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terça-feira, 6 de setembro de 2011

ESPECIAL RIO DE JANEIRO: Quatro Atos

, em Niterói - RJ, Brasil
ATO UM

O Pequeno Príncipe chegou a porta daquela casa e me sorriu, e eu só pude pensar em como ele estava ainda mais bonito. Ele entrou e sentou-se ao meu lado, naquele banco de madeira, duro e desconfortável, em que assistiríamos a montagem in locum de Os Sete Gatinhos, de Nelson Rodrigues. Bruno estava conosco. E meu coração estava disparado. Mas ele, como sempre carinhoso, logo envolveu meu ombro com seu braço, e me tranquilizou em seu regaço. Eu estava, novamente, ao lado do meu Pequeno Príncipe.

ATO DOIS

Naquela rua escura do Humaitá, região sul do Rio de Janeiro, a peça acabara. Ele me abraçava e, após muito incentivo do Bruno, eu tomei alguma atitude e o beijei. Afinal ele, meu Pequeno Príncipe admite que gosta de homens que tomem a iniciativa. Então eu o beijei, com um pouco de culpa, admito, mas não pude resistir. Não consegui resistir, mesmo sabendo que era errado. Contudo, quando meus lábios tocaram os dele, tudo desapareceu, ele só era o meu Pequeno Príncipe e estava ao meu lado.

ATO TRÊS

Esperávamos o ônibus dele para a Barra. E o meu Pequeno Príncipe me contava sobre seus planos e projetos, sobre a impossibilidade dele ir a Belo Horizonte, sobre os problemas com a carteira de motorista. E eu desfrutava aquele pouco tempo com ele. Tocava-lhe o corpo para guardar a sensação de sua presença, beijava-lhe a boca para guardar o gosto de seu beijo, olhava-o nos olhos para poder capturar o brilho deles, ouvia sua voz para não esquecer o timbre, porque logo a única coisa que eu teria dele seriam essas lembranças. 

ATO QUATRO

Ao deixar o Pequeno Príncipe em seu ônibus, voltei ao Cobal Humaitá, onde o Bruno e o Rafael Morello me esperavam. Sentei na mesa já dizendo: "É, se eu morasse aqui no Rio, eu estaria apaixonado por ele, completamente". O Bruno riu ao meu lado, e coberto de ironia, respondeu: "Ora, amigo, você já é completamente apaixonado por ele, você sabe que sim!". Eu sorri, tentando não ruborizar. E ele completou: "E ele também é por você, afinal até ciúmes ele tem de você". Olhei para o Bruno sinceramente surpreendido pela última afirmação, balbuciando um "Você acha mesmo?". Foi quando o Rafael Morello perguntou se era aquele menino que estava ao meu lado e eu confirmei. Ele então completou a questão: "Já falou dele no blog?". Foi quando rindo o Bruno anunciou: "Ah, ele é o Pequeno Principe dele, aquele de cabelos de trigo". E eu repeti pra mim mesmo, "meu Pequeno Príncipe". 

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

ESPECIAL RIO DE JANEIRO: Surpresa!

, em Niterói - RJ, Brasil
Amigo,
Você é muito querido e eu te amo. E conquistou o Fê também. Espero que você tenha os melhores 30 anos do mundo!
Beijos, Bruno e Fê.

CINCO MINUTOS ANTES:

Eu e o lindo do Alguém Por Aí (gente, ele é muito bonito, vocês não têm noção) estávamos procurando o Bruno e namorado dele pelo Botafogo Praia Shopping, quando recebo uma mensagem no celular mandando que nós os encontrássemos na saída do shopping. Acabamos então nos dirigindo para lá. E na porta do shopping, o Bruno me dá uma sacola amarela da Imaginarium, dizendo: "Surpresa!", e desejando-me feliz aniversário. "Nós pedimos ao Alguém Por Aí para te distrair enquanto saímos para comprar, agora lê o cartão vai..."

DEZ MINUTOS ANTES:

"Meninos, vocês se incomodam se eu tiver um papinho com o FOXX a sós?", disse o Alguém, e eu me assustei. Papos que precisam ser a sós sempre são assuntos sérios. Sentamos em um dos bancos do shopping, enquanto o Bruno e o namorado saíram caminhando, pedindo que eu ligasse quando terminássemos. Nós então conversamos sobre tudo o que o Alguém está passando e eu entendi que era por uma questão de privacidade que ele havia pedido para falar a sós comigo. Com um aperto no coração, ouvi os medos desta pessoa tão especial que é o Alguém. Um homem lindo, por dentro e por fora. 

