Estou namorando há 3 meses. Isso deveria ser motivo de festa né? E poderia ser. Se um problema não inisistisse em rondar minha cabeça: meu BB é virgem. Deixa eu contar nossa estória. Nós nos conhecemos através do Orkut, começamos a conversar e nos apaixonamos. Tem sido lindo. É a primeira vez que me apaixono de verdade e estou curtindo cada momento. Desde o carinho dele, ao ciúme. E olha que ele é ciumento (já odeia, por exemplo, o Marcelo Sunshine e qualquer um que demonstre intimidade comigo) e é um lutador.
É mesmo, apesar dos 19 anos que ele tem. Meu BB já sofreu muito. Há mais ou menos 1 ano, a família do namorado dele descobriu tudo e o perseguiu. Ele foi ameaçado de morte. Teve que mudar de cidade e com isso perdeu seus amigos. Tudo, inclusive o namorado, Jonathan. Com isso, ele entrou em depressão profunda, curada apenas com a intervenção psicanalítica.
Por isso nosso namoro começou com uma tentativa. Ele tinha (e ainda tem) muito medo de amar alguém como ele amou Jonathan, e perder esse amor de forma tão ou mais trágica. Mas não tenho medo do medo dele. Não obstante nossas brigas serem todas oriundas desta fobia que ele tem de ser feliz. É! Toda vez que eu faço algo que o deixa feliz, como uma declaração de amor ou uma demonstração do carinho que sinto por ele. É certo, no outro dia ele tem uma crise. Fica atacado. Briga. Chora. Mas eu entendo. É só medo de perder a felicidade que ele está sentindo. Um pavor inominável de sofrer. E bem, não é isso que me incomoda mesmo. O que me incomoda, sendo sincero com vocês, é a virgindade dele.
Necessidade de explicação? Bem, vejamos. Comecei o namoro e resolvi ser fiel a ele (o que todos devem concordar que é uma decisão acertada não é?). Só que aí começou a chover na minha horta (já notaram como isso sempre acontece?). Muita gente mesmo apareceu. Quer uma lista? André, que é um amigo de trinta e poucos anos que me avisou que a qualquer hora ele está disponível, que eu o visse como uma assistência técnica; Felipe, um menino de 15 anos que só quer perder a virgindade dele se for comigo; João Carlos, um aluno meu de 16 anos que me perturba todos os dias; Berg, que com 20 anos me achou pela net e pouco se importa com meu compromisso; Alison, que com 21 anos é simplesmente perfeito; Ricardo, do qual tive que me afastar porque ele arranjou um jeito de conhecer meu namorado e se fez de amigo para poder invenená-lo contra mim; fora os desconhecidos na rua, no orkut, no shopping (esta semana dois caras vieram falar comigo, quase tive que fugir). Socorro! Socorro mesmo!!
Berg e Felipe sabem que meu namorado é virgem, então eles fizeram a seguinte proposta: "Eu posso ser seu amante?". Chocados?! Também fiquei!!! Cogitei a possibilidade, não nego. Mas se meu BB descobrir? Ele com certeza não me perdoaria e acabaria com o namoro. E isso não quero. Por Deus. Não. Estou apaixonado. Não consigo me imaginar sem ele. E na minha idade já é bom começar a pensar no futuro. Mas, aí o medo dele se torna um problema. Ele não quer fazer sexo comigo até ter certeza. Certeza que o amo. Certeza que esse namoro tem algum futuro. Certeza.
Bem, certamente a esta altura estarei com calos nas mãos. Amigos, meus amigos, ele me excita. Ai, ai. No telefone, falando sobre a fome na Somália e eu excitado. Na net, discutindo se o Santo Sudário é real e eu excitado. Nem vou comentar nada quando a gente se beija né? Mas ele quer esperar. E eu tenho que esperar. Devo né? Ou não? Conselhos, por favor.
terça-feira, 28 de novembro de 2006
segunda-feira, 27 de novembro de 2006
Exercitando o exibicionismo III: Empatando com o Trintinha

Estou empatando com o Trintinha. Três fotos. Hehehe. Gente, nem o Trintinha, nem eu tínhamos a menos noção que essa brincadeira faria tanto sucesso. Meu blog recebeu tantas visitas que eu fiquei impressionado. Mas claro, com os padrinhos que tenho: Marcelo Sunshine e agora o Trintinha era mesmo de esperar que isso acontecesse.

