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terça-feira, 19 de agosto de 2014

Meu Pecado É A Vaidade

Todos sabem por aqui do meu desejo de encontrar um namorado. Não é novidade, não tenho vergonha! Contudo, mais importante do que saber qual é o motivo para que ninguém se interesse por mim, é crucial saber porque eu desejo tanto encontrar alguém (talvez, inclusive, eu possa ser chamado de obsessivo por causa disso, porque penso demais sobre este assunto, e penso mesmo, mas porque quero resolver este problema, porque já é um!, e a melhor maneira de resolver algo que te incomoda é meditar sobre o tema). São dois motivos, de fato. O primeiro, a relação com meus pais, e segundo, minha auto-imagem. Meus pais sempre definiram-me como o filho que os decepcionava, desde muito jovem, por ser gay. Eu não era digno de seu amor por causa da minha sexualidade desde a tenra infância, ou era?  Um amor torto é verdade. Tenho certeza que havia amor nas surras que meus pais me davam tentando me tornar heterossexual, como nas mesmas surras que eu recebi por tirar notas baixas em matemática na 6ª série, mesmo meus pais sendo pedagogos, eles preferiram resolver o problema através de castigos físicos e não tentar descobrir porque eu não conseguia aprender matemática. Coisas da criação dos meus pais, com certeza. Eu os perdoei há muito tempo atrás, contudo, isto me causou um problema que eu tento resolver com amigos e com namoro, tento suprir com estes relacionamentos a carência que meus pais me impuseram durante minha formação como ser humano. Eu tento me convencer, todos os dias, que meus pais estavam errados, que eu sou digno de amor, que eu mereço amor. Tento desconstruir a programação que meus pais me impuseram.  Mas eu já falei sobre isto aqui no blog.
Já, o segundo ponto, minha auto-imagem. É algo que eu tenho reparado com mais intensidade nos últimos tempos. Sempre me acusaram de ter problemas de baixa auto-estima aqui no blog, coisa que eu sempre rebati com veemência, porque, acreditem, este problema não existe. Eu, na verdade, sofro mais de megalomania ou de exagero de auto-estima do que do contrário. Meu grande sofrimento, inclusive, sobre o fato de eu estar sozinho tem relação com isso: como alguém maravilhoso como eu, tão bonito, inteligente e interessante, pode estar sozinho? Como as outras pessoas que são tão inferiores a mim podem ter namorados normalmente e para mim é esta luta sem fim da qual eu sempre saio derrotado? Como todo homem que eu me envolvo escolhe qualquer outro cara a mim em questão de dias? Como eu, tão maravilhoso quanto penso que sou, posso ser preterido? Todo meu sofrimento, minha ofensa, vem desta vaidade ferida, este orgulho tão leonino. Por que eu, tão bom, tão vitorioso, tão sortudo como sempre fui na minha vida toda (afinal inteligente e talentoso eu sou), não consigo vencer na área mais simples da vida de todo mundo, em que crianças de 15 anos têm mais experiência que eu com o dobro de suas idade?
São estas perguntas que tornam minha solidão uma experiência tão amarga. O Gato é quem afirma que eu deveria observar esta minha vida sobre outro prisma e ele tem razão, e o prisma diferente é exatamente este: eu não sou tão especial, tão bonito, tão inteligente, tão interessante quanto penso ser. Sou sem graça, sem sex appeal, feio mesmo, além de efeminado, para a maioria das pessoas; sou de fato um homem interessante e inteligente, mas não existe nada que faça alguém se aproximar tempo o suficiente de mim para descobrir que estas qualidades existem, e se o fazem já me colocaram na prateleira de amigo há muito tempo atrás para que eu me torne elegível como namorado novamente. Sabendo qual é minha verdadeira imagem, e sabendo que as pessoas me veem ainda pior por causa do seu preconceito com homens gordos, efeminados e carecas, fica muito claro porque estou sozinho e, também, fica muito claro que não existe motivo algum para sofrimento. Não posso sofrer porque meu orgulho está ferido! Não posso lançar-me nas garras desta dor somente porque minha vaidade não é alimentada por alguém que me ache bonito, sexy e interessante. 
Em resumo, meu problema todo é porque eu desejo alguém que alimente meu ego. Um homem que eu considere bonito que me considere bonito, um homem que eu considero inteligente que me considere inteligente, um homem que eu considere interessante que me considere interessante são minha necessidade apenas de alguém que reforce a minha auto-imagem para que eu acredite nela. E, neste momento, os dois pontos que falei antes se relacionam: eu preciso de um namorado para corroborar a auto-imagem que eu criei para sobreviver aos meus pais, e meus sofrimento acontece porque ninguém é capaz de enxergar o super-homem que eu criei dentro de mim para vencer esta família. E eles não enxergam porque ele não está lá. O sofrimento que passei com meus pais foi terrível para mim, mas na minha mente infantil ele sempre parecia muito maior do que realmente era. Eu, com certeza, desenvolvi talentos para superar aquela vida a qual eu estava encerrado (consegui sair do gueto afinal de contas),  mas nada mais do que qualquer um. Não sou especial em nada. Nenhum homem deveria me idolatrar como "quase cósmico, semi-fenomenal". Não que eu não tenha nenhum valor, eu tenho, mas nada melhor, maior ou simplesmente mais importante do que qualquer um, essa ilusão de acreditar que eu mereço um amor especial é quem me mantém em perpétuo sofrimento. É hora de abandoná-lo reconhecendo quem eu sou, nem mais, nem menos. Somente uma pessoa comum. 