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

ESPECIAL RIO DE JANEIRO: Ultra Love Cats

, em Niterói - RJ, Brasil
Bruno havia decidido comemorar seu aniversário em três festas em um fim de semana. Sexta, sábado e domingo. No sábado, dia que cheguei ao Rio de Janeiro, seria o dia da Ultra Love Cats, a ULC, na Fosfobox, uma pequena boate em Copacabana. Pequena mesmo, fica em um porão ao qual você tem acesso por três lances de escada o qual, no verão, deve ser um forno. A entrada é uma porta estreita que divide a calçada com o cercado que cria a área aberta aos fumantes. Ao contar, aos blogayroz cariocas que eu estava indo até lá, porém, despertei reações nada simpáticas em todos. E, chegando lá, após cervejas em um bar ao lado do clube, observando a fila que basicamente só crescia e as pessoas que apareciam na área de fumantes, eu entendi as criticas. 
Naquela fila, em todo o público da boate, me arrisco a dizer, não havia ninguém com mais de 25 anos. Todos, meninos e meninas, ainda adolescentes e vestidos exatamente iguais com suas camisas xadrez, calças skinny e tênis de cano alto, intolerantes com aqueles que são diferentes do grupo. Adolescentes, obviamente, a psicologia explica, e, portanto, incapazes de ir contra o grupo. Mas se você perguntasse a qualquer um deles, com certeza a resposta envolveria palavras como "personalidade" e "moderno". Tudo uma questão de maturidade, claro!, os quais eles não tem culpa, contudo o bastante para alguém como eu, aos 30 anos e ostentando fios grisalhos na barba, me sentir um peixe fora d'água.
Já a música mantinha-se sempre no pop chatinho da Britney e da Lady Gaga, sem novidades, mas, sobretudo, sem correr o risco de algum deles possa vir a gostar de qualquer coisa que seja considerado diferente e com isso romper a frágil relação que estes têm dentro do grupo. A questão (adolescente devo dizer) mantém-se na inabilidade inata de destacar-se como original, pois a preocupação aqui ainda é integrar-se ao grupo, ao bando. As críticas a ULC demonstraram-se acertadas, mas foi um refresco na cena Indie Rock que eu estava exposto em BH (... oh, wait!).


PS: Esse layout novo no blog é o começo das comemorações de aniversário. Preparem-se para as novidades.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

ESPECIAL RIO DE JANEIRO: Asfalto Escuro

, em Niterói - RJ, Brasil
O corpo estava estendido no asfalto escuro. Havia cérebro espalhado por toda rua. Branco, contrastando com a escuridão do asfalto. O vestido daquela falsa loira estava levantado. Sua bunda exposta, a calcinha delicada. Seu cabelo, cacheado e visivelmente tingido estava encharcado de sangue. Os olhos esbugalhados. Caíra da moto, que dividia com outra loira idêntica a ela, que usava uma sandália gladiador, que agora gritava com um celular ao ouvido, e um homem baixo e de cabeça raspada, que tentava contê-la. Eram três na moto que se chocou com a parede lateral do ônibus. Ela caiu, e de dentro do ônibus se sentiu que o veículo passara por cima de algo. Foi uma menina de óculos e cabelo curto que gritou: "O ônibus passou por cima da cabeça dela! Ela 'tá morta! Ela 'tá morta!". A morte a alcançara numa tolice. Bêbados, num sábado pela manhã. Num erro. Um péssimo cálculo de probabilidades, afinal todos acreditam que nunca aconteceriam com eles. Mas agora a outra loira, que gritava e chorava, com um vestido curto e justo, penava com a morte daquela outra tão parecida com ela. O cobrador do ônibus repetia nervoso: "Alguém tem que ficar como testemunha! Como testemunha!". O homem baixo e de cabeça raspada levava a mão constantemente a cabeça, com um olhar vidrado, de quem se acreditava dentro de um pesadelo. Alguns passageiros do ônibus olhavam a cena surpreendidos, outros visivelmente enojados, alguns emocionados. Aquela morte, inesperada no sábado pela manhã, tocara a vida de todos aqueles que foram envolvidos. Envolvidos aleatoriamente, simplesmente por estarem dentro do ônibus, passando pela rua, parados em frente a seus trabalhos. Aquela menina, de cabelos tingidos, cujo o corpo continuava la, tocara a vida de todos eles, estendida no asfalto, naquela manhã de sábado, em uma rua de Niterói.

sexta-feira, 18 de março de 2011

ESPECIAL RIO DE JANEIRO: Cor do Trigo

, em Niterói - RJ, Brasil
Um menino bonito, de olhos luminosos, o sorriso largo e cabelos cor de trigo. Foi na Lapa que conheci aquele menino, última noite em terras cariocas, e algum deus benfazejo resolveu me dar um último presente. Ele me beijou naquela rua, após indiretas do Bruno, e poucas tentativas minhas, mas ele me beijou, elogiando minha barba em seu pescoço. No primeiro beijo, ele ainda estava sentado, e eu me inclinei para ele e o beijei, e fui correspondido. Foi só depois que ele levantou-se e me pegou pela cintura demonstrando sua excitação contra o meu quadril. Beijou-me com desejo, mas sobretudo com carinho.
Conversando, ele lamentou que eu estava indo embora. E eu que só tinhamos nos encontrado naquele dia. E  os olhos luminosos e o sorriso aberto e os cabelos cor de trigo emolduraram um pedido simples, bobo qualquer um poderia dizer, mas ele pediu para dormir comigo. Ele disse: "Dorme comigo?", e eu só pude responder sim. Eu seria um completo idiota se dissesse não para aqueles olhos, para aquele sorriso, para o trigo. E sim, dormimos juntos, e fizemos sexo também (um dos melhores da minha vida com certeza, quiçá o melhor), mas também descansei nos braços dele ou deitado sobre seu peito claro onde eu podia ouvir seu coração. Dormi com ele, abraçados, sentindo sua pele, seu cheiro, seu calor e ao acordar, encontrei novamente seu beijo, e feliz consigo lembrar agora que a última boca que eu beijei foi daquele menino de olhos luminosos, sorriso largo e cabelo cor de trigo. Foi um presente, definitivamente um presente. 
Ao me despedir dele, deixando-o de cueca ainda na cama, ficou repetindo na minha cabeça um trecho de Saint-Exúpery: 

"E depois, olha! Vês, lá longe, o campo de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelo cor de ouro. E então serás maravilhoso quando me tiverdes cativado. O trigo que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento do trigo...".

