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terça-feira, 12 de agosto de 2014

Diga "Trinta-e-três".

, em Natal - RN, Brasil
Gente, 33. Cheguei. E acho que a crise dos 30 chegou atrasada para mim. Tudo bem que na minha família as coisas são assim mesmo. Desreguladas. Minha voz só mudou aos 21 anos (até lá eu tinha voz de garotinha), meu cabelo começou a cair aos 17, os primeiros fios brancos da barba começaram aos 25, eu ainda tenho dentes de leite. Essa genética maluca. E também agora, três anos atrasada, que a crise dos trinta se instalou. Acordei, dia 11 de agosto, com ela, quando acordei aos 33 anos. Um ano de Touro começou para mim, de realizações, de concentração de energias com objetivos práticos, de enraizamento de valores e de observar as próprias e mais sólidas qualidades; segundo a astrologia, este ano é um ano de germinação daquilo que foi plantado, meus projetos, ideias e impulsos criarão raízes e se firmarão, tudo lentamente, porque meu ascendente é preguiçoso, mas fecundo, tudo vai brotar. Parece que será um bom ano, não é?
Mas eu estou preocupado. Muito preocupado! Agora eu tenho 33 anos e a primeira coisa que penso é o que eu fiz com a minha vida até aqui? Eu me considero um fracassado, apesar dos meus inúmeros talentos e qualidades, eu não construí nada. Comparo-me (e talvez este seja meu erro) aos meus irmãos e colegas de escola. Todos estão casados, pais de família, e contam-me sobre suas vidas e sobre aquilo que conquistaram. Ou aos meus amigos, eles têm seus namorados, conheceram a Europa e tem bons salários que lhes permitem uma vida confortável. Materialmente e emocionalmente, o que foi que eu construí?
Tenho óbvio, também, algumas conquistas. Intelectualmente, de fato, aos 30 eu já era professor doutor, não que isto seja muita coisa, não é, acreditem, é apenas um título, mas este título significa uma vida dedicada à academia com uma paixão que dava gosto de ver. Espiritualmente, também, eu tenho motivos para me orgulhar. Ser agora aspirante ao sacerdócio da minha igreja, meu trabalho como terapeuta reikiano e meus dons mediúnicos (e o bem que posso fazer a outras pessoas com eles) são motivos de orgulho. Mas notem que todas estas coisas são internas. Quando eu olho para fora de mim, que eu procuro algo para me dar segurança, algo que eu possa literalmente me apoiar como uma espécie de lastro, é esta minha necessidade de amor, tal qual é minha necessidade de tranquilidade financeira, preciso de algo para me manter acima da superfície quando o universo tenta nos afogar. Usando a mesma metáfora, meus ganhos intelectuais e espirituais são como a habilidade de alguém de nadar, evita que eu morra afogado; mas o amor e o dinheiro que me faltam seria o barco que me protegeria da violência do mar. 
É deste barco, desta proteção, que eu me vejo privado ainda com 33 anos e isso me assusta. Meu medo é que eu nunca consiga sentir-me seguro na vida que eu tenho, que tudo sempre seja um risco, que eu não possa caminhar tranquilo pela vida que eu decidi seguir, meu medo é de não ter onde me enraizar, a verdade é esta. Quero crescer, quero ver meus frutos, quero poder gerar sombra para os outros também (tô todo trabalhado na metáfora hoje) e para isso eu preciso de solo firme sobre meus pés. Mas cadê? É por isto o meu medo agora que chego a iniciação crística. Só me resta torcer para merecer aquilo que o meu mapa astral está mostrando agora para o meu ano seja verdade. Espero que seja possível. 




