Episodio Diez
A semana se passou entre telefonemas e conversas pelo MSN, entre as quais Alejandro sempre estava presente de alguma forma. Soube que ele passara a frequentar a casa de Juan. "Estamos estudando juntos para o vestibular". É claro! É claro! "E o que você vai fazer em relação a isso?", Fê me perguntou quando marcamos de ir ao Avesso e Juan encontrou conosco trazendo Alejandro a tira-colo. "Assim que chegarmos lá eu vou dar um fim a isso! Definitivamente!". E nós dois olhando para Alejandro pelo retrovisor do carro, com seus ombros largos de nadador e cara de apaixonado. No Avesso, eu fui ao bar, me afastando de todos eles, foi quando senti alguém me abraçar por trás, virei-me e vi o rosto sorridente de Juan, e mais ao longe o rosto chocado de Alejandro. "Hold on! Hold on!". Mas ele me beijou. "Juan, querido, que porra está acontecendo aqui?". Ele me olhou sem entender. "Simples, com quem você está namorando? Comigo? Ou com o Alejandro ali?". Ele reafirmou que estava comigo, e me beijou novamente. "Mas ele sabe disso?". Ele me olhou sério, abraçava-me segurando meu quadril, meus braços estavam em torno do pescoço dele, ele sorriu. "Mas você é quem importa!", neste momento eu olhei para Alejandro que nos observava a distância, "Imagine assim, você é a matriz, ele é apenas uma filial que eu uso para me divertir quando você está longe. Mas você é com quem eu quero ficar, de verdade". Eu olhei nos olhos dele naquele instante. "Desculpa mesmo por não ter ido a casa de praia".
Episodio Once
"Eu não consegui, 'tá bom?". Fê ria de mim. E eu não conseguia explicar porque não tinha acabado com aquela situação ridícula ali mesmo. Por mim! "Você é tão sem vergonha quanto ele, Foxx. Relacionamento aberto p'ra mim é desculpa p'ra sacanagem!!". Pelo Alejandro! "Você ficou com pena dele? Eu tenho vergonha por ele!!". Eu lembrava do olhar de Alejandro enquanto eu conversava com o meu namorado. "Ele tava esperando passar uma noite linda com o 'meu namorado', não era?". Fê balançou a cabeça confirmando e sorrindo ironicamente. Sentados na cantina do setor I da UFRN, enquanto alunos do curso de direito, turismo e biblioteconomia passavam diante de nossas mesas, eu tentava entender o que estava acontecendo comigo. "Você 'tá apaixonado por ele?", me perguntava Fê. Não, eu não estava. Eu poderia perfeitamente esquecer aquela estória facilmente, eu deveria, essa era a coisa mais sensata a fazer.
Episodio Doce
O sol estava se pondo lá fora. Era um domingo. Foi quando Alejandro entrou na internet e me encontrou no MSN. O mesmo endereço que ainda uso hoje. "Novidades?". E conversamos. Percebo rapidamente que ele está bêbado. "É, tava tomando umas cervejas aqui em casa com meu pai". E logo Juan tornou-se o tema da conversa e ele afirma com todas as palavras que ainda vai conquistar o meu namorado. Que o meu namorado ainda seria dele. "Alejandro, meu lindo, não se dê a esse trabalho! Juan não consegue amar ninguém. Nem você! Nem a mim!".
Ele não me ouvia. Provavelmente me via como o inimigo a combater e não se aceita conselhos do inimigo. Eu, no entanto, não conseguia enxergá-lo assim. Não tenho raiva, só sinto pena. Releio a conversa, mas nem preciso porque ele se repete. "Você vai ver, Foxx, ele vai ser meu". Deus! Decido ali, definitivamente é hora de pular fora daquele barco furado, sobretudo, porque meu amigo está apaixonado. Completamente apaixonado. Corto a conversa e a encaminho para Juan em um e-mail, complementando: "Juan, diante dessa situação, eu acho melhor terminarmos. Não serei eu o responsável pela infelicidade de Alejandro. Ele não merece".
Episodio Trece
Eu estava na faculdade quando um número desconhecido começou a piscar no visor do meu celular. Eu atendi, e já perguntei quem era. "Eu, ora, Juan, seu namorado! Não tem meu número no seu celular, não, por acaso?". Eu respirei fundo e perguntei se ele não tinha visto meu e-mail. Ele disse que sim e que achava uma imensa bobagem eu fazer isso. "Ele está apaixonado por você, Juan, não sou eu quem vai ficar entre vocês dois". Ele riu e respondeu: "Não acha que essa decisão tem que ser minha não?", e alterando seu tom de voz demonstrando um nervosismo que eu nunca vi antes, "Não acha que sou eu que tem que escolher com quem ficar?". Eu sorri, achando bonito até. "Tarde demais", interpelei, "seu número sumiu aqui do meu celular porque eu o apaguei. Não quero mais contato com você, Juan, acho melhor para nós três". Ele reclamou novamente. Gritava comigo pelo telefone dizendo que eu não podia fazer algo assim com ele. "Desculpe, acabou!". Ele gritava, nervoso, foi quando uma voz mais calma atendeu o telefone: Alejandro! "O que houve, Foxx?". Em choque, ouvi Juan ainda dizer que não queria mais falar comigo, mas respondi-lhe com uma frieza anormal: "Na verdade, nada Alejandro, só disse ao Juan que não quero mais namorá-lo. O caminho está livre para você tentar conquistá-lo". E eu senti ele sorrir do outro lado.
FIM

