Existe um problema recorrente em todos os meus relacionamentos virtuais (pelo blog, Twitter, MSN, Facebook), e também com algumas pessoas que me conhecem fora do ambiente virtual, nos quais todos fazem uma pequena confusão com o que quero dizer e, tudo, sempre termina com uma acusação de baixa ou total ausência de autoestima ou, simplesmente, pessimismo. Como a palavra impossível sempre faz parte nos meus argumentos de análises futurológicas do que vai me acontecer. Ela é costumeiramente usada muitas vezes. Muitas pessoas entendem que eu não me julgo capaz de conseguir as coisas que desejo (autoestima) ou que simplesmente reúno energias negativas e pensamentos derrotistas que me impedem de tentar realizar o que quero (pessimismo). Ambas as opções estão extremamente enganadas.
Eu me acusaria de racionalista. Não que isso também não seja um defeito. Eu só enxergo o mundo de forma extremamente racional, onde não cabem acaso, sorte ou fé. Deixem-me exemplificar: o caso clássico da frase "Ninguém se interessa por mim". Essa frase sempre que é dita causa a mesma reação nas pessoas. Elas me elogiam. Dizem minhas qualidades, que sou bonito, inteligente e interessante, como seu eu não soubesse, como se eu não estivesse ciente delas. Eu estou! Nenhum dos meus interlocutores virtuais é capaz de imaginar, no entanto, que o problema não está em mim. Não sou eu que nem chego a me envolver com as pessoas porque me sinto um lixo e não demonstro interesse porque não serei correspondido. Isso nunca me aconteceu! Esta assertiva que utilizo, "Ninguém se interessa por mim", tem sua orgiem na minha experiência amorosa na qual envolve, por volta de 700 homens com os quais me envolvi, destes homens 10 eu tive mais de dois encontros e com apenas 1 eu tive um namoro a distância. Esse é o processo de racionalização de que falo: do universo de homens que me envolvi, apenas 1,42% se interessou em me encontrar por uma segunda vez, destes eu namorei 0,14% deles. Estes 0,14% são a prova que os homens não se interessam por mim e isso não tem nada a ver com o fato de eu me considerar capaz ou não de conquistar alguém, os fatos demonstram que não importa o meu esforço (e foi bastante, convenhamos, 700 pessoas não batem a sua porta simplesmente) somente 1 delas correspondeu. Isso prova que na grande maioria dos casos os homens não se interessam por mim.
Outro exemplo é relacionado ao trabalho. Aqui me chamam de pessimista porque considero muito difícil melhorar minhas condições financeiras (em pouco tempo). Considero-me hoje um fracassado e que é bem é quase impossível me recuperar agora. E o por quê disso? Porque me formei em História e, ao me formar, passei em décimo lugar em um concurso que pagava de salário R$ 1005,00 quando pedi demissão para poder fazer o doutorado (eles não me liberaram para o doutoramento) que somando com outras escolas que eu ensinava dava um salário líquido de R$ 1605,00. Voltei do doutorado, no entanto, e consegui um emprego com mídias sociais, porque nenhuma escola se interessou pelo meu currículo, que paga (líquido) R$ 750,00 e vale transporte. Esta situação representa uma redução na minha renda de cerca de 53,27% e alguém ainda diz que eu não tenho motivos para reclamar? Que eu deveria enxergar o meu copo meio cheio? Daqui de onde vejo esse emprego é, no máximo, 1/4 do copo cheio.
Também tem aqueles que dizem que sou inteligente e posso tentar um concurso. Posso, de fato! Mas primeiro tem que haver uma vaga, uma vaga em um concurso que a minha formação sirva de alguma coisa. Fazer um concurso para um cargo administrativo agora é o mesmo que jogar fora tudo o que eu estudei até hoje no meu mestrado e doutorado. Ainda não estou preparado para simplesmente rasgar meus diplomas, porque eu não os conquistei para uma simples satisfação pessoal. O título de doutor, por exemplo, não me faz sentir mais inteligente. Eu fiz o curso para ter retorno financeiro. E, de fato, como mostrei anteriormente, eu só tive prejuízos deste investimento e o prognóstico continua nada bom.
E isso não é pessimismo! É fato! Vivemos em um país que não valoriza a educação e, por causa disso, sabemos de antemão que concursos para professor serão raros. Desde que pedi demissão da Prefeitura do Natal, eu tentei cinco concursos, porque em quatro anos somente abriram cinco concursos que eu estava apto a tentar. Estar apto significa que são na área que tenho experiência porque não basta você passar nas provas neste tipo de concurso, seu currículo e sua experiência na área também valem muito. Eu me inscrevi nestes cinco, mas obviamente não passei, e me inscreverei nos próximos até um dia conseguir passar, porém as oportunidades serão raras por causa desta conjuntura que vos apresento.
A avaliação que faço da minha vida não é um eterno rosário de reclamações infundadas como faz parecer quando alguém usa os argumentos de baixa autoestima e pessimismo. São problemas reais avaliados racionalmente, se eu deveria acrescentar um pouco de acaso e fé nessa avaliação?, com certeza deveria. Se eu acreditasse, por exemplo, que o acaso pode romper o padrão de homens que conheço e me apresentar pessoas capazes de se interessar por mim, eu talvez sentisse mais paz. Se eu tivesse fé que o governo brasileiro vai resolver cuidar seriamente da educação e abrir concursos regulares, eu ficaria tranquilo, pois seria apenas uma questão de tempo. Mas o cérebro não deixa, me sinto um tolo ingênuo se repito qualquer uma dessas hipóteses (eu ia escrever fantasias para vocês verem como é grave a situação). É como se todos me dissessem que a + b é igual a c, e eu somo aqui e o resultado sempre sai x.
PS: Sim, estou em Belo Horizonte. Vim para a minha defesa da tese do doutorado. Desejem-me sorte.