terça-feira, 15 de março de 2011

ESPECIAL RIO DE JANEIRO: Romance de Carnaval

, em Rio de Janeiro - RJ, Brasil
Era segunda-feira de carnaval, e eu não aguentava mais a Farme de Amoedo, havia feito dramáticas ameaças de suicídio se voltássemos aqueles quarteirões que dão para a praia de Ipanema. Contudo, como uma criança mimada, eu fui enganado pelo Bruno, Antônio Castro e o Júlio. Eles me levaram ao centro, vimos o desfile dos Caciques de Ramos, mas logo que acompanhamos o bloco e ele se dispersou, eles me arrastaram pelo metrô novamente para a Farme. "Voto vencido!", foi o que argumentei quando o amigo do Candy me perguntou porque eu vim. 
Mas eu já estava lá e nem por isso me fiz de rogado quando um belo menino de olhos orientais, mas pele morena, passava junto com os amigos e se inclinou, sem dizer uma palavra, e me beijou. "É carnaval", repetia o Bruno, junto com "Foxx, safadinho". Paramos a um certo ponto da Farme de Amoedo após a Visconde de Pirajá, no sentido oposto a praia, o Bruno beijava, o Antônio Castro e o Júlio também. Fiquei observando os passantes quando um cara, mais baixo que eu, olhos castanhos quase claros e pele branca, passou a mão na minha barba e sorriu, eu sorri de volta e ele, com cara de safado, começou a se aproximar e me beijou. Beijou devagar e sem pressa, com calma nossos lábios se conheciam, nossas línguas se tocavam, com cuidado o sabor dos dentes se espalhava entre nossas bocas. Enquanto beijávamos ouvi alguém ralhar com ele. Dizia: "Não acredito que é você! Como se atreve a ficar com ele?!". Ergui os olhos assustados e vi o menino que Bruno estava ficando se aproximando dele e o abraçando. Ele então se explicou com pressa, dizendo que aquele era um dos amigos do seu ex-namorado, eu ri, repetindo, "Que mundo pequeno, né?", mas não achei necessário explicar que eu conhecia o rapaz que o Bruno estava beijando do dia anterior, também não achei necessário explicar quem era o menino que o amigo do ex-namorado dele era o meu amigo. Não tinha que explicar nada para ele, não é? 
Ele ficou conversando um pouco, e eu me afastei, dei-lhe um pouco de espaço. Foi neste momento, contou-me o Bruno, que ele encheu-me de elogios. Falou para o amigo que o cara com quem ele estava era perfeito, gostoso, beijo bom, bonito e tudo mais. Foi quando o amigo disse-lhe: "É, eu conheço ele! É amigo do Bruno aqui!". Ele ficou vermelho, mas ao voltar para perto de mim não comentou absolutamente nada, apenas me beijou com mais afinco e pôs a mão na minha bunda. Foi nesse momento que todos decidiram ir para o outro lado da Visconde de Pirajá e todos saíram em fila indiana, ele fez questão de ir atrás de mim, segurando meu ombro como quem marca propriedade e me encoxando quando ficava mais apertado.
Já haviamos conversado e sabíamos que morávamos os dois em Belo Horizonte já, nessas coincidências do destino. Em bairros não muito distantes inclusive. Ele riu da coincidência, e comentou que perdera muito tempo por não ter me conhecido na capital de Minas Gerais. "Podíamos aproveitar bastante!", dizia ele apertando minha nádega, o que respondi com "Sim, poderíamos aproveitar muito!". Ele sorriu, me beijou de novo, e agora alojara sua mão na minha bunda, apertando e cutucando sem o menor pudor. Foi quando ele virou-se e no meu ouvido perguntou: "Então... quando é que você vai me dar?". Eu sorri, sem graça, e tentei pensar numa boa resposta, mas a única que eu consegui foi: "Olha, aqui eu não vou dar p'ra você mesmo, mas se você quiser marcar depois, em Belo Horizonte, será um imenso prazer". Ele não parecia acreditar na minha resposta. "Mesmo? Você vai se fazer de dificil?". Eu segurei a mão dele naquele momento e tirei da minha bunda. "Não, eu não estou me fazendo de difícil, eu só não vou dar p'ra você hoje porque não estou afim! Não hoje, não agora, não assim". Ele se irritou e se afastou. Saiu sem dizer nada e eu fiquei lá, com minha lata de cerveja em uma mão, procurando o isqueiro para acender um Lucky Strike. Pouco depois, o Bruno veio todo sem jeito me comunicar que o pobre mineiro não queria mais ficar comigo e eu só pude responder: "Quem não quer mais sou eu! Next!!".

domingo, 13 de março de 2011

ESPECIAL RIO DE JANEIRO: "Cariocas Não Gostam de Dias Nublados"

