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terça-feira, 25 de outubro de 2011

Egito: As Máximas de Ptah-hotep

, em Belo Horizonte - MG, Brasil
Busto de Ptah-Hotep


Ptah-hotep era o administrador da cidade e primeiro-ministro (ou vizir) durante o reinado do faraó Djedkaré Isesi, na V Dinastia, entre 2380 e 2342 a.C.. Ele e seus descendentes foram sepultados em Saqquara, na necrópole em que os grandes faraós foram sepultados também, numa mastaba ao norte. E seu túmulo tornou-se famoso pelas representações nas paredes como as que esta aqui abaixo, que o representam no seu trabalho de administração da cidade:

Decoração do túmulo de Ptah-Hotep

Os ensinamentos atribuídos a este vizir encontram-se registados de forma completa no Papiro Prisse – assim chamado devido ao egiptólogo francês Émile Prisse d'Avennes, que o encontrou na necrópole de Tebas ainda no século XIX. O Papiro Prisse foi datado do Império Médio, cerca de 1900 a.C, e hoje se encontra na Biblioteca Nacional da França. Além deste papiro, o texto ainda pode ser encontrado em dois papiros que encontram no Museu Britânico, um também do Império Médio e outro do Novo Império (a partir de 1580 a.C.), e também na Tábua Carnavon I, do Museu Egípcio do Cairo. 
Segundo o texto encontrado nesse conjunto de documentos, Ptah-hotep, já em idade avançada, solicitou ao faraó a possibilidade de retirar-se do seu cargo de vizir, solicitando que seu filho o substituisse, o que seria habitual já que na sociedade egípcia se esperava que o filho seguisse a profissão do pai. O faraó aceitou a proposta do seu vizir e este então decidiu que deveria transmitir os seus conhecimentos sobre a vida para o filho.
O texto então divide-se em: 
1) Prólogo, no qual Ptah-hotep se apresenta perante o rei pedindo a sua saída do cargo;
2) As Máximas, 37 conselhos que o vizir dá ao próprio filho;
3) Epílogo
Segundo Miriam Lichteim, este texto, no entanto, provavelmente foi composto no final da VI Dinastia, isto é, muito tempo depois da morte do vizir. Segundo a egiptóloga, as Máximas eram conselhos repetidos pela cultura popular egípcia que foram reunidos em um manual cuja autoria fora atribuída ao vizir para garantir maior autoridade aos ensinamentos. Estes ensinamentos não tem nenhuma ordem aparente, contudo versam sobre as coisas mais simples da vida egípcia, como educação dos filhos, "como é maravilhoso um filho que obedece o pai; cuidado com os campos, "se você trabalhar duro, e se o crescimento acontece como deveria nos campos, é porque o deus tem colocado abundância em suas mãos"; relacionamentos matrimoniais, "ame a sua esposa com paixão"; além de ensinamentos morais como evitar o ódio, a ganância e o ressentimento.
Sobre relações homoeróticas, o parágrafo 32 é a única referência: 

Não copule [nk] com um menino-mulher [hmtj], porque você sabe que isso (geralmente) é opor a [necessidade] ao seu coração, e isso que está em seu corpo não será acalmado. Deixe de gastar suas noites num fazer que se opõe a fim de que possa ser calmo, depois de [extinto], seu desejo. Renuncia a este desejo que ele cessará.

Mais importante do que o conselho claramente negativo atribuído ao vizir Ptah-Hotep, afinal apesar de admitir que o desejo é comum, ele deveria ser submetido a moral e controlado, acreditamos que a citação ao hmtj, isto é, o menino-mulher da tradução que utilizamos é mais interessante para falarmos aqui. 
No Egito, em sua língua, haviam três gêneros: o masculino, tai (lê-se tie); o feminino, sht (lê-se sheket); e um terceiro gênero, intermediário entre os dois, hmtj (heme) ou hmt (hemet). Os historiadores modernos, no entanto, têm dificuldade de explicar como esse terceiro gênero funcionava fora da língua, pois as pistas para descobrir como viviam estes hmtj são difíceis de encontrar. Uma das provas que este gênero é mais do que linguístico são as pinturas nas paredes dos túmulos, como afirma Jockheere. Os tai são pintados uniformemente com um vermelho-ocre, como podemos ver abaixo:


Já, afirma os historiadores especializados em História Egípcia, as mulheres (sht) representadas aparecem pintadas com um marrom-amarelado, como vemos:


Enquanto os hmtj ou hmt são decorados com um claro amarelo-ocre, como vemos abaixo:


Uma das teorias sobre este terceiro gênero é que ele seria composto por eunucos. Eunucos que seriam castrados ou pela retirada do pênis, ou dos testículos ou mesmo a retirada total da genitália. Este processo deveria acontecer, preferencialmente, ainda na infância para evitar que as transformações hormonais da adolescência causassem anormalidades como hipertofia abdominal e ginecomastia (isto é, o crescimento em homens de seios). Contudo mais pesquisas são necessárias, ainda, para podermos entender como funcionava a vida dos hmtj no Antigo Egito.

