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quarta-feira, 12 de setembro de 2007

EXTRA, EXTRA, EXTRA: (sem título)

Estou amargo hoje. Quase azedo. Caindo no ácido. Músicas doces me causam ânsia. Beijos apaixonados deixam-me doente. Não quero tons de rosa, nem azul-bebê, muito menos comédias românticas e baladinhas tortas, quer preto, púrpura, filmes art-noir e solos de guitarra rasgando a paz e o silêncio de Roma. Acordei hoje para guerra e as críticas irônicas, abri meus livros com tragédias e escondi os contos de fada longe do meu olhar. Levantei com o pé esquerdo sentindo o meu hálito amargo entre os dentes, abri a janela e o dia não combinava comigo, luminoso, dourado, azul-celeste, anil. Mas meus olhos hoje são cinza, chumbo e prata. E quero que os passarinhos explodam. É, os passarinhos, quero-os longe da minha janela. Já disse: hoje só guitarras e baixos, nada de flautas. Não quero nem minha roupa lavada, perfumada com lavanda, macia. Quero linho! Tragam-me linho, fino, educado, chique, mas que fere minha carne como lâminas na pele. É bom, os outros não irão ver minha tragédia. Imaginarão que um exterior tão limpo reflete um interior no mesmo estado. Tolos! Mas também não chamar-me-ão dramático quando eu cortar os pulsos sem motivos aparentes, a não ser, claro, a morte de algumas quimeras, mesmo que meu sangue e lágrima só sirvam para que novas, como a fênix, se ergam às úmidas cinzas. Meu dia começou com cores de sangue, mas amanha é outro dia.

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

PRESENTE: Reflexões preconceituosas

Uma música de Madonna diz que não tem problema para um mulher ser parecida com um homem, porque ser homem é bom, mas como ser mulher é degradante, um homem se parecer com uma mulher é uma situação degradante. E acho que aí está a origem de toda homofobia neste lado do mundo. Outro dia, eu estava num bar com o Peter e o Andarilho, e ouvi em outra mesa um rapaz sacar a pérola: "Eu entendo duas mulheres, porque mulher é muito bom, mas dois homens?". A frase dele na verdade diz exatamente o contrário. Ele entende que duas mulheres queiram ocupar o lugar de um homem, mas nunca, ele conseguirá entender o que faz um homem querer se colocar na posição de uma mulher. Uma posição inferior. Sem palavra. De objeto falante, mas não pensante. Quem gostaria, em sã consciência, de abandonar o próprio trono e se tornar um pobre e desgraçado plebeu?
Então, o preconceito contra os gays, não passa de um preconceito disfarçado contra a mulher? Eu acho que sim. Historicamente, o apoio ao homoerotismo, e depois sua recriminação sob a alcunha de homossexualismo, se ligam sempre a situação social da mulher. Quando a mulher estava excluída das relações sociais, elas eram uma exclusividade masculina, neste caso, o homoerotismo era aceito, como na Grécia Antiga, no teatro medieval, renascentista e japonês com seus meninos castratti, a corte francesa nos séculos XVII e XVIII. Conforme as mulheres tomaram atitudes masculinas dentro da sociedade, elas ocuparam o lugar que antes era do homossexual. As mulheres se tornaram homens efeminados, e o homossexual foi jogado num gueto. Um gueto que por mais q ele tente, ele não pode sair, porque não há mais um lugar social para o gay. Agora, cabe os gays tornarem-se novamente homens, e assim tomarem o papel de homens numa sociedade em que você apenas pode ser homem ou mulher. Nada de meio termo. Enxergam onde nasce um novo preconceito?
O preconceito contra os efeminados é o preconceito contra um ser social sem lugar. Sem espaço. Sem área de atuação. Ele é aceito quando se encaixa. Quando é o cabelereiro da sua mãe. A manicure de sua irmã. Mas não quando é o amigo de seu primo, o professor do seu sobrinho, o colega de trabalho do seu cunhado, o seu filho. Porque estes lugares são exclusivos para homens. E isso se reflete no mundo gay. Por isso, os efeminados são excluídos. Por isso ninguém quer na novela um casal de "bixinhas". Querem ver gays que são "homens de verdade". Por isso eu não comemoro Carlos Casagrande e Sérgio Abreu. Eles reforçam um preconceito dentro de um grupo que sofre preconceito por todos os lados. E isso eu não suporto. Sinceramente não suporto. Negros com preconceito? Mulheres com preconceito? Gays com preconceito? Gente, se toca né?

