Google+ Estórias Do Mundo: Brincando de T.S. Eliot: Dicas para se ler melhor

quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

Brincando de T.S. Eliot: Dicas para se ler melhor


Quero dividir Lítio, de Patrício Júnior, ou minha experiência com ele, com vocês. Vou compartilhar com vocês dores, angústias e vibrantes agonias, lágrimas abortadas, sorrisos ácidos e, sobretudo, o incomodo que aquelas palavras, aquelas simples palavras, me causaram.
Não tenho nome de personagens a apresentar aqui (INCOMODO NUMERO UM). Não pude me apaixonar por nenhum deles porque os personagens de Patrício não tem consistência física que um nome pode dar. Eles são unicamente feitos de seus pensamentos. Muitas vezes de seus pensamentos sobre si mesmos, desfocados pela própria dor que os envolve. E sobre a história, para não estragar a brincadeira, eu só posso adiantar que tudo gira em torno de um suicídio (OUTRO INCOMODO, AFINAL FALAR DE MORTE SEMPRE INCOMODA). Personagens com vidas causticantes decidem sobre viver ou morrer. Sim. Este é o tema “elevador” do fragmentado Lítio: o livre arbítrio. A capacidade de escolher seus próprios caminhos que cada um de nós tem.
Fragmentado? Lítio é fragmentado? Ah, prestemos atenção, como diria Bourdieu, a narrativa. O ritmo narrativo de Lítio é fragmentado, ou abandonando meu cientificismo, não espere começar a história pelo começo. Abandonando o conselho do Rei de Copas, do País das Maravilhas, de Alice (Caroll), lembra?, Patrício começa seu livro quase pelo fim (TERCEIRO INCOMODO).
Em seguida, podemos falar das próprias palavras de Lítio. Definitivamente, Lítio não foi feito para quem vive em tons pasteis. Na verdade, inclusive, ele deveria ser vendido com uma tarja proibindo o consumo para aqueles que decoram seu quarto com objetos com o rosto da Hello Kitty ou daqueles que gostam de todos os tons alguma-coisa-bebê. As palavras escolhidas para Lítio muitas vezes doem (QUARTO INCOMODO).
Definitivamente sai incomodado de Lítio. Envolvido com aquelas palavras, a droga que ele se refere no título não diminui em nada a dor que as páginas de Patricio me impregnaram. Mas eu não sai deprimido do livro. Na verdade ele serviu de catarse para minha própria dor.Sai mais leve. Por isso, se você puder, leia Lítio. Sugiro que você ouça Frejat enquanto lê. Achei que funcionou muito bem. Mas eu tinha resolvido falar sobre livros não é? Música fica para uma outra vez.


Os clássicos sempre são dificeis de começar a ler. Mas aviso que eles são fantasmas que se a gente não enfrenta, eles voltam para nos perturbar. Os gregos são os primeiros clássicos a se ler. E os maiores fantasmas que podem nos perseguir. Sem sombra de dúvida. E Túcidides, apesar de não ser o que devemos indicar para quem quer começar (talvez a poesia, Ilíada, por exemplo, ou as comédias sejam mais indicadas para um iniciante), mas é uma boa idéia para quem gosta de se aventurar em livros sobre a guerra. Segundo palavras do autor: "Tucidides de Atenas escreveu a guerra dos peloponésios e atenienses tal como a fizeram uns contra os outros". Todavia não espere ver sangue na guerra de Tucidides, ele não fala da guerra de Ares; a guerra que Tucidides trata é aquela que é travada nas mesas dos governantes e nos discursos na ágora, é a guerra geniosa de Palas Athena.
Ele tenta expor a guerra numa narrativa linear, coisa que nunca tinha sido feita até então, pretendendo com isso conseguir provar a grandesa da guerra e demonstrar que seu método de estudo é uma forma útil para se pensar a história. Por isso, este livro é um dos clássicos da historiografia mundial, porque Tucidides cria o método para produzir História como ciência, elencando fontes históricas e depoimentos, aos quais ele dá todo o crédito da informação.


