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sexta-feira, 15 de agosto de 2008

PRESENTE: 3, 2, 1, Feliz Aniversário!

Sábado, dia 9 de agosto, Josefine Classic. Eu chego lá, na verdade, já passaram da meia-noite, já é o décimo dia de agosto, o dia em que 27 anos atrás minha mãe me colocava no mundo sobre as estrelas de Leão, Touro, Sargitário e Virgem. Parabéns para mim. Fila na porta andando rápido, caixas e recebo fácil o meu cartão de consumo que vai direto para minha carteira Stalker. Caminho, mais seguranças na porta e, no lounge, me surpreendo com Walkíria de La Roche, a drag residente, deitada num divã acompanhada por dois go-go boys vestidos como marinheiros, sem camisa, dando-me as boas vindas e abrindo a cortina branca que dá para o bar principal e a pista central já aberta. Folhagens estilizadas em acrílico branco pendiam do teto, e no globo de vidro o nome Classic filtrava a luz refletida.
Eu estava sozinho naquela noite. Achando que a noite não ia render. Ledo engano! Fui para beber a meu aniversário e comemorar o simples fato de estar vivo, mas o destino me reservava coisas diferentes. Comecei apenas com uma Pepsi. Uma Pepsi, dois Carlton, recostei-me no queijo que os go-gos subiriam ainda aquela noite. E logo percebo como aquela noite, na Josefine, estava sendo diferente. De um lado, um cara baixinho com um peitoral largo e braços fortes me observa atento, mais a frente um japinha magrinho e definido me olha, do outro lado, uma bicha de cabelos longos presos num cóqui também tenta flertar. Dirijo-me ao bar, é hora de uma cerveja, uma, duas, três Skol Beats. No bar, percebo: é a primeira vez que retorno a Josefine desde que vim aqui com Sibill e Brunno, ou seja, uns seis meses, e como todos sabem como mudei nestes últimos seis meses, não é?
Quando volto ao queijo, os go-go boys já subiram. Observo o show e quando percebo, o japinha está do meu lado. Ele me olha insistentemente. Eu acabo por sorrir e ele sorri de volta. Diante de sorrisos, eu sempre me aproximo. Puxo papo, me apresento, ele também, mas ele está nervoso, envergonhado, tímido, acaba colocando a mão no meu ombro e saindo, eu volto ao bar. Fora Nº 1. Mas quando retorno com mais uma Skol Beats na mão, ele está lá de novo, no mesmo lugar, me olhando. Ele quer que eu volte? Arrependeu-se? Não, amigo, comigo não rola.
A segunda pista abriu, Denaday toca e ele é o melhor DJ daquela boate. Subo. A pista é menor, luzes coloridas cobrem todo o teto e um sofá negro domina a parede esquerda. Outro cigarro, e um menino loiro e sarado pede a amiga o isqueiro, eu com o meu na mão me adianto e acendo o cigarro dele, ele sorri, surpreso e agradecido. Vou para o outro lado da pista, passo novamente pelo bar, subo no nicho do DJ para cumprimenta-lo pela qualidade do som, paquero lá de cima com um negro, alto, forte, musculoso, ele retribuí, mas quando volto o perco de vista e, tempos depois, reencontro com o loiro, ele sorri. Diante de sorrisos, eu sempre me aproximo. Puxo papo, me apresento, ele também, mas ele está nervoso, envergonhado, tímido. "É que meu namorado está lá embaixo". Eu entendo e peço desculpas. "É que nenhum estranho nunca tinha sido tão educado e charmoso me acendendo o cigarro assim". E me deu um beijo na bochecha, eu o seguro então pela nuca e roubo-lhe um beijo que ele não evitou dar. Ele repete sem força que não deve fazer isso. "Omi, relaxe". Ele olha nos meus olhos com seus olhos castanhos, quase mel, e me puxa para o Dark Room da boate. Lá ele me beija sem medo, passo a mão pelo seu abdomên perfeito e sua bunda empinada, ele não se nega a aproveitar de minhas pernas e braços. "Olha, já faz muito tempo, seu namorado deve estar te procurando". Eu o vejo sorrir constrangido, apesar do escuro daquela sala. Saímos, ele desce a escada de um lado, eu volto para a pista que nos encontramos, decidido a comprar mais uma cerveja.
No caminho, reencontro o negro que paquerava comigo enquanto eu falava com o DJ. Ele se aproxima - realmente alto, penso, eu fico na altura do seu peitoral forte e largo - e ele nem chega a perguntar meu nome, apenas me puxa pela cintura, como se eu fosse um boneco de pano, e me beija. Um beijo rápido, com gosto de homem, sem delicadeza, nem sentimento, que quando terminou chegou a me deixar envergonhado, ele apenas continuou seu passo, reencontrando o amigo dele que estava observando, chocado, ao lado. "E desde quando você beija meninos?", gritou.
Envergonhado, sinceramente envergonhado pela forma que fui abordado, desci daquela pista. Não sem encontrar o japinha novamente me encarando agora ali. Ele provavelmente vira o negro me abordando e me beijando. Desci, entrando na pista principal da Josefine, o loiro foi o primeiro que eu encontrei. Ele nem olhou para mim, nem eu para ele, comprei outra cerveja, dancei ao som de Katy Perry, e novamente reencontrei o japinha atrás de mim. Agora eu tinha certeza, ele se arrependera do que tinha feito, provavelmente fora uma reação involuntária, ele deve ter entrado em pânico por alguém ter chegado nele, coisa comum até mesmo comigo. Às vezes você não está preparado para que aquela pessoa que você está olhando, também esteja olhando para você. Porém, ele já teve a chance dele e, às 4 da manhã, entrei em um táxi em direção ao Caiçara. Sozinho.