sexta-feira, 30 de agosto de 2013

O Blog

, em Natal - RN, Brasil
Comecei o Estórias do Mundo naqueles já tão distantes anos de 2006, não como minha primeira experiência no mundo dos blogs, porém a primeira na qual eu decidi contar a verdade. Sob o disfarce da raposa, eu podia finalmente escrever sobre todos os aspectos de minha vida e, nisto, sobretudo, minha sexualidade. Inspirado pelo Divã do meu amigo Delano, eu me dispus a contar tudo o que acontece no meu mundo.
O blog começou com uma divisão: Presente e Passado , em que eu me revezava entre contar estórias recentes e também um exercício de retornar ao meu passado, revolvendo poeira, enfiando o dedo em feridas, fazendo acusações, me auto analisando, foram, de fato, 4 anos de terapia, encerrada em 2010 por causa de conselhos do meu ex-namorado que disse-me que meu passado somente bloqueava meu futuro porque eu continuava preso a ele, por causa dessas palavras dele, eu também abandonei a coluna sobre o meu passado porque ela era o ícone de como meu passado se mantinha ativo em minha vida.
O Tato, meu primeiro e único namorado, foi uma das pessoas maravilhosas que eu conheci através do blog. Mas ele não foi o único. E para contar essa estória, deixem-me contar um pouco de História. Eu divido os blogs em eras, quando eles começaram, de 2001 até a época que comecei o estilo diário de bordo (log) era evidente e a grande questão apresentada por estes blogueiros era: "ai, meu Deus, eu sou gay, e agora?". O perfil dos blogueiros era de meninos muito jovens e as questões de aceitação, de descoberta do mundo gay, em resumo, da saída do armário era muito próxima a todos. Meus primeiros textos inclusive também vão nessa direção, mas meu primeiro texto foi em setembro de 2006, em outubro eu já estava cansado destas questões que eu já havia superado aos 25 anos de idade. 
E quando o Delano lançou seu texto assumindo que era garoto de programa, ele, sem querer, lançou o manifesto que criou a segunda geração de blogs gays. Gosto de chama-los "I'm here, I'm queer, deal with it!", eu segui-lhe, meu texto Sedutor Acidental modificou radicalmente os tipos de textos que eu iria escrever dali em diante. E, orgulho-me em dizer, que foi por causa do diálogo que nós dois iniciamos ali em que começamos a narrar as delícias da vida gay que houve uma reviravolta no discurso de boa parte dos blogs gays brasileiros. Foi uma época de contar baladas, narrar conquistas sexuais, relatar experiências ilegais e imorais, mas principalmente de exibir todo o glamour que a vida gay poderia conceder para jovens que tinham sua vida toda para frente e eram orgulhosos de terem nascidos como eram. 
Isso atraiu um boom de novos leitores e de blogayros, e isso, somado ao fato de que eu e o Trintinha em busca de elogios e de comentários também resolvermos exercitar nosso exibicionismo com fotos, que não valem a pena serem revistas (se querem ver as fotos que publiquei por aqui vejam estas que ainda valem a pena: Meu Aniversário, Solteiro, Sozinho ou Solitário, Raposa Vermelha, Urocyon Cinereoargenteus), atraíram também um grande número de weirdos, mas um sem número de pessoas incríveis que passaram pela blogosfera e deixaram muita saudade, que sinceramente não dá para colocar seus nomes aqui sem fazer uma lista quilométrica. Mas é preciso citar os amigos que foram feitos através deste blog, nos seus anos iniciais, e permanecem em minha vida hoje: BrunoEtílico, Samuel Bryan, Alternativo e Rajeik.
No entanto, minha vida sofreu imensas reviravoltas e aquele menino que eu era em 2006 morreu em 2010, quando, após dois anos em Belo Horizonte, eu vi meus sonhos se transformando em areia e escorrendo por entre meus dedos. Nos últimos 3 anos meu blog não faz parte, não mais, desta vida de glamour gay que envolvia baladas e tornou-se extremamente mais intimista, apesar de oscilar em momentos de total devassidão sexual, como no A Vida de Heitor Renard, minha websérie sobre a vida de um parte de mim que podia viver sem esperar amor, a nova coluna sobre história da homossexualidade, HomoHistória, para dias em que discuto sobre como estou infeliz nesta vida que tenho levado. É radical a transformação do menino de 25 anos que eu era em 2006 para o homem que me tornei aos 32 em 2013, porém o trajeto ficou registrado neste blog cada passo, cada percalço, cada mudança de opinião, cada aprendizado, cada nova experiência, ficou nestas páginas virtuais registrado. 
Começo com este texto a programação de aniversário do blog, vou trazer surpresas para vocês por aqui, mas este texto é principalmente para agradecer a todos! Aos poucos antigos leitores que restam, aos nem tão antigos assim que são bem numerosos (Bê, Rafael Morello, Gato, Cara Comum, que agora é o Leão, Fred, Edu, Serginho, apenas algum para representar vocês porque uma lista seria impraticável), e aos vários novos (Adriano, Cocada G, Ariano, entre vários outros), além, é claro, de todos os anônimos (que eu adoraria que adotassem um nome como o Robson, que assina o comentário, só para que eu sabia se vocês estão voltando, sabe?), o meu profundo obrigado por virem sempre aqui para puxar minha orelha, dar-me conselhos, comemorar comigo ou simplesmente deixar seu abraço. Meu carinho por vocês é imenso!

sábado, 10 de agosto de 2013

Trinta-e-dois

, em Natal - RN, Brasil


O que significa fazer trinta e dois anos me pergunto, sempre olhando para trás, para todos os tipos de menino, rapaz e homem que já fui e deixei de ser. Todos eles me olham atônitos, tanto quanto eu, afirmando veementemente: "É você quem tem que saber".