Obrigado por todos os comentários. Obrigado por todas as visitas. Estou emocionado. E agora sempre qndo falo isso, lembro de Miss Simpatia e ela agradecendo no final. Lembram? as mãozinhas balançando? Agradecimento de miss? Ah, também tenho que agradecer meu parceiro nesta "prezepada". Hehehe. Trintinha está sendo um prazer inenarrável fazer esta brincadeira convosco. Por falar nele, soube por ele que vários de vocês blogu
eiros ficaram com vontade de entrar na nossa brincadeira, mas não tiveram coragem. Amigos, é uma brincadeira inocente! Podem entrar a vontade!!
PASSADO: Estou na verdade entre o poético e o filosófico hoje
Enxerto de Carta para Larissa, escrita numa quinta-feira, 12 de fevereiro de 2004. Hoje estou vivendo exatamente o que falo nessa carta. Um amor. Uma estória.
Estou na verdade entre o poético e o filosófico hoje. Estou pensando em como quero uma história de amor pra mim… não, não virei romântico de uma hora para outra, não passei a me preocupar com estas sentimentalidades e não é porque terça eu estive, novamente, segurando vela… não… não é isso, só quero viver uma história. Não quero o amor para sempre, não quero aquele que acaba, que deixa marcas e feridas, quero sofrer e chorar por amor. Pois é isto, ou não, que prova que amamos? Se eu não sofrer quando acabar é porque nunca começou, e eu quero começar, pouco me importa que acabe, pouco me importa quanto dure… só quero que comece. Porque mesmo que seja uma história de dois dias, uma semana, é uma história. Quero viver! Quero viver! E a vida é também sofrer, então… que eu sofra! Vou sofrer sorrindo! Vou chorar cada lágrima no fim sorrindo, dizendo: minhas primeiras lágrimas de amor. Quero receber a primeira carta de amor, receber o calor que flui delas, que tornem minha experiência superiormente interessante. Eu quero ser um ridículo como em todas as cartas, só por ser… ser algo, viver! Não, não procuro o amor desesperadamente como talvez possa parecer, não. Eu procuro a vida com uma sede enlouquecedora, quero me agarrar a ela de todas as formas, usando garras e dentes, amarrando minhas tranças (???) nas tranças dela. Quero a vida, a vida! Quero amá-la, apenas ela, mas para amá-la preciso dividir meu amor com outros, irônico não… a vida é uma amante que adora ser traída… quem diria? E quem diria que sou um poeta, mas lembre-se o poeta é sempre, sempre um fingidor… talvez por isso digam, por aí, que sou falso, na verdade sou só poeta… mas se finjo algo, então o que será verdade? Como eu disse também tenho o péssimo hábito de ser filosofo (pelo menos com a minha vida… meus antigos diários que o digam).
Estou na verdade entre o poético e o filosófico hoje. Estou pensando em como quero uma história de amor pra mim… não, não virei romântico de uma hora para outra, não passei a me preocupar com estas sentimentalidades e não é porque terça eu estive, novamente, segurando vela… não… não é isso, só quero viver uma história. Não quero o amor para sempre, não quero aquele que acaba, que deixa marcas e feridas, quero sofrer e chorar por amor. Pois é isto, ou não, que prova que amamos? Se eu não sofrer quando acabar é porque nunca começou, e eu quero começar, pouco me importa que acabe, pouco me importa quanto dure… só quero que comece. Porque mesmo que seja uma história de dois dias, uma semana, é uma história. Quero viver! Quero viver! E a vida é também sofrer, então… que eu sofra! Vou sofrer sorrindo! Vou chorar cada lágrima no fim sorrindo, dizendo: minhas primeiras lágrimas de amor. Quero receber a primeira carta de amor, receber o calor que flui delas, que tornem minha experiência superiormente interessante. Eu quero ser um ridículo como em todas as cartas, só por ser… ser algo, viver! Não, não procuro o amor desesperadamente como talvez possa parecer, não. Eu procuro a vida com uma sede enlouquecedora, quero me agarrar a ela de todas as formas, usando garras e dentes, amarrando minhas tranças (???) nas tranças dela. Quero a vida, a vida! Quero amá-la, apenas ela, mas para amá-la preciso dividir meu amor com outros, irônico não… a vida é uma amante que adora ser traída… quem diria? E quem diria que sou um poeta, mas lembre-se o poeta é sempre, sempre um fingidor… talvez por isso digam, por aí, que sou falso, na verdade sou só poeta… mas se finjo algo, então o que será verdade? Como eu disse também tenho o péssimo hábito de ser filosofo (pelo menos com a minha vida… meus antigos diários que o digam).