, em Rio de Janeiro - RJ, Brasil
Das ruas de Ipanema que começam na Avenida Vieira Souto, a Farme de Amoedo é uma das poucas que não terminam na Lagoa Rodrigo de Freitas, uma falha no tabuleiro de inspiração parisiense causado pelo terreno irregular do Rio de Janeiro, no caso, o Morro do Cantagalo. Mas não é apenas por isso que aquela rua é diferente das outras. Não sei se o que vem antes, se o ovo ou a galinha, mas a Farme fica diante do ponto gay da praia de Ipanema, que ostenta orgulhoso sua bandeira do arco-íris, e,  não obstante, é apenas no carnaval que ela se transforma num grande baile de carnaval gay. Não, ela não se transforma em uma boate, ela se transforma em um grande baile mesmo.
É estranho, porque, num dia comum, você não perceberia nada demais naqueles pouco mais de quinhentos metros. Não existem bares gays ou boates na rua, it's not the Liberty Avenue, bitch!, contudo, de alguma forma mágica, o carnaval de todos os gays cariocas gira em torno da Farme. Existem aqueles que não irão aparecer por lá, fugir de toda maneira, existem aqueles que irão aparecer por lá todos os dias, mas entre os dois extremos, de alguma forma você tem que reagir a Farme. De alguma maneira. 
Eu pisei na Farme quatro dos nove dias da minha estada no Rio, portanto, são quatro dos cinco dias de carnaval, quase todo por ali. Aprendi coisas: que o ponto de maior ferveção ficava no quarteirão entre a Prudente de Morais e a Visconde de Pirajá, sobretudo em frente ao Tô Nem Aí Sushi Bar, onde a música do bar transformado em boate vazava até a rua, alguns funks, Rihanna, Madonna e até marchinhas, apenas em um dia, acredito que na segunda-feira de carnaval, que o fervo se ampliou para os quarteirões vizinhos; que o público, verdadeiramente, varia de dia para dia, e pode haver uma noite em que você se depare apenas com gringos e com a classe alta da cidade ou que os moradores de algum morro desçam para fazer a festa na rua, democraticamente; e que, apesar da chuva, o carnaval está ai para ser pulado, porque choveu muito e, com chuva ou sem chuva, não teve uma variação significativa de pessoas na rua, todos sempre estavam lá;  também tem uma rave rolando na areia da praia, que atrai mais os estrangeiros com seus cabelos loiros e olhos claros, sem entender exatamente o que está acontecendo por ali.
Foi na Farme que o Bruno teve que repetir nos meus ouvidos, algumas vezes, que era carnaval e eu precisava, devia, me divertir. "Você precisa relaxar", dizia ele, "Não é a toa que você está com bruxismo! Relaxa!". E o resultado foi esse: dezessete bocas nos quatro dias (sendo esta a divisão: 2-12-0-3). E, talvez agora, alguma pessoa me pergunte: "mas você sempre diz que ninguém se interessa por você, e agora vem dizer que ficou com dezessete pessoas, como pode?". Então, deixem-me explicar que antes de mais nada eu sou sim um homem bonito, e se eu quiser sair pra uma balada e beijar na boca, será muito dificil eu não conseguir, por dois motivos: minha beleza e minha atitude, sou do tipo que chega nos caras, levando um fora ou não. O que eu reclamo é que, apesar disso, o contato com esses caras nunca vai para frente, fica resumido a somente alguns beijos ou somente sexo, porém, como agora era carnaval e meu objetivo aqui não era, nada mais, do que exatamente um beijo, qual o problema de agir exatamente do jeito que eles desejam? Na minha opinião, nenhum! 
E fiz! De todos, somente a dois perguntei o nome, porque eles se demoraram um pouco mais, mas na maioria dos casos eu os beijava e continuava andando para encontrar o Bruno, o Antonio Castro, o Gui, o Júlio, o Candy ou o Rafael Morello ou para beijar outro, inclusive beijei também enquanto deixava um desses que perguntei o nome, esperando, enquanto eu beijava outro. Não sem ouvir do Bruno: "Foxx, seu danadinho!". Era meu objetivo naquele carnaval, em momento algum, conhecer alguém, era apenas relaxar, descansar desses problemas amorosos que tanto atrapalham minha vida,  beijar na boca, for God's sake, porque afinal de contas namoro de carnaval termina na quarta-feira de cinzas, mas nem sempre isso sai como o planejado.


continua...

quarta-feira, 9 de março de 2011

ESPECIAL RIO DE JANEIRO: "É Carnaval"

, em Niterói - RJ, Brasil
Era quinta-feira, e a praça da Estação da Cantareira, ao lado da UFF estava, como costuma, lotada. Os bares, de estilos diferentes, dos mais tradicionais e "familiares", no sentido daqueles restaurantes que frequentam toda a família, no qual  os pais levam as crianças para comer uma pizza, a baladas alternativas e gays convivem harmoniosamente no quadrilátero. Meninos sarados e musculosos passeiam por ali sem camisa enquanto outros que usam calças skinny multicoloridas sentam nas escadarias e fumam seus cigarros aromatizados, já namorados gays trocam seus carinhos em mesas espalhadas pela rua, interditada aquela hora.
Sentado numa mesa com o Júlio e o Bruno, tomando Antárticas, decidi que aquela estadia no Rio de Janeiro seria diferente e anunciei ali. "Quero que vocês me lembrem que eu estou no Rio de Janeiro, no carnaval, e definitivamente não vai ser aqui que vou encontrar namorado, ok?". Os dois me olharam sem entender e precisei explicar melhor. "Não vou encontrar alguém aqui p'ra começar um namoro a distância. Definitivamente não! Namoros a distância não estão mais no leque de possibilidades". Eles ainda me olhavam com um certo ar de interrogação. "Preciso de umas férias da minha vida, e da ausência que sinto de ter alguém do meu lado, preciso esquecer por alguns dias e, simplesmente, beijar na boca sem culpa ou maiores preocupações". Foi então que o Bruno sorriu e respondeu: "Pode deixar que eu vou lembrar sempre! É carnaval!".



continua...

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

ESPECIAL RIO DE JANEIRO: Verdade ou Mentira?