***

Não sei o que esperar. Não sei mais sonhar. O futuro se tornou para mim uma turva massa de acontecimentos nascidos mortos. Não existe luz ou paz. Olhar para o meu futuro é ver abortos espontâneos. É enxergar inúmeras possibilidades que se afogam nos líquidos podres dos corpos puídos de chances anteriores que já nasceram mortas. É ver o nascer eterno de sonhos que nem berram quando nascem. Um ou outro até que chora, mas é um choro sufocado de quem está morrendo afogado por um passado negro que escorre como gosma para dentro destes pulmões que tentam avisar que estão vivos.

***

Eu não tenho porque levantar de manhã. Acordo, abro os olhos todos os dias e penso: "Amanheceu, mais um dia", e levanto, tomo banho, preparo meu almoço e vou para o trabalho, somente porque tenho contas a pagar, porque eu preferia estar na minha cama porque não há motivos para levantar de manhã.
Eu não tenho porque levantar de manhã. Não tenho nada para construir, nada de significativo que eu possa fazer, não tenho propósito, apenas sobreviver. Acordo para esperar o dia de morrer e torço que seja logo porque sei que não farei a menor falta, porque afinal de contas ninguém precisa de mim. Sou um desperdício de pele e oxigênio, um inútil. Não serve para nada eu ter que levantar toda manhã.
Eu não tenho porque levantar de manhã. Eu não tenho um objetivo a alcançar, eu não tenho um sonho a realizar, eu não tenho uma pessoa para amar, eu apenas espero agora o dia que finalmente eu não vou acordar, meus olhos não abrirão mais e eu, graças a misericórdia divina, não terei de levantar de manhã.

***

Penso onde eu estava ano passado neste mesma época. Começando em um emprego novo, numa área completamente nova e morando com meus pais, completamente sem amigos na cidade em que eu me criei porque, segundo meus amigos mais antigos, eu havia me tornado uma pessoa chata porque só tinha problemas para dividir. Hoje o emprego novo é o velho, fui efetivado antes do período, recebi elogios, e fui promovido para novas responsabilidades, mas neste novo lugar eu cometi alguns erros, o que, considero eu, é comum em quem está aprendendo algo novo, mas que não foi nada bem visto pelos meus chefes. Hoje, estou com a corda no pescoço no velho emprego. Saí, também, da casa dos meus pais, finalmente uma vitória e um alívio. Saí porque era impossível continuar convivendo com eles após sair completamente do armário, não podia conviver com minha mãe querendo me curar, e, ironicamente, sair de casa, novamente, fez muito bem a minha relação com meus pais, eles se tornaram mais carinhosos e, da forma deles, aceitaram definitivamente minha sexualidade, o que quer dizer que eles não tocam mais no assunto. É como nossa relação funciona: quando sou uma visita na casa deles. Também conheci mais pessoas, fiz novos amigos, tenho companhia agora para tomar uma cerveja sentado em um bar, tenho até saído um pouco demais, bebido demais, fumado demais, tenho, realmente, admito, e meus amigos antigos até tentaram se aproximar, mas seus namoros e casamentos, com namorados e maridos que não são meus amigos, continuam os segurando longe de mim. É triste, mas é verdade. Em meu aniversário ano passado, eu recebi uma previsão que os meus sofrimentos não estava perto de fim, no meu aniversário de 31 anos eu tinha atravessado apenas metade da provação que me era destinada, a cruz ficou um pouco mais leve, mas ainda é pesada demais para continuar carregando.  A finquei na terra, e sentei-me a sua sombra, cansei de carregá-la. Só me resta esperar eu ter forças para ergue-la de novo.

