Voltando a programação normal...
Episodio Uno
Eu conheci o Juan nas salas do UOL. "O melhor conteúdo". Aquele surfista moreno de olhos verdes e corpo escultural, não sei porquê conseguiu chamar minha atenção. Passamos ao MSN. Conversas constantes e diárias culminaram conosco nos conhecendo numa rave no estacionamento de um shopping. Eu fui acompanhado de amigos, naquela época amigos, Roger, Fê e Alejandro. E todos ficaram babando quando Juan chegou com as suas mãos nos bolsos de trás da calça. Aqueles olhos verdes, aquele rosto perfeito e aquele sorriso de menino tímido eram demais para mim. "Nunca será meu!". Mas foi. Naquela noite mesmo vi o Roger bater no meu ombro e dizer: "Que bom que você pegou, senão eu pegava!". E eu tive que responder: "Peguei não, estamos namorando!". Sim, nos conhecemos, e na mesma noite já estávamos namorando. E, nos beijando, na parte mais escondida do estacionamento, trocamos os nosso chaveiros (não, isso não foi um eufemismo). Ele, simpático como só ele sabia ser, conheceu também meus amigos. Estes conversaram com ele. Principalmente Alejandro. E é claro que eu não me preocupei, por que me preocuparia mesmo quando eles trocaram telefones e e-mails? Afinal era um amigo. Era até bom que meu novo namorado fosse amigo dos meus amigos.
Episodio Dos
Segunda-feira pela manhã eu estava na faculdade. Gustavo também estava lá. Gustavo era um negro lindo de olhos mel e corpo sarado que fazia biblioteconomia e nós já nos conhecíamos há algum tempo e, digamos, tínhamos um rolo que sempre terminava num dos banheiros da faculdade comigo o chupando. E ele gostava muito disso. Suas pernas chegavam a perder as forças quando ele gozava na minha boca. Eu gostava disso. Mas agora eu estava namorando. E ele estava insistindo. Passou a manhã jogando charme para cima de mim. Passou a tarde também, quando eu voltei para o trabalho na minha bolsa de iniciação científica e ele para a aula, afinal pela manhã ele estava no estágio na biblioteca. E que fique claro, era muito difícil resistir aquele homem. Mas eu fazia corajosamente.
Episodio Tres
Era o fim da tarde quando o Fê me liga dizendo que não tinha mais aula. "Vamos pegar um filme?". Topei. "Passa aqui no bloco que a gente vai para o Natal Shopping". O problema é que era o mesmo bloco que o Gustavo tinha aulas também. Rezei para não encontrá-lo, mas não adiantou muito. Enquanto eu ligava para o Juan convidando-o para ir ao cinema comigo, "Rio Verde, lá no centro", Gustavo sorriu de longe. O Fê sabia de nossa estória e riu. Juan do outro lado do telefone disse-me que tinha um compromisso e não poderia ir, disse-lhe que tudo bem e ao Fê: "Vamos embora daqui que eu também sou feito de carne e osso!". Circular, decidimos que o Natal Shopping é muito mais perto, cinema, chocolate e salgadinhos na Docelândia, a dúvida cruel entre qual dos dois filmes em cartaz nas duas salas do Cine Natal Shopping. "Prefiria que tivéssemos ido ao Rio Verde mesmo com o cheiro de mofo", reclamo. O Fê reclama é do quanto eu reclamei do filme quando saímos. "Você tava insuportável!".
Episodio Cuatro
Já é noite quando saímos do shopping, as pessoas dirigem-se apressadas as suas casas. "Vamos pegar o 18?". Esperamos o único ônibus que podemos pegar juntos, apesar dele poder pegar qualquer um daqueles que se dirigem a zona norte da cidade e eu, àqueles que dirigem-se a zona oeste. É quando vejo o Alejandro se aproximar e, do lado dele, Juan. Por um segundo eu sorri, no outro eu raciocinei. "O que vocês dois estavam fazendo na praça cívica do campus?". Alejandro ficou vermelho e mais rápido do que consegui imaginar ele havia sumido. Juan me olhava sem saber o que dizer. Fê do meu lado segurava um riso nervoso. "Você e o Alejandro ficaram?". Juan corajosamente admitiu. Contou que Alejandro, meu amigo, ligou para ele e eles marcaram de se encontrar e ficaram. Sentados numa mureta na parada de ônibus lotada, eu perguntei: "Você quer ficar comigo ou com ele, Juan?". Ele não exitou. Falou que queria ficar comigo. E, no meio das pessoas, naquela parada de ônibus me beijou. Apaixonado. Quando ele parou de me beijar, envergonhado, eu nem olhei em volta, apenas disse-lhe que nós então conversávamos depois, e puxando o Fê pela mão entrei no primeiro ônibus que apareceu.
Episodio Cinco
Ficamos em silêncio durante uns bons momentos. Fê me olhava esperando eu dizer algo. "Ele me traiu!". Fê finalmente começou a rir. "Nós começamos a namorar ontem e ele já me traiu!". Fê gargalhou alto fazendo com que outras pessoas que estavam no ônibus olhassem para nós. "Ele me beijou na parada de ônibus do Natal Shopping! Do Natal Shopping!! Você sabe o que é isso?". Rindo, o Fê contou que ouviu nossa conversa e que não acreditava que eu ia deixar assim barato. "Filho da puta do Alejandro!". Fê novamente gargalhou. "Puta que pariu! Ele é meu amigo e faz uma coisa dessas?". E eu realmente não podia deixar aquilo barato foi quando Gustavo surgiu na minha mente. "Aquele ali só tem cara de santinho! É uma puta!", rosnou Fê. Saquei o celular e procurei na agenda. "Ah, eu também sei ser puta! Alô? Oi Gustavo, você vai fazer alguma coisa amanhã?".
Continua...

