Eu tenho sofrido muito prevendo a situação que seremos colocados após esta bendita Copa. Começa o período de eleição para presidente do país. Dilma Rousseff/PT, Eduardo Campos/PSB e Aécio Neves/PSDB são os únicos candidatos já confirmados, outros dez (entre eles Jair Bolsonaro/PP, Soninha Francine/PPS e Randolfe Rodrigues/PSOL) estão na lista de possíveis candidatos ao cargo de líder do poder executivo da república brasileira. Falarei somente daqueles que foram confirmados. Dilma, atual presidente, é simplesmente a maior decepção política que eu já vivi. Sei que ela não é na história brasileira, porque ninguém rouba este título de Fernando Collor, nosso príncipe que deu errado. Mas Dilma, preocupada com a governabilidade, vendeu todas as suas alianças pelos votos de nossos congressistas, não que esta não seja um método comum a todo o mundo, ao contrário do que dizem por aí, esta não é uma invenção do PT, mas o tipo de aliança que esta senhora descendente de húngaros fez me fizeram desacreditar que seu partido possa ser uma boa escolha para os próximos anos do país. Os avanços sociais foram inegáveis com o PT (a distribuição de renda, a ampliação da educação superior e tecnológica, o controle da inflação e do poder de compra do salário mínimo), eles aconteceram, e seria irresponsabilidade minha negar isso, porém o governo da senhora presidenta (como ela gosta de ser chamada) também se negou a travar novas batalhas visando apoio político. Dilma fugiu de temas impopulares: o kit anti-homofobia e a lei contra homofobia foram engavetados, o casamento homossexual nem foi discutido, a perseguição evangélica às religiões de matriz africana não foram questionadas, tudo em nome de uma aliança que agora pode se virar contra ela se Jair Bolsonaro se candidatar. Sem sombra de dúvida, o maior defeito de Dilma Rousseff é sua relação escusa com a bancada evangélica, sei que seus opositores citariam os mensaleiros, ou as malfadadas transações da Petrobrás, mas o maior erro desta senhora sem sombra de dúvida foi abandonar seus aliados históricos (os movimentos sociais) em nome da proteção dos interesses de igrejas, a situação do ano passado da Comissão de Direitos Humanos comprova isso.
O maior desafiante de Dilma é o príncipe mineiro, Aécio Neves. Neto de Tancredo, governador de Minas Gerais, o senhor Neves já era apontado como o próximo candidato a eleição desde a derrota do PSDB para o PT em 2010. E eu sempre repeti que fora de Minas Gerais ele era totalmente desconhecido. E é. Sem sombra de dúvidas, o principal problema que os marketeiros de Aécio precisam vencer é apresentá-lo como um candidato confiável para o Nordeste e o Norte do país, vencendo as notícias que graças a internet chegam antes aos eleitores. Aécio é um playboy e sempre foi. Um novo Collor, com certeza. Notícias sobre suas festas regadas a bebidas caras e cocaína chegam primeiro aos eleitores do que qualquer proposta que ele possa fazer, e quando ele tem a oportunidade não faz nenhuma. Aécio e o PSDB acreditam que o Brasil todo concorda com as reclamações da elite brasileira. Repetindo frases feitas como a corrupção chegou a níveis alarmantes, o brasileiro paga impostos demais, a burocracia no país é imensa e que o número de funcionário públicos é inchado, ele arranca aplausos de seus correligionários, mas não explica absolutamente nada de qual é seu projeto para recuperar o país que, segundo ele, foi destruído pelo PT. Contudo, quando dentro de círculos internos, ele afirma que o salário mínimo está alto demais, como disse em um encontro com membros da Federação da Indústria de São Paulo. Ou critica a reeleição, obra do seu próprio PSDB que não esperava ter que dividir o poder com outro partido. Este é sem sombra de dúvida o principal problema de Aécio Neves: ele e seus aliados estão no poder há tempo demais! Ele representa um gigantesco passo para trás, um retorno à política do café-com-leite e as oligarquias que tentamos desde 1940 expulsar de nosso sistema político, mas elas teimam em retornar. Não podemos votar no neto de alguém, famílias políticas no Brasil precisam ser extintas!
Apesar desta polarização já estar garantida, Eduardo Campos, do PSB, pode alterar e muito esta situação. Ex-governador de Pernambuco, neto do também ex-governador, Miguel Arraes, tem sua vida política no Executivo basicamente ligada ao avô. Trabalhou junto a ele como Chefe de Gabinete em 1987 (seu primeiro cargo) e entre 1995 e 1998 como secretário da Fazenda de Pernambuco. Ao confirmar sua candidatura ano passado ao cargo, Campos também apresentou sua candidata a vice-presidente, Marina Silva. Os problemas, aqui, reúnem os de Dilma e de Aécio em um único candidato. Eduardo Campos também representa uma poderosa família pernambucana, os Arraes, apesar destes serem bem quistos pela população isto não muda o fato de que é uma família que considera a política como seu ofício, e esta forma de pensar política precisa acabar urgentemente neste país. Já Marina Silva, evangélica, representa um passo para trás em todas as possibilidades de avançarmos nas discussões sobre diversidade neste país. Pelo histórico de Eduardo Campos, contudo, podemos esperar investimentos nas universidades e nos institutos de tecnologia espalhados pelo território, seu governo em Pernambuco, apesar de depender muito da relação com Dilma e o PT, tem sido avaliado positivamente pela população; já Marina Silva defende um discurso que prega o desenvolvimento sustentável, contudo eu, pessoalmente, não confio nela. Eu não confio em evangélicos em posições de poder de forma alguma.