E novidades: A partir de Setembro estarei de portas abertas para receber vocês aqui em BH. Quer conhecer o Foxx? Pode vir a BH, você vai ter lugar para ficar.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

PASSADO: A Carta

"Vamos lá, que confusão toda é essa?". A diretora perguntava a nós três, de pé diante da mesa dela, eu, Karla e Cíntia, naquela sala apertada que servia de diretoria de uma escola estadual. Eu tinha a cabeça baixa, morrendo de vergonha, primeiro porque estava ali, nunca tinha ido a sala de um diretor escolar antes, e segundo pelos motivos pelos quais estava ali. "A culpa é dele", Karla resmungava, enquanto Cíntia estava ocupada soluçando. Eu levantei o rosto e vi um sorriso complascente da diretora, devia pensar como estes meninos são bobos, mas virou-se para mim e perguntou o que acontecera. "Ah, só me pediram para entregar uma carta". Karla contra-argumentava me acusando de mentiroso, perguntava quem ia fazer aquilo, eu mentia dizendo que não sabia, que era uma menina mais velha que eu não conhecia, a diretora me pedia uma descrição e eu joguei uma qualquer para cima dela, Cíntia soluçou um nome qualquer que deveria corresponder a minha descrição, mas Karla disse que a menina nunca faria isso. "Ela é da oitava série! Porquê ia fazer isso? ", nós éramos da sexta, sentíamo-nos ninguém diante de um aluno da oitava ou do segundo grau. Eles eram deuses! "E eu vi seu código na assinatura da carta, eu sei que foi você que escreveu", disse Cíntia agora chorando por achar que aquela carta iria revelar seus desejos de amor secretos. Amaldiçoei aquela idéia naquele instante: XOXOX deveriam proteger minha identidade, não tão facilmente revelá-la . Era uma carta anônima, de amor, mas anônima, a única carta ridícula que escrevi. Era para o Sílvio e quando eu ía colocar nas coisas dele, Karla perguntou o que era aquilo e eu inventei toda aquela estória, ela, então, arrancou o envelope de minha mão e pediu para ver. "E onde está essa carta?". Olhei para Cíntia com um certo alívio. "No lixo, eu rasguei, está lá".