sexta-feira, 11 de abril de 2014

Seja Verdadeiro Com Sua Natureza!

Abraham Maslow foi um psicológo americano que viveu nos primeiros 70 anos do século XX, o irmão mais velho de uma família judia do Brooklin com sete crianças. Ele trabalhou no Massassuchets Institute of Technology (MIT) e fundou o National Laboratories for Group Dynamics. Neste laboratório realizou sua pesquisa mais famosa, em 1946, no qual ele criou os T-Groups (T de training) em que ele reunia pessoas que tinham conflitos e expunha quais eram os problemas que estes estavam passando para depois tentar alterar a situação. Porém a grande contribuição de Maslow para a ciência da alma foi a criação do que chamava de Psicologia Humanista. Maslow acreditava que o enfoque psicanalítico no determinismo do subconsciente e o método do behaviorismo não levavam em conta que o ser humano é detentor de liberdade de escolha, inclusive dentro de seu próprio tratamento. Ele apresentou três conceitos que se tornaram basilares para a Psicologia: a congruência, ser o que se sente, sem mentir para si mesmo e nem para os outros; a empatia, a capaciade de sentir o que o outro quer dizer e entender seu sentimento; e a aceitação incondicional, que significa aceitar o outro como ele é, em seus defeitos, angústias e qualidades. Esta Psicologia Humanista também reconheceu que quando um homem sente um vazio de sentido na vida, busca auxílio (na religião, nos amigos e amantes, na ciência, na psicologia) porque não se sente confortável em viver sem sentido ou ideais. Ele também reconhece que alguns eventos fortes podem adiantar a busca pelo sentido da vida (a morte de um ente querido, o fim de um relacionamento, algo desse tipo) e estes eventos normalmente trazem desconforto ou trauma intenso, mas se superados fortalecem o indivíduo.
É nesta busca para entender como os seres humanos conseguem satisfação em suas vidas que Maslow propôs uma de suas mais controversas ideias: a sua hierarquia de necessidades. Também conhecida como Pirâmide de Maslow, esta hierarquia propõe que os seres humanos têm necessidades que precisam ser alcançadas para conseguir auto-realização, segundo Maslow essas necessidades compõem uma hierarquia no qual é preciso galgar uma para conseguir a próxima. Ele define cinco conjuntos:

- na base da pirâmide estão as necessidades fisiológicas básicas, como fome, sede, sono, sexo, abrigo;
- no segundo degrau existem necessidades de segurança como um emprego estável, um plano de saúde, uma boa casa, basicamente necessidades materiais de existência;
- no terceiro degrau da pirâmide se apresentam as necessidades sociais como amor, afeto, afeição e o desejo de fazer parte de um grupo, clube e família;
- no quarto estão as necessidades de estima que passam por duas vertentes: o reconhecimento de nossas próprias capacidades como ser humano e o reconhecimento dos outros à nossa capacidade de adequação as funções que desempenhamos;
- e, por fim, no topo, estão as necessidades de auto-realização em que o indivíduo procura tornar-se aquilo que ele pode ser.