, em Niterói - RJ, Brasil
"Eu vou fazer você tomar gosto pela pegação de novo", foi como o Gui terminou a noite, profético, após cervejas e cigarros no São Dom Dom, em Niterói, junto a mim, Bruno e uma amiga dele, e meu priminho Lobo. Tudo aconteceu em uma noite de quarta, que reservei para encontrar alguns blogayros que moram todos em Niterói, onde eu estava hospedado. Após fecharmos um bar, o Tombadilho, e infelizmente o Lobo precisar ir embora, irmos então para outro, no qual ficamos até a amiga de meu anfitrião precisar também ir embora. Neste último, surgiu, entre os inúmeros assuntos em pauta na mesa, a pegação que acontece na ponte para a ilha da Boa Viagem, próxima a região em que estávamos. Os dois, Gui e Bruno, extremamente curiosos para saber como funcionava aquela espécie de pegação, o qual não conheciam e inclusive, no caso do Bruno, ele acreditava que era pura lenda urbana que algo acontecesse por ali.
Fomos! Contudo ao chegar lá não haviam muitas pessoas. Três jovens que conversavam sentados em uma mureta caiada de branco, nós três e mais um cara mais velho, por volta de seus 45 anos, que ficava rondando. Deixei os meninos observando o movimento e me afastei, sentando em outra mureta, fumando um cigarro do Bruno, eles no entanto devem ter acreditado que eu estava interessado no cara mais velho que circulava próximo a mim. "Então? Não vai lá falar com ele?". Neguei veementemente! Eles começaram a me questionar, perguntar motivos consistentes para que eu não ficasse com ele, coisa que de fato eu não tenho. "A gente vai falar com ele p'ra você então...". E saíram, juntos, para falar com o cara, enquanto eu tentava dizer não. 
Contaram-me isso depois. Chegaram no tal cara, que disse se chamar Hugo, e perguntaram o que ele estava procurando por ali - abordagem típica - e ele disse que procurava dois meninos novinhos e bonitinhos como eles dois (devo admitir que ele tem bom gosto). Continuando a conversa, Bruno perguntou se ele tinha isqueiro, ele logo falou que não tinha, falou também que não gostava de quem fumava e para livrar-se dele Bruno já afirmou que fumava muito. "Quase acendi três cigarros ali na frente dele". Pouco depois, eu que observava de longe, vi que ele se levantou de onde estava para olhar para mim e ver se estava interessado. E, obviamente, ele não estava. Na verdade ele ficara interessado no Gui, o único não fumante, que por causa do tal ter mais ou menos o triplo da idade dele, preferiu continuar empurrando o cara para cima de mim, enquanto o cara continuava por ali.
O clímax da "pontinha", contanto, foi quando ele chamou o Gui e perguntou quem de nós três queria ir numa parte mais escura checar um barulho que ele tinha ouvido. "Ô desculpinha mais esfarrapada!", contudo nenhum dos meninos tinha a menor coragem de ir com ele e a mim faltava interesse, porém, como o Gui estava determinado a me fazer beijar naquela noite, ele propôs que fossemos os três, o que obviamente assustou o tal cara. Era óbvio o desconforto dele, apesar que ele se mantinha sempre próximo ao Gui. Foi quando ele, do nada, sacou um laser, daqueles de apresentação de Powerpoint em sala de aula, e saímos de lá ouvindo as palavras do Bruno ecoar: "De que Cine Ideal você roubou esse laser?". 
Na volta, o Gui me deu um sermão. Perguntou porque eu não fiz nada, "Você quem tem que se interessar pela pessoa, não esperar que ela se interesse por você", me perguntou motivos concretos e reais para eu evitar ficar com pessoas, o qual ele mal me deixou responder, e, por fim, lançou na minha cara, como um tapa forte e certeiro: "Olha, se você quer acreditar que ninguém nunca está interessado em você, você tem todo esse direito. Eu sinceramente acredito que você não merece passar por isso, mas respeito sua decisão".
Pois é: como conclusão, sim, é verdade que rola pegação na Ponte da Boa Viagem em Niterói. Mas é verdade as palavras que ouvi do Gui também? Basta eu passar a achar que as pessoas são capazes de se interessar por mim que elas milagrosamente começarão a aparecer diante de mim ou eu voltarei a minha situação anterior de continuar "correndo atrás" de pessoas que no fim nunca se mostram minimamente interessadas? Qual, neste caso, é a verdade?


