Google+ Estórias Do Mundo: "Last Friday Night"

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

"Last Friday Night"

, em Natal - RN, Brasil
Eu estava voltando da minha corrida. ao som de Arctic Monkeys, relembrando do menino que eu era quando passava por aquelas mesmas ruas voltando da escola, quando lembrei de ligar para o Bobtuso e cobrar que ele me apresentasse o Jazzy Rocks Lounge Bar. "Meu amor, claro, passo na sua casa daqui a pouco e te pego, ok?". Combinamos e ele logo me buscou em casa e fomos ao novo bar de rock de Natal, e eu sinceramente esperava mais. É uma casa no meio de um bairro residencial, com as paredes descascando, quente e apertada, com a área externa coberta por areia e poucas mesas de madeira, mesas estas que provavelmente foram o maior investimento feito no bar. Nas paredes, fotos de bandas de rock, recentemente imprimidas em papel ofício, eram a única coisa que diferenciava aquele bar de qualquer festa organizada por um menino de 15 anos com seus amigos da escola, mas admito que a forma que foram coladas na parede me lembravam muito os álbuns seriados que eu fiz em minha aulas de inglês na escola. Ah, minto!, também havia uma banda, Talma & Gadelha, que eu não conhecia (foram 4 anos fora, não é?), tocando na sala apinhada de fãs que sabiam todas as letras, enquanto eu cantava apenas os covers e as pessoas fumavam despudoradamente.  
Como dissse, decepcionante, porém tudo me cheirava a uma decadência tão planejada que comecei a achar tudo muito interessante. De fato, o clima do bar era esse, então pedi minha primeira cerveja no balcão enquanto observava um negro de dreads apertando um beck do outro lado e me dediquei a observar a fauna local. Muitos casais de lésbicas estavam abraçados, alguns casais gays também, me surpreendi como estes estavam a vontade naquele ambiente, como os gays estavam a vontade em Natal. Camisetas quadriculadas mostravam que os hipsters já haviam também chegado aqui e circulavam em meio as meninas que pareciam ter estudado em alguma escola pública, me lembrando, desagradavelmente, muitas das minhas ex-alunas, e, não obstante, muitos meninos bonitos. Foi quando um passou por mim, lindo, alto, barba por fazer, corpo bonito, e o Bob percebeu e disse no meu ouvido: "Ele deve ter pouco mais que metade de sua idade". Eu me assustei e ele confirmou: "17!". Chocado, sai do salão e fui ao jardim dianteiro da casa, acendi um cigarro e fiquei observando as pessoas por lá, reencontrando alguns conhecidos. Muitos abraços, sempre fui uma pessoa muito popular, do tipo que conhecia metade da cidade, foi fácil encontrar muitas pessoas perguntando como eu estava e se havia voltado de vez. 
Foi quando recebi uma ligação de Peter, meu amigo que coleciona meninos perdidos. Contei-lhe onde eu estava e ele comentou: "Nossa, como você é chique!". E eu pensei: "Como assim? O conceito de chique de Natal mudou eu não soube?". Ele então disse que passaria por lá, logo, e me pegaria para fazermos alguma coisa. Como o Bob já havia dito para irmos embora após o fim do show, concordei com o convite. Peter chegou exatamente cinco minutos após o fim do show da banda que eu não conhecia nenhuma das músicas, mas que havia gostado do que ouvira e, junto com um amigo nosso, me convidou para ir a Vogue, a maior boate gay da cidade. Bob declinou da oferta imediatamente. Eu topei.