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

PRESENTE: Devaneios no Inferno

"O Bruno não acorda p'ra gente sair, aff". Bato na porta do quarto, o chamo, nenhuma resposta. 21:50h marcam o relógio. "Ah, é a terceira vez que eu venho chamá-lo! Ele que me perdoe, mas tenho que ir tirar dinheiro". Corro no shopping ao lado de casa, o relógio da rua marca 21:54 e 20° quando chego. Vou direto ao caixa eletrônico, não sem notar nas vitrines como estou mais magro. "100 reais: caso decidamos ir a Josefine e não a Mary In Hell". Eu quero ir na Jô, mas o aniversário é do Théo, ele que escolhe. Saio do DelRey pela saída da Riachuelo, meu telefone então toca: Bruno. Viu minhas ligações para ele, provavelmente, feitas do meu quarto a alguns metros de distância, para tentar despertá-lo. Atendo, ele pergunta onde estou. "Indo para o aniversário do Théo, você vem junto?". Ele concorda. Corre para se arrumar, e eu volto para casa para esperá-lo. No caminho, telefono: Rajeik. "Ei, vamos demorar, a bela adormecida só acordou agora". Ele ri de seu jeito peculiar. Uma nota mais aguda que se mete lá. Uma hora depois, exatamente, Bruno está pronto e nos encaminhamos para o Centro e de lá para a Savassi.
Três cigarros distam o Centro da Savassi. A Savassi é uma praça cercada de lojas caras, de onde partem ruas estreitas das quais brotam bares, emos e MacDonalds. Meninos musculosos em camisetas justas também. Estes se encaminham para o Pátio, o shopping local, enquanto os emos, magrinhos e com seus cabelos cuidadosamente arrumados, preferem o frio da lua. Atravessamos o lugar, passamos por bares bahianos, restaurantes italianos, copos sujos de calçada e um vestido de noiva nos dirigindo a Tomé de Souza. Aviso a todos no caminho: "Se me aparecer algum zumbi na noite, eu vou embora viu?". O Bruno necessita de explicações e o Théo se encarrega de falar: "É que se você for vestido como zumbi hoje, você paga apenas metade da entrada". Enquanto eu repito mentalmente minha promessa, Bruno diz que se tivessem avisado a ele antes, ele teria se maquiado.
Mas logo as chamas pintadas na parede negra da boate aparecem a vista. Uma fila confusa está na porta. Identidades. Comandas. Botons de presente na entrada. Uma escada com tapete vermelho. No alto, uma porta se abre para um grande poster, a direita banheiros e a escada que leva para a pista, nos encaminhamos para esquerda, uma Kaiser Summer no bar, e sentamos num dos sofás negros que dominam as paredes dos três ambientes. Resolvemos descer. A música nos invade. "What are you waiting for? Nobody's gonna show you how, why wait for someone else to do what you can do, right now?". A pista, dominada por uma dj vestida como um personagem de animê, era um espaço pequeno. Ao descer você encontrava as pick-ups, e do lado oposto, um degrau abaixo, arcos negros formavam uma espécie de alcova, que dava para um inferninho. Um lounge de luzes vermelhas e paredes cobertas com cartazes de filmes antigos, a grande maioria de terror, pequenas mesas e alguns sofás em que sentavam-se emos magrelinhos com cara de quem falsificou a identidade, heteros antenados com pulseiras de couro e calças skinny, sapinhas estilosas com cabelos na chapinha e vestidos balonê, menininhas groupies de bandas de rock ou de anti-depressivos (não dá para saber).
Um cigarro. "This is so weird. Am I sleeping? Is this a dream?". Outra cerveja. Pessoas chegando, lugar lotando, olhares começando. Théo caçando do meu lado, me cutuca mostrando as pessoas. "Ah, eu gosto de caras mais velhos mesmo", ele diz. "I'm simply sick and tired of those (toy soldier), I don't want no more (toy soldier)". Mais um cigarro, outra cerveja. Subimos, na fila do banheiro encontro o Lipe, amigo do Rajeik, ele que me reconhece e vem falar comigo. Levo-o até os meninos e ele se agrega ao grupo. "Eu quero é ver o oco: sem controle, tocando fole, é o hora de dançar". E voltamos. Comprimidos perto da mesa do DJ, agora outro, Théo beija, enquanto Bruno e Rajeik namoram e eu danço funk até o chão com o Lipe. "Tô ficando atoladinha, tô ficando atoladinha, tô ficando atoladinha". Olhares em minha direção. "Não mesmo, você é muito pouco p'ra mim, eu quero aquele ali". Mas aquele ali já estava com outro.
Então me vi cercado. Théo beijando um desconhecido, Bruno e Rajeik namorando, o Lipe esperando que o próximo cara sarado-bombado olhasse para ele, e pensei: "Será que eu quero mesmo isso?". Namorar, estar com alguém, será que sinto falta realmente disso? Ou fui ensinado a sentir falta, porque todas as novelas que vi, músicas que ouvi e livros que li ensinaram que você só pode ser feliz se tiver um amor ao seu lado. Será que eu quero mesmo isso ou fui apenas programado? "Pane no sitema, alguém me desconfigurou". Ou pior, será que só sinto inveja? Será que me considero tão bom, tão melhor que os outros, que me corroí a idéia das pessoas naquele ambiente imitando um prostíbulo, onde facilmente se conseguiria beijos grátis, conseguirem homens tão bonitos e interessantes e eu não, não obstante, no fundo, eu não querer. No entanto, meu orgulho me empurra e quando reclamo, não é a carência que fala, mas um orgulho leonino ferido em seu íntimo. Mais um trago e junto com a fumaça, meus devaneios se perdem no ar.









