As referências entre Davi e Jônatas são as mais reclamadas pela militância gay entre as fileiras cristãs e muito se escreveu sobre este assunto. Davi é o segundo rei de Israel, o primeiro é Saul, de acordo com o texto hebraico da Bíblia, e segundo os evangelistas Lucas e Mateus seria ancestral de Jesus Cristo. Ele teria reinado entre 1003 e 970 a.C., porém a única prova da existência de Davi são os livros de Samuel, Reis e Crônicas da própria Bíblia, além dos Salmos que são atribuídos ao talento musical do rei dos judeus.
Segundo o texto bíblico, Davi toma o trono de Israel de Saul porque Deus retirou-lhe seus favores. "O Senhor disse a Samuel: Arrependo-me de ter feito rei a Saul: ele se desviou de mim e não executou as minhas ordens" (1Samuel 15:10-11). O profeta Samuel então procurou um novo rei entre os filhos de Jessé em Belém. Sete dos filhos de Jessé são levados diante do profeta, mas nenhum deles o agradou, porém ainda faltava o menor, que havia levado as ovelhas para o pasto. Davi então foi trazido para a presença do profeta. "Ele era louro, de belos olhos e mui formosa aparência. O Senhor disse: Vamos, unge-o. É ele!" (1Samuel 16:12). Belo e habilidoso com a harpa, Davi foi introduzido na corte de Saul pelo profeta como músico real, "Davi chegou a casa do rei e apresentou-se a ele. Saul afeiçoou-se ( אהבה - ahab) a Davi e o fez seu escudeiro" (1Samuel 16:21). Esta, falam os pesquisadores queer que seria a primeira referência homoerótica envolvendo Davi. O relacionamento entre o rei e o músico, em que o último passa a frequentar o quarto do primeiro, torna-se extremamente íntimo e aproxima Davi do príncipe, filho de Saul, Jônatas.
É após Davi demonstrar sua bravura após derrotar o gigante Golias, ao trazer a cabeça ao filisteu ao rei, que ocorre o primeiro encontro entre o músico e o príncipe: "Tendo Davi acabado de falar com Saul, a alma de Jônatas apegou-se à alma de Davi e Jônatas começou a amá-lo (אהבה - ahab) como a si mesmo. Naquele mesmo dia, Saul o reteve em sua casa e não o deixou voltar para a casa do seu pai. E Jônatas fez um pacto com Davi, pois o amava (אהבה - ahab) como a si mesmo. Tirou seu manto, deu-o a Davi, bem como a sua armadura, sua espada, seu arco e seu cinto" (1Samuel 18:1-4).
Tanto na primeira referência envolvendo Saul, quanto com Jônatas, a presença da palavra hebraica אהבה (ahab) vai de encontro a interpretação comum de que se refere a apenas uma amizade. Não obstante, uma interpretação platônica para o relacionamento entre Davi e Jônatas tem sido a visão predominante encontrada na exegese bíblica, tanto por autores judeus e cristãos. Estes argumentam que a relação entre os dois, embora forte e estreita, é em última análise, uma amizade platônica. A aliança que se faz é política, e não erótica, enquanto qualquer intimidade é um caso de união masculina e homossocialidade, isto é, uma camaradagem íntima entre dois jovens soldados sem envolvimento sexual.
Os livros de Samuel não documentam nenhuma intimidade física entre os dois personagens, além do beijo. "Logo que Davi deixou seu esconderijo e curvou-se até a terra, prostrando-se três vezes; beijaram-se mutuamente, chorando, e Davi ainda mais comovido que seu amigo" (1Samuel 20:41). Os tradicionalistas afirmam que o texto bíblico não se escusa em narrar claramente as abundantes relações sexuais entre Davi e suas esposas e concubinas, e também as de Jônatas que casou e teve um filho, porque então ele não se dá ao trabalho de ser claro no relacionamento homoerótico do músico e do príncipe? Martti Nissinen afirma que "o amor recíproco, com certeza, foi considerado pelos editores [da Bíblia] como fiel e apaixonado, mas sem alusões indecorosas para práticas proibidas pelo Levítico. Sua proximidade emocional e até física não parecem preocupar os editores da história". A Homossociabilidade não é vista como sendo parte do tabu sexual no mundo bíblico.