domingo, 17 de outubro de 2010

ESPECIAL RIO DE JANEIRO: Dia Internacional do Bambolê

, em Niterói - RJ, Brasil
Era uma tarde de segunda-feira em que o sol insistia em manter-se escondido atrás de nuvens. O plano inicial entre eu e o Bruno era encontrar alguns blogayros na Lapa e beber algumas cervejas por lá, mas quando tentei confirmar com estes sua presença, um a um, começaram a desistir do programa leve. Com isso, resolvemos procurar algo diferente para fazer, e como não tínhamos nenhuma idéia, Bruno propôs entrarmos no bate-papo do UOL com o nick "Quero Sair. Ajudem!" e pesquisar opiniões sobre lugares para se ir naquela véspera de feriado.
Conversamos com algumas pessoas e as dicas sempre se voltavam para a Noite Preta, com a Preta Gil, que aconteceria no Espaço Ação Cidadania, que faz parte do projeto de revitalização da zona portuária do Rio de Janeiro. Contudo, o preço salgado nos desanimou. Foi quando começamos a conversar com um dos presentes na sala com nick "Moreno Nit", este nos propôs sentar em algum bar aqui em Niterói mesmo, sentarmos os três para conversar. Porque ele não freqüentava o meio gay. Bruno me olhou assustado, mas eu o encorajei a dar mais corda a conversa, e ele o adicionou ao MSN. Conversamos os três, através do MSN do Bruno, por quase toda tarde quando meu anfitrião tomou coragem de encontrar nosso novo amigo. O "Moreno Nit" se revelou um cara inteligente, de papo agradável e excelente senso de humor, apesar de ainda manter-se no armário e dar muita importância a "ser discreto". Marcamos às 20h, quando ele passou por aqui em seu carro para nos pegar.  
Acabamos parando em um restaurante japonês na Cantareira mesmo e também no Vestibular do Chopp, onde eu notei o Bruno cada vez mais interessado no cara da internet. Ele era um mulato de belo corpo e jeito de malandro carioca, o típico malandro carioca pegador e jogador de futebol de areia - se é que me entendem. Notei que logo mãos se entrelaçaram por baixo da mesa, carinhos nas pernas eram trocados, além de olhares cúmplices. Não foi surpreendente ouvi-lo perguntar, após irem ao carro trocar alguns beijos com mais segurança, se eu me incomodaria de esticar a noite na casa do "Moreno Nit". E como tenho a política de nunca atrapalhar chances de meus amigos se divertirem, aceitei sem pestanejar o convite. Eles iriam dormir juntos, eu ficaria no quarto de hóspedes, vendo tv, tomando algumas cervejas que ele tinha em casa e fumando o quanto quisesse. Foi quando Bruno completou: "Quando fomos no carro, ele inclusive ligou para um amigo dele p'ra ficar com você. Disse que o cara era bonito e tudo, mas parece que ele já estava com um cara". Eu sorri, dizendo que não era necessário. "Eu estou acostumado a sobrar mesmo". 


domingo, 10 de outubro de 2010

ESPECIAL RIO DE JANEIRO: Catarse no Cine Ideal

, em Rio de Janeiro - RJ, Brasil
Foi dentro daquela boate na Rua da Carioca com cheiro de cerveja, vinho barato, suor e vômito pelo ar que me dei conta que eu não queria pertencer a lista de alguém, no entanto, o sabor de um passado que já não me pertence mais envenenou meus lábios. Lembrei com muita clareza dos meus vinte-e-um anos, das competições com amigos, das caçadas por beijos, por nomes em listas, por contabilidades de fim de festa, coisas que sinceramente me divertiam, mas que hoje são absurdamente vazias, vazias de significado, de força, de atrativo, de vida. E minha sede é toda de vida. 
Eu não conseguiria mais. O que adiantaria? O que adiantaria beijar novamente tantas bocas, que não tem nome, nem estória, que não participarão de minha vida, que não me conhecerão em nada, que no fim não existem? Porque, ao fim, eu retorno para casa sozinho, seja no Rio, seja em Belo Horizonte, seja em Natal. Bem que pensei, pensei no ônibus enquanto viajava para terras fluminenses, de apenas aproveitar e seguir o conselho do Sunshine num dos comentários anteriores aqui do blog. Disse-me ele, desejando boa viagem, "Lembre-se.. poucos ou quase ninguém te conheçe por ai, e onde somos anônimos, quem faz nossas estórias somos nós! Seja ousado, Safado e discarado!". Eu poderia mesmo beijar qualquer boca, qualquer um, somente aproveitar a noite, afinal eu estou de férias no Rio, não encontraria um namorado aqui, não é? Namoros a distância estão completamente fora de cogitação em minha vida de agora em diante. Mas eu simplesmente não consigo mais me comportar dessa forma. 
Sinto que é dar um passo para trás, é trair quem eu sou, o que sinto, o que acredito, não posso fazer isso, não posso fazer isso comigo mesmo! Não sou mais aquela pessoa, não que haja algo de errado em ser aquela pessoa que eu já fui, não vou cuspir no prato que já comi, contudo acho que tenho que olhar para frente e procurar as estórias que ainda não estão na minha coleção, e o que hoje falta na minha vida é uma bela estória de amor, o capítulo sobre noitadas, beijos e pegação definitivamente se encerrou. 

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Rio de Janeiro


Olá meus caros, este post é apenas para informar que ficarei a próxima semana, do dia das crianças, no Rio de Janeiro. Ficarei na casa do meu querido Bruno do O Que Aconteceria Comigo?, fico por lá do dia 8 até o dia 14, vou para além de reencontrar um amigo querido, conhecer alguns novos blogayros (não furem comigo de novo, ok? deixem contatos aqui no blog ou pelo e-mail le.foxx@hotmail.com, ou no twitter: @Foxx) e também fazer uma pesquisa que tenho adiado na Biblioteca Nacional, se vocês não lembram o blogayro aqui é doutorando e tem que fazer pesquisa para escrever minha digníssima tese. Enquanto isso, continuem vendo o vídeo, espero ter novas estórias para contar quando voltar, provavelmente com muito álcool envolvindo.