***

Feliz aniversário para mim. Feliz trinta-e-dois anos de solidão.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Testículos

, em Natal - RN, Brasil
O Chefe

Sai na hora do almoço para encontrar meus pais. Minha cama quebrou e precisava ir com meus pais para comprar uma cama nova. Aproveitei o horário do almoço então para encontra-los. No caminho, indo a loja, meu chefe liga. "Você vai demorar muito no almoço?". Falo que não, e ele me avisa que aconteceu um problema com uma das contas que eu cuido. Para eu voltar logo para cuidar disso. Eu conto que estava com meus pais, mas logo estaria de volta. Faço a compra e retorno preocupado ao trabalho, e sou recebido por uma torta de caramelo, refrigerante e salgadinho, e meu chefe (que também é um amigo de faculdade) cantando parabéns para mim junto com os outros funcionários. "Fico muito feliz de você estar trabalhando aqui comigo", ele fala, após um abraço, "Fico feliz em ver que eu estou te ajudando a se recuperar". 

O Marido

Estou me despedindo do Bê, no Skype, ele me desejava feliz aniversário, quando o marido dele chega. Deseja-me também feliz aniversário e eles desligam a câmera. Mas o Bê me manda uma última mensagem quando antes de ir: "Meu marido disse que se você viesse para Berlim teria muitos namorados". 

O Medium

Após receber um passe e ter passado por uma limpeza, o medium vira-se para mim e diz, numa voz grave: "Você está apenas na metade do caminho, viu? Estes problemas, este sofrimento, tudo isso que você está passando é um teste cármico, e você ainda está na metade dele. Do teste, digo. Ainda não acabou". E, pensando bem, agora eu apenas reconheci que sempre estarei sozinho, ainda tem todo o caminho pela frente para não me sentir magoado todas as vezes que lembrar disso.

O Hetero

Sentei na mesa do bar para esperar o Andarilho e o Peter para comemorar meu aniversário. O Bob também iria me encontrar lá. Já havia pedido uma cerveja quando reparei um par de olhos verdes que olhavam em minha direção numa mesa não muito distante. Dava inclusive para ouvir a conversa deles. Falavam sobre como fulana era gostosa, e aqueles olhos verdes eram um dos mais animados em dizer que ela era gostosa. Eu olhei para trás, pensando que ele podia estar olhando para outra pessoa, talvez uma gostosa, mas só havia a parede branca do bar atrás de mim. Ele estava olhando para mim, e eu, estranhando, sorri. E da outra mesa ele sorriu para mim. Foi neste instante que o Bob chegou e ai quando eu procurei novamente os olhos verdes, nem ele, nem os amigos, estavam ainda na mesa.


sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Retorno de Saturno

, em Belo Horizonte - MG, Brasil
"Perdi vinte em vinte nove amizades 
por conta de uma pedra em minhas mãos"

Sim, perdi.
Neste ano, desde que fiz 29, talvez graças ao retorno de Saturno, minha vida se desestabilizou completamente. Processo este que começou aos 27 quando vim morara em Belo Horizonte. Explica a astrologia (e essa é a melhor, ou a única, explicação que tenho) que entre 27 e 29 anos Saturno completa uma volta em torno do Sol, é quando ele se aproxima do ponto exato que estava quando do seu nascimento que tudo que você tem por garantido é chacoalhado até as fundações. A ideia é que aquilo que se mantiver de pé é aquilo com o qual você poderá contar no novo ciclo de mais vinte e nove anos.
Foi exatamente o que me aconteceu nestes últimos anos, sobretudo neste último. Tudo o que eu tinha por garantido, tudo o que eu achava que possuía, foi vibrantemente desolado e transformado em pó. Quase nada resistiu. E eu me vi, desesperado, implorando por ajuda. E pedi. Ah, como pedi por ajuda. Contudo, os ditos amigos, aqueles que eu podia recorrer, me faltaram. Não que eles sumiram, de repente, se afastaram aos poucos, se afirmando cansados, exaustos, de tentar ajudar e não conseguir. Eles avisaram, é um fato. Mas, um por um, me abandonaram, desaparecendo de minha vida, repetindo que é impossível ficar do lado de alguém tão negativo. Eu me vi sozinho.
E eu os entendo. Realmente os entendo. Mas quem disse que neste processo eu podia simplesmente esquecer tudo o que se passava e sorrir? Eu não podia, eu ainda não posso. Não obstante, eu não nego, a pedra cantada por Renato Russo realmente estava em minhas mãos, mas um bom amigo teria ficado ao meu lado mesmo assim. Porque é assim que amigos verdadeiros agem, eles estão ao seu lado "na alegria e na tristeza". Porque era tudo o que eu precisava neste último ano, sobretudo, um bom amigo. Contudo, por outro lado, voltando a astrologia, o retorno de Saturno é uma época em que tudo o que é falso e ruim na sua vida é afastado, para dar espaço ao novo, para que você renasça das cinzas. Neste ponto, o afastamento destes amigos que se "cansaram de mim" torna-se um favor que eles me prestaram e só reforça a qualidade dos únicos que ficaram. Por isso eu agradeço aos únicos que permaneceram, Bê e Bruno. Muito obrigado!

