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terça-feira, 3 de setembro de 2013

Fenícia: Os Servos do Rei

, em Natal - RN, Brasil



Moloch era o deus de Cartago e todas as colônias que esta cidade havia criado. Todos aqueles que eram descendentes dos cartagineses era também cultuadores de Moloch. Seu nome significa rei. Cartago se localizava no norte da África, onde hoje fica a Tunísia e foi um poderoso império marítimo porque controlava o estreito que existe entre a África e a ilha da Sicília, na Itália. Cartago, como várias outras culturas que existiam na costa norte da África, compartilhava uma história de acomodação do comportamento homoerótico e transgênero.
Cartago fora fundada por fenícios do século XX a.C., vindos do antigo Líbano para o Marrocos, a altura do século IX a.C, eles já havia se tornado um grande e importante império que passou a competir com o Império Romano causando as duas Guerras Púnicas que em 146 a.C., em sua última batalha, destruíram a cidade de Cartago completamente. Nesta migração eles trouxeram junto seus sacerdotes transgêneros, servos e concubinas. Sua cultura politeísta que incluía um deus supremo, Baal, e uma deusa suprema, Baalit, chamada em Cartago de Tanit, os templos desta deusa eram sempre cheios de sacerdotes cortesãos, isto é, que se prostituíam em nome da deusa, e também travestidos.
Moloch também era um deus do fogo. E a maior parte das informações sobre seu culto estão na parte judaica da Bíblia. São oito referências que proíbem os judeus e não-judeus de prestarem culto ao deus fenício. São citações como: "Não darás nenhum dos teus filhos para ser sacrificado a Moloch; e não profanarás o nome de teu Deus, Eu sou o Senhor" (Lev 18:21) ou "Todo israelita ou estrangeiro que sacrificar um dos seus filhos a Moloch, será punido de morte. O povo da terra o apedrejará. Eu voltarei o meu rosto contra ele e o cortarei do meio de seu povo, porque manchou o meu santuário e profanou o meu santo nome, dando um de seus filhos a Moloch. Se o povo da terra não se importar por esse homem ter dado um de seus filhos a Moloch, e se não o matar, eu voltarei meu rosto contra ele e contra a sua família" (Lev 20:02-04). Em Jeremias temos uma referência parecida: "Ergueram-se altares a Baal no vale de Ben-Enom, para ai queimarem os filhos e as filhas em honra de Moloch" (32:35). São basicamente citações que falam sobre a principal característica do culto de Moloch: os sacrifícios humanos e, especificamente, os que mais agradavam ao deus, o sacrifício de crianças.
Outras referências a Moloch que temos são de origem grega e latina que falam das crianças sendo consumidas pelo fogo em Cartago. Cleitarco, Diodoro da Sicília e Plutarco mencionaram a queima de crianças como oferenda ao deus também chamado de Baal Hammon. Comentaristas, no entanto, reconhecem que estas descrições são muito exageradas já que Cartago era a cidade inimiga e, engajados numa propaganda pós-guerra, era necessário fazer seus arqui-inimigos se tornarem cruéis e menos civilizados como afirmam Astin, Walbank e Frederiksen em Rome and the Mediterranean to 133 B.C..
Traduzimos, a partir da versão de Paul G. Fly, uma referência retirada do comentário de Cleitarco a República de Platão:

Não está em seu meio uma estátua de bronze de Saturno (era costume entre os romanos de traduzirem os nomes dos deuses de outros povos, Saturno será comparado a Moloch nestes textos), suas mãos estendidas sobre um braseiro de bronze, no qual as chamas engolem uma criança. Quando as chamas caem sobre o corpo, o contrato de membros e a boca aberta parece estar rindo até que o corpo desliza silenciosamente para o braseiro. Assim é que o "sorriso" é conhecido como "riso sardônico", uma vez que eles morrem de rir.

Já Diodoro da Sicília (20.14) escreveu:

Havia em sua cidade uma imagem de bronze de Saturno estendendo suas mãos, palmas para cima e inclinada para o chão, de modo que cada uma das crianças, quando colocado nelas rolava e caia uma espécie de cova aberta cheia de fogo.

