Google+ Estórias Do Mundo: China: Não Aceite Conselhos de Homens Bonitos

terça-feira, 9 de julho de 2013

China: Não Aceite Conselhos de Homens Bonitos

, em Natal - RN, Brasil



O Período dos Reinos Combatentes ocorreu de meados do século V a.C. até a unificação da China por Qin Shi Huan em 221 a.C.. Sua data de início costuma ser discutida, mas frequentemente cita-se 475 a.C., data da tripartição do reino de Jin, ou também o Período das Primaveras e Outonos, em 403 a.C. O nome de "Reinos Combates" vem de uma obra histórica compilada no século I a.C., em que uma coletânea de textos dos dois séculos anteriores - época extremamente importante do pensamento filosófico e da ciência chinesa - é marcado pela decadência política, pelo fim da capacidade de arbítrio e soberania da Dinastia Zhou sobre os problemas internos e o início de confrontos que vai separar o império em três. A guerra se intensifica no período, o que aparece nos inúmeros tratados militares publicados à época, estes demonstram a rápida evolução na maneira como executar a guerra. É deste período, por exemplo, os tratados de Guerra como a Arte da Guerra, de Sun Tzu, além dos livros de Sun Pin e Er-Hu. Estes célebres generais ousaram estabelecer técnicas cada vez mais refinadas para a guerra. 
Uma dessas técnicas está presente no livro do filósofo Mo Tzu. Ele adverte aos governantes de todos os estados ao usar, na guerra, os parentes e os homens bonitos como oficiais de justiça, porque estes levariam a uma má gestão do Estado. Mo Tzu não está falando, na verdade, para um governante específico, ele faz uma declaração geral para os "reis e senhores de hoje". O filósofo, contudo, não é contra o amor por pessoas do mesmo gênero, assim como ele não é contra os laços familiares, o que ele critica aqui é o nepotismo e o favoritismo, que segundo ele, é uma prática generalizada nos reinos da China. 
Mo Tzu dá exemplos de como a beleza pode destruir um reino, explica Tan Chong Kee. Ele conta primeiro a história do estado de Wu, em que Xi Shi, uma das mulheres mais bonitas que se tem registro na história chinesa, é usada para distrair o rei, abrindo caminho para a conquista do reino pelo rei de Yue. O exemplo seguinte dado pelo filósofo é do senhor de Jing que queria invadir Yu, porém como o senhor de Yu tinha um sábio conselheiro, este frustrava os seus planos. Então o senhor de Jing deu de presente ao senhor de Yu um homem extremamente bonito, o que era pratica comum presentear reis com concubinas, eunucos ou jovens rapazes, o rei ficou tão encantado por este belo homem que recusou-se a ouvir os conselhos de seu antigo conselheiro, ouvindo apenas os conselhos do seu belo amante. Aproveitando a oportunidade o rei de Jing invadiu e anexou Yu. 
É interessante notar como Mo Tzu faz um paralelo entre as duas histórias, do rei de Wu e de Yu, o primeiro distraído por uma mulher, o segundo por um homem. Não existe nenhuma crítica maior ao rei de Yu por este ter se rendido aos encantos de um homem. A critica só se dá no âmbito de abandonar seus deveres como rei e governante para se dedicar somente aos prazeres oferecidos pela beleza física de outra pessoa, independente do seu gênero. Não há estigma algum específico para as relações homoeróticas, elas são criticadas, quando o são, sempre no mesmo nível que relações heteroeróticas.




7 comentários:

  1. Quer dizer que não posso mais dar conselhos?! Hehehehe!

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    1. Convenhamos, Fred, todo mundo aqui sabe que seus conselhos são sempre perigosos. =)

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  2. Podemos concluir que a China piorou muito.

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  3. Muito interessante seu texto Foxx. E achei interessante também a visão do Mo Tzu, realmente, ouvir só o coração, poderia ser prejudicial numa guerra entre reinos e levar até a destruição do mesmo.

    Adoro esses seus textos, não só pelo contexto histórico mas, se pararmos para analisar eles sempre abordam fatos/questões que acontecem até hoje em dia. Esse, por exemplo, dá pra observar a quanto pode ser perigoso seguir sempre o coração.

    Belo texto, Foxx! ^^

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" Gosto de ouvir. Aprendi muita coisa por ouvir cuidadosamente."

Ernest Hemmingway