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Feliz Trinta (Péssimos) Anos

, em Belo Horizonte - MG, Brasil



São trinta anos. Trinta! Três décadas. São trinta anos, são trinta péssimos anos. São trinta anos dos quais sobrevivi. Sobrevivi a pais que me consideravam doente, a surras constantes do meu pai e humilhações da minha mãe. Sobrevivi ao desprezo dos meus irmãos durante trinta anos. À vergonha que eles sentiam de mim e até a ameaça de morte de um deles. Eu sobrevivi ao bullying na escola e à solidão da falta de amigos. Eu sobrevivi às pessoas que se aproximaram porque queriam algo de mim e quando conseguiam me jogavam fora. Eu sobrevivi à homofobia dentro da faculdade, ao preconceito que me impedia de conseguir empregos, à falta de respeito que os meus alunos tinham ao ver um professor "bichinha" dentro da sala, e consegui sempre ganhar-lhes o respeito. Eu sobrevivi aos mais de seiscentos homens com os quais já fiz sexo, homens estes que com certeza não lembram mais de mim. Eu sobrevivi. Sobrevivi à morte e o esfacelamento de todos os meus sonhos, um por um, mas sobrevivi. Sobrevivi nestes trinta péssimos anos, sobrevivi e superei tudo isso.
Superei o preconceito dos meus pais e entendi que não passava de uma ignorância que não quer dizer que eles não me amem, eles somente não aprenderam a lidar com o diferente. Uma falha do sistema de ensino. Não posso culpá-los. Eu superei o desprezo dos meus irmãos e aprendi a  ter orgulho de mim mesmo, porque se eles não conseguem enxergar que só tem motivos para se orgulhar do irmão "bichinha" (percebi isso quando passei no vestibular, o primeiro em toda família, e depois concursos, mestrado e doutorado, também sempre o primeiro na família), eles que não merecem me chamar de irmão. Eu também superei o bullying na escola, o qual me fazia ter medo até de sair de casa, e aprendi que todo aquele preconceito, cada palavra de ódio jogada na minha cara me tornaram o homem que sou hoje, aquele que sai de casa de cabeça erguida, que nunca abaixa os olhos quando se vê discriminado, e que se necessário sai no braço sim. Eu superei a homofobia dos outros também, quando finalmente superei a minha. Quando me aceitei como gay, como efeminado, me aceitei completamente, e quando finalmente assinei o atestado de foda-se para todos, o respeito veio imediatamente, porque você não recebe respeito quando você ainda acredita que está fazendo algo do qual deve se envergonhar. Eu também superei os aproveitadores, porque eu entendi que eu tenho milhões de qualidades e que mesmo os meus defeitos também me tornam único e especial, e se alguém precisa que eu lhes dê dinheiro para estar comigo, por exemplo, é porque esta pessoa não vale mesmo a pena. Também aprendi que amigos verdadeiros admiram você pelos seus defeitos e qualidades, e ter meus defeitos só tornam aquelas pessoas que se aproximam verdadeiramente ainda mais especiais. Eu superei também o sexo sem significado e, finalmente, entendi que eu também merecia o amor, e agora eu não corro mais o risco de contrair alguma doença em um acidente qualquer. Afinal quem fazia sexo com pelo menos três homens, praticamente desconhecidos, por semana, podia sim ter pego algo. Eu só não superei a solidão ainda, a solidão que me acompanha nesses trinta péssimos anos, mas pelo menos eu sobrevivi até agora, muitos não conseguem.


