- Uma última notícia: Agora a Argentina vota o casamento gay. Se o projeto for aprovado, a Argentina será o primeiro país latino-americano a permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Boa Noite... disse Alexandre Garcia, encerrando o Jornal Nacional na Globo.
Assistíamos eu, meu pai e minha mãe, na sala que eu havia mudado a decoração dias antes, quando a nova televisão chegou. Meu pai e eu sentados em um sofá, minha mãe numa poltrona, eu entre eles dois.
- Casamento o quê? Pergunta meu pai, assustado, mas recostado no braço do sofá.
- Casamento entre pessoas do mesmo sexo. Respondo, com um certo receio, olhando-o por cima do meu ombro.
- Deus me livre! - diz minha mãe do outro lado - Graças a Deus ninguém na nossa família tem essas idéias absurdas! Meu Deus!
- Até porque casamento só pode ser entre homem e mulher... diz meu pai, interrompendo minha mãe.
- O casamento é p'ra constintuir família, não isso... complementa minha mãe, como se não tivesse ouvido meu pai falar nada.
- Casamento é entre homem e mulher... repete meu pai, tentando atrair o centro da conversa para ele.
- Mas porque entre homem e mulher? Questiono tentando levandar a discussão, e percebo meu pai exitar como quem não tem muitos argumentos.
- É - diz minha mãe batendo no peito - e meus filhos que não inventem moda. Filho meu vai casar é com uma mulher de Deus.
Sou obrigado a ficar em silêncio, fiquei sem palavras, sem saber exatamente o que dizer. Um filme passou pela minha cabeça, dois na verdade: um, eu casando com uma mulher, uma mulher de Deus somente para enganar minha família; outro, eu batendo no peito naquele momento mesmo, e dizendo: "Me desculpa, mas desse mato aqui não sai coelho". Meu pai permanecia em silêncio também, no entanto, minha mãe decide que deve levar tudo para um outro rumo.
- Mas, venha cá, que não adianta a gente discutir isso porque a gente não muda nada, como é que você vai fazer quando vier definitivamente de Belo Horizonte para Natal? Como vai trazer suas coisas de lá?
- De ônibus, mãe, de ônibus. Mas eu só pensava: e agora?
Assistíamos eu, meu pai e minha mãe, na sala que eu havia mudado a decoração dias antes, quando a nova televisão chegou. Meu pai e eu sentados em um sofá, minha mãe numa poltrona, eu entre eles dois.
- Casamento o quê? Pergunta meu pai, assustado, mas recostado no braço do sofá.
- Casamento entre pessoas do mesmo sexo. Respondo, com um certo receio, olhando-o por cima do meu ombro.
- Deus me livre! - diz minha mãe do outro lado - Graças a Deus ninguém na nossa família tem essas idéias absurdas! Meu Deus!
- Até porque casamento só pode ser entre homem e mulher... diz meu pai, interrompendo minha mãe.
- O casamento é p'ra constintuir família, não isso... complementa minha mãe, como se não tivesse ouvido meu pai falar nada.
- Casamento é entre homem e mulher... repete meu pai, tentando atrair o centro da conversa para ele.
- Mas porque entre homem e mulher? Questiono tentando levandar a discussão, e percebo meu pai exitar como quem não tem muitos argumentos.
- É - diz minha mãe batendo no peito - e meus filhos que não inventem moda. Filho meu vai casar é com uma mulher de Deus.
Sou obrigado a ficar em silêncio, fiquei sem palavras, sem saber exatamente o que dizer. Um filme passou pela minha cabeça, dois na verdade: um, eu casando com uma mulher, uma mulher de Deus somente para enganar minha família; outro, eu batendo no peito naquele momento mesmo, e dizendo: "Me desculpa, mas desse mato aqui não sai coelho". Meu pai permanecia em silêncio também, no entanto, minha mãe decide que deve levar tudo para um outro rumo.
- Mas, venha cá, que não adianta a gente discutir isso porque a gente não muda nada, como é que você vai fazer quando vier definitivamente de Belo Horizonte para Natal? Como vai trazer suas coisas de lá?
- De ônibus, mãe, de ônibus. Mas eu só pensava: e agora?