domingo, 14 de setembro de 2008

PRESENTE: O maravilhoso efeito da cidade maravilhosa

Questionamentos popularam minha mente durante o meu sábado carioca. Ainda no ônibus que me trouxe das montanhas mineiras as terras cariocas, eu já pensava: ou é o Rio de Janeiro que sempre me recebe de cara fechada, ou meus pecados são tantos que o Redentor prefere se esconder entre nuvens, como dizia o Rik? Um dia nublado no Rio, apesar da semana de calor. "Foi você quem trouxe a chuva de BH", escuto sentado num quiosque diante da Farme de Amoedo, "eu prefiro acreditar que Ele sabe o que anda fazendo com minha vida e tem vergonha de me enfrentar pessoalmente diante de tudo que causou". E resoluto eu resolvo dizer: "Eu só sei que o Rio não é a minha cidade. Definitivamente."
Explicações me são exigidas. Em inglês também. Surfistas australianos com seu sotaque forte e meninas também do Novíssimo Mundo com uma simpatia desarmadora. Todos loiros. Apaixono-me por dois: Josh e Mark, mas eles não se apaixonam por mim. Mas eu continuo a divagar, quem mandou viajar sozinho, e eu penso que o Rio me ensina que eu não pertenço a este mundo. Devo ser de um lugar qualquer em que as The Weeks e Le Boys não existem. Em que não somos julgados pelo que aparentamos. Em que um paulista que não guardei o nome, sob a desculpa de ter gostado da minha cara, pode dizer que as pessoas que nos julgam são os verdadeiros inferiores. "Se ele não gostou de você, que se foda! Você é muito melhor que isso!".
Contraditoriamente a isto, junto com o cheiro de maresia que invadiu minhas narinas ao descer daquele "frescão", eu deixei o Rio me contaminar com toda a sua auto-estima. Enfim a cidade maravilhosa me ensina o quanto sou bom, e quanto as pessoas conseguem ser cegas. O Rio me ensina que não importa, eles, estes mesmos que todos nós achamos lindos e interessantes, são todos grandíssimos idiotas, tal qual eu mesmo que tive coragem de não ficar com um cineasta baiano por causa de sua barriga saliente, tal qual eu dispensando meninos na balada, tal qual eu esperando que o menino sarado, que veio sozinho e voltou sozinho, olhe para mim. Pois cada menino que eu dispensei ou simplesmente não prestei atenção porque estava prestando atenção em algum conjunto de biceps, tríceps, peitoral e abdômen, estão pensando o mesmo que eu, porém me incluindo entre os idiotas. O Rio de Janeiro me faz encarar que eu pertenço exatamente a esse mundinho da The Week e Le Boy, Pedro e Paulo do Solange, tô aberta!, o cara que eu beijei na área de fumantes da Le Boy e me perseguiu durante toda a noite, e eu fiz questão de rir dele; o peruano que me pagou uma cerveja e eu o deixei ouvindo-o dizer em espanhol: "¿usted va ya?" e eu sorri mentindo que voltaria, apenas ajudam a minha iluminação: eu também sou um idiota exatamente como eles.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

EXTRA, EXTRA, EXTRA: Rio de Janeiro e Natal



Sim! É isto mesmo que vocês estão vendo. Eu estou indo viajar. De novo. Desta vez com escala no Rio de Janeiro e, em seguida, embarco para Natal. Fico apenas um dia em terras cariocas, mas quem quiser conhecer a raposinha aqui, deixa um contato. De qualquer forma, estarei em Ipanema hospedado.
Depois, a partir de domingo, volto a casa dos meus pais e minha saudosa terra. Quem diria, não é?, eu dizendo que tenho saudades de Natal.
Pois bem, esperemos mais estórias para contar. Com tempero carioca e potiguar.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

EXTRA, EXTRA, EXTRA: Onde Nenhuma Raposa Jamais Esteve 3


Sim, eu falei que eram dois textos, mais quem disse que coube. Então, número três.


Meio-dia. "Já cheguei no metrô". 40 minutos. 20. 18 minutos. 5. Ele desce as escadas. Negro. Forte. Mãos nos bolsos. Peito largo. Braço grosso. Sorriso no canto da boca. Eu abro meu sorriso. Ele só indica que devemos entrar no trem. Eu entro, ele finalmente fala. Sotaque macio. De malandro. De quem sabe os caminhos. De quem pretende contorná-los.
Vamos para a Urca. Conversas. Inteligentes intimidades. Eu digo que ele é facil, ele rebate que tenho medo de altura. "Vamos dar uma volta no bondinho?". Eu soco o braço dele. Ele ri. Estranho conhecer tão bem alguem que você está vendo pela primeira vez agora. Piadas. Acusações. Freud. Foucault. Homoerotismo. "Ainda hoje a burguesia vai foder com o proletariado". Ele ri encabulado. O carioca malandro ri, encabulado pela rapozinha potiguar.
"Não me olha assim". Não? Por que? Rio Sul. Bar do Bigode. Cerveja. Conversas. Alunos da Unirio ocupando as mesas ao lado. Fabi, amiga dele. "Eu dou o cu sim". Ela irrompe. Narra verdades sexuais que fez apenas com o único namorado. Nós rimos. Mais cerveja. Petiscos. "Se importam se eu fume?". "Só se você não me der um trago". Mais sexo permeia a mesa, viagens, futuros, passados. Falamos sobre bobagens, amores e entulho. Mas sob a mesa, a perna dele toca a minha. Eu sorrio. Pele com pele. Os olhinhos dele se apertam, índios, sorrindo com as sobrancelhas. E agora, somente agora, ele decide que me quer. Enquanto eu o queria quando ele desceu as escadas, de mãos nos bolsos e sorriso no canto de boca. Quando o encarava timido dentro do vagão do trem e nossas mãos se esbarravam naquela barra resfriada pelo ar condicionado.
Agora Lapa. No ônibus, planejamos nosso futuro. Ele olha nos meus olhos, eu desejo sua boca. Ele propõe irmos ao Cabaré Casanova: "A gente fica lá se curtindo", mas eu não aguento mais beber. Só o que vier dele. Fugimos dali. Hotel barato. Putas entrando com clientes. Uma sorri para mim quando entramos. Ele nem vê. Concentrado no quarto que estava. Entra, tranca a porta e se joga na cama, mexendo no radio. "Rádio?". Deito sobre ele, beijo-o, e a partir dali o controlo. Arranco-lhe as roupas. Arranco as minhas. Ele pergunta como quero e sou atendido. "Gosto de ser primeiro passivo e depois ativo". E ele também me obedece quando sua pele de ébano me preenche e lentamente me incendeia. "Deixa eu fazer uma coisa...". E é a vez de ele enlouquecer. Mas como é bom enlouquecê-los, e depois interrompê-los, vê-los loucos de desejo, vê-los pedindo mais, mas era a hora de eu consumi-lo. Abençoados pela boêmia, eu o possui. Naquela noite, ele deu o próprio corpo a mim. E olhares de ternura. E beijos de desejo. E aquela noite, somente por ela, tornamo-nos um.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