HOJE É MEU ANIVERSÁRIO.
10/08/1981 - 10/08/2011
30 ANOS

terça-feira, 21 de setembro de 2010

PROMOÇÃO DE ANIVERSÁRIO: Estórias do Meu Mundo



Caros amigos blogayros, então, estes aqui são os concorrentes do nosso concurso. Textos lindos foram postados, coisas lindas foram escritas, e agora cabe a vocês escolherem o vencedor. Leiam os textos, conheçam os blogs que não conheciam ainda, e votem na enquete que está ai ao lado, em outubro, dia 4, revelarei em um vídeo, o primeiro vídeo em que vou aparecer aqui no blog, o nome do grande vencedor. Agradeço a todos os que participaram, e agradeço a todos que vão votar.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

PROMOÇÃO DE ANIVERSÁRIO

Sim, dia 21 de setembro este dignissimo blog completa seus cinco anos de existência. Cinco anos atrás o blog começou a tomar forma inspirado no lindo e vermelho-sangue Sunshine, e muita gente passou por aqui todos esses anos, pessoas que deram contribuições maravilhosas a minha vida por meio de alguns minutos que gastaram lendo meus textos e comentando. Amigos que abandonaram seus blogs por seus diversos motivos, os que me ensinaram muito, os que eu admirei profundamente, deixo aqui um saudoso abraço em todos. Também quero lembrar dos amigos que somente perdi contato, que por um motivo ou outro sumiram daqui, eu agradeço cada momento que eles perderam lendo minhas "mal traçadas linhas". Agradeço também, mais e sobretudo, aos que neste cinco anos permanecem lendo o meu blog e acompanharam às grandes mudanças que minha vida tem sido levada, nem todas tão agradáveis como eu desejaria. Agradeço sobretudo as lágrimas que vocês ajudaram a secar. Muito obrigado. E quero também agradecer a todos aqueles que recentemente apareceram por aqui, agradeço a todos por renovarem a vida deste blog e continuarem achando que eu tenho algo que vale a pena ser dito. Muito obrigado a todos.



Agora a promoção. Até dia 21, cada blogayro que resolver participar (por favor avisem logo abaixo) deve postar no seu blog um texto que vocês publicariam aqui no Estórias do Mundo, um texto que vocês considerem como a cara do meu pequeno blog. Como parte da promoção o post deve conter o título "ESTÓRIAS DO MEU MUNDO:" para que possamos uniformiza-los. Dia 21 listarei aqui no blog todos os participantes e começará a votação do público e do juri formado por blogayros e ex-blogayros, com peso 1 e 2, respectivamente. Como prêmio temos dois: primeiro o vencedor terá o texto publicado aqui e, segundo, vai receber em casa, autografado, recém saído do prelo, meu livro Espartanos.
Então, quem topa participar?

terça-feira, 10 de agosto de 2010

365 dias para 30 anos

Hoje faço 29 anos. E uma nova fase se inicia. Talvez por causa do retorno de Saturno, ou porque três décadas seja um peso considerável, ninguém passa incólume por esse ano que eu começo a viver agora. Segundo o meu mapa astral, um ano de Touro. Mas quais são as grandes mudanças da minha vida? Eu sinceramente não sei. Nunca me imaginei com 29 anos e aguardando os 30. Não fiz planos para chegar aos 30 anos. Mas podemos aqui pensar o que eu já fiz e o que deixei de fazer. Pode ser um jogo interessante.