"Mate-me por favor" é a história bem recheada de sexo, drogas e rock'n'roll contada sobre os anos 70 e a Blank Generation, a geração vazia que criou a Contra-cultura após descobrir que o movimento hippie não conseguiu mudar o mundo em nada. Narrando o nascimento do que hoje foi batizado de punk, desde a Factory de Andy Warhol até o Max’s Kansas City nos anos 60 e 70, chegando ao Reino Unido nos anos 80, os autores, Legs McNeil - que cunhou o termo punk - e Gilliam McCain, apresentam a história do incompreendido fenômeno musical e poético, que é, antes de mais nada, o nascimento da indústria pop da música, sobretudo nos Estados Unidos.
Em centenas de entrevistas com todos os personagens originais, incluindo Iggy Pop, Patti Smith, Dee Dee e Joey Ramone, Debbie Harry, Nico, Wayne Kramer, Danny Fields, Richard Hell e Malcolm MacLaren, o que dá um tom narrativo extremamente divertido em todo o livro, penetra-se nos camarins, nos apartamentos, nas camas e entre as agulhas, comprimidos, ácido e pó, para reviver o que começou nas entranhas de Nova Iorque como uma pequena cena artística e se tornou um verdadeiro momento da música. 'Mate-me, por favor' começa quando o CBGB’s e o Bowery eram uma legítima terra de ninguém; revive os dias de glória de grupos comoo Velvet Underground, Ramones, MC5, Stooges, New York Dolls, Television e Patti Smith Group (ou seja, deve ser lido próximo do seu som, com uma bela coleção de cds) e disseca juntamente a morte de cada um desses grupos, curiosamente sempre envolvendo alguma droga, apenas isso que muda, qual tipo de droga: coca, maconha, ácido, apenas isso muda.
O grande problema do livro é a ausência das letra das músicas, apesar de referências constantes. É um livro para os fãs, pois conta com que o leitor tenha um conhecimento prévio sobre o assunto discorrido, ele espera que todos os leitores saibam que música está se citando, que música tem aquele verso, que música tem tão variação melótica. Um erro simples, um erro crasso, um erro claro de um jornalista. Mas mesmo assim, vale muito a pena.

6 comentários:

  1. nosssa.
    deve ser interresante esse livros.
    você comprou eles ou pegou emprestado.
    valeu pela vistia cara.
    abração

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  2. E ai cara!!
    Valeu pelas dicas dos livros...
    To sem nenhum livro interessante pra ler, e sem sugestão nenhuma.
    Espero q 2007 seja um ano maravilhoso pra todos nós...
    Bjão e ótimo fds!!!!!!

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  3. cara,
    tbm já li "lítio":muito bom! seu auor(patrício júnior) faz parte de "os jovens escribas".tbm vale a pena "contos bregas".
    abs.tertu

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  4. Fala bacana, valeu pela preocupação! O Blog está atualizado, veja, talvez vc entenda melhor minhas nóias... Abraço!

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  5. Fala bacana, valeu pela preocupação! O Blog está atualizado, veja, talvez vc entenda melhor minhas nóias... Abraço!

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  6. Me fascinei muito com o 3° livro o__o
    Sim, eu tenho conhecimento prévio sobre esses assuntos, amo mto muitas bandas dessas e, como conta sobre o movimento punk que eu adoro ler sobre, fiquei fascinado!
    Fora que ainda fala dos anos 80, quando surgiu o movimento gótico de que conhecemos hoje, trazido dos visigodos na época das invasões bárbaras do império romano, que tem uma cultura fascinante! [um pouco fora do comum, mas fascinante! - exemplo a arquitetura da igreja de notre dame, que é linda! é uma arquitetura gótica]

    Quanto que custou esse último livro? Me interessei de verdade!

    Grande abraço!

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" Gosto de ouvir. Aprendi muita coisa por ouvir cuidadosamente."

Ernest Hemmingway