ATO UM
O Pequeno Príncipe chegou a porta daquela casa e me sorriu, e eu só pude pensar em como ele estava ainda mais bonito. Ele entrou e sentou-se ao meu lado, naquele banco de madeira, duro e desconfortável, em que assistiríamos a montagem in locum de Os Sete Gatinhos, de Nelson Rodrigues. Bruno estava conosco. E meu coração estava disparado. Mas ele, como sempre carinhoso, logo envolveu meu ombro com seu braço, e me tranquilizou em seu regaço. Eu estava, novamente, ao lado do meu Pequeno Príncipe.
ATO DOIS
Naquela rua escura do Humaitá, região sul do Rio de Janeiro, a peça acabara. Ele me abraçava e, após muito incentivo do Bruno, eu tomei alguma atitude e o beijei. Afinal ele, meu Pequeno Príncipe admite que gosta de homens que tomem a iniciativa. Então eu o beijei, com um pouco de culpa, admito, mas não pude resistir. Não consegui resistir, mesmo sabendo que era errado. Contudo, quando meus lábios tocaram os dele, tudo desapareceu, ele só era o meu Pequeno Príncipe e estava ao meu lado.
ATO TRÊS
Esperávamos o ônibus dele para a Barra. E o meu Pequeno Príncipe me contava sobre seus planos e projetos, sobre a impossibilidade dele ir a Belo Horizonte, sobre os problemas com a carteira de motorista. E eu desfrutava aquele pouco tempo com ele. Tocava-lhe o corpo para guardar a sensação de sua presença, beijava-lhe a boca para guardar o gosto de seu beijo, olhava-o nos olhos para poder capturar o brilho deles, ouvia sua voz para não esquecer o timbre, porque logo a única coisa que eu teria dele seriam essas lembranças.
ATO QUATRO
Ao deixar o Pequeno Príncipe em seu ônibus, voltei ao Cobal Humaitá, onde o Bruno e o Rafael Morello me esperavam. Sentei na mesa já dizendo: "É, se eu morasse aqui no Rio, eu estaria apaixonado por ele, completamente". O Bruno riu ao meu lado, e coberto de ironia, respondeu: "Ora, amigo, você já é completamente apaixonado por ele, você sabe que sim!". Eu sorri, tentando não ruborizar. E ele completou: "E ele também é por você, afinal até ciúmes ele tem de você". Olhei para o Bruno sinceramente surpreendido pela última afirmação, balbuciando um "Você acha mesmo?". Foi quando o Rafael Morello perguntou se era aquele menino que estava ao meu lado e eu confirmei. Ele então completou a questão: "Já falou dele no blog?". Foi quando rindo o Bruno anunciou: "Ah, ele é o Pequeno Principe dele, aquele de cabelos de trigo". E eu repeti pra mim mesmo, "meu Pequeno Príncipe".