Ah, recebi este selo do Goiano, com estas seguintes regras:

- O prêmio deve ser atribuído aos blogs que vocês considerem ser bons. Entende-se como bons blogs aqueles que vocês costumam visitar regularmente e deixar comentários.
- Se você recebeu o “Diz que até não é um mau blog”, deve escrever um post indicando a pessoa que lhe deu o prêmio com um link para o respectivo blog. Neste post devem aparecer o selo e as regras.
- Indique outros nove blogs ou sites para receberem o prêmio.
- Exibir orgulhosamente o selo do prêmio no seu blog, de preferência com um link para o post de quem te presenteou.

E os indicados são:
Mundo Alternativo
Mamma Sibill
Pequi com Pimenta
Vivendo em Kauan
Sou Pára-Raio de Doido
O Holograma
Mais Que Pensamentos
The Hedgehog's Dilemma
Saindo do Armário

domingo, 10 de agosto de 2008

MEU ANIVERSÁRIO

Bem, a idéia foi do Paulo, do Cantinho Escuro da Minha Mente, de fazer uma promoção tipo lojas C&A. O aniversário é meu, mas quem ganha os presentes são vocês. Sem mais delongas, aí estão:
E tenho dito!
Parabéns para mim!




PS: Sim, eu sou o novo Trintinha (apesar dos 27)!

