Este post é culpa do Goiano! Por quê? Porque ele me convidou e eu aceitei de participar do concurso do IceBoy! O qual liderei durante a maior parte do tempo, mas teve seus primeiro e segundo lugares muito bem ocupados: pelo gostoso do SAM - que demonstrou para quê veio com aquela bunda e aquela barriga que deixaram muitos blogayros suando frio, eu inclusive - e pelo príncipe dos bloggers, o Just a Boy - que é melhor eu não elogiar muito porque senão ele vai acabar vir comentar aqui que sou um exagerado. Com minha liderança, eu, do alto da minha grandiosa auto-estima, fiquei pensando o que se passava, este post é o resultado deste questionamento sobre o que aconteceu antes, durante e depois do concurso.
Desde o meu relacionamento com Beto, fins de 2005, eu comecei a engordar. Saí de 65kg e cheguei rápido aos 75 e logo aos 85kg. Tudo psicologicamente explicado. Meu relacionamento com Beto era assexuado, eu o desejava profundamente, mas ele era virgem e esperava ter certeza de que eu era "o cara certo" para poder "fazer amor" (eu estou enojado, e vocês?); eu então sublimei meus impulsos. Sim, um pouquinho de Freud. A sublimação é o mais eficaz dos mecanismos de defesa, os mecanismos que protegem o ego (aquele que você realmente é). Com ela é possível canalizar os impulsos sexuais numa postura socialmente útil e aceitável, ou seja, eu substituí meu desejo pelo Beto por comida, algo socialmente útil e aceitável. Quando terminamos, e me vi frustrado, me achando a última das criaturas, eu continuei substituindo-o pela comida. Em poucas palavras, como eu não podia comer o Beto, eu comia comida! E com isso, fácil, cheguei aos 85kg e 28% de gordura corporal.
Eu então saí de uma realidade em que eu era considerado bonito, para uma realidade em que agora eu tinha o pior tipo de defeito possível: eu era gordo! Eu vi na Rede Minas, alguns meses atrás, uma entrevista com uma psicóloga da PUC-SP que estava lançando sua tese sobre a imagem que o gordo tem hoje para nossa sociedade. Segundo ela, a gordura hoje é o pior defeito porque ela é entendida como desleixo. Porque nossa sociedade contemporânea crê que você só é gordo se quiser, porque você pode parar de comer, porque você pode começar a fazer exercícios, porque, sobretudo, quem se ama permanece magro. E aí eu comecei a pensar sobre o discurso da maioria das pessoas que encontramos por aí: "não, eu não me importo com beleza, o que importa é o interior". Aham! Claro! É por isso que no período que eu estava gordo, choviam pretendentes aos meus pés, não é? Já que eu continuava a mesma pessoa, inteligente e com conteúdo porque definitivamente isto eu sou, as pessoas não ligavam para minha "imagem" e se importavam apenas com o que eu tinha a dizer, com o que eu tinha a falar, com quem eu era.
Não que não tenham surgido pessoas entre fins de 2005 e 2007, claro que eu não fiquei numa seca de 2 anos, mas posso contá-los nos dedos de uma mão, ou quase: o Arthur, o médico, o professor de academia, o "hétero confuso", o Rajeik e o Rik: seis pessoas, seis lindos homens sem sombra de dúvida, seis que realmente me interessaram, seis que realmente se interessaram por mim, apesar do meu corpo, mas que por um motivo ou outro, não deram certo. O Arthur porque eu estava mto magoado com o Beto ainda; o médico porque ele estava na idade do lobo, aprendi isso num blog recentemente, ele tinha medo do que as pessoas pensariam vendo ele com quase 40 anos saindo comigo; o professor de academia era volátil demais, um dia ele estava quase me pendindo em namoro, no outro, sumia; o "hétero confuso", bem, precisa dizer algo mais?; o Rajeik escolheu ser meu amigo, ele temia que um fracasso no relacionamento pudesse abalar a amizade; e o Rik, também escolheu ser meu amigo e ainda teve o apoio da distância. A mudança, no entanto, ocorreu em 2008. Em BH, de posse da cozinha, eu comecei com meu regime de capim, como diz o Théo, saladas e saladas, exercícios e exercícios, e hoje eu estou pesando 70kg, e com 16% de gordura corporal. E se isso não fez diferença?
Fez, e como fez! Fez primeiro para mim! Eu me sinto melhor comigo mesmo! Mais solto, mais livre, mais feliz comigo mesmo. Sim, quando reclamo desde mundinho esteta que nós vivemos, eu não me excluo dele. Principalmente quando se refere a avaliar a mim mesmo: o espelho até me elogia, mas eu só aceito o elogio depois de uma profunda análise. Mas também fez diferença para os outros: primeiro a assistência técnica, não esqueço dele dizendo que eu era uma delícia na cama, e agora as cantadas na rua - me chamaram de gostoso outro dia quando eu voltava da academia - e os dois professores de lá, um que me adicionou no MSN e puxou papo, outro que um dia desses pegou na minha bunda. Além de olhares, em bares e boates, que se tornaram mais constantes e corriqueiros, e do Rick com quem estou saindo, há mais ou menos um mês, e as coisas estão evoluindo.
Mas aí está a diferença entre eu e estes hipócritas estetas que idolatram corpos malhados e barrigas rasgadas. Estes dizem que querem encontrar "alguém especial", alguém que queira um relacionamento sério, alguém que não seja um cafajeste, no entanto, quando encontram todas estas características em uma pessoa que não se encaixa no sonho - um cara macho, sarado e bonito - não tentam nada com essa pessoa. Ela não é a certa. Eu devo esperar. "Eu posso conseguir uma coisa melhor". Já eu, claro que tenho minha imagem de homem bonito, meu príncipe encantado-e-perfeito, só que eu realmente abro mão deste deus entre os mortais por alguém que tenha as características não-físicas que eu prezo em alguém. E é hoje o que me faz estar com o Rick: ele não tem, definitivamente, o corpo do próximo modelo de capa da G Magazine, mas é uma pessoa que é digno de estar ao meu lado.
Quantas pessoas fariam isso? Quantas escolhem a personalidade em favor da aparência? Sinceramente, eu vi isso muito raramente acontecer. Inclusive, na maioria das vezes que eu vi isto acontecendo foi com mulheres, o que necessariamente tem uma explicação de gênero, dizem que os homens têm uma excitação muito mais visual do que as mulheres, as mulheres precisam do sentimento, os homens do estímulo visual, não duvido, e a explicação parece fazer sentido, mas é claro que isso não impede de vermos grandiosas excessões. E estas sim, estas pessoas que conseguem ver além do físico e se apaixonar por pessoas pelo que elas são, estes sim são os grandes príncipes encantados-e-perfeitos, um dia eu conseguirei ser assim.
PS: O título saiu de uma conversa com o Bê, lá na casa dele.