quinta-feira, 23 de novembro de 2006
PRESENTE: Ser ou não ser
Não é fácil ser homem, hoje em dia, ontem e em qualquer tempo desde que o mundo é mundo, e é por isso que, acredito eu, que tantas outras possibilidades de ser têm surgido atualmente. Não. Não estou falando em homossexualidade ou bissexualidade. Estou falando de coisas bem mais modernas. E pra mim, bem irritantes. Ultimamente se têm falado em metrossexuais, em emoboys, em bi-curious, diversos nomes pra escapar do título mais pesado: homem. Mas porque ninguém mais quer ser homem?
Ou melhor, talvez a questão principal seja o que significa ser homem? E por que isso assuta tanto? É tão óbvia essa resposta, porém ninguém consegue respondê-la tão facilmente. Por quê? Porque ninguém é preparado para respondê-la. Nós acreditamos que se nasce homem. E só! Em instante algum você pensa sobre isso, e muito menos você imagina que você é ensinado a ser isso, e então o óbvio, de repente, não mais que de repente, se torna escorregadio.
Bem, definamos homem. Homem é alguem que nasce com um cromossomo Y, um pênis, uma inabilidade exatam em perceber maiores nuances numa palheta de cor (Vermelho, Rosa e Salmão é um peixe, não uma cor), uma dificuldade real com tarefas que exijam atenção, delicadeza e paciência. Neste instante alguém pode virar pra mim e perguntar se é nisso que homem foi educado. Não. Isto não é educação. É disposição genética.
Como bichos que somos, os homens foram selecionados pela Mãe Natureza para serem rápidos e fortes, enxergar bem a distância e correr, tornou-o um caçador. As habilidades acima são habilidades necessárias para aqueles que fossem ser responsabilizados pela coleta, tarefa, que normalmente era reservada a mulheres, e por isso, o corpo da mulher foi sendo selecionado, por milhares de anos, para cumprir melhor esta tarefa. Agora, quando falamos da dificuldade masculina com sentimentos, ai sim... falamos de como os homens são educados... por suas mães.
Primeiro, se os homens são criados para serem pedras de gelo sem coração, eles são criados assim por suas mães, as únicas criaturas a quem eles ainda podem demonstrar carinho e afeição sem parecerem fracos aos olhos de uma sociedade machista.
E este com certeza é o motivo pelo qual se criam esses monstros metrossexuais/emoboys por ai. São homens heterossexuais que querem fugir do estereótipo, que não se sentem confortáveis sendo homens heterossexuais. Mas a pergunta que fazemos é: por que é necessário o novo estigma? Por que tem que haver ou homens ou bichas? Por que um homem não pode ser sensível e chorar sem perder a sua masculinidade?
O metrossexual e o emoboy é o triunfo do machismo. É a certeza de que a frase de João Wainer está correta. "Uma coisa é homem. Outra coisa é sensível". Ridículo! Mães, a responsabilidade é de vocês! Mudem esta educação. Criem homens que saibam chorar e que continuem homens após isso. E sejam rápidas, antes que eu não queira mais ser homem.
POST SCRIPTUM: As minhas fotos do desafio ainda estão sendo providenciadas. Confiem em mim. Vai valer a pena esperar. Agradecido.
Ou melhor, talvez a questão principal seja o que significa ser homem? E por que isso assuta tanto? É tão óbvia essa resposta, porém ninguém consegue respondê-la tão facilmente. Por quê? Porque ninguém é preparado para respondê-la. Nós acreditamos que se nasce homem. E só! Em instante algum você pensa sobre isso, e muito menos você imagina que você é ensinado a ser isso, e então o óbvio, de repente, não mais que de repente, se torna escorregadio.
Bem, definamos homem. Homem é alguem que nasce com um cromossomo Y, um pênis, uma inabilidade exatam em perceber maiores nuances numa palheta de cor (Vermelho, Rosa e Salmão é um peixe, não uma cor), uma dificuldade real com tarefas que exijam atenção, delicadeza e paciência. Neste instante alguém pode virar pra mim e perguntar se é nisso que homem foi educado. Não. Isto não é educação. É disposição genética.