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

PASSADO: Orgulhosamente

Acabara de anoitecer em Natal. Era uma terça feira qualquer de novembro. Verão. Noites quentes. Eu acabara de sair da universidade, descera de um ônibus que ia para a zona norte da cidade na Salgado Filho e subia a pe. João Damasceno em direção a Romualdo Galvão. Rua escura, com poucos postes, e muitas árvores. Encontrei-o no último quarteirão da rua, ele descia com um caderno, livros do mesmo curso de inglês que eu fazia, e a farda do Contemporâneo, provavelmente se dirigia ao cursinho. Mas não devia ser muito mais velho ou mais novo que eu: por volta de 20 anos. Loiro, de cabelo curto, de topete, olhos azuis reluzentes, músculos salientes que aquela farda só deixavam ainda mais ressaltados. Ele passou olhando para mim, eu é claro passei olhando para ele. Olhares se cruzaram, ele sorriu, eu sorri sem jeito, e quando ele passou, eu olhei para trás e ele continuava olhando, até que parou. Eu parei também. Ele sorriu, e eu me aproximei. Nomes trocados. Ele estava indo para o cursinho. Eu tinha prova de inglês dali a instantes. Ele do nível avançado, eu, do intermediário. E sob as árvores, ele me empurrou contra a parede e me beijou.
Não tinha carinho no beijo dele. Tinha desejo. Ele me empurrava contra a parede, e empurrava o corpo dele contra o meu. Eu sentia seus musculos, sua barriga firme e o peitoral trabalhado, ele gostava de minha mão vasculhando o corpo dele. A mão dele, no entanto, só procurava um lugar: minha bunda. Ele a apertava. Tentava senti-la por sob a calça, mas não, ali não. Ele me olhou nos olhos. "Você dá um tempo e depois me segue". Sem entender seu objetivo, obedeci. Ele caminhou de volta para o curso, eu o seguia a uma distancia razoavel. Ele subiu dois andares, no mais vazio, ele foi ao banheiro, e logo eu entendi o que ele queria.
Não, não desisti porque ele entrou no banheiro. Não desistiria aos 20 anos, e provavelmente não desistiria hoje. Entrei, e ele estava na porta de um reservado, sorrindo. Foi somente ali que eu vi que seus olhos eram tão azuis. Foi só ali que eu percebi o quanto ele era bonito. Sob a luz de um banheiro. Ele não foi carinhoso. Quase me empurrou para dentro do reservado e fechou a porta atrás de si. Beijou-me, novamente apertando minha bunda e, desta vez, minhas mãos foram mais ousadas. Sim, segurei-lhe o pau, e pela calça já tomei um susto. Grande, muito grande, e grosso, muito grosso. Ele se animou com minha ousadia, e rapidamente se desvencilhou da calça e aí sim tomei meu maior susto. Sem sombra de dúvida aquele menino loiro tinha o maior pau que eu já tinha visto em minha vida. Grande, não menor que vinte e dois centimentros, e muito grosso, eu não conseguia fechar minha mão. "Assustado, eu disse não". Ele tentou argumentar, eu disse que era o maior que eu já tinha visto, ali, em pé, eu nunca ia conseguir. "Uma outra vez, com mais calma". Ele aceitou.
Pedi telefone, ele preferiu anotar o meu. Beijou-me mais, enquanto eu o masturbava e ele apertava minha bunda, ousou inclusive colocar sua mão dentro da minha calça para sentir-me a pele. Ficamos lá mais um pouco, até a hora que eu precisava ir. Quando eu me recompunha, ele falou: "Olha, se você me vê nos corredores, não fala comigo 'tá?". Como é que é? Por que não? Por que não posso falar com você? Essas perguntas me ferviam o cérebro. Borbulhavam. Eu estava indignado, ele tinha vergonha de ser visto comigo? "Quem sai primeiro?", ele perguntou. Eu nem respondi, apenas saí. Fui para minha sala direto, sentei, com ódio dele, com ódio do cheiro dele que estava na minha pele. Ele, inclusive, por outras tantas vezes me ligou. Sempre com seu telefone no confidencial. Convidava-me para sair, ou após cruzar-me comigo no corredor, ligava me chamando para o mesmo banheiro. Eu desconversava, porque o ódio por aquelas últimas palavras me era superior. Ele tinha vergonha de mim, pensava eu, e eu não ficaria perto de alguém que tem vergonha de ser visto comigo.
Mas será? Hoje, penso melhor. Mais maduro, eu penso melhor. E tenho dúvidas se ele realmente tinha vergonha de mim ou de se sentir atraído por mim. De não poder resistir, de me desejar, de provavelmente passar os dias tentanto não pensar no que eu o fiz sentir naquele banheiro, de querer mais. A vergonha que ele sentia não era de mim, era dele. Ele tinha vergonha de si mesmo. Talvez, então, se eu tivesse dado uma outra chance, ele tivesse entendido que não tinha motivos para ter vergonha, que não precisava ter que manter aquela namorada, que o que ele realmente gostava era bem diferente dela. Talvez, ele tivesse aprendido muito mais sobre ele. Talvez... mas isto nós nunca vamos saber, meu orgulho leonino não permitiu.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

PRESENTE: Se Não Pode Vencê-los, Junte-se a Eles?

