, observava e comentava ao meu ouvido como estávamos bonitinhos juntos e quando resolveu ir embora, e eu e o amigo dele decidimos ficar, ele saiu me desejando sorte. "Sinto que dessa vez vai ser diferente, bicha! Não estraga nada não! Ok?". Sorrindo eu o abracei e voltei para o meu menino com nome de anjo, que me abraçou e beijou novamente.
Era alta madrugada quando decidimos ir embora e ele me convidou para ir para a casa dele e eu repeti para mim mesmo. "Mas nada de sexo, senão acabou!". E eu fui, e dormimos juntinhos e acordamos tarde, e ele sorrindo e segurando minha mão foi me deixar no ponto de ônibus, e pisando em nuvens eu cheguei em casa porque achava que havia conhecido um anjo.
E aí, nos dias posteriores, nas semanas posteriores, telefonei, tentei conversar com ele pelo MSN, mas apesar de tudo que aconteceu entre nós naquela noite tão estranha, pois fazia frio e era fim de primavera, ele reagiu como qualquer um, e a regra se fez valer, e ele foi frio e, por mais que eu tentasse contato, ele demonstrava que não queria mais nenhum. E sumiu, como um anjo, simplesmente sumiu no ar.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

PRESENTE: O Anjo, parte I

, em Belo Horizonte - MG, Brasil
Noite fria de primavera em Belo Horizonte. Já começaram as chuvas de verão que umedecem o ar da cidade e fazem a estação lembrar muito um inverno. Cheguei pontualmente ao Estúdio da Carne, onde havia combinado com o Behink, e acendi um cigarro enquanto esperava uma mesa. O lugar estava lotado, como sempre, pessoas conversavam e a música ambiente mal podia ser ouvida. Terminei o primeiro cigarro ainda sozinho e foi quando minha mesa ficou pronta e o garçom me levou até ela.
Sentei na mesa, de costas para a parede, observando o salão em que as pessoas bebiam e conversavam. E eu o vi, ele estava diante de mim. Sua mesa, escondida por uma coluna, não permitia que eu visse com quem conversava e ria. Então eu bebia minha cerveja e discretamente o admirava, afinal ele poderia estar com o namorado, mas também poderia não estar. Foi quando o Behink chegou, com o namorado e um amigo, sentaram-se ele e o namorado diante de mim, enquanto o amigo sentara a minha esquerda, e agora eu podia observá-lo com mais tranquilidade, por cima dos ombros do Bê.
Foi após isso que nossos olhares se cruzaram pela primeira vez. E ele sorriu. E ele sorriu e eu não acreditei. "Ele deve estar se divertindo com o bobinho aqui olhando para ele", pensei. Mas continuei a olhar mesmo assim, mesmo sentindo minhas bochechas ficarem vermelhas, mesmo acreditando que era impossível ele estar interessado em mim. Ele era lindo. Completamente, totalmente lindo. Um sorriso luminoso, olhos negros cobertos por um óculos cristalino, cabelo curto e magrinho. "É defintivamente meu tipo!", eu repetia. E ele continuava a me olhar e a sorrir.
Foi quando ele levantou e saiu com um Black e uma taça de vinho, se dirigindo a área de fumantes. Pedi uma caneta a garçonete e num guardanapo anotei meu telefone. Eu não planejara o que fazer ainda, entregaria-lhe o número e sairia, provavelmente. Essa era uma possibilidade! Mas pedi licença aos meninos na mesa, que agora me olhavam curiosos, e saí atrás dele. Cheguei lá e o vi, de costas, fumando. Acendi um cigarro, esperando o momento propício para abordá-lo. Foi quando ele se virou e me viu ali, com ele, e se aproximou.
Apresentações de praxe, e ele me contou seu nome de anjo, e eu meu nome de homem. "Camarada!". Conversamos pouco, na verdade, o que fazíamos, onde morávamos, se estávamos sozinhos. Ele estava com o irmão. Falamos de Natal e do Canadá, de onde ele acabara de chegar. Perguntou se eu pretendia esticar a noite e falei que ia para o The L com meus amigos ainda. "Este é o plano". Porém quando me virei, meus amgios já haviam pago a conta e agora saíam. Avisaram-me e eu falei com ele, despedindo-me, ele pediu meu telefone e eu entreguei-lhe o papel. Surpreso, eu expliquei-lhe que anotei para entregar a ele. Disse-lhe que havia saído para isso. "Então meu plano deu certo", disse ele, "porque eu saí com esta taça para você perceber que estava saindo e ficaria um tempo aqui e viesse atrpas de mim". Eu sorri, ele também, iluminando aquela noite fria. Foi quando ele me beijou. Ali na calçada do bar.
Reencontrei, então, os meus amigos e o namorado do Behink me deu os parabéns, "Alguém já saiu na frente", enquanto o Behink perguntava porque eu não o convidei para ir ao The L conosco. "Nós trocamos telefone, Bê, e ele sabe para onde estou indo", falei caminhando para o carro, "e se for me encontrar lá, já é uma prova que está interessado, não é?".