Como bichos que somos, os homens foram selecionados pela Mãe Natureza para serem rápidos e fortes, enxergar bem a distância e correr, tornou-o um caçador. As habilidades acima são habilidades necessárias para aqueles que fossem ser responsabilizados pela coleta, tarefa, que normalmente era reservada a mulheres, e por isso, o corpo da mulher foi sendo selecionado, por milhares de anos, para cumprir melhor esta tarefa. Agora, quando falamos da dificuldade masculina com sentimentos, ai sim... falamos de como os homens são educados... por suas mães.
Primeiro, se os homens são criados para serem pedras de gelo sem coração, eles são criados assim por suas mães, as únicas criaturas a quem eles ainda podem demonstrar carinho e afeição sem parecerem fracos aos olhos de uma sociedade machista.
E este com certeza é o motivo pelo qual se criam esses monstros metrossexuais/emoboys por ai. São homens heterossexuais que querem fugir do estereótipo, que não se sentem confortáveis sendo homens heterossexuais. Mas a pergunta que fazemos é: por que é necessário o novo estigma? Por que tem que haver ou homens ou bichas? Por que um homem não pode ser sensível e chorar sem perder a sua masculinidade?
O metrossexual e o emoboy é o triunfo do machismo. É a certeza de que a frase de João Wainer está correta. "Uma coisa é homem. Outra coisa é sensível". Ridículo! Mães, a responsabilidade é de vocês! Mudem esta educação. Criem homens que saibam chorar e que continuem homens após isso. E sejam rápidas, antes que eu não queira mais ser homem.
POST SCRIPTUM: As minhas fotos do desafio ainda estão sendo providenciadas. Confiem em mim. Vai valer a pena esperar. Agradecido.
terça-feira, 21 de novembro de 2006
Exercitando o exibicionismo II: Respondendo ao desafio

Que atrevimento! O Trintinha me deixou um comentário mal educado dizendo que eu fugi do desafio. Como é que pode! Claro que não, afinal fui eu quem lancei o desafio. Hehehe. Apenas, deixe-me explicar, quando eu tentei postar a fotinha, ela simplesmente não carregou. Senhor Trintinha, agora a bola está com o senhor.
segunda-feira, 20 de novembro de 2006
Brincando com T.S. Eliot: Dicas para se ler melhor
Lolita Pille escreve sem pudor sobre o mundo ao seu redor. Retrato sincero e devastador da juventude rica e consumista de Paris, que preenche suas vidas com sexo, álcool, drogas e roupas de grife, 'Hell' poderia se passar em qualquer grande cidade do mundo, pois espelha os valores e o comportamento de uma classe para quem o mundo se divide em duas categorias - 'nós' e 'vocês'. Uma classe que, sem encontrar limites para o prazer, vive o angustiante vazio do excesso. Hell, pseudônimo da narradora, é uma garota rica, fútil e arrogante, detestável sob todos os aspectos. Assumidamente frívola e preconceituosa, ela gasta diariamente em butiques de luxo mais do que o salário mensal da maioria dos leitores do livro. Em sua narrativa nervosa quase não há trama, porque HelI e suas amigas vivem um presente perpétuo, uma sucessão de prazeres cujo sentido está nas aparências e na superfície das coisas. De todos os dândis que encantavam a sofisticada sociedade londrina do final do século passado, o mais brilhante e luminoso era sem dúvida Oscar Wilde (Dublin 1854 - Paris 1900). Célebre, respeitado, Wilde vivia o ano de 1895 como o grande autor de Retrato de Dorian Gray (1891) e de três peças que faziam sucesso no momento; O leque de Lady Windermere, Um marido ideal e A importância de ser prudente. Neste mesmo ano, acusado de Homossexualismo, foi processado pela família de Lord Alfred Douglas, um jovem aristocrata por quem se apaixonara e com quem compartilhava um excêntrico estilo de vida. Condenado, sua vida mudou radicalmente e o talentoso escritor viu-se encarcerado por dois anos que consumiram sua saúde e fulminaram sua reputação. Preso, escreve esta carta a seu amante no qual desabafa todas as dores e alegrias que este o proporcionou. Emocionante, De Profundis fala sobre as últimas conseqüências que um verdadeiro amor pode ter.Baseado em Alice