Eu não gosto de homem que gosta de homem. Pronto! Falei! Agora explico: eu gosto de V-I-A-D-O. Porque homem gosta de mulher, 'tá? Encubados, enrustidos, hétero-que-come-bichas, não, não estou falando disso. Eles não estão incluídos nem na lista de possibilidades porque de problemático já basta eu. Estou falando é daqueles bem resolvidos, alguns até assumidos, todos com seu objeto de desejo bem acertado, sem problemas de perversão. Falo dos que se comportam como héteros, mas que gostam de homem. Estou falando que se é para manter o lugar social que se mantenha todo ele.
Comecei a falar difícil? Lugar social? Calma, eu explico! Lugar social é aquilo que a sociedade espera de um sujeito quando este ocupa um determinado lugar dentro dela mesma. É o comportamento que a sociedade exige quando você se propõe a ocupar um determinado papel. Existe o papel de pai, existe o papel de mãe, de homem casado, de mulher casada, de padre, de bombeiro, de policial, de bandido. Imagine-se num grande teatro, e cada um tem que interpretar o papel que escolheu, e o diretor é carrasco, ele não permite que você altere em nada o personagem que escolheu vivenciar.
Entre estes papeis, entre estes personagens, entre estes lugares sociais, um dos mais claros em todas as sociedades históricas e pré-históricas é definido pelo gênero, existe o papel masculino e o papel feminino, e fazendo uma rápida generalizada, observamos o primeiro associado ao papel de proteção e liderança, e o segundo de fragilidade e manutenção. E, caso alguém pense em contra-argumentar dizendo que existiram sociedades matriarcais durante, sobretudo, a pré-história européia, aviso: não existem provas históricas de que tal regime de fato existiu. Estatuetas de idolatria de deusas não configura um matriarcado, no máximo, uma posição de igualdade entre homens e mulheres cujo ciclo celta do Rei Arthur é um bom exemplo.
Não obstante, como a História e a Antropologia estão ai para provar, estes papeis masculinos e femininos não se confundem com os tipos sexuais até o século XIX (Ah, não confundir: gênero, masculino e feminino; sexo, heterossexual e homossexual). A partir dos oitocentos, graças aos escritos de homens com obras tão diversas tal qual Freud e o Marquês de Sade, o heterossexual masculino - o homem - e o homossexual feminino - a lésbica - foram aproximados, também o heterossexual feminino - a mulher - e o homossexual masculino - o pederasta. Hoje, no entanto, quando os gays assumiram orgulhosamente sua própria existência, eles passaram a exigir o mesmo lugar do heterossexual masculino, o mesmo papel que era reservado ao homem, isto é, o mesmo comportamento, a mesma imagem, a mesma vida. É um movimento perceptível a necessidade de voltar a ser homem, mas sem negar seus próprios desejos. Isto, por um motivo óbvio: o homossexual masculino não quer ser apontado, ridicularizado, humilhado, o que algumas gerações atrás usavam o "armário" para se proteger, hoje assumir o comportamento/ lugar social hetero masculino é o escudo. Quando antes ninguém queria ser descoberto, hoje quer se ouvir durante o outting que você nem parece ser gay. Não se nega o desejo - este quase foi perdoado pelo discurso politicamente correto que vivemos hoje - mas se nega o lugar social, aquilo que a sociedade espera da bichinha, o famoso estereotipo.
Vocês acham que é pura coincidência que personagens gays em séries de tv, novelas e filmes possam todos ser confundidos com heteros? Isto não é a mídia tentando destruir um preconceito. É a mídia encontrando um preconceito que ela pode usar. E por que isso me irrita? Porque eu não consigo aceitar que o papel do heterossexual masculino seja o tipo padrão. Em outras palavras, por que para um homem ser homem ele tem que ser um homem hetero? Por que os homens heteros são os modelos que nós devemos imitar? Por que eles são como nós deveríamos ser? Por que o jeito deles viverem é o jeito correto? É isso? Então, se for meus amigos, não é nos comportando como eles que vamos acertar, a gente tem é que pegar mulher. E aí, lanço o desafio, quem vai ser o primeiro a tentar?

segunda-feira, 28 de julho de 2008

PASSADO: O Dia Em Que Eu Nasci



Segunda feira, 10 de Agosto de 1981, 23:30h, Natal, Rio Grande do Norte, lat: 5º 47' 42" Sul, long: 35º 12' 34" Oeste.