Saímos do Jazzy e, após uma parada na casa deste amigo para ele trocar de roupa, logo estávamos entrando na rua da boate e ao estacionar um garoto de programa de braços gigantescos se ofereceu para um de nós, se ofereceu aleatoriamente pegando no pau por cima da calça, o que foi sumariamente descartado  por nós três com uma gargalhada. Caminhamos pouco pela rua de paralelepípedos do estacionamento até a entrada da boate e, recebidos pela drag queen residente, Shakira, entramos naquele local que eu não visitava fazia dois anos e fui recebido por cantora usando um chapéu panamá tocando no palco samba. Decidi então fazer um giro no local, para me aperceber de quem eram as pessoas que estavam lá, e eu revi o mais do mesmo. Homens sarados sem camisa ficando com outros sarados sem camisa; meninos efeminados sozinhos dançado e se divertindo, além de esbanjando dinheiro; cafuçus de todo tamanho e jeito esperando para encontrar algum homem que decida sustentá-los; muita gente feia também, o que me fez pensar como eu conseguia ficar com tantas pessoas ali (será que meu gosto melhorou ou as pessoas ficaram mais feias?). Além disso, encontrei alguns conhecidos, gente que me abraçava e dizia que era muito bom que eu estava de volta, e um ex-aluno e um vizinho.
O ex-aluno foi o que eu vi primeiro. Não era nenhum dos que eu contei aqui anteriormente, mas era da mesma escola. E eu provavelmente ainda vou encontrar mais uns cinco meninos e duas meninas que estudavam naquela escola na noite gay de Natal, podem esperar. Todos os que eu suspeitei, em todas as turmas tinha pelo menos um, em uma delas tinha três, e este era desta turma, da que tinha três que eu desconfiava. Fui falar com ele e ele não me reconheceu de imediato, ficou bem sem graça, era óbvio que ele achava que me aproximei porque queria ficar com ele, até lembrar-se quem eu era. "Fui seu professor no J.P.". E ele disse meu nome. Conversamos pouco, um cara muito bonito logo o chamou para dançar e ele foi. Estávamos na pista de música ao vivo da boate, eles tocavam forró naquela noite. E enquanto meu ex-aluno saiu para dançar com o cara bonito, eu me peguei pensando como era irônico o fato de naquela boate gay ter pessoas dançando forró enquanto alguns já me acusaram aqui de defender uma "cultura gay" baseada somente nas divas pop. Pensava eu: "Eu sou daqui, dessa terra em que viado dança forró na buatchy! E a pessoa tem a cara de pau de me dizer que eu acho que a cultura gay é homogênica. Tifudê!".
Meus amigos decidiram então entrar na pista de música eletrônica. Peter terminara de fumar então poderíamos entrar. O som ali estava irritantemente ruim. Parecia que as caixas de som não suportavam a altura do que se tocava. O DJ também não ajudava. Parecia que ele queria compensar a péssima qualidade do som e da escolha de músicas aumentando o som no máximo. Ouvia-se apenas uma batida abafada do que deveria ser uma música da Britney, eu acho. Foi lá que eu vi meu vizinho pela primeira vez. Ele dançava abraçado a um menino que notei ser-lhe um amigo, pois logo já estava dançando com outro. Contei a Peter que ele estava ali. "Aquele ali, meu vizinho... já peguei o irmão dele!". Peter gargalhou, perguntando se eu não tinha pego ele também, "afinal ninguém te escapa, né?". Ai meu vizinho virou-se para nós e Peter respondeu sua própria pergunta: "Ah, já vi por que você preferiu pegar o irmão e não ele". Rimos os dois. E saímos de lá, indo buscar uma cerveja para cada um.