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Estórias de Uma Vida Não Vivida 2

Para avisar a todos: isso aqui é ficção, viu?



De Profundis


Que dia! Que dia!
Eu estava no computador, fazendo Deus sabe o quê, quando o interfone tocou. Era Bruno pedindo pra subir, nem perguntei o que era, ele logo subiu. Abri a porta olhando no rosto de Bruno tentando adivinhar o que ele queria me dizer. Ele estava sério e tenso. Eu sorri para relaxá-lo, mas ele continuou na mesma.
Pedi que ele sentasse e ele sentou no sofá, e continuou em silêncio. Perguntei o que tinha acontecido, e ele após uma pausa excessivamente dramática disse que era um assunto muito sério... e ele tava tomando coragem. Eu sorri e levantei, rindo e dizendo que quando ele tomasse coragem eu estaria na “biblioteca”.
Fui preocupado. Bruno estava preocupado mesmo com algo. E algo que me envolvia para ele ter que escolher tanto as palavras. Sentei no computador, vasculhei a net um pouquinho, mas nada me fez esquecer Bruno lá na sala ensaiando o que ia falar pra mim.
E algum tempo depois ele chegou. Ele começou cheio de dedos, me perguntando sobre o Douglas. Como era nosso relacionamento, se eu estava realmente gostando dele, me perguntou como nos conhecemos. Tudo coisas que ele já sabia. Eu imaginei que ele sabia de algo e queria me contar. E ele só começou o assunto quando eu fiz essa pergunta: “O que você quer me falar, Bruno?”
Doeu ouvir aquilo de Bruno. Subiu uma angústia a cada palavra que saia da boca dele. Ele começou dizendo que sempre que saíamos era sempre eu que pagava as coisas pro Douglas. Que conversando com a Camilla ele tinha descoberto que ele tinha comprado roupas no meu cartão e não pagou. Que, nas palavras de Bruno, “trocando em miúdos, eu estava sustentando àquele michê”. Como doeu ouvir isso.
E o pior é que eu neguei de forma tão veemente que qualquer um teria acredito em mim. Menos o Bruno. É terrível quando alguém conhece tua alma tão profundamente não? Mas eu só dizia não, não, não. Como foi difícil ouvir essa verdade, como eu me forcei para não vê-la. E por que tinha que ser justo Bruno que tinha que vir falar comigo?!
Mas eu continuei negando. E cada não meu irritava ainda mais o Bruno. Ele ficou possesso. E eu sentado no computador, olhando pra ele, e ele de costas pra estante de livros. Só sei que o final foi digno de uma novela. Inacreditável!
Eu continuava negando. Bruno, puto. Virou-se para a estante de livros e ficou olhando os livros. Dali a pouco, após um não, ele retirou um livro da estante e jogou em mim. Bateu no meu peito. Não doeu. E o susto não foi maior do quê a dor que eu senti na alma quando vi que livro era. “De Profundis”, Oscar Wilde. Quando levantei a cabeça, Bruno não estava mais lá. Quando apanhei o livro do chão, li a dedicatória. “Com todo meu ‘afeto’, Bruno”. E ouvi a porta bater.
Como chorei com aquele livro em minhas mãos. Eu chorava descontroladamente. Mas aos poucos me recuperei, e após enxugar as lágrimas vim extirpar minha dor, dividindo-a aqui.

sábado, 1 de setembro de 2007

PASSADO: Bibliofilia

Meu grande amor por livros começou assim. Por algum motivo que ninguém sabe explicar aqui em casa, quando eu era bebê, eu aprendi a andar por causa de livros. Eu andava sempre agarrado a um livro, entre meus braços, ao meu lado, e quando tiravam o livro de mim, eu caía. Não lembro disso, meus irmãos e meus país que contam e riem. Não sei porque fazia isso, talvez eu usasse o livro como contra-peso pra me ajudar no equilíbrio, afinal eu tinha pernas tão tortas, talvez eu imaginasse que fosse algum tipo de amuleto que me protegeria. Bem... esta segunda opção é meio impossivel para um menino de um ano e oito meses, mas foi a explicação que me serviu dessas duas formas em vários momentos depois.
Minha adolescência foi muito triste. Eu não tinha amigos. Nenhum. Ninguém. Então meus amigos saíram diretamente dos livros. Samuel, Aurélia, Eugênio, Seixas, Peri, e outros, sempre foram meus grandes amigos. Foi com eles que eu aprendi o significado de palavras novas como amor, amizade, carinho, mister, não obstante e outrora... Foi por causa deles que eu sobrevivi a parte mais dolorosa de minha vida.
Sim. Meus livros são minha vida. Sim. Quero viver ao lado deles a maior parte do meu tempo. Sim. Adoro ganhar livros. Adoro compra-los. Adoro tê-los. Bem, eu me viciei neles e por causa deste vício, criei um sonho que este blog ajuda a realizar. Um dia serei escritor. Um dia criarei amigos para algum adolescente solitário. E tudo começou esta semana. Agora sou mestre. Um mestrado que como diz Michel Foucault me autoriza a escrever. Minha palavra agora ganha a autoridade de um título. Agora eu posso. E farei. Aguardem!