EXTRA, EXTRA, EXTRA: Onde Nenhuma Raposa Jamais Esteve 2



Todo mundo merece vir ao Rio. Falo isso aqui do Galeão. Não por que o Rio é a cidade maravilhosa, a cidade das pessoas bonitas e do sexo fácil (não achei nada disso por lá), mas porque sem conhecer o Rio, você não conhece o Brasil. É o mesmo que conhecer os Estados Unidos e ir para uma cidadezinha do Utah, você tem que ir para Nova Iorque. Se você vai a França, tem que conhecer Paris, não uma cidadezinha do Lague-doc. Estas cidades são a porta. A entrada dos países. E o Rio de Janeiro é a entrada do Brasil.
Notei isso andando com o Razi e o Lê pelos pontos históricos da cidade. Programa de historiador, eu sei, chamem de vício profissional. Mas passar a vida estudando, ou lendo sobre, o Passo Imperial, o Passeio público, Santa Tereza, Ipanema, Copacabana, Urca, Pão-de-açúcar, Cristo Redentor, e nunca vê-los, é como ser um enólogo abstêmico. É nunca apreciar as belezas daquilo que você entende.
Todos devem ir ao Rio. Faz bem, mesmo que seus planos não dêem certo como os meus não deram. Para quem não sabe, viajei ao Belo Horizonte e para o Rio para tentar doutorado. Tentei a seleção na UFMG, em BH, e a da UFF, em Niterói. E, bem, na ilha fluminense foi um fracasso mesmo antes de pisar nas terras cantadas por Vinícius de Morais. Fui reprovado (estranhamente) na primeira fase, com uma nota 3,2 (enquanto o mesmo trabalho ganhou 8 em Belo Horizonte), que sinceramente abalou minha confiança em toda empresa. Eu só pensava no dinheiro (que eu não tinha) gasto em tudo aquilo.
Mas uma voz cálida, a 7 horas de distância, me fez levantar o rosto e sorrir. O Razi, e por trás dele, o Lê, me fizeram acreditar que ainda havia chance. Que a UFF era uma máfia. E que meu trabalho não estava desmerecido, a despeito da opinião deles. Deram-me impulso para continuar. "E qualquer coisa venha p'ra cá, que tem ombro p'ra você chorar os 2 mil que gastou". E por isso fui. Mesmo sem ter um motivo, além de conhecer essas pessoas encantadoras, eu fui para o Rio.
Cheguei ao Rio de Janeiro antes do combinado. Dois dias antes para ser exato. E reconheci de longe, me recebendo de braços abertos, o Razi acompanhado do seu amor, o Lê. Estes, mesmo atarefados, me guiaram, me cuidaram, me mimaram, por aquela cidade grande. E apesar de eu me sentir o tempo todo atrapalhando, incomodando, achando-me intruso entre eles, eu fiquei encantado em conhecê-los: sr. Ricardo Razi e, seu marido, Lê. Obrigado por me receberem.


P.S.: Ah! Não passei no Rio. Não fui aceito naquela torre de marfim. Mas passei em BH, sim. Em 2008, o Foxx vai morar na capital mineira. Morar sozinho. Pois como diz o Sunshine, se mudar é tendência. E vou mudar, de ares, talvez me reinventar, então preparem-se, 2008 traz uma nova fase para mim e, consequentemente, uma nova fase para este blog. Brindemos! Ao futuro! Ao novo!

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

PRESENTE: Novos Horizontes




Bem, carissímos, aviso-lhes que estarei sumido por uns dias. Viajo na próxima semana. Quinta-feira. Meu roteiro inclui algumas horas em Recife, no dia 22 de novembro, e chego a noite na capital do Estado de Minas Gerais, Belo Horizonte, que não conheço ainda. Fico uma semana na capital mineira e, se tudo correr como nos meus planos, me debando por volta do dia 29 para a cidade maravilhosa, a qual só conheço o Galeão, de uma escala retornando de São Paulo, e o Leblon das novelas de Manoel Carlos. Viagens a trabalho (detalhes se tudo der certo, sabe como é né?), mas com bastante tempo para conhecer as cidades e os bloggers que quiserem e puderem estar comigo. Encontros confirmados já são com o Garoto Rebelde, o Bernado e o Carinha do Blog em BH, e com o Râzi e Lê, o Por Dentro do Armário e o Bily, no Rio. Agora, se mais alguém desejar, já que o Goiano diz que sou celebridade, deixa um recadinho aí...

Até a volta