É Diodoro também que relata que os parentes estavam proibidos de chorar a morte de suas crianças, porém é o historiador romano também que nota que o comum era o sacrifício de crianças de classes sociais menos abastadas, tanto que quando Agatócles é derrotado, os nobres cartagineses acreditaram que haviam ofendido os deuses e substituíram as crianças dos sacrifícios por seus próprios filhos, foram desta vez 200 crianças mortas das melhores famílias da cidade.
Em Plutarco, no Das Supertições, temos:

"... mas com pleno conhecimento e compreensão que eles mesmos oferecem os seus próprios filhos, e aqueles que não tiveram filhos iriam comprar pequenos de pessoas pobres e cortar-lhe as gargantas como se fossem cordeiros ou aves jovens, enquanto isso a mãe fica sem nenhuma lágrima ou gemido, mas se ela proferir um único gemido ou deixar cair uma única lágrima, deve desistir do dinheiro e o sacrifício do seu filho foi inútil; no entanto, toda área em torno da estátua era preenchida por um barulho de flautas e tambores que deviam abafar os gritos de lamentação, não deixando que estes chegassem aos ouvidos do povo.

Outra característica do culto a Moloch era a prostituição sagrada. Existe uma referência bíblica que fala sobre isso: "e o cortarei do meio do seu povo com todos aqueles que se prostituem como ele, prestando culto a Moloch" (Lev 20:05). Nota-se que a principal proibição judaica é o sacrifício das crianças em nome de Moloch, mas eles também citam outra parte do culto ao deus fenício: a realização da prostituição ritual em nome do deus, seja agindo como o prostituto ou prostituta ou pagando pelos serviços de um dos servos do deus. Neste caso, estes servos também podiam ser crianças que eram doadas ao templo, porém, no lugar delas serem atiradas ao fogo, estas se tornavam servos do deus, e cresciam como prostitutos do templo.
Era comum em diversas religiões ligadas a fertilidade o que é chamado de Hierogamia, o casamento mágico entre o deus e o seu fiel, isto se dava sempre através do sexo com um sacerdote ou de uma sacerdotisa ou mesmo um sacerdote transgênero. No caso de Moloch, considerado o depositário da potência masculina da fecundação, encontramos sacerdotes masculinos e transgêneros. O ritual normalmente se dava somente com a relação sexual, sobretudo anal, entre o sacerdote e o fiel. Muitos historiadores afirmam, no entanto, que tudo isto não passava de uma oferenda ao deus, que não havia prazer nenhum em pagar por este tipo de prostituição, pois ela se daria somente no contexto religioso. Não haveria uso fora desta situação muito particular para estes servos do deus.


9 comentários:

  1. Do fiel eu não sei. Mas o sacerdote, ah... esse estava gostando! Não dá pra ficar de pau duro (e gozar) sem estar gostando da brincadeira!

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    1. huahauahauhaua, mas então, o fiel não gozava e nem ficava de pau duro? kkkkkkkkk

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  2. Cara,muito foda seu blog.Eu escrevi A loja demoníaca capitulo 2 parte 2

    http://desenhode.blogspot.com.br/2013/09/a-loja-demoniaca-capitulo-2.html#more

    Queria saber sua opinião.Nunca escrevi algo do tipo antes,mas está sendo bem divertido escrever.

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  3. Oi,queria saber se aceita parceria?

    http://desenhode.blogspot.com.br/

    Pode me dar dicas de como escrever boas estórias?queria muito saber sua opinião.

    http://desenhode.blogspot.com.br/2013/09/pensamentos.html

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    1. gente, te dar dicas? quem sou eu pra dar dicas?

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    2. Se puder me link vai ajudar muito

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  4. Oi!

    R: Nada disso FOXX! ;)

    Desde o primeiro capítulo que existem fotografias das terras mencionadas na história! Eu aceitei e assumi [no post anterior quando me falaste nisso] que nesse aspecto falhei e não alterei o que escrevi do conto!

    Nem tenciono alterar, a minha ideia era mesmo esta, em vez de descrever, colocar imagens dos locais para que as pessoas possam ficar com uma ideia mais correcta dos locais. Espero que apesar disso, estejas a gostar. ^^

    Abração :3

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" Gosto de ouvir. Aprendi muita coisa por ouvir cuidadosamente."

Ernest Hemmingway