Entre estes três, continuamos sem ter em quem votar, esperamos as confirmações das candidaturas que ainda estão para sair. Algumas para temermos, como a de Jair Bolsonaro, que com certeza vai levantar a bandeira em proteção de Deus e da Família brasileira, apelando para o terrorismo psicológico, e que vai carregar para si boa parte dos votos, talvez votos demais! Outros para rirmos como Soninha e seu discurso que consegue alternar entre o mais conservador possível, na defesa de uma pensamento coxinhas sobre a economia e a proteção dos direitos que a classe média pensa ter e o mais libertário que ela consegue imaginar apoiando a descriminalização da maconha, por exemplo. Outros para talvez termos alguma esperança, Rodolfe Rodrigues, por exemplo, talvez seja uma aposta interessante, mas que fará com que o PSOL seja obrigado a rever boa parte do seu próprio pensamento como partido e, talvez, vejamos um novo PT emergindo dali. Como observador, são grandes tempos para ser historiador e blogueiro, como cidadão gay deste país de terceiro mundo eu temo pelo nosso futuro e, qualquer coisa, pernas para quê te quero?
O maior desafiante de Dilma é o príncipe mineiro, Aécio Neves. Neto de Tancredo, governador de Minas Gerais, o senhor Neves já era apontado como o próximo candidato a eleição desde a derrota do PSDB para o PT em 2010. E eu sempre repeti que fora de Minas Gerais ele era totalmente desconhecido. E é. Sem sombra de dúvidas, o principal problema que os marketeiros de Aécio precisam vencer é apresentá-lo como um candidato confiável para o Nordeste e o Norte do país, vencendo as notícias que graças a internet chegam antes aos eleitores. Aécio é um playboy e sempre foi. Um novo Collor, com certeza. Notícias sobre suas festas regadas a bebidas caras e cocaína chegam primeiro aos eleitores do que qualquer proposta que ele possa fazer, e quando ele tem a oportunidade não faz nenhuma. Aécio e o PSDB acreditam que o Brasil todo concorda com as reclamações da elite brasileira. Repetindo frases feitas como a corrupção chegou a níveis alarmantes, o brasileiro paga impostos demais, a burocracia no país é imensa e que o número de funcionário públicos é inchado, ele arranca aplausos de seus correligionários, mas não explica absolutamente nada de qual é seu projeto para recuperar o país que, segundo ele, foi destruído pelo PT. Contudo, quando dentro de círculos internos, ele afirma que o salário mínimo está alto demais, como disse em um encontro com membros da Federação da Indústria de São Paulo. Ou critica a reeleição, obra do seu próprio PSDB que não esperava ter que dividir o poder com outro partido. Este é sem sombra de dúvida o principal problema de Aécio Neves: ele e seus aliados estão no poder há tempo demais! Ele representa um gigantesco passo para trás, um retorno à política do café-com-leite e as oligarquias que tentamos desde 1940 expulsar de nosso sistema político, mas elas teimam em retornar. Não podemos votar no neto de alguém, famílias políticas no Brasil precisam ser extintas!
Apesar desta polarização já estar garantida, Eduardo Campos, do PSB, pode alterar e muito esta situação. Ex-governador de Pernambuco, neto do também ex-governador, Miguel Arraes, tem sua vida política no Executivo basicamente ligada ao avô. Trabalhou junto a ele como Chefe de Gabinete em 1987 (seu primeiro cargo) e entre 1995 e 1998 como secretário da Fazenda de Pernambuco. Ao confirmar sua candidatura ano passado ao cargo, Campos também apresentou sua candidata a vice-presidente, Marina Silva. Os problemas, aqui, reúnem os de Dilma e de Aécio em um único candidato. Eduardo Campos também representa uma poderosa família pernambucana, os Arraes, apesar destes serem bem quistos pela população isto não muda o fato de que é uma família que considera a política como seu ofício, e esta forma de pensar política precisa acabar urgentemente neste país. Já Marina Silva, evangélica, representa um passo para trás em todas as possibilidades de avançarmos nas discussões sobre diversidade neste país. Pelo histórico de Eduardo Campos, contudo, podemos esperar investimentos nas universidades e nos institutos de tecnologia espalhados pelo território, seu governo em Pernambuco, apesar de depender muito da relação com Dilma e o PT, tem sido avaliado positivamente pela população; já Marina Silva defende um discurso que prega o desenvolvimento sustentável, contudo eu, pessoalmente, não confio nela. Eu não confio em evangélicos em posições de poder de forma alguma.
Entre estes três, continuamos sem ter em quem votar, esperamos as confirmações das candidaturas que ainda estão para sair. Algumas para temermos, como a de Jair Bolsonaro, que com certeza vai levantar a bandeira em proteção de Deus e da Família brasileira, apelando para o terrorismo psicológico, e que vai carregar para si boa parte dos votos, talvez votos demais! Outros para rirmos como Soninha e seu discurso que consegue alternar entre o mais conservador possível, na defesa de uma pensamento coxinhas sobre a economia e a proteção dos direitos que a classe média pensa ter e o mais libertário que ela consegue imaginar apoiando a descriminalização da maconha, por exemplo. Outros para talvez termos alguma esperança, Rodolfe Rodrigues, por exemplo, talvez seja uma aposta interessante, mas que fará com que o PSOL seja obrigado a rever boa parte do seu próprio pensamento como partido e, talvez, vejamos um novo PT emergindo dali. Como observador, são grandes tempos para ser historiador e blogueiro, como cidadão gay deste país de terceiro mundo eu temo pelo nosso futuro e, qualquer coisa, pernas para quê te quero?