no País das Maravilhas, do escritor inglês Lerris Carrol, Alex in Wonderland é uma sátira engenhosa e bem traçada que sabe utilizar bem os personagens do livro (não tão) infantil de Carrol. Este Fanzine - para quem não sabe o que é, veja a definição da Wikipedia no fim deste post - tem ganho prêmios por onde passa, e é produzido pelo grupo Gatos Pingados, e no site (http://alex.in.wonderland.tripod.com) pode ser lido gratuitamente. O traço é baseado no mangá japonês, adaptado ao modelo americano de leitura de quadrinhos. O traço é comovente. A estória é contada de uma forma que a metalinguagem é seu padrão mais comum. E a afiada ironia dá muito prazer a leitura. Um defeito: escrito em capítulos, temos que esperar até o próximo episódio estar pronto.APROVEITEM
*Fanzine é uma abreviação de fanatic magazine. Fanzine é, portanto, uma revista editada por um fan (fã, em português). Trata-se de uma publicação despretensiosa, eventualmente sofisticada no aspecto gráfico, dependendo do poder econômico do respectivo editor (faneditor). Na sua maioria é livre de preconceitos engloba todo o tipo de temas em padrões experimentais.
quinta-feira, 16 de novembro de 2006
PASSADO: O puto de olhos verdes
Era um sábado, a luz do sol entrava pelo meu quarto e aquecia a manhã. Eu estava deitado, me libertando lentamente dos braços de Morfeu, quando minha mãe pediu que eu fosse ao centro da cidade para comprar-lhe a tintura que ela usa no cabelo. Deu-me o dinheiro. Recomendou-me a cor. 4.35. Loreal. Castanho dourado. E eu, como filho obediente e prestativo que sou, fui. Saí de casa, e o sol aqueceu minha pele recém resfriada por uma ducha. Coloquei meus óculos escuros e enfrentei a luz fulgurante do sol de Natal. Peguei um ônibus para o centro e desci junto da Catedral nova. Que é uma parada mais distante da que eu costumo descer quando vou ao centro. Por acaso. O destino? Gosto de pensar que o destino decide essas coisas por nós. Que às vezes ele nos protege ou arruma brincadeiras para tornar nossas vidas um pouco mais interessante fazendo a gente perder este ônibus ou aquele. Fazendo chegar cedo ou atrasado em certos lugares. Etc. Etc.
Eu pretendia ir as Lojas Americanas. Compraria a tintura de minha mãe e voltaria para casa. Seria rápido. E se possível não seria nem visto. Eu estava num daqueles dias que me enfio atrás de meus óculos escuros e dos meus fones de ouvido. Que fico observando o mundo de fora, e quero ser percebido o menos possível. Mas, o destino tinha seus próprios planos. Enquanto eu caminhava para loja, percebi um lindo homem atrás de mim. Era moreno com pele de bronze, lembrava, com quase 1,80 de altura e com um corpo atlético, uma estátua de Rodin. Forte. Bonito. E rude. Mas quebrando esta rudeza, reinando do alto, os olhos verdes mais lindos que já vi. Olhos profundos. Que me seguiam. Que me sugavam. Que me queriam pra ele.
Continuei meu caminho, claro, olhando de vem em quando para ele, mas sem nenhuma outra intenção. Era muita areia pro meu caminhãozinho. Eu imaginava: "Quem sou eu para sonhar alguma coisa com ele". Reparei na roupa que ele usava: um abadá de micareta e uma bermuda surf wear. Reparei que a roupa não combinava com a beleza que ele tinha. E acabei me assustando quando percebi que ele estava se aproximando, e parecia que pretendia falar comigo.
Todavia, quando ele chegou quase do meu lado, eu cruzei com um primo meu e sua esposa. Educadamente, eu parei pra falar com eles. Trocamos notícias. E enquanto falávamos, o rapaz passou por mim. Não olhou para mim (o que não me surpreendeu) e começou a se afastar. É óbvio que desisti de algo que nem tinha acontecido assim que parei pra falar com meu primo. Mas como meu primo logo me dispensou, dizendo estar atrasado, eu pensei que poderia alcançar o cara, seria uma bela paisagem para curtir até chegar a loja. Aí comecei a fantasiar. Sou bobo. Admito. Mas não durou muito. Achei que poderíamos nos conhecer, quem sabe até uma história romântica.