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

EXTRA, EXTRA, EXTRA: Under My Umbrella

Tudo ficou em silêncio. Ouvi um boa noite, ele estendeu a mão, apresentou-se, "H", e sorriu. O sorriso mais bonito que vi em tempos. Ele sentou de frente para mim, de penras abertas, apoiando o braço na perna esquerda, retirou do casaco o Malboro Light, pediu meu isqueiro e acendeu um. A chama iluminou-lhe os olhos verdes. Ele sorriu mais uma vez. Agora só pra mim. E naquele sorriso eu me envolvi e me afoguei.
Conversamos ali. Sentados, cercados de pessoas, mas para mim, éramos apenas eu e aquele sorriso. Ele contou histórias. Eu respondi perguntas. Ele começou a brincar comigo. Atirou-me o casaco e eu segurei, e ele deixou comigo, guardado, como quem confia.
No dia seguinte o sol mostrou que seria um dia prata. Brilhante, mas cinza. Dormi no numa rede no alpendre, o frio gelou-me as costas, mas acabei acordando ouvindo a voz dele, longe, ria, conversava com os amigos dele. Riba me chamou para a piscina. Topei. Sunga azul. Ele estava de bermuda azul e branca. Tomava sol do lado oposto ao que eu fiquei batendo papo, quando durante uma conversa fiz uma careta. "Faz de novo?". Olhei para ele sem compreender. "De novo. A carinha. Tão bonitinho". Fiquei vermelho. "Precisa não, você envergonhado 'tá mais fofo ainda". Riba me cutuca. Segundos antes comentávamos como H é absolutamente perfeito. Riba sorri.
Passo o dia a segui-lo com os olhos, quando a tarde nos juntamos a conversar, eu, Peter, Riba e Andarilho, ele se junta a nossa conversa e dispara: "Me apaixonei por você sabia?". Eu ri, encabulado, mas ele continua: "Como consigo um beijo seu?". O Andarilho interrompe: "É só beijar, ora". Eu sorri, paralisado, olhando nos profundos lagos verdes que eram os olhos dele. Ele apenas lançou-me outro sorriso e pegou meu copo. "Vou te trazer um pouco de vinho, quer?".
Domingo. A madrugada fria e solitária deixou uma manhã de chumbo que se tornou bronze quando o sol alcançou seu zênite. Sentamos mais íntimos. Música alta. Umbrella repete-se infinitamente. Reclamações pedindo um pouco de forró explodem para todo lado. E meus talentos como massagista são descobertos e H me intima. "Minha vez, senta aqui". E eu penso mil besteiras até entender que ele quer apenas uma massagem. Eu começo. "Ai, que coisa boa". Os meninos riem. Ele geme. "Se continuar assim, me apaixono". Todos riem e perguntam quantas vezes ele já gozou. Converso com os meninos que perguntam detalhes técnicos sobre a massagem. Comentio que além do do-in, o reiki e um pouco de reflexologia, eu sei massagem tailandesa e ele fala que quer. "Mas tem que ser no quarto, na cama". Ele ri e fala que é desculpa para eu me trancar com ele no quarto. "Vou não, tenho medo do que você vai fazer comigo". Todos riem e eu não deixo por baixo. "Faço apenas o que você quiser que eu faça". Ele olha diretamente nos meus olhos e sorri. "Vou acabar com você então". Ele levanta, me pega pela mão e me leva para o quarto. E de cueca, como a massagem tailandesa exige, eu toquei todo aquele corpo perfeito, o mais profissionalmente possível. "Quero você todo dia lá em casa". Eu ri.
Fim da tarde do domingo. O sol esfria. Conheço o ex-namorado dele. Ele pergunta o que achei. Comento que esperava mais. Ele explica que o ex tem qualidades que compensam os defeitos. Encanto-me mais com a sabedoria. Rimos. Conversamos. Até a hora de partir. Aquando ele se despede de todos, e me reserva o último lugar. Afasta-se e finge que esqueceu, eu o acompanho com o olhar, quando ele vira e sorri novamente, aquele sorriso perfeito, e corre e me abraça, e termina meu fim de semana dizendo: "Achei um novo melhor amigo". Eu sorri, agradecido.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