Nada no texto bíblico, porém, possibilita ou impossibilita uma leitura homoerótica desses versículos. Porém se a opção for por uma leitura homoerótica possibilitaria um melhor sentido para trechos como a reação de Saul ao saber da relação do filho com o músico faz pensar que existe mais do que uma amizade entre guerreiros. "Então Saul encolerizou-se contra Jônatas: Filho de prostituta - disse-lhe -, não sei eu porventura que és amigo do filho de Jessé, o que é uma vergonha para ti e para tua mãe? Enquanto viver esse homem na terra, não estarás seguro, nem tu nem teu trono. Vamos! Vai buscá-lo e traze-mo; ele merece a morte! Jônatas respondeu ao seu pai: Por que deverá ele morrer? Que ele fez? Saul brandiu sua lança para feri-lo e Jônatas viu que a morte de Davi era coisa decidida pelo seu pai. Furioso, deixou a mesa sem comer naquele segundo dia de lua. As injúrias que seu pai tinha proferido contra Davi tinham-no afligido profundamente" (1Samuel 20:30-34). Apesar da acusação de regicida feita por Saul, as palavras proferidas ao filho e a aflição de Jônatas demonstra não corroboram a tese de simples amizade. Segundo David Jobling, inclusive, o apartamento feito por Saul do próprio filho no qual a vergonha cairia somente entre ele e a própria mãe é uma chave que transforma Jônatas em uma efeminado, isto é, o filho apenas de uma mulher, sem semente viril. "Então Jônatas, filho de Saul, foi ter com ele em Horesa. E confortou-o, dizendo: Não temas, porque não te atingirá a mão de meu pai. Tu reinarás sobre Israel e eu serei o teu favorito; meu pai bem o sabe. Fizeram ambos uma aliança diante do Senhor. Davi ficou em Horesa e Jônatas voltou a casa do seu pai" (1Samuel 23:17-18). Gordon Hugenberger tem procurado desde 1944 relações entre o casamento heterossexual e a aliança entre Davi e Jônatas, relação esta citada três vezes no livro de Samuel. No entanto, apesar das pesquisas de John Boswell reafirmarem que os ritos de casamento homoafetivos serem muito anteriores aos ritual de casamento eclesiástico cristão, obviamente, a relação política entre o príncipe e o músico aspirante a rei é quem subordina a relação de amor entre eles.
A referência mais famosa, contudo, é a primeira poesia de Davi apresentada por Samuel em seu segundo livro. "Jônatas, meu irmão, por tua causa meu coração me comprime! Tu me eras tão querido! Tua amizade me era mais preciosa que o amor das mulheres" (2Samuel 1:26). David Jobling escreve: "A história de Davi e Jônatas, e estas palavras em particular, vem a ter grande importância para ativistas que defendem os direitos dos gays, porque eles são a única apresentação positiva da homossexualidade masculina na Bíblia judaica. Neste trecho, um homem revela seu amor por outro homem, em comparação com o amor heterossexual e conclui que é superior. Uma leitura de Samuel que pretenda abordar as questões de ética e libertação humana não pode continuar a ignorar a importância desta perspectiva para uma questão tão importante de nosso tempo".
Tanto na primeira referência envolvendo Saul, quanto com Jônatas, a presença da palavra hebraica אהבה (ahab) vai de encontro a interpretação comum de que se refere a apenas uma amizade. Não obstante, uma interpretação platônica para o relacionamento entre Davi e Jônatas tem sido a visão predominante encontrada na exegese bíblica, tanto por autores judeus e cristãos. Estes argumentam que a relação entre os dois, embora forte e estreita, é em última análise, uma amizade platônica. A aliança que se faz é política, e não erótica, enquanto qualquer intimidade é um caso de união masculina e homossocialidade, isto é, uma camaradagem íntima entre dois jovens soldados sem envolvimento sexual.