Continuei andando. Como ele tinha passado por mim e eu não fiquei muito tempo falando com meu primo, logo eu fui agraciado com a visão magnífica: a da bunda do cara. Linda. Redondinha! Gostosa!! Uma escultura feita pela mão de Deus, sem sombra de dúvida. Na verdade, aquela visão me fez esquecer tudo o que estava em volta. Sinceramente não lembro de nada além da imagem daquela escultura. Nada. Absolutamente nada.
Mas, amigos, imaginem o meu susto quando percebi que esse deus estava retardando o passo ao me ver se aproximar. E quando chegou perto o suficiente. Meu coração explodindo na garganta. Ele se virou e se apresentou: William. Ele era lindo. Uma voz macia. Um olhar carente e profundo. Fui tragado por aqueles olhos verdes. Eu me perdia naqueles espelhos.
E aí seguimos até as lojas Americanas. Com ele conversando comigo. Percebi pelo seu sotaque que não era de Natal. Ele contou sobre ele. Que vinha de Campina Grande e ía tentar a sorte em Natal. Tinha um irmão militar na cidade, mais velho. Contou sua idade, 22 anos. E sorria para mim. Sorria aquele sorriso verde dos olhos dele.
Continuamos até as Americanas. E eu achei que ele ía continuar o caminho dele. Mas ele parou. Acompanhou-me até a loja. Esperou-me procurar o que eu tinha pra comprar. Conversávamos bobagens dentro da loja. Parecíamos amigos. Ele falou que estava indo encontrar com seu irmão no porto. Eu falei que ele ía acabar se atrasando, mas ele disse que eu era um bom motivo para o atraso. Eu ri com o galanteio. Enquanto eu ficava com ele, descobri que ele era um grande sedutor. Todos os gestos dele me envolviam. Todas as atenções dele eram pra mim. Que homem!
Depois saímos da loja. Sem a tintura que eu ía comprar. Não achei a nuance que minha mãe queria. Sentamos na frente do Banco do Brasil, e ficamos conversando. Na verdade um clima começou a se instalar e a excitação a tomar conta de nossos corpos. As pessoas na rua não eram mais que vultos sem forma. Apenas eu e ele existíamos. Foi quando William tomou a ofensiva e perguntou se eu sabia onde tinha uma pousada ou um motel onde poderíamos ficar mais a vontade. E eu falei que não conhecia nenhuma. Ele falou que próximo ao porto deveríam ter algumas. Imaginei que o nível não deveria ser dos melhores e acabei dando a desculpa de que não tinha dinheiro ali comigo. E ele falou uma frase que nunca esqueci. "Como você pretende sair com um cara sem dinheiro no bolso?!?". Meus brios se morderam. Meu orgulho foi ofendido. Eu parecia Apolo ofendido pela música de Mársias. E eu disse que poderia passar no banco. Ele então falou que conhecia algumas pousadas, mas não sabia quanto era a diária, ele então propôs que poderia ir a pousada saber o preço da diária, enquanto eu iria no banco.
Fizemos isso. Retirei o dinheiro. Ele foi a pousada. Encontramo-nos na porta do banco. E ele ainda me envolvendo com aquela magia verde lembrou que tinha que comprar camisinha, e foi na farmácia.
De lá, seguimos para a pousada. Passamos pelas ruelas da Ribeira. E eu senti todos os olhares sobre mim como se soubessem o que estava por acontecer. Chegamos na pousada, e ele reservou um quarto. Um outro casal deixava a mesma pousada. E dois rapazes perguntavam quanto era a diária, tentando disfarçar suas reais intenções que o sorriso quase maligno da recepcionista deixava óbvio. William não se importou. Pelou a chave, e me chamou carinhosamente. Ainda disse aos rapazes os preços, que ele havia perguntado anteriormente. O sorriso maléfico da recepcionista continuava lá. E eu me enterrei o máximo que pude atrás dos meus óculos escuros.