PRESENTE: Crônicas da Vida Cotidiana I

Se vocês não sabem o volante do São Paulo, Richarlyson, foi acusado pelo diretor do Palmeiras, José Cyrillo Jr., de ser gay (não vou dizer homossexual, duvido que ele tenha usado esta palavra) e no seu direito de parte ofendida entrou na justiça de São Paulo pedindo reparação por calúnia. Até aí, na minha opinião, ele estava no completo direito dele. Afinal sabemos todos que ser taxado de gay, viado, bicha, etc, é uma grave ofensa em nossa sociedade. Contudo, ao contrário do que se era de se esperar o juiz da comarca, Manoel Maximiano Junqueira Filho (gravem bem esse nome), arquivou a ação alegando tanta besteira, mas tanta besteira, que eu precisei comentar com vocês. É, o Foxx é antenado!
Primeiro ele diz que o caso é insignificante. Que este tipo de ofensa deve ser rebatida "tet-a-tet". Exato! Um juiz sugere que o jogador deveria ter ido bater boca com o diretor palmeirense. Caído na porrada. Agredido. E não gastado o tempo dele utilizando os meios legais e racionais da boa justiça, pois "trazer este episódio a justiça é dar uma dimensão exagerada a um fato insignificante, se comparado a grandeza do futebol brasileiro". Em seguida o senhor excelentíssimo juiz afirma que como os hinos dos times de futebol cantam que o jogo é um esporte viril e varonil, ele não pode ser praticado por homossexuais porque na cabeça de nosso excelentissimo nenhum homossexual pode em situação alguma ser viril (para quem não conhece a palavra quer dizer forte, saudável) ou varonil (que na acepção da palavra quer dizer 'ter um pênis'). Agora pensem vocês, nenhum homossexual então pode ser viril ou varonil?
Penso também: no hino brasileiro diz-se que o nosso belo país também é varonil, viril, se o Brasil é viril e varonil, tal qual o futebol, e o futebol não pode aceitar homossexuais, então o Brasil também não tem nenhum homossexual sobre sua terra, não é? Isso é lógica minha gente: se y é igual a x, e x é 0, então y é igual a 0. Agora me pergunto: mesmo? Tem certeza, senhor juiz?
Mas ele continua. Ele afirma que os grandes jogadores se tornam idolos de milhões, cita Pelé, Jairzinho, Gérson, Falcão, e outros e diz que nenhum outro homem "conceberia um ídolo seu homossexual". Então sou obrigado a pensar: ninguém admirou, em toda história, Oscar Wilde? Ninguém considera o escritor de De Profundis, o livro no qual ele declara o seu amor por Sir Alfred Douglas, um grande escritor? Senhor Juiz, ó senhor juiz...
Ai ele propõe, provavelmente considerando-se um grande humanitário, que se um homossexual quer jogar futebol, que jogue. "Mas forme seu time e inicie sua federaçao. Agende jogos com quem prefira pelejar contra si". O que é isso? Um time de leprosos? De doentes que não podem tocar em nada? Lembrei de uma cena do filme "Será que ele é", em que todos os alunos de uma escola se tornam gays porque um de seus professores era gay. "Ele me tocou, então eu virei gay?". Também estou imaginando o uniforme cor de rosa e I will survive como hino. Ó excelentissimo juiz...
Depois nosso grande juiz tem a audácia de comparar isso com os negros, dizendo que não há nada de parecido entre uma coisa e outra, talvez porque ele ingore completamente o motivo do Fluminense ser chamado de pó-de-arroz, e que o Vasco foi o primeiro time brasileiro a aceitar entre suas fileiras jogadores negros. Mas hoje, o preconceito não existe mais, porque os negros podem perfeitamente jogar futebol, pois fizeram muito pela história do Brasil. Isso mesmo, jogar futebol é o prêmio dos negros pelos anos de escravidão. Por isso o Brasil tem uma democracia racial, como dizia Gilberto Freyre, porque os brancos tem o dinheiro e os negros o futebol, todos saem ganhando. "Também o negro, se homossexual, deve evitar participar de equipes futebolísticas de heteros". Sem comentários.
Por fim nosso carissimo juiz não consegue entender a aceitação de homossexuais no futebol brasileiro "porque prejudicam a uniformidade de pensamento da equipe, o entrosamento, o equilibrio, o ideal". Então deixe-me ver se eu entendi bem: se algum dos jogadores for de esquerda todos terão que ser? se for evangélico, judeu ou cardecista todos terão que ser? se for argentino todos terão que ser? Senão vai atrabalhar o entrosamento? o ideal? Além disso, o torcedor (dos quais nenhum, em possibilidade alguma, pode ser homossexual) que leva seu filho ao estádio (o qual também nunca, em hipótese alguma, será homossexual) se sentiria desconfortável por saber detalhes tão íntimos da vida de um jogador, o mesmo aconteceria com a comissão técnica, os dirigentes de clubes e os outros colegas de equipe, porque a única pessoa que suporta uma bichinha é outra bichinha. Não é isso, meu caro juiz? Pois como ele conclue magnificamente "cada um na sua área, cada macaco em seu galho, cada galo em seu terreiro, cada rei em seu baralho". E ainda reclamam do sistema judiciário brasileiro.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