Os livros de Samuel não documentam nenhuma intimidade física entre os dois personagens, além do beijo. "Logo que Davi deixou seu esconderijo e curvou-se até a terra, prostrando-se três vezes; beijaram-se mutuamente, chorando, e Davi ainda mais comovido que seu amigo" (1Samuel 20:41). Os tradicionalistas afirmam que o texto bíblico não se escusa em narrar claramente as abundantes relações sexuais entre Davi e suas esposas e concubinas, e também as de Jônatas que casou e teve um filho, porque então ele não se dá ao trabalho de ser claro no relacionamento homoerótico do músico e do príncipe? Martti Nissinen afirma que "o amor recíproco, com certeza, foi considerado pelos editores [da Bíblia] como fiel e apaixonado, mas sem alusões indecorosas para práticas proibidas pelo Levítico. Sua proximidade emocional e até física não parecem preocupar os editores da história". A Homossociabilidade não é vista como sendo parte do tabu sexual no mundo bíblico.
Nada no texto bíblico, porém, possibilita ou impossibilita uma leitura homoerótica desses versículos. Porém se a opção for por uma leitura homoerótica possibilitaria um melhor sentido para trechos como a reação de Saul ao saber da relação do filho com o músico faz pensar que existe mais do que uma amizade entre guerreiros. "Então Saul encolerizou-se contra Jônatas: Filho de prostituta - disse-lhe -, não sei eu porventura que és amigo do filho de Jessé, o que é uma vergonha para ti e para tua mãe? Enquanto viver esse homem na terra, não estarás seguro, nem tu nem teu trono. Vamos! Vai buscá-lo e traze-mo; ele merece a morte! Jônatas respondeu ao seu pai: Por que deverá ele morrer? Que ele fez? Saul brandiu sua lança para feri-lo e Jônatas viu que a morte de Davi era coisa decidida pelo seu pai. Furioso, deixou a mesa sem comer naquele segundo dia de lua. As injúrias que seu pai tinha proferido contra Davi tinham-no afligido profundamente" (1Samuel 20:30-34). Apesar da acusação de regicida feita por Saul, as palavras proferidas ao filho e a aflição de Jônatas demonstra não corroboram a tese de simples amizade. Segundo David Jobling, inclusive, o apartamento feito por Saul do próprio filho no qual a vergonha cairia somente entre ele e a própria mãe é uma chave que transforma Jônatas em uma efeminado, isto é, o filho apenas de uma mulher, sem semente viril. "Então Jônatas, filho de Saul, foi ter com ele em Horesa. E confortou-o, dizendo: Não temas, porque não te atingirá a mão de meu pai. Tu reinarás sobre Israel e eu serei o teu favorito; meu pai bem o sabe. Fizeram ambos uma aliança diante do Senhor. Davi ficou em Horesa e Jônatas voltou a casa do seu pai" (1Samuel 23:17-18). Gordon Hugenberger tem procurado desde 1944 relações entre o casamento heterossexual e a aliança entre Davi e Jônatas, relação esta citada três vezes no livro de Samuel. No entanto, apesar das pesquisas de John Boswell reafirmarem que os ritos de casamento homoafetivos serem muito anteriores aos ritual de casamento eclesiástico cristão, obviamente, a relação política entre o príncipe e o músico aspirante a rei é quem subordina a relação de amor entre eles.
A referência mais famosa, contudo, é a primeira poesia de Davi apresentada por Samuel em seu segundo livro. "Jônatas, meu irmão, por tua causa meu coração me comprime! Tu me eras tão querido! Tua amizade me era mais preciosa que o amor das mulheres" (2Samuel 1:26). David Jobling escreve: "A história de Davi e Jônatas, e estas palavras em particular, vem a ter grande importância para ativistas que defendem os direitos dos gays, porque eles são a única apresentação positiva da homossexualidade masculina na Bíblia judaica. Neste trecho, um homem revela seu amor por outro homem, em comparação com o amor heterossexual e conclui que é superior. Uma leitura de Samuel que pretenda abordar as questões de ética e libertação humana não pode continuar a ignorar a importância desta perspectiva para uma questão tão importante de nosso tempo".