Entramos no quarto e nada foi diferente do que eu esperava. Uma cama coberta por um colchão velho e lençóis baratos. Duas toalhas velhas, duras e ásperas. Uma tv presa na parede, um lavabo e um banheiro. Sem porta. William começou a se despir e deitou-se na cama. Eu o acompanhei. Ele me beijou com fervor e vontade, e me convidou pra ir tomar um banho. Aceitei. Água estava gelada. Os sabonetes não tinham cheiro algum. Nem espuma faziam. O banho acabou. E só quando o vi usando as toalhas, que percebi no que me metera. Tive de usa-las, e senti sua aspereza contra minha pele. Mas logo, William tomou a toalha de minha mão, e com uma delicadeza que era só dele, enxugou meu corpo.
Naquele fim de manhã eu tive o melhor sexo da minha vida. Sem a menor sombra de dúvida. Mas no fim tive que pagá-lo, o que admito, não foi nada agradável. Nem um pouco. Foi degradante. Não para ele. Para ele, depois percebi, este tipo de relacionamento só poderia acontecer mediante a presença do metal. Mas eu me senti mal. Por causa da pobreza daquele quarto. Por causa da pobreza de alma que eu sentia em William. Porque joguei o dinheiro na cama, como se eu saísse de um bordel, e ele lançou-se sobre ele como um cão sobre o osso. Acho que me senti mal porque eu desejei do fundo do coração que aquele homem tão perfeito tivesse se interessado em mim, mas, no fim, ele só viu a minha carteira.
Eu pretendia ir as Lojas Americanas. Compraria a tintura de minha mãe e voltaria para casa. Seria rápido. E se possível não seria nem visto. Eu estava num daqueles dias que me enfio atrás de meus óculos escuros e dos meus fones de ouvido. Que fico observando o mundo de fora, e quero ser percebido o menos possível. Mas, o destino tinha seus próprios planos. Enquanto eu caminhava para loja, percebi um lindo homem atrás de mim. Era moreno com pele de bronze, lembrava, com quase 1,80 de altura e com um corpo atlético, uma estátua de Rodin. Forte. Bonito. E rude. Mas quebrando esta rudeza, reinando do alto, os olhos verdes mais lindos que já vi. Olhos profundos. Que me seguiam. Que me sugavam. Que me queriam pra ele.
Continuei meu caminho, claro, olhando de vem em quando para ele, mas sem nenhuma outra intenção. Era muita areia pro meu caminhãozinho. Eu imaginava: "Quem sou eu para sonhar alguma coisa com ele". Reparei na roupa que ele usava: um abadá de micareta e uma bermuda surf wear. Reparei que a roupa não combinava com a beleza que ele tinha. E acabei me assustando quando percebi que ele estava se aproximando, e parecia que pretendia falar comigo.
Todavia, quando ele chegou quase do meu lado, eu cruzei com um primo meu e sua esposa. Educadamente, eu parei pra falar com eles. Trocamos notícias. E enquanto falávamos, o rapaz passou por mim. Não olhou para mim (o que não me surpreendeu) e começou a se afastar. É óbvio que desisti de algo que nem tinha acontecido assim que parei pra falar com meu primo. Mas como meu primo logo me dispensou, dizendo estar atrasado, eu pensei que poderia alcançar o cara, seria uma bela paisagem para curtir até chegar a loja. Aí comecei a fantasiar. Sou bobo. Admito. Mas não durou muito. Achei que poderíamos nos conhecer, quem sabe até uma história romântica.
Continuei andando. Como ele tinha passado por mim e eu não fiquei muito tempo falando com meu primo, logo eu fui agraciado com a visão magnífica: a da bunda do cara. Linda. Redondinha! Gostosa!! Uma escultura feita pela mão de Deus, sem sombra de dúvida. Na verdade, aquela visão me fez esquecer tudo o que estava em volta. Sinceramente não lembro de nada além da imagem daquela escultura. Nada. Absolutamente nada.
Mas, amigos, imaginem o meu susto quando percebi que esse deus estava retardando o passo ao me ver se aproximar. E quando chegou perto o suficiente. Meu coração explodindo na garganta. Ele se virou e se apresentou: William. Ele era lindo. Uma voz macia. Um olhar carente e profundo. Fui tragado por aqueles olhos verdes. Eu me perdia naqueles espelhos.
E aí seguimos até as lojas Americanas. Com ele conversando comigo. Percebi pelo seu sotaque que não era de Natal. Ele contou sobre ele. Que vinha de Campina Grande e ía tentar a sorte em Natal. Tinha um irmão militar na cidade, mais velho. Contou sua idade, 22 anos. E sorria para mim. Sorria aquele sorriso verde dos olhos dele.
