Numa noite, há oito anos atrás, eu andava pelas salas de bate-papo no Uol. Pessoas entravam e saíam. Nicks, nomes falsos, ativos e passivos, "de onde você tecla?", "como você é?". Ele entrou e puxou papo comigo. Conversamos o trivial, MSN, fotos, papos mais quentes, ele quase virgem, eu com um passado que o encantava. Surpreendia. Tornei-me seu confidente. Eu fui a primeira pessoa a quem ele contou que estava namorando, com um menino que também conhecera no bate-papo, na mesma noite que eu.
Conheci-o pouco tempo depois, ao lado do namorado dele. Formavam um belo casal, marcamos no Feitiço, uma boate que funciona aos domingos. Eu os encontrei no fundo da pista, próximo a mesa de som. Conversamos, rimos juntos e tornamo-nos grandes amigos. Fê e eu tornamo-nos unha e carne. Ligações diárias, conversas longas, nos encontravámos quase todo dia. "Eu não achei que faria um novo amigo assim. É bom ter com quem compartilhar essas coisas pela primeira vez". Ele me mandou essa mensagem, e ali eu soube que ele me considerava seu melhor amigo. Meses depois, o namoro terminou. Eu fui seu conselheiro, e seu ombro quando ele precisou. Tornamo-nos figurinha fácil de ser encontrada nas baladas pela cidade. Sempre juntos. Baladas hetero na semana. Baladas gays no fim de semana. E um padrão começou a aparecer.
Fê via minhas façanhas. Os homens que eu pegava. Boates, bares, casas de praia. Ele via os olhares que eu atraía. Na rua, na praia, na padaria. Ele via a coragem que eu tinha. Felipe ficou com inveja. Primeiro, ele propunha competições com um riso irônico no rosto. "Vamos ver quem beija mais hoje?", e ele cansou de perder. Depois ele começou a dar em cima de todos os meninos que já haviam ficado comigo. "Tem uma tensão estranha entre vocês dois", disse-me um, uma vez, "parece que vocês estão competindo". Eu não estava, já ele. O terceiro passo do Fê foi tentar me imitar: e aí eu o vi se arriscar, dar em cima de homens héteros não é para qualquer um, é necessário um radar muito apurado para saber onde você está se metendo, e saber avançar na medida que ele te dá espaço. Felipe não sabia disso. E eu o vi apanhar, sendo necessário eu salvá-lo de um cara que gritava: "Porra! Eu não sou viado!". A quarta tentativa foi começar a se interessar pelos meninos que eu queria ficar. Ele sabia dos meus interesses, sobretudo dos meus gostos, então, quando conheci o Peter Pan e me interessei, Fê decidiu que conseguiria ficar com ele antes de mim. Numa festa de carnaval que eu o vi tentar agir, puxei-o num canto e disse-lhe que ali ele estava passando dos limites. "Nós não temos inveja dos nossos amigos!". Ele respirou fundo, e me olhou com os olhos negros e apertados que ele tinha. "Então acho que não somos amigos!". E saiu, e nunca mais falou comigo.
Conheci-o pouco tempo depois, ao lado do namorado dele. Formavam um belo casal, marcamos no Feitiço, uma boate que funciona aos domingos. Eu os encontrei no fundo da pista, próximo a mesa de som. Conversamos, rimos juntos e tornamo-nos grandes amigos. Fê e eu tornamo-nos unha e carne. Ligações diárias, conversas longas, nos encontravámos quase todo dia. "Eu não achei que faria um novo amigo assim. É bom ter com quem compartilhar essas coisas pela primeira vez". Ele me mandou essa mensagem, e ali eu soube que ele me considerava seu melhor amigo. Meses depois, o namoro terminou. Eu fui seu conselheiro, e seu ombro quando ele precisou. Tornamo-nos figurinha fácil de ser encontrada nas baladas pela cidade. Sempre juntos. Baladas hetero na semana. Baladas gays no fim de semana. E um padrão começou a aparecer.
Fê via minhas façanhas. Os homens que eu pegava. Boates, bares, casas de praia. Ele via os olhares que eu atraía. Na rua, na praia, na padaria. Ele via a coragem que eu tinha. Felipe ficou com inveja. Primeiro, ele propunha competições com um riso irônico no rosto. "Vamos ver quem beija mais hoje?", e ele cansou de perder. Depois ele começou a dar em cima de todos os meninos que já haviam ficado comigo. "Tem uma tensão estranha entre vocês dois", disse-me um, uma vez, "parece que vocês estão competindo". Eu não estava, já ele. O terceiro passo do Fê foi tentar me imitar: e aí eu o vi se arriscar, dar em cima de homens héteros não é para qualquer um, é necessário um radar muito apurado para saber onde você está se metendo, e saber avançar na medida que ele te dá espaço. Felipe não sabia disso. E eu o vi apanhar, sendo necessário eu salvá-lo de um cara que gritava: "Porra! Eu não sou viado!". A quarta tentativa foi começar a se interessar pelos meninos que eu queria ficar. Ele sabia dos meus interesses, sobretudo dos meus gostos, então, quando conheci o Peter Pan e me interessei, Fê decidiu que conseguiria ficar com ele antes de mim. Numa festa de carnaval que eu o vi tentar agir, puxei-o num canto e disse-lhe que ali ele estava passando dos limites. "Nós não temos inveja dos nossos amigos!". Ele respirou fundo, e me olhou com os olhos negros e apertados que ele tinha. "Então acho que não somos amigos!". E saiu, e nunca mais falou comigo.