23 comentários:

  1. Tadinho dos eunucos .. castrados ... sem anestesia ... aiiiiiii

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    1. É claro que tinham anestésicos, produzidos de forma artesanal, extraídos de plantas.
      O Egito antigo é o pais da Química e da alquimia(grande química).Até o nome do pais,deu origem ao nome da ciencia que mais se desenvolveu de suas tradições e conhecimentos . Kemi, Kême, kemet eram variações do nome do pais na lingua egipcia antiga , dando origem à Química e à Alquimia, daí o nome queimado, (passado no fogo e ou no sol), um dos processos das e para tranformações, dinamizações em química e alqimia

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  2. Muito interessante isso que você trouxe, achei bem legal esses ensinamentos morais, isso mostra que de certa maneira em alguns aspectos a sociedade já foi mais evoluída

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  3. pelo que percebi pelas imagens e mesmo pelos outros textos, estes hmtj não poderiam ser uma espécie de 'sacerdotes' ou alguém ligado aos rituais?

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  4. respondendo ao Daniel:

    não, Dan, é que eu escolhi as imagens que serviam mais pra mostrar as cores, mas estes hmtj aparecem em qualquer tipo de imagem, praticando qualquer profissão, eles não eram apartados da sociedade, estava inclusos nela, inclusive tendo direito a casarem-se entre si.

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  5. Bem interessante tudo, até conseguimos ligar com casos atuais, já que existem pessoas que criam filhos com o sexo que desejavam que a criança tivesse e não o que ela é, ou por outros motivos, assim como o menino que perdeu o pênis em um procedimento cirurgico e foi criado como menina pelos pais.

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  6. Hein?????????! EUNUCA tinha sabido disso, gente! Hahaha! Valeu, Foxx!

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  7. já disse antes né?
    curto demás quando vocês posta essas cousas..
    viajo legal e adoro conhecer esses detalhes...

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  8. Adoro saber desses bafões históricos através do seu blog..

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  9. Pergunta ... você já tentou aplicar os conceitos de Yin Yang no seu dia a dia .... acho legal isso ... e as pessoas normalmente não levam a serio :)

    abs

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  10. Olha Fox quanto ao programa da Amanda infelizmente não existe mais (infelizmente para mim, já que muitas pessoas detestam ele, não sei se é seu caso)

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  11. Valeu Foxx!!!!! Que dure muito mais mesmo!!! Hehehe! Hugzão!

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  12. Eu amo estes seus posts.
    Jamais saberia desses fatos.
    Arigatoo,kitsune Sam!
    beijos.

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  13. OMG! sem anestesia? rs

    ps: a relação está no momento de minha vida ... batalhas a serem vencidas por etapas ... mas vamos q vamos ... passo a passo ...

    bjão querido

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  14. Dá pra imaginar a dor dos eunucos?
    Dá pra imaginar que muitos de nossos hábitos atuais vem de tão longe?
    Eu piro com isso tudo.

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  15. Pois é... fechou... uma lástima, nzé? Bom finde, Foxx! Hugz!

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  16. É realmente uma pena que a história não guarda mais informações sobre os hmtj (parece código CSS: html, etc), os do terceiro gênero.
    A minha curiosidade se focou neles e os próprios historiadores vacilam ao citar os eunucos como os pertencentes ao gênero. Por isso, não nos convencem muito.
    Bjaum.

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  17. Puts, eles tb dominavam técnicas "cirúrgicas" abrindo cabeças .. cada vez acredito nas teorias mirabolantes que esse povo era tudo ET ....

    Bom fim de semana :)

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    1. Eram negros africanos, esses mesmos negros de hoje em dia. se te interessar, estuda sobre isso, começa por esse nome, mas não estuda ele pelo Google, Ivan van Sertima, estudando ele vc vai ganhar 2 vezes porque ele fala muitos dos ancestrais da chamada America, acredita.

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    2. Os egípcios não eram negros, mas semitas. A população negra que habita a África hoje é subsaariana, ela vive nas regiões abaixo do Saara. O deserto sempre dividiu a população negra da semita no passado e da árabe hoje em dia.

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    3. Os egípcios não eram negros, mas semitas. A população negra que habita a África hoje é subsaariana, ela vive nas regiões abaixo do Saara. O deserto sempre dividiu a população negra da semita no passado e da árabe hoje em dia.

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  18. Kelly, eu discordo de você e não como historiador, mas como espiritualista. Primeiro, que os egípcios seriam tão evoluídos que não fizessem sexo, claro que eles faziam, sexo é um elemento importante de nossa vivência no mundo material, é uma forma válida de expressar o amor nesta forma que vivemos. Se os egípcios não possuíssem corpos físicos então eu acreditaria no que você disse, mas como suas múmias comprovam, eles são tão humanos quanto nós. Outra coisa, você deve acreditar também em reencarnação e sabe que muitas pessoas que estão vivas hoje estavam vivas no Egito, em sua maioria, pessoas de niveis vibracionais mais elevados, o que quer dizer que elas continuaram sua evolução porque não estavam lá, no Egito, tão evoluídas assim.
    Outra coisa, nossas interpretações não são feitas erroneamente porque não somos inteligentes o bastante, isso é arrogância, inclusive, afinal você considera que sua explicação está correta. Você teria então uma inteligência superior e uma vibração mais alta?
    Respeito suas crenças, Kelly, mas você talvez deva conhecer um pouco mais sobre a história egípcia e saber que aos.poucos os historiadores estão acessando os fatos que realmente aconteceram naquela época inspirados por seus guias, afinal ser guardião da história é, sem dúvida, tb uma das missões que podemos assumir aqui na Terra.

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" Gosto de ouvir. Aprendi muita coisa por ouvir cuidadosamente."

Ernest Hemmingway