Continuamos até as Americanas. E eu achei que ele ía continuar o caminho dele. Mas ele parou. Acompanhou-me até a loja. Esperou-me procurar o que eu tinha pra comprar. Conversávamos bobagens dentro da loja. Parecíamos amigos. Ele falou que estava indo encontrar com seu irmão no porto. Eu falei que ele ía acabar se atrasando, mas ele disse que eu era um bom motivo para o atraso. Eu ri com o galanteio. Enquanto eu ficava com ele, descobri que ele era um grande sedutor. Todos os gestos dele me envolviam. Todas as atenções dele eram pra mim. Que homem!
Depois saímos da loja. Sem a tintura que eu ía comprar. Não achei a nuance que minha mãe queria. Sentamos na frente do Banco do Brasil, e ficamos conversando. Na verdade um clima começou a se instalar e a excitação a tomar conta de nossos corpos. As pessoas na rua não eram mais que vultos sem forma. Apenas eu e ele existíamos. Foi quando William tomou a ofensiva e perguntou se eu sabia onde tinha uma pousada ou um motel onde poderíamos ficar mais a vontade. E eu falei que não conhecia nenhuma. Ele falou que próximo ao porto deveríam ter algumas. Imaginei que o nível não deveria ser dos melhores e acabei dando a desculpa de que não tinha dinheiro ali comigo. E ele falou uma frase que nunca esqueci. "Como você pretende sair com um cara sem dinheiro no bolso?!?". Meus brios se morderam. Meu orgulho foi ofendido. Eu parecia Apolo ofendido pela música de Mársias. E eu disse que poderia passar no banco. Ele então falou que conhecia algumas pousadas, mas não sabia quanto era a diária, ele então propôs que poderia ir a pousada saber o preço da diária, enquanto eu iria no banco.
Fizemos isso. Retirei o dinheiro. Ele foi a pousada. Encontramo-nos na porta do banco. E ele ainda me envolvendo com aquela magia verde lembrou que tinha que comprar camisinha, e foi na farmácia.
De lá, seguimos para a pousada. Passamos pelas ruelas da Ribeira. E eu senti todos os olhares sobre mim como se soubessem o que estava por acontecer. Chegamos na pousada, e ele reservou um quarto. Um outro casal deixava a mesma pousada. E dois rapazes perguntavam quanto era a diária, tentando disfarçar suas reais intenções que o sorriso quase maligno da recepcionista deixava óbvio. William não se importou. Pelou a chave, e me chamou carinhosamente. Ainda disse aos rapazes os preços, que ele havia perguntado anteriormente. O sorriso maléfico da recepcionista continuava lá. E eu me enterrei o máximo que pude atrás dos meus óculos escuros.
Entramos no quarto e nada foi diferente do que eu esperava. Uma cama coberta por um colchão velho e lençóis baratos. Duas toalhas velhas, duras e ásperas. Uma tv presa na parede, um lavabo e um banheiro. Sem porta. William começou a se despir e deitou-se na cama. Eu o acompanhei. Ele me beijou com fervor e vontade, e me convidou pra ir tomar um banho. Aceitei. Água estava gelada. Os sabonetes não tinham cheiro algum. Nem espuma faziam. O banho acabou. E só quando o vi usando as toalhas, que percebi no que me metera. Tive de usa-las, e senti sua aspereza contra minha pele. Mas logo, William tomou a toalha de minha mão, e com uma delicadeza que era só dele, enxugou meu corpo.
Naquele fim de manhã eu tive o melhor sexo da minha vida. Sem a menor sombra de dúvida. Mas no fim tive que pagá-lo, o que admito, não foi nada agradável. Nem um pouco. Foi degradante. Não para ele. Para ele, depois percebi, este tipo de relacionamento só poderia acontecer mediante a presença do metal. Mas eu me senti mal. Por causa da pobreza daquele quarto. Por causa da pobreza de alma que eu sentia em William. Porque joguei o dinheiro na cama, como se eu saísse de um bordel, e ele lançou-se sobre ele como um cão sobre o osso. Acho que me senti mal porque eu desejei do fundo do coração que aquele homem tão perfeito tivesse se interessado em mim, mas, no fim, ele só viu a minha carteira.
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