Eu fiz sexo com mais pessoas do que posso contar, mas amei apenas uma e acho que somente uma vez fui amado de verdade. Fiz sexo em banheiros, em camas, em terrenos baldios, em móteis, com garotos de programa ou com pessoas que não sabiam nem escrever meu nome. Conheci muitas pessoas, mas pouquissimas ficaram, a maioria me achou chato, irritante, pedante ou descartável. Mas conquistei grandes amigos e poucas pessoas, mas sinceras, me dedicaram sua admiração. Com certeza fiz mais inimigos do que amigos. Ajudei aquelas pessoas no que estava ao meu alcance, contudo, as poucas vezes que precisei do apoio de pessoas, foi naquelas que eu menos esperava ajuda que a mão se estendeu mais facilmente. Já conheci pessoas que tive vergonha de apresentar para meus amigos e já outras que estar do lado delas me enchia de orgulho.
Aprendi muito, li muito, vi muita tv e li muitos quadrinhos, mas viajei pouco e vivi menos ainda. Falta muita coisa a aprender, muita coisa pra ler e muita tv para ver. Adoro seriados de tv. Continuo com uma sede de vida, do que a vida pode me oferecer, me mostrar, me desafiar. Nunca sai do país, mas não moro mais com meus pais. Saí do armário para todos os meus amigos, e por aqueles que não me aceitaram eu não derramei nenhuma lágrima, mas tenho pavor de fazer o mesmo para a minha família. Nunca tive um filho, mas plantei inúmeras árvores e escrevi quatro artigos, um livro, publiquei outro e estou editando o meu primeiro romance e escrevendo uma tese. Espartanos vai sair logo. Escrevi poesia, mas abandonei logo o ramo de poeta. Fiz curso de desenho por correspondência, e realmente aprendi.
Criei peixes e periquitos, mas nunca tive um cachorro ou um gato. Meu novo peixe se chama Barnabe, por causa de um filme da Sabrina, a Feiticeira Adolescente. Aprendi grego, inglês e espanhol, mas meu francês e italiano são ridículos. Já pesei 89kg, e também já cheguei a 60kg e tive uma barriga tanquinho, agora eu vivo de dieta e sonho em ser anoréxico, mas adoro pão. Sofro homofobia na pele todo dia que piso na rua, tenho medo de ser agredido e, quiçá, morto qualquer dia, mas tenho esperança que a lei seja aprovada logo. Já participei de reuniões budistas e frequento a Igreja católica com minha mãe, e tenho reservas sinceras contra o protestantismo evangélico que infesta o Brasil. Fiz aula de canto e de dança, também de kung fu, mas não sei dirigir até hoje.
Joguei handebol na escola, participei de coral e só passei a usar a internet em 1999. Já tive cadastro no Disponível e no Manhunt, e no Almas gêmeas. Tive e-mails no Bol, Zipmail, Yahoo, MagicLink, mas agora utilizo o Hotmail e o Gmail. Eu não falava o artigo na frente dos nomes pessoais, mas quando me mudei para Belo Horizonte adquiri esse hábito. Não falo "oxi" ou "oxente", mas adoro o meu sotaque de T's e D's surdos. Nunca me considerei bonito, apesar de realmente não ser muito difícil eu conseguir ficar com alguém, mas sempre me vejo como gordo, desinteressante ou bichinha demais, e sempre acho que todo mundo é areia demais para o meu caminhãozinho. Sou dramático, mas pé-no-chão. Não gosto de fazer convites, prefiro ser convidado. Não falo com ninguém se este não falar comigo antes. Tenho medo de incomodar, de ofender, de ferir, de magoar, de expôr.
Escolhi os nomes para meus filhos todos baseados em livros. Fernando, por causa de Senhora de José de Alencar; Alexandre, por causa de Portões de Fogo de Steven Pressfield; mas o que mora no meu coração é Heitor, por causa da Ilíada de Homero. Nunca me imaginei tendo uma filha. E sim, eu pretendo adotar esta criança. Sonho em ser professor de História Antiga numa universidade federal, por isso abandonei Natal e vim para cá fazer meu doutorado, mas também eu esperava que aqui as pessoas me achassem mais interessante do que na cidade onde eu nasci. Errei profundamente. Continuo aqui chato, irritante, pedante ou descartável, apesar de bom de cama.
Descobri recentemente que na verdade as pessoas têm vergonha de me apresentar a seus amigos. Sempre me pedem dinheiro em troca de sexo, mas eu gasto meu dinheiro com livros, bebida ou cigarro. Tenho mais roupas que meus três irmãos juntos, e sapatos também. Sou gay, mas já achei que eu era bi, o que me deixou bastante confuso. Já fiz ioga, musculação e gosto de fazer caminhadas longas. Gosto de praia e de raios e trovões, sou filho de Iemanjá e Xangô, mas Oxum luta pelo meu ori. Sou versátil, mas comecei passivo, no entanto, quando descobri o que era ser ativo nunca mais larguei o osso. Mas gosto de ser passivo, gosto sim. Não tenho mais o menor saco para pegação.