PASSADO: Realidades Paralelas

Nas revistas em quadrinhos da Marvel e DC existe uma infinidade de universos paralelos. Segundo esta teoria de ficção científica (ou Sci-Fi, como é cult dizer), das quais nunca se deve rir porque acabam se comprovando... é amigo, desde os clássicos de Julio Verne que no século XIX inventou o submarino e o ônibus espacial, ao computador de bordo dos carros de 007 ou o teleporte de Jornada nas Estrelas, a Sci-Fi que tem melhor previsto nosso futuro tecnológico... mas voltando as realidades paralelas...
Segundo esta teoria, cada universo paralelo é muito parecido com o nosso, todavia pequenos detalhes tornariam ele único. Você nunca imaginou como seria sua vida se em determinado instante de sua vida existência você tivesse tomado um caminho diferente? Feito escolhas diferentes? Em outra realidade paralela você seria aquele que disse sim no lugar de não.
Tenho alguns momentos que considero cruciais em minha vida. Que se não tivessem acontecido me tornaria um pessoa diferente do que sou hoje. Como tenho tanta certeza? Não tenho! É intuição!! Mas alguns são óbvios.
Não ser filho dos meus pais é um desses elementos óbvios. Afinal outros pais, outra criação, outros traumas. E imagine como eu seria diferente se tivesse nascido em "berço de ouro". Mas seria uma mudança para melhor ou pior? E se eu tivesse nascido em outra cidade: em Ceará-Mirim, a cidade que meus pais nasceram? Ou em Sampa, para irmos ao outro extremo, que espécie de pessoa eu seria?
Ter saído do Impacto, meu primeiro colégio, aos 12 também foi um momento fundador (acho que podemos definir assim)e que se não tivesse acontecido eu seria outro. Não passar no exame de admissão para a Escola Técnica daqui do estado também me definiu. Voltar ao ICC aos 16, enão ir para um grande colégio, renomeado, com alunos de vários lugares da cidade, do estado, outros mundos, outras realidades, e também fazer História na faculdade e não Psicologia (que minha mãe acha bonito) também foi definidor.
Imaginem se eu não tivesse sido um menino delicado e sofrido todo o preconceito que sofri, da minha família, isolamento dos amigos, se não tivesse passado por tudo que já passei, talvez hoje tivesse vergonha de ser quem eu sou, vergonha no exato momento de minha vida que eu posso ser quem eu sou. Sofreria mais. Negaria talvez. Teria preconceitos... comigo... com os outros.
Claro que quando passei por estes momentos eu não tinha noção que eles me definiriam. Para saber isso eu preciso da insensão do tempo (coisa típica de historiador), estar distante o bastante para enxergar de fora. Por isso não reconheço os momentos que estão mudando o rumo de minha vida.
Mas a pergunta chave é: eu seria melhor, mais feliz, se tudo fosse diferente? Não sei. Não há como saber, só resta especular. A única coisa que posso dizer é que eu gosto de quem sou, como sou e onde estou. E se mudando meu passado eu me tornaria alguém diferente do que sou hoje, é melhor deixar tudo como está.

PS: A BARRIGA NÃO ESTÁ INCLUIDA NESTE MOMENTO DE AUTO-ESTIMA. ELA SAI. E A ACADEMIA ESTÁ AÍ PARA ISSO.