31 comentários:

  1. Adoro essas saídas, principalmente para boates, onde fica esse clima de análise durante a noite, acho interessante observar as pessoas e imaginar que eu fazia o mesmo ou não a algum tempo atrás... AMEI o texto parecia que vc estava ao meu lado me contando essa estória!
    Abraçoooo!

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  2. Foi uma sexta-feira bem interessante - nem que seja antropologicamente falando - né?

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  3. quando vi o título do post eu achei que fosse algo sobre a música da Katy Perry ahuahsuaushas

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  4. Bem, voltar pelo menos tá sendo bem ocupado pra ti, hein?

    Fico feliz por vc, gato.

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  5. Espero que Natal se mostre melhor pra vc baby! quero você se divertindo por aí!
    :D

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  6. Nunca fui de ir a baladas nem a boates gays. E não foi por preconceito... bom, talvez tenha sido no início, mas na verdade nunca gostei mesmo de agitação, de dançar, beber, prefiro algo mais calmo, mais tranquilo. Um dia, quem sabe, eu vá, nem que seja para conhecer.

    Abraço!!

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  7. Que noite, hein? Se divertiu bastante... Olha que coisa boa!

    Não tem o que comentar... Que noites melhores virão :)

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  8. Nossa, odeio forró hahaha. Minha família inteira é vidrada e dança demais, só eu que sou desgarrado. Peguei desgosto logo, que é pra não passar vergonha pisando no pé dos parentes hahaha.

    Beijo Foxx!

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  9. Tu anda naquela vibe de Tieta quando volta - rycahhh - pro Agreste... hhehehe! E Monkeys é MEGA digno! Hugz!

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  10. Oba! Parece que você se divertiu muito, isso é o mais importante!! Ótimo pra pôr as ideias no lugar!

    Abraços!

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  11. Tava vendo que quando vamos comentar agora aparece uma epígrafe de Hemmingway.E me lembrei de uma passagem que Woody Allen colocou no filme Meia-noite em Paris do Hemmingway que diz mais ou menos assim:
    Todos os lugares do mundo são iguais, mas o que faz de um lugar especial ou não são as pessoas que passaram por lá.

    Gosto do meu quartinho bagunçado mais do que qualquer outro bistrô cinco estrelas mal habitado.

    PS: Vamos sair mais!

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  12. A cada balada, uma nova surpresa....
    Bacana que tu esteja se divertindo ai...
    abraços

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  13. Adorei ler esse post com os seus pensamentos na balada. Ficou divertido e parecia que eu estava lá vendo tudo.
    Bom pra quem tem curiosidade sobre a noite de Natal.

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  14. Viu como nada fica parado no tempo?

    Abraços,menino.

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  15. Oi darling, apurar o gosto é muito tudo! Quem sabe um dia eu te encontro por aí. Beijo.

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  16. Como assim, porque essa surpresa toda com um texto sobre solidão? ahauah

    Posso não gostar de pessoas, mas reconheço que preciso delas :p

    Beijo primo.

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  17. Nossa. De forma geral e com todas as pretensões, sua noite foi agradável. Natal... talvez, uma cidade que entre nas minhas metas, em 2012.
    Quanto ao seu comentário, lá no blog, não há motivo para eu discordar. Você tem rezão.

    Abraço.

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  18. Boas Festas e um excelente 2012.
    Abraços

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  19. Bahhhhhh... Frosty com certeza tb mutcho me agrada. Sou desses... fazer o quê? Hahahaha! Hugz, raposa!

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  20. Espero que o sábado tenha sido tão bom quanto. Natal então ferve, né?

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  21. Oi ... Interessante a forma com a qual observa as pessoas. Bastante critica. Acho que balada é sempre a mesma coisa, os mesmos tipos repetitivos. Quanto as pessoas "feias" ... Hummm, o tempo nos torna mais exigentes. Seria indiscrição perguntar como acabou a noitada?

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  22. Sabe sua friday night? A minha foi diametralmente oposta... Beijo Raposo!

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  23. Acho que Natal está te fazendo bem no final das contas... rs

    Beijo!

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  24. Como não me convidaram pra essa festchenha???/

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  25. Ahhhhh... mas "a La Foxx" é nível avançado de sensualidade... hehehe! Hugz!

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  26. fiquei taooo impressionado na parte do forró na boate... gente, forró, jura? Nunca na vida tinha escutado falar disso.. ou na verdade sou um chato que só vou pro mesmo lugar sempre com as mesmas pessoas que só fazem carao e sao uns idiotas...

    ai ai, a noite gay já está me cansando aqui em gyn...

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  27. ola passando para conhecer teu blog
    abraço
    josé

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  28. Viu como nada fica parado no tempo? [2]

    Saudades demais de vc!!

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" Gosto de ouvir. Aprendi muita coisa por ouvir cuidadosamente."

Ernest Hemmingway