Natal teve neste domingo, 16 de dezembro, a sua XIV Parada do Orgulho LGBT, ela estava programada para sair do bairro de Ponta Negra, que tem o nome da famosa praia potiguar, onde haveria sua concentração e se seguiria-se para a praça da árvore de Natal, em Mirassol, onde um palco traria atrações regionais como cantoras e shows de drag queens, tudo muito simples para um público esperado de não mais do que 100 mil pessoas. Contudo no momento em que os motores dos trios elétricos são ligados, chega a ordem vinda do Corpo de Bombeiros Militares do Rio Grande do Norte, a parada gay não poderia sair.
Os trios elétricos não tiveram permissão do CBM para fazer o pequeno percurso animando o público que já se aglomerava. Eles interditaram os trios elétricos argumentando que eles não ofereciam a segurança necessária; seguiam ordem da Cosern, Companhia de Eletricidade do Rio Grande do Norte, que argumentava que os trios elétricos poderiam cortar os fios de alta tensão ao passar no seu trajeto pela avenida. Os organizadores esbravejaram. Xingava-se a governadora Rosalba Ciarlini, acusava-se de homofobia institucional o Corpo de Bombeiros, o comandante-geral da corporação, cel. Dantas, também não foi perdoado. Foi quando um grito de ordem ecoou pelos altos falantes: "Se eles não permitem que saiamos com os trios, nós ocuparemos a avenida". Os participantes atenderam o apelo e espalharam-se pela avenida Engenheiro Roberto Freire, impedindo o trânsito dos carros e fechando a principal artéria da zona sul da cidade. Perguntava-se se no Carnatal, que havia sido semana passada, os bombeiros também faziam as mesmas exigências de segurança para Cláudia Leite cantar seu Largadinho.
O trânsito constante foi então bloqueado por drag queens em cima de saltos altíssimos e leques imensos. Meninos usando regatas cavadas se espalharam pelo asfalto dançando ao som da musica ensurdecedora que continuava saindo dos trios. Um dos organizadores conclamava: "Lembrem-se em quem vocês vão votar na próxima eleição, meus amigos, nós fomos impedidos de realizar nossa parada porque vivemos num governo homofóbico de uma governadora que usa tailleurs da década de 50 com os brincos mais cafonas que eu já vi na vida". Gargalharam com a comparação que ele fez em seguida entre a governadora e o personagem Valéria, do Zorra Total.
"Who run the world? Girls!" explodindo no outro trio era a trilha sonora de motoristas impacientes que só podiam olhar enquanto uma drag desfilava sua bunda desnuda na frente do seu para-brisa. Outro organizador grita no microfone: "Fora Rosalba! Somos cidadãos e merecemos respeito!". Outro agradecia, no entanto, o apoio da prefeitura de Natal, que permitira o uso da avenida, na figura da Secretária de Saúde que estava em cima do trio elétrico, também agradecia a Polícia Militar que fazia a segurança e protegiam, agora, os manifestantes dos carros. Por entre os carros então manifestantes resolveram distribuir camisinhas e pediam assinaturas para um projeto de lei que criminalizaria a homofobia.
Meninas logo colocaram suas garrafas de refrigerante e vodca no chão e faziam círculos onde conversavam animadas e paqueravam outras meninas que passavam por ali. Inúmeros vendedores ambulantes também começaram a tomar o espaço, puxavam seus carrinhos com uma grande caixa de isopor e uma placa imensa dizendo Skol R$ 2,00 e ocuparam a avenida se fixando entre os participantes que dançavam "hey, ey, ey, ey, like a girl gone wild, a good girl gone wild". Uma drag queen convidava as pessoas nos ônibus parados para descer e comemorar o orgulho de ser quem somos.
A organização do evento tentou uma liminar na justiça autorizando que o evento ocorresse, e conseguiu, porém o comando do Corpo de Bombeiros ignorou completamente a ação. Eles estavam irredutíveis! Então o protesto se manteve. Foram sete horas de trânsito bloqueado. A polícia teve que intervir e criar um desvio após as duas primeiras horas. Mas o congestionamento foi inevitável. As 20:45 da noite, a primeira fala dos bombeiros apareceu. Thaisa Galvão, blogueira natalense de politica, disse que o coronel Dantas afirmava que a questão era exclusivamente a segurança, que os trios elétricos tinham 6 metros e não 5 como fora permitido. "Pode ver que ali na Roberto Freire os fios são baixos e tem até fios de alta tensão". Mas eu lembrei que o trio elétrico do Chiclete com Banana tem 7 metros de altura, e o de Ivete Sangalo 5,40. O tema da parada este ano, "A Homofobia fez isso comigo, e com você?", me pareceu bem apropriado.