Lendo as pesquisas dele dois pontos me chamaram atenção. O primeiro, sobre a ordem das necessidades colocada pela pirâmide. A maior parte das críticas da teoria de Maslow é exatamente sobre que, para alguém sentir-se completamente realizado, uma pessoa não precisa conseguir todas as necessidades que ele coloca, nem muito menos seguir essa ordem exata. Contudo, em ambos os casos, se pensarmos que esta ordem piramidal é a correta ou se nos apoiarmos que estas necessidades não precisam ser conseguidas todas para alguém se sentir realizado, em ambos os casos repito, vai de encontro ao senso comum que para alguém encontrar amor, uma pessoa precisa amar-se primeiro. Todos sempre jogam na minha cara que minha solidão é por falta de auto-estima ou de amor próprio (ah se eles estivessem dentro da minha cabeça e soubessem o quanto eu já gosto de mim, talvez até me chamassem de ególatra e narcisista). Todos repetem para si mesmo esta frase feita, inclusive. Torturam-se e torturam outros. Mas, lendo sobre Maslow, eu não pude deixar de pensar que este argumento simplesmente não faz sentido. Maslow e seus críticos concordam em um ponto: a necessidade de ter amor e a necessidade de ter auto-estima são ambas desejos ontológicos, isto é, fazem parte do ser humano. Mas eles também concordam que são desejos independentes.
Pode ser que a hierarquia seja real, e no caso o amor venha antes à auto-estima, talvez ela não seja e estas duas necessidades humanas podem ser conquistadas independentemente, porém em ambas as opções o argumento do senso-comum, repetido por todos, simplesmente não faz sentido. Não é preciso que você se ame para que alguém ame você. Não é uma lógica de troca. E nem as pessoas leem as outras tão bem. Na verdade, o que nós entendemos, muitas vezes, sobre auto-estima (sempre associada a cuidar de si no sentido de, por exemplo, malhar numa academia) é sempre de uma superficialidade tão gritante que não há como isso interferir em algo que entendemos tão mais profundo como o amor. Sei que vocês argumentarão que o relacionamento não vai durar porque os problemas de auto-estima da pessoa podem fazê-la ser infiel, ou ciumenta, ou sem perspectiva na vida, mas, queridos, para isso vocês já teriam que ter se envolvido com a pessoa. O amor já apareceu, ele pode não se manter por falta de auto-estima, mas este último não vai impedir alguém de se interessar por você. Ninguém tem como farejar isso sem se envolver com você.
O segundo ponto que me chamou atenção na pesquisa de Abraham Maslow é que para que um homem se torne realmente feliz e realizado, ele precisa passar por todas as etapas, ele precisa alcançar realização em cada um destes aspectos de sua vida. E há uma frase de Maslow que diz: "O que os humanos podem ser, eles devem ser. Eles devem ser verdadeiros com sua própria natureza". Este é o último patamar da pirâmide, pois ele considera que uma pessoa tem que ser coerente com aquilo que é na realidade para alcançar a própria realização. Diz ele: "temos de ser tudo o que somos capazes de ser, desenvolver os nossos potenciais". E me lembrei também de todos os homens gays e mulheres lésbicas que fogem daquilo que realmente são. Negação, homofobia internalizada, transtorno egodistônico. E como estes terão sempre, em sua vida, um buraco a preencher porque eles não podem atingir todo seu potencial. Os críticos de Maslow podem ter razão, mesmo faltando algo todos nós podemos ser felizes, porque a personalidade, as motivações pessoais e o meio social influenciam diretamente em como alguém se sente, portanto, estas podem não se sentir frustradas, na verdade. Mas elas estão completas?
A questão aqui é que um homem gay pode sim ser feliz escondendo e negando para si mesmo este aspecto importante de sua personalidade porque o meio em que ele foi criado o ensinou que ser aquilo que ele é é tão errado que o sofrimento criado ao se assumir é superiormente mais insuportável que, e isso acontece normalmente à nível subconsciente, este homem escolhe suprimir este lado da própria sexualidade. Minha dúvida aqui é como uma pessoa dessas se sente já que eu nunca passei por esta experiência de tentar não ser gay. Será que ela sente falta de algo? Ou não, já que para sentir a falta de algo é preciso tê-la conhecido/experimentado?