Gosto de ser útil e de ser importante para alguém. Eu sonhava com alguém que me amasse e que por isso eu me tornaria importante para ele, mas desisti deste sonho, não porque ninguém possa me amar, mas porque eu cansei de procurar. Tenho medo da solidão e adoro os mais magrinhos. Falso magro para mim é o que chamo de corpo perfeito. Depilo minhas costas, mas parei de depilar a bunda. Meu quarto só tem moveis reciclados, com excessão da mesa do computador. Meu computador foi R$ 800,00. Sou alérgico a maioria dos perfumes e o único desodorante que posso usar é Rexona Women Cotton. E eu concordo com meus amigos que acham que a Unilever quer dominar o mundo. Tenho 12 óculos escuros, e minha visão é completamente perfeita. Sou um bom cozinheiro, mas não sei fazer suco. Até hoje me enrolo na hora de colocar a camisinha.
Jogo tarot, baralho cigano, faço mapa astral e leio mão, e tenho um medo terrível do meu futuro. Sou reikiano e apaixonado por X-Men. Coleciono desde meus 12 anos e tenho todas as revistas já publicadas no Brasil. Algumas valem um bom dinheiro. Compro livros em sebos e livrarias e adoro comprar livros. Meu irmão me deu um canivete de presente, aceitei pensando que nunca teria uma oportunidade de usar, quando esta oportunidade apareceu o canivete estava guardado em casa. Tenho um poster de Rodin na parede do meu quarto e um papiro egípcio que me trouxeram do Cairo e cristais no parapeito da janela.
A raposa se tornou meu símbolo graças a meu primeiro namorado, mas hoje provavelmente ele nem se lembra mais disso. Sou facilmente esquecido pelas pessoas que passam por minha vida, pelo menos é o que eu acho. Eu no entanto lembro de todas elas. Tenho uma excelente memória que muitas vezes me faz reviver over and over again certos momentos constrangedores do meu passado. Contudo, uma dose de tequila apaga minha memória por pelo menos as últimas 4 horas. Detesto amnésia alcóolica.
Nunca me apaixonei por um amigo, mas os amo devotada e verdadeiramente. Já pensei em suicídio, mais de uma vez. E já tive chulé e chato, e tenho uma alergia que nenhum médico descobriu exatamente ao que é. Já frequentei psicólogos e acho a maior perda de tempo ever. Adoro ganhar e dar presente. Não sou chocolátra, nem bipolar. Gosto de fazer faxina e já pintei meu cabelo de borgonha e ele ficou vermelho e horrível. Sou careca e odeio isso profundamente. Sou efeminado e aprendi que tenho que odiar é quem me odeia pela forma que eu nasci. Gosto de celulares Nokia e tenho um Sony Erickson. Tive um namorado imaginário chamado Bruno. Tenho imaginação até demais, para dizer a verdade. Não sou altruísta, ajudo as pessoas porque me dá prazer ajuda-las. Já roubei chocolate no Carrefour e a carteira do meu irmão mais velho.
Já tomei Bloody Mary e Lemon Drops, também Sex On The Beach e China Village Mai Tai, e quero provar um Cosmopolitan. Leio tudo que cai na minha mão, mas odeio romances espíritas. Penduro minhas camisetas em cabides separadas por cor. Durmo com quatro travesseiros e amo meu nome russo. Nunca tive paciência para pintura, mas minha mãe sempre me comprava guaches e aquarelas. Foi minha mãe que sempre me incentivou a ler muito. Tenho dentes meio amarelados e meu cabelo, o que resta, é oleoso. Sei fazer argamassa, usar prumo, levantar parede e mexer em instalações elétricas, meu pai me ensinou. Tenho uma maleta de ferramentas. Corpos sarados atraem sim meu olhar, mas um bom papo é tão bom quanto. Acho a Júnior e a Dom revistas para quem não tem o que fazer com sua vida. Vai ler Foucault, amigo! Só tomo leite com achocolatado. Não uso colar ou anel, mas gosto de pulseiras. Sou apaixonado por fotografia. Não sou mais um menino, deixei isso para trás, agora é esperar para ver que tipo de homem eu vou ser.

domingo, 10 de agosto de 2008

MEU ANIVERSÁRIO

Bem, a idéia foi do Paulo, do Cantinho Escuro da Minha Mente, de fazer uma promoção tipo lojas C&A. O aniversário é meu, mas quem ganha os presentes são vocês. Sem mais delongas, aí estão:
E tenho dito!
Parabéns para mim!




PS: Sim, eu sou o novo Trintinha (apesar dos 27)!

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

PRESENTE: FELIZ ANIVERSÁRIO


Para evitar dramas no meu aniversário, eu mesmo me homenagiei (essa palavra está certa pelo amor de Cristo?)




O Leãozinho

Caetano Veloso

Composição: Caetano Veloso

gosto muito de te ver leãozinho
caminhando sob o sol
gosto muito de você leãozinho
para desentristecer leãozinhoo
meu coração tão só
basta eu encontrar você no caminho
um filhote de leão
raio da manhã
arrastando o meu olhar como um ímã
o meu coração é o sol
pai de toda cor
quando ele lhe doura a pele ao léu
gosto de te ver ao sol leãozinho
de te ver entrar no mar
tua pele
tua luz
tua juba
gosto de ficar ao sol leãozinho
de molhar minha juba
de estar perto de você e entrar numa