O Sol Dominante estava em 18° Leão 20' 17", a Lua em 24° Sargitário 30' 41". E Touro Ascendente no horizonte em 22° 15', iniciando o meu mapa astral. Uma regra simples define muito bem um mapa: os planetas mostram o que acontece; os signos mostram como acontece e as casas mostram onde acontece. O ascendente marca a casa I do mapa, a Casa do Corpo também chamada de Casa Ascendente. É aquilo que viemos buscar, chamem de missão, aquilo que devemos nos tornar. É através deste signo, no meu caso Touro e os asteiróides Quíron em 22° Touro 43' 15" e Varun em 16° Gêmeos 36' 10", que expresso minha individualidade. Touro é a solidez. É manter os pés no chão. É evitar sonhar, e sim transformar os sonhos em objetivos e tentar materializá-los. E agir. É ser sensivel e realista, ao mesmo tempo, e não ser mais do que você tem a capacidade de se tornar. Humildade.
Marte Retrógrado em 15° Câncer 48' 16" é a segunda casa do meu mapa astral. Talentos, posses e recursos, materiais ou não, e necessidade de realização fazem parte da segunda casa. Aquilo que entendemos como segurança pessoal. A casa em que Marte se encontra demonstra onde a pessoa tem mais força. Em que área da sua vida a pessoa é um melhor guerreiro. E como ele também está em Câncer demonstra que meu poder maior é a emoção e o sentimento, que me defendo expondo quem sou, apesar da insegurança com minha auto-imagem.
O asteiróide Nesso em 26º Câncer 21' 37", e em Leão, o Sol, um Nódulo em 1° 30' 7", os asteiroides Orcus em 2° 8' 56", Palas em 10° 30' 16", Ísis em 18° 28' 31", Apolo em 19° 51' 7" e o planeta Mercúrio em 19º 15' 32" reinam sobre minha terceira casa. A terceira casa, a Casa dos Irmãos, representa nossa comunicação e expressão, aprendizado e ensino. Este posicionamento confere-me possibilidades de sucesso nos assuntos intelectuais e nos relacionamentos com amigos, graças a minha capacidade de expressar o que sinto de forma clara e tangível. Paralelamente me torna sensível a dispersão entre diversos objetivos, no entanto, Palas, Ísis e Apolo controlam esta tendência me oferecendo a virtude do equilíbrio.
Minha casa IV, ou o Fundo do Céu, têm Vênus Retrógrado em 21° Virgem 4' 29" como regente, junto com Eos em 0° Virgem 40' 52", Ceres em 6º 22' 4", Cibele em 15° 17' 13" e Verte 16° 48' 40". Ela representa nossas raízes, nossa família e a herança psicológica. A quarta casa também se refere à nossa mãe. Vênus sendo o planeta do amor, caindo em Virgem, o signo da perfeição, e ainda de forma retrógrada, influencia-me de forma mais intensa a pensar o amor como um virginiano pensa a vida, ou seja, nada mais do que o perfeito importa. Eos, Ceres e Cibele reforçam a idéia que para que esse amor seja perfeito ele precisa ser cultivado, não é uma paixão a primeira vista, necessita de trabalho e esforço, isso lembra que a quarta casa também aponta para o queserá construído apenas na segunda metade da nossa vida.
Minha casa V, a Casa da Criança Interior, temos, em Libra, Vesta em 3° 13' 21", Saturno Exaltado em 6° 28 ' 5", Júpiter em 7º 47' 17", Ariadne em 8° 34' 5", Plutão em 21° 59' 13" e Clio em 24° 0' 13". O signo e os planetas nesta casa nos mostram onde e como podemos usar nossa criatividade. É o lugar onde nossos limites podem ser ultrapassados, onde descobrimos o poder que possuímos. Clio, Saturno e Plutão falam do passado, falam de coisas enterradas que devem ser trazidas a tona. Da história. Ariadne fala de caminhos que são difíceis de trilhar, mas que a gente sempre encontra o caminho correto por percorrer. Júpiter fala de força e poder, e estando em Libra, força associada a justiça que é reforçada pela presença de Vesta.
