"O Bruno não acorda p'ra gente sair, aff". Bato na porta do quarto, o chamo, nenhuma resposta. 21:50h marcam o relógio. "Ah, é a terceira vez que eu venho chamá-lo! Ele que me perdoe, mas tenho que ir tirar dinheiro". Corro no shopping ao lado de casa, o relógio da rua marca 21:54 e 20° quando chego. Vou direto ao caixa eletrônico, não sem notar nas vitrines como estou mais magro. "100 reais: caso decidamos ir a Josefine e não a Mary In Hell". Eu quero ir na Jô, mas o aniversário é do Théo, ele que escolhe. Saio do DelRey pela saída da Riachuelo, meu telefone então toca: Bruno. Viu minhas ligações para ele, provavelmente, feitas do meu quarto a alguns metros de distância, para tentar despertá-lo. Atendo, ele pergunta onde estou. "Indo para o aniversário do Théo, você vem junto?". Ele concorda. Corre para se arrumar, e eu volto para casa para esperá-lo. No caminho, telefono: Rajeik. "Ei, vamos demorar, a bela adormecida só acordou agora". Ele ri de seu jeito peculiar. Uma nota mais aguda que se mete lá. Uma hora depois, exatamente, Bruno está pronto e nos encaminhamos para o Centro e de lá para a Savassi.
Três cigarros distam o Centro da Savassi. A Savassi é uma praça cercada de lojas caras, de onde partem ruas estreitas das quais brotam bares, emos e MacDonalds. Meninos musculosos em camisetas justas também. Estes se encaminham para o Pátio, o shopping local, enquanto os emos, magrinhos e com seus cabelos cuidadosamente arrumados, preferem o frio da lua. Atravessamos o lugar, passamos por bares bahianos, restaurantes italianos, copos sujos de calçada e um vestido de noiva nos dirigindo a Tomé de Souza. Aviso a todos no caminho: "Se me aparecer algum zumbi na noite, eu vou embora viu?". O Bruno necessita de explicações e o Théo se encarrega de falar: "É que se você for vestido como zumbi hoje, você paga apenas metade da entrada". Enquanto eu repito mentalmente minha promessa, Bruno diz que se tivessem avisado a ele antes, ele teria se maquiado.
Mas logo as chamas pintadas na parede negra da boate aparecem a vista. Uma fila confusa está na porta. Identidades. Comandas. Botons de presente na entrada. Uma escada com tapete vermelho. No alto, uma porta se abre para um grande poster, a direita banheiros e a escada que leva para a pista, nos encaminhamos para esquerda, uma Kaiser Summer no bar, e sentamos num dos sofás negros que dominam as paredes dos três ambientes. Resolvemos descer. A música nos invade.
"What are you waiting for? Nobody's gonna show you how, why wait for someone else to do what you can do, right now?". A pista, dominada por uma dj vestida como um personagem de animê, era um espaço pequeno. Ao descer você encontrava as pick-ups, e do lado oposto, um degrau abaixo, arcos negros formavam uma espécie de alcova, que dava para um inferninho. Um lounge de luzes vermelhas e paredes cobertas com cartazes de filmes antigos, a grande maioria de terror, pequenas mesas e alguns sofás em que sentavam-se emos magrelinhos com cara de quem falsificou a identidade, heteros antenados com pulseiras de couro e calças skinny, sapinhas estilosas com cabelos na chapinha e vestidos balonê, menininhas groupies de bandas de rock ou de anti-depressivos (não dá para saber).
Um cigarro.
"This is so weird. Am I sleeping? Is this a dream?". Outra cerveja. Pessoas chegando, lugar lotando, olhares começando. Théo caçando do meu lado, me cutuca mostrando as pessoas. "Ah, eu gosto de caras mais velhos mesmo", ele diz.
"I'm simply sick and tired of those (toy soldier), I don't want no more (toy soldier)". Mais um cigarro, outra cerveja. Subimos, na fila do banheiro encontro o Lipe, amigo do Rajeik, ele que me reconhece e vem falar comigo. Levo-o até os meninos e ele se agrega ao grupo.
"Eu quero é ver o oco: sem controle, tocando fole, é o hora de dançar". E voltamos. Comprimidos perto da mesa do DJ, agora outro, Théo beija, enquanto Bruno e Rajeik namoram e eu danço funk até o chão com o Lipe.
"Tô ficando atoladinha, tô ficando atoladinha, tô ficando atoladinha". Olhares em minha direção. "Não mesmo, você é muito pouco p'ra mim, eu quero aquele ali". Mas aquele ali já estava com outro.
Então me vi cercado. Théo beijando um desconhecido, Bruno e Rajeik namorando, o Lipe esperando que o próximo cara sarado-bombado olhasse para ele, e pensei: "Será que eu quero mesmo isso?". Namorar, estar com alguém, será que sinto falta realmente disso? Ou fui ensinado a sentir falta, porque todas as novelas que vi, músicas que ouvi e livros que li ensinaram que você só pode ser feliz se tiver um amor ao seu lado. Será que eu quero mesmo isso ou fui apenas programado?
"Pane no sitema, alguém me desconfigurou". Ou pior, será que só sinto inveja? Será que me considero tão bom, tão melhor que os outros, que me corroí a idéia das pessoas naquele ambiente imitando um prostíbulo, onde facilmente se conseguiria beijos grátis, conseguirem homens tão bonitos e interessantes e eu não, não obstante, no fundo, eu não querer. No entanto, meu orgulho me empurra e quando reclamo, não é a carência que fala, mas um orgulho leonino ferido em seu íntimo. Mais um trago e junto com a fumaça, meus devaneios se perdem no ar.
Ah, recebi este selo do Goiano, com estas seguintes regras:
- O prêmio deve ser atribuído aos blogs que vocês considerem ser bons. Entende-se como bons blogs aqueles que vocês costumam visitar regularmente e deixar comentários.
- Se você recebeu o “Diz que até não é um mau blog”, deve escrever um post indicando a pessoa que lhe deu o prêmio com um link para o respectivo blog. Neste post devem aparecer o selo e as regras.
- Indique outros nove blogs ou sites para receberem o prêmio.
- Exibir orgulhosamente o selo do prêmio no seu blog, de preferência com um link para o post de quem te presenteou.
E os indicados são:
Mundo Alternativo
Mamma Sibill
Pequi com Pimenta
Vivendo em Kauan
Sou Pára-Raio de Doido
O Holograma
Mais Que Pensamentos
The Hedgehog's Dilemma
Saindo do Armário