Minha sexta casa, a Casa dos Tios, a casa responsável por disciplinar a função criativa da Casa V, a casa do emprego, mas também a casa das doenças - aquilo que limita também teu corpo - está vazia de planetas mas é regida por Libra, a justiça materializada, e Escorpião, o mal controlado, e tem os asteiroides, em Libra, Nikê em 28° 5' 41" e Juno em 29° 8' 54", reforçam a idéia de justiça do signo, apesar de Juno representar o castigo, mais que a justiça, e em Esporpião, Dike em 3° 18' 54", Quaoa em 12° 53' 26" e Íxion em 13° 37' 12", dizem que aquilo que de mal te acontecer é apenas resultado de suas próprias ações.
Lilith, ou a Lua Negra, em 25° Escorpião 5' 40", Urano Exaltado em 26° Escorpião 4' 16" e Ájax Retrógrado em 14° Sargitário 44' 19", no entanto, regem minha sétima casa. A Casa Descendente, o ponto que desaparece no horizonte no dia que nascemos, fala dos nossos relacionamentos íntimos. O signo ou os planetas que se encontram na nossa sétima casa indicam os tipos de parceiros pelos quais nos atraímos, o que buscamos ou repelimos nos outros. Por isto a sétima casa é também a casa dos nossos inimigos declarados. Lilith nesta casa representa o sombrio dentro de nós. Qualquer corpo celeste retrógrado em Sargitário significa tédio, Ájax, no entanto, representa isso com muito mais força. Estes são meus inimigos, o que me enfraquece. Urano, no entanto, fala do que me atrai: criatividade, idealismo, amizade, originalidade. Mas também tenho Urano em Escorpião e isso me faz adorar experimentar. De tudo! E de todos!
A casa VIII, a primeira casa que fala do fora do seu corpo, é a única que eu tenho algum planeta, representa nossas experiências místicas. No meu mapa, a Lua e Netuno em 22° Sargitário 13' 49", Enya em 5° Capricórnio 10' 7", um ponto forte em 16° Capricórnio 4' 33" reinam sobre a casa. Netuno representa a inspiração criadora, a fé, a intuição, indica a sua ligação com o Universo, nesta posição ele me fala de poderes premonitórios e grande contato com o mundo espiritual. Os aspectos em Capricórnio só reforçam essa habilidade intimista como o signo costuma ser.
As casas IX, a Casa dos Sogros e dos Netos, também a casa que fala sobre religião e filosofia, sobre intelectualidade, viagens longas e outras línguas é regida por Capricórnio - o signo mais preso ao antigo - e Aquário - o mais aberto ao novo -, este é o principal conflito que eu vivo. A vontade de manter-se firmemente preso a terra, Touro, e a necessidade intrísseca de deixar a cabeça arejar nas nuvens. Na casa X, ou a Casa do Meio do Céu, que se refere a profissão, o lugar que ela nos faz ocupar na sociedade, a nossa reputação, o modo como “chegamos lá” são assuntos da décima casa que tem o Meio Céu a 19° Aquário 21' e Ártemis em 21° Aquário 10' 46", que indicam a possibilidade de vislumbrar o variável, o excitante desconhecido, sempre com o destino me empurrando para situações fora do meu controle.
A décima primeira casa, a Casa dos Amigos, nos mostra os amigos que atraímos e como os fazemos, mas também a maneira como avaliamos as possibilidades de realizar nossos sonhos. Peixes e Áries, Éris em 15° Áries 22' 44" e Pholus em 7° Áries 29' 23" regem esta casa. Éris na Casa dos Amigos fala de brigas, amizades que duram pouco; Pholus, de amigos que costumam me trair. Áries fala de uma posição realista sobre si e sobre os sonhos. Sonhos muitos, porque Peixes é sonhador, mas sonhos que devem ser transformados em objetivos e, se lutar, para transformá-los em realidade.
E a casa XII, a Casa dos Inimigos, representa o desejo de se unir a algo maior. É onde fugimos e escapamos de nossa realidade. É também o fim dos ciclos e seus recomeços. É a casa de nossos segredos e do que gostaríamos de esconder, regida no meu caso por Áries e Touro, o que no fim quer dizer que não há segredos, além de Eros em 6° Touro 36' 26" e Sedna em 7° Touro 9' 44", que contam da minha necessidade